Cumplicidade Feminina

29 de agosto de 2010

Uma das coisas que mais gosto de fazer, é lidar com gravações e interpretações.

Desde criança, e acho que a maioria dos cegos passaram pela faze de brincar de gravar, eu costumava gravar minha voz imitando os personagens do meu dia a dia. Imitava

minha mãe dando bronca, a professora dando aula, as atrizes de novelas com seus textos românticos e adorava brincar de rádio, onde eu era a âncora de um programa

local qualquer de uma gigantesca cidade.

Hoje eu cresci, tenho 35 anos, porém posso afirmar que minha mentalidade não acompanhou o desenvolvimento físico do meu humilde ser. Ainda adoro brincar de gravar

e interpretar.

Mas na época da minha infância, eu não tinha uma mesa de som, e até hoje ainda não tenho, mas os recursos eram muito mais escassos. Eu contava apenas com um gravador

para tocar a música e outro para gravar o que eu falava juntamente com  a música do outro aparelho. Era algo muitíssimo precário, mas que me deixava eufórica. Com

o surgimento dos computadores, internet, programas que falam para nós cegos, uma portinha se abriu para que a minha brincadeira ficasse, como direi, um pouco mais

real.

Comecei com essas gravações na rádio dosvox, da UFRJ, onde eu juntamente com mais alguns amigos corajosos, editamos algumas gravações que passamos a chamar de programas

de rádio. E não é que a coisa deu certo? Alguns outros amigos, também corajosos, ouviram nossas bagunças sonoras e adoraram. Com o

incentivo da turma começamos a

botar pra quebrar nas gravações. No começo eram programas simples com uma qualidade muito precária, mas que todos, tanto nós que gravávamos e editávamos o áudio,

como também os que ouviam, curtiam de montão. A Rádio Dosvox foi crescendo com tanto incentivo e os programas passaram a

adquirirem mais técnica, além de variar nos

temas. Chegou a um ponto onde tínhamos um programa de música romântica, outro de Rock, um de forró, outro sobre informática, outro sobre livros, até um diretamente

de Portugal entrou  na grade de programação! Tinha também mensagens de auto ajuda, programa culinário  e eu deixei os programas estilo FM e passei a gravar o Mundo

da Lua que era um programa com as dicas astrológicas da semana, além de entrar de cabeça nas áudio interpretações.

Desde pequena, é algo que também acho que a maioria das crianças, principalmente as meninas, sonham em ser atriz. Pois é, eu sempre quis ser atriz, mas devido as

circunstâncias desse fenômeno gigantesco chamado vida que resolve sem avisar nem dar aviso prévio nos jogar em situações diferentes, nos obrigando por muitas vezes

a desviar dos caminhos que gostaríamos de seguir, não trilhei a carreira artística. Pelo menos não nesse contexto, pois há quem jure de pé junto que eu sou uma artista

de primeira. Eu prefiro acreditar que sou arteira. Mas como gosto não se discute e maluquice não dá para se julgar,

eu, incentivada por tantas pessoas carinhosas,

vez ou outra gravo algum texto e envolvo uma cambada de amigos nas gravações. Meu sonho é um dia poder editar uma rádio novela, estilo O Nosso Lar. Cheguei a escrever

uma novela policial com uma boa dose de comédia, mas ainda não tive tempo suficiente para juntar a turma e colocar som na coisa. Enquanto isso, vou me contentando

com os textos menores que nomeei de Áudio Interpretação. Criei o RANAI (Rádio Novela e Áudio Interpretação), que é o nome desse espaço onde gravo toda essa bagunça.

Meu namorido também sempre se envolveu com esse lance todo de som. Quando era aluno do Instituto Benjamin Constant, lidava com o som da rádio da escola. Ele também

fez vários programas de rádio na internet comigo. Aliás, foi onde nosso namoro começou, quando o Salvador me chamou para ajudá-lo em uma outra rádio da net chamada

Rádio Blog. Salvador precisava de pessoas criativas e talentosas para incentivar nas gravações. Conversei com Sérgio e ele colocou a Rádio Blog no ar, passando

a ficar responsável pela qualidade técnica de toda programação.

Então, eu saí da Rádio Dosvox e fui ajudar o Salvador com a Rádio Blog. Eu e Sérgio, meu namorido, namorávamos enquanto editávamos e gravávamos o som da Rádio Blog.

Era bom de mais! Bons tempos aqueles. Como tudo que é bom dura pouco, a Rádio Blog acabou, mas eu me casei com o namorido e até hoje costumamos gravar algumas dessas

baguncinhas sonoras, acompanhados vez ou outra pelas honrosas participações de vários de nossos amigos.

Quando pensei em colocar aqui no telhado tudo isso que gravei, fiquei sem saber como seria. Não sabia se postaria por ordem, começando pelas mais antigas ou se iria

escolhendo aleatoriamente. Depois de um longo debate com o namorido, preferi colocar aleatoriamente, já que seria difícil saber qual exatamente, dentre tantas gravações,

foi a primeira e qual veio depois e depois e depois.

Então, estou disponibilizando para vocês, um texto chamado Cumplicidade Feminina, onde acho que conseguimos passar bem perto do que seria uma rádio novela.

Espero que gostem e por favor, sintam-se a vontade para comentar e dar dicas de textos que possamos gravar.

Clique para ouvir Cumplicidade Feminina com SPC e Miau.

A Trilogia da Viagem – TerryBrooks

28 de agosto de 2010

 
Quando comecei a ler o primeiro livro da Trilogia da Viagem, não esperava tanto do autor. É uma  história envolvendo druidas, Elfos, máquinas e tecnologia, para nós, de última geração. Digo para nós, porque até onde entendi, estou indo agora para o terceiro  livro, o espaço temporal da trama é no futuro, pois eles se referem as máquinas e tecnologia que eu chamo de última geração, como coisas do passado.

TerryBrooks misturou conceitos de magia com os da tecnologia moderna de forma espantosa e bastante criativa. Ao mesmo tempo que ele lança mão da tecnologia para  fazer com que seus personagens ataquem com raios ultra potentes, se foca no poder mental que cada ser possui. E assim ele mantém ambas potências, tanto a tecnológica como a mental, durante toda narrativa da história, fazendo com que seus aventureiros explorem com todas as  forças seus potenciais.

Contrariando todas minhas expectativas da história, me vi envolvida pela trama diante do grupo de amigos que se forma focado em um objetivo de uma única pessoa,  que no fim passa  a ser em comum entre todos. Acontece tanta, mas tanta coisa com essa equipe!eles se separam e o ritmo alucinante com que o autor narra os episódios de cada grupinho que se dividiu é de perder o fôlego. Só consigo me lembrar de um outro autor que me prendeu dessa forma, Matthew Reilly. Apesar das histórias de  Estação Polar e Ária 7 chegarem mais próxima da realidade do que a trilogia da Viagem, existem muitas semelhanças na forma com que esses dois autores contam as histórias. Sem falar  nas lutas da trilogia da Viagem que são muito parecidas com Área 7 E Estação Polar.  Na verdade, a história dos livros de Matthew Reilly nada tem haver com as de TerryBrooks. Matthew Reilly conta sobre um grupo de  fuzileiros que luta contra terroristas  envolvidos em armações políticas, algo bem mais próximo de nossa realidade. Já  TerryBrooks nos remete a um mundo de fantasia onde a magia e a força da tecnologia  são armas essenciais.  Porém, tanto nas obras de um autor, como de outro, os personagens fogem ao mesmo tempo que procuram seus inimigos e haja briga com SIG-Sauer,  Maghook, fogo élfico e muita magia!
E no meio de tanta luta pela sobrevivência, ambos autores conseguem nos passar mensagens lindíssimas sobre a  amizade, caráter e fraternidade.  Colo abaixo um trecho do segundo livro da trilogia da viagem, que gostei bastante. Mas não se prendam somente nessa parte, porque a trama vai muito além disso. Tem  muita briga rolando, uma legião de perseguidores e de fugitivos, tanto do bem como do mal,  muita força de vontade na tentativa de encontrar uma saída daquele mundo aterrorizante. foi apenas um trechinho que achei extremamente sensível na história, e que  mostra que nem sempre o feio é maligno, e o belo benigno. Claro que normalmente tememos os diferentes, mas será que podemos dizer que somos todos iguais? Uma pessoa se torna diferente da outra por suas opiniões, seu aspecto  físico e principalmente devido a sua bagagem de vida que é sempre única.

para quem gosta de perder o fôlego e prender a respiração no meio de batalhas, indico tanto um autor como outro.  Nhau!

“    – Foi você quem disse isso – disse Bek. – Seu rosto não é quem você é. Pode parecer um monstro, mas não é. Você é meu amigo. Salvou a minha vida. Mas não confiava  em mim para contar a verdade a seu respeito. Escondia a verdade porque se enganava e pensava que era outra coisa. Eu prefiro conhecer você assim, por mais terrível  que seja, do que ter a verdade ocultada.
    – Belas palavras – grunhiu o outro, mas não se afastou.
    – A verdade, Truls Rohk. Eu sei que você se odeia por ter esse aspecto. Sei que odeia seu aspecto e como os outros irão olhá-lo se se revelar. Mas às vezes,  com pessoas que importam, precisa revelar até mesmo o pior do que você acredita ser. Precisa ter fé no fato de que não fará diferença. Jamais o julguei pelo seu  aspecto. O que importa é quem você é, e quem você é está sempre enterrado bem no seu interior. Os mutantes nas montanhas sabiam disso. Perguntaram-me o que eu sentia  por você porque queriam ver se eu o achava importante. Será que poderia haver uma amizade entre nós? Até que ponto iria essa amizade? Será que eu achava que haveria  um lugar para você no mundo? Será que eu cederia meu próprio lugar para que você tivesse o seu? Será que eu daria minha vida por você? Eu lhes dei respostas que  não tinham nada a ver com seu aspecto e tudo a ver com quem você é.
    – Então, o que você conseguiu fazendo com que eu lhe mostrasse como sou? A que propósito isso serviu? – Amargura e suspeita cobriam as palavras do outro. – A  verdade não ajuda ninguém aqui.
    Bek apertou o braço do outro e continuou:
    – Mas você não está vendo? A verdade ajuda a todos. A chance de viver que os mutantes deram a você quando foi atacado pelo caull é a mesma chance que você deve dar a Grianne. Todos acham que ela também é um monstro. Mas a verdade é algo inteiramente diferente. Ela simplesmente precisa de alguém que a ajude a ver isso. Ela precisa de alguém que a ajude a se despir de seus enganos e mentiras. Precisa de alguém que acredite nela, que acredite que ela é mais do que todos vêem. Ela precisa  de alguém que fale por ela.
    Bek inclinou-se para perto.
    – Não há mais ninguém a não ser você e eu. Somos a última esperança dela.
    Fez-se um longo silêncio quando ele terminou, um congelamento de tempo e espaço enquanto o garoto e o mutante encaravam um ao outro na escuridão, um humano e  o outro, alguma coisa. Todo o ar havia desaparecido do mundo, deixando-o vazio e sufocante. Bek não sabia o que fazer ou dizer. Recusava-se a soltar Truls Rohk,  segurando-o firme pelo braço, como se fazendo assim pudesse mantê-lo preso à sua causa.
    – Você e eu – o outro disse por fim, a voz rouca estranhamente suave. – Mas em grande parte você.”

Um Longo Caminho Para Casa – Danielle Steel

28 de agosto de 2010

Acabei de ler UM LONGO CAMINHO PARA CASA de Danielle Steel.Antes de comentar, gostaria de dizer que eu demorei muitíssimo tempo para conseguir ler alguma coisa deDanielle Steel. Quando era adolescente, muitas amigas liam os romances dessa autora, comentavam e eu ficava doida para ler. Porém, quando pegava um dos livros dela, não conseguia nem chegar a metade da história. A trama era enrolada de mais, demorava para que o livro fizesse sentido e eu largava. Tentei ler vários romances dela,  mas sempre deixava de lado e não terminava. Na época, os gêneros que me fascinavam eram os policiais, como os da Agatha Christie ou os romances de Ken Follett ou  Sidney Sheldon. Há pouco mais de um ano que realmente comecei a ler Danielle Steel e já li mais de 20 livros dela. Realmente, seus livros começam de vagar e a trama  demora a se desenvolver, mas hoje eu adoro seus enredos. Penso que os livros chegam para nós no momento certo. Não adianta tentar ler determinado livro em um momento  da vida que não estamos receptivos para tal leitura. Hoje, Danielle Steel juntamente com Nora Roberts estão entre minhas autoras prediletas de livros rosinhas.

Um Longo Caminho Para Casa conta a história de uma mulher que foi muito maltratada na infância. É um livro muito forte, principalmente no começo, pois durante sua  infância, Gabriela sofre fortes agressões físicas e psicológicas de sua mãe e pai. O livro se torna difícil de ser deixado de lado, pois no meu caso, eu fiquei doida  para saber como ela iria prosperar na vida. E depois, durante sua adolescência, e até mesmo quando adulta, essas agressões não cessam. Essa personagem sofreu de  mais na vida, tanto nas mãos de seus pais, como nas de outras pessoas que cruzaram sua jornada. É um livro que passa muita determinação e força de vencer na vida.  A noção de casa, no sentido de lar, é muito bem explicitada nesse livro, pois nos mostra que a verdadeira casa, o real lar está naquele lugar onde encontramos a  felicidade, e não em uma estrutura física de concreto. Como eu costumo dizer, o meu lar é nos braços do meu namorido, pois não há lugar no mundo onde eu me sinta  mais amada e protegida. E o seu, onde é?

Seja Bem Vindo ao Ronronar dos Livros!

20 de agosto de 2010

É com muita alegria que reservo esse cantinho do meu telhado para meus
amados livros. Aqui, compartilharei com todos comentários sobre livros que estou

lendo, e até mesmo os que já li. Costumo ler cerca de 3 livros por mês, e esse é um dos meus mais fortes

vícios. Tenho cerca de vinte mil livros, e é claro que todos eles merecem ser

guardados e compartilhados com muito carinho, e por isso, inauguro

hoje, o ronronar dos livros bem aqui em cima do telhado. Dentre os gêneros que mais gosto de ler, estão os livros com muita

ação, os de suspense, de ficção científica, os romances policiais, os sobrenaturais, os espíritas, infanto-juvenil e claro, como uma gata bastante romântica que sou, os

que costumo chamar de romances rosinhas. Geralmente leio juntamente com

meu namorido, mas ele costuma fugir desse último gênero, não sei

porquê, já que ele próprio é tão romântico. Mas ele prefere os de terror, que eu particularmente passo longe,

apesar de já ter lido alguns juntamente com ele. Sou muito curiosa,

principalmente no que tange as preferências das pessoas que gosto.

Então, não me controlo quando vejo ele lendo algo e me meto para ler

também, apesar dos avisos dele que eu não gostarei da história.  E o pior de tudo é quando percebo que apesar do gênero não me agradar,

acabo amando a forma do autor expor os acontecimentos.

Isso aconteceu com o livro de Stephen King chamado O Cemitério. Eu

morri de medo durante toda a leitura, mas não conseguia

parar de ler. A história envolve uma família que acaba de se mudar para uma pequena

cidade do Maine, onde existe um Cemitério de animais de estimação no

qual as crianças de gerações passadas enterravam seus bichinhos. Porém,

atrás desse Cemitério, existe algo ainda maior e totalmente

horripilante que me fez segurar a respiração até o último momento da

leitura. Esse livro mexeu tanto comigo, que durante um ano após ter lido,

ainda sentia o garotinho da história se aproximando da minha cama.

Durante a leitura, só dormia de mão dada com meu namorido, quando não

pedia para ele me abraçar fortemente, além de suplicar que ele me

esperasse dormir, para só depois de estar profundamente adormecida ele

pudesse finalmente se entregar ao sono.
 eu fiz também uma revira volta no nosso quarto aqui em casa. Troquei a

cama, o armário e a mesa do computador de lugar. Eu falei que o livro

mexeu comigo, não é? E  eu mexi com as coisas, tamanho o medo que

sentia! E não me contive apenas trocando as coisas de lugar. Não ia ao

banheiro a noite sozinha nem pensar, não ia buscar água na cozinha sem

ele, e nem tão pouco atender o telefone na sala desacompanhada! e o namorido

ficou um tanto quanto irritado com minha postura.
 Quem mandou ele me fazer ler? Era o pagamento dele por escolher um

livro tão horripilante, ao mesmo tempo que era tão bom. E o pior de tudo, é que eu não me lembro de ter tido tanta vontade

de ir ao banheiro de madrugada, e nem tão pouco sentido tanta cede na

vida. Sem falar, que o telefone jamais tocara tanto aqui em casa após

as dez horas como naquela época.  Pronto, se é para se vingar, até

mesmo involuntariamente eu respondo a altura. E ele, o namorido, claro

que me acompanhava em todas essas excursões ao banheiro, a cozinha e ao

telefone.  E ficava em pé me esperando terminar o serviço. Não, ele não

aproveitava para ir beber água na cozinha enquanto eu estava fazendo

2x,, porque a primeira vez que ele tentou, eu fui atrás, interrompendo

meu sagrado xixi. Então ele percebeu que seria melhor me esperar para

depois ir, comigo a tira colo, beber água. A primeira vez que ele me levou para beber água, assim que ele saiu, eu

fui atrás, deixando a garrafa de água fora da geladeira, para no outro

dia levar um puxão de orelhas dele. Com o telefone foi pior. Quando

este tocou uma bela, ou seria melhor dizer terrível, noite, eu não fui

atender, e quando ele foi, eu fui atrás. Ele ficou irritado, pois já

que eu iria atender, porque esperei ele se levantar? Ora, porque eu

estava com medo! Simples assim. E quando ele me passou o fone para eu

atender minha amiga, e se retirou em seguida para o quarto, eu

desliguei o telefone na cara da amiga e fui correndo a trás dele. É, a

coisa foi séria. E no fim das contas quem teve que explicar para a amiga

o que houve com o telefonema interrompido? Ele, o namorido, é óbvio.
 Essa época foi terrível! Eu realmente tinha medo de ficar sozinha.

Depois desse livro, ficamos um longo tempo sem ler gênero de terror, e

eu me pergunto qual terá sido o motivo?

Descobri com o Cemitério que Stephen King é um dos melhores autores que

existem por aí. Não por ele simplesmente escrever bem, detalhar  com facilidade e de forma nada cansativa as situações e paisagens, mas sim por fazer com que um ser como eu,

medrosa até morrer, conseguisse ler um livro medonho desse até o fim.

Só escrevendo lindamente para prender alguém que detesta tal gênero. E

hoje pesando o que realmente sinto por tal livro, penso que adorei

lê-lo e conhecer esse maravilhoso autor. Depois desse, consegui ler outras obras de Stephen King e descobri que

ele não é um bicho papão em todas as histórias. A Espera de um Milagre,

por exemplo, não tem nada de medonho. Mas O Iluminado, confesso que

ainda não tenho coragem para ler.

Bem, está inaugurado o ronronar dos livros aqui no telhado. Vamos, subam,

 pegue uma almofada, sente-se confortavelmente, comente sobre esse

livro e autor, e seja, muito, mas muito bem vindo ao mundo dos livros

felinos da Miau!

Valeu Dunga!

2 de julho de 2010

Hoje nós  brasileiros nos despedimos da copa 2010. Com o uniforme azul de letras amarelas, o Brasil entrou em campo e fez  o melhor primeiro tempo dessa copa. Jogadas combinadas, lances lindíssimos, sincronia da equipe em campo. O Brasil se orgulhava de seus jogadores.
 Nas ruas, ouvia-se por trás dos portões e muros das casas, as famílias  reunidas em uma só energia de incentivo a seleção brasileira. Crianças,  rapazes, meninas, homens, mulheres e idosos torcendo, chamando o nome  dos jogadores que estavam com a posse da bola, lamentando um quase gol,  vibrando como se deve para sair o nosso gol. Não demorou muito tempo, Robinho marcou, mas estava impedido. O coro do  Brasil se elevou, mas seguramos o tempo em uma firmata para dali há  mais um pouquinho bradar o verdadeiro gol que veio de uma jogada  espetacular de Felipe Melo para que Robinho marcasse o primeiro. A vibração brasileira foi sentida em todos os cantos do Brasil. E o Brasil continuou dando seu show durante todo os primeiros 45  minutos. Locutores narravam com animação, elogiavam a seleção brasileira  emocionadamente. E até esqueceram da seleção “do Dunga.” Não não, agora  era a seleção do Brasil. As críticas venenosas foram esquecidas.

O segundo tempo foi uma catástrofe. Nem parecia que era o mesmo time do  primeiro tempo. Em um erro brasileiro, a Holanda marcou. Tudo bem, empate, voltamos ao começo, minha mente gritava para os  jogadores não se desmotivarem. Mas infelizmente após o empate, eles ficaram muitíssimo afetados.  Parecia até que o Brasil estava perdendo de 5 a 1. E eu gritando: – é empate, é empate, tá tudo igual, vamos desempatar! Mas eles não ouviram. Naturalmente, após um gol de um time, este se sente motivado e tenta  fazer mais. É a famosa lógica, se fiz 1, posso fazer 2. Mas o desequilíbrio emocional dos jogadores brasileiros fez com que interpretassem que o jogo estava perdido. E começamos a errar passes, não chegar na bola… Os jogadores sumiram!  Depois veio o gol de desempate da Holanda e o desespero tomou conta do  Brasil. Se antes o Brasil pouco chegava na bola por um desânimo que não consigo  entender, agora então nem a bola eles viam. Até mesmo aqueles que na minha opinião foram os melhores jogadores,  os zagueiros, não estavam mais lá. Praticamente todas as  defesas do segundo tempo foram feitas por Júlio Cesar sozinho. Dos  outros jogadores, só ouvia o nome de Daniel Alves sendo narrado pelo  locutor. Daniel no meio de campo, na lateral, na falta, e na outra  falta, e corre para ajudar Júlio Cesar e só. Quando conseguíamos chegar perto do gol, o jogador errava, nem na trave  acertava e eu gritava: – É cego! Tinha que ter alguém atrás do gol fazendo barulho pra ele  acertar a mira!
 Mas não. Foi erro atrás de erro, erros grotescos, e  violência desnecessária. O mesmo jogador que ajudou no gol do Brasil, foi expulso por chutar e  pisar em um adversário. Agora os locutores falavam mal do Brasil, diziam que tal atitude do  Felipe Melo já era esperada, a imprensa criticava os jogadores “do  Dunga” e afirmava que essa seleção não jogava nada.

A Holanda jogou em cima dos erros brasileiros. O primeiro gol da Holanda, não foi da Holanda, e sim um gol contra de  Felipe Melo na falha de Júlio Cesar. E depois disso, só se via Daniel Alves nos lances. Os outros jogadores  pararam muitíssimo abalados com o Brasil perdendo. Jogando com um jogador a menos em campo, o Brasil tentou chegar para o  empate, mas a situação era de mal a pior. Houveram faltas a favor do Brasil, mas falhamos. Com 10 jogadores em campo, ainda assim conseguimos perder de 2 a 1.  O juiz deu três minutos de acréscimo, e o silêncio na vizinhança era  total. Todo mundo prendendo a respiração, focados na energia positiva com muita esperança de um gol de empate. Mas infelizmente esse gol não existiu. O Juiz apitou e o jogo acabou, juntamente com a chance de vencermos  pela sexta vez uma copa do mundo.

Agora a emprensa chega rasgando, como já queria, para cima de Dunga.  Critica os jogadores “do Dunga”, a seleção “exclusiva do Dunga”. Diz que escolheu mal os jogadores, que essa seleção não joga futebol,  não tem técnica e que o técnico brasileiro influenciou os atletas contra a imprensa.
 Perdemos sim, mas perdemos com honra e mérito.

A Holanda nem de longe jogou mais bonito do que o Brasil. Até mesmo seu primeiro gol, foi em cima de um erro nosso. O show de bola do primeiro tempo não se deve jamais ser esquecido. Se todas as jogadas de gol e defesa do Brasil nessa copa foram sem técnica, o  que seria futebol para os comentaristas?  Desligo o rádio imediatamente após ouvir o mesmo comentarista que elogia  o Brasil quando este está ganhando, e critica de forma covarde apelando  para argumentações como esta, que o Brasil não está jogando futebol,  quando está perdendo.

Eu me declaro uma Dunguista de primeira. Estou com o Dunga e não abro. Se a imprensa preferiu rotular a seleção como a “seleção do Dunga”, que  seja. Não consigo imaginar nem uma equipe sendo formada por outra pessoa que não seu técnico. Não importa se o Dunga deixou de levar um jogador que jogava melhor que um que foi para a copa, não importa que ele tenha  dado um chega pra lá na imprensa. Importa sim, que com esses jogadores  que foram para lá, ele, o Dunga, desempenhou um papel belíssimo.  Praticamente todos os jogadores da seleção brasileira dessa copa de 2010  jogavam em todas as posições. E isso é raro. Que outra copa teve tantos  jogadores versáteis dessa forma? Aquele unzinho que não foi escalado, poderia ser um artilheiro melhor  do que um que foi, mas será que ele conseguiria mudar de posição com  tanta facilidade? Qual outro técnico brasileiro teve peito para colocar a imprensa em seu  lugar? E venhamos e convenhamos, não é, a imprensa vai de mal a pior.  Perguntas idiotas como tantas que foram  feitas, só recebendo mesmo uma  resposta de Saraiva. E Dunga não chegou nem perto desse personagem. Desde o começo ele foi ferozmente criticado pela imprensa, o que  justificaria e muito, algumas posições dele. E perguntas inúteis como  tantas que foram feitas na coletiva, merecem não só serem rechaçadas,  mas também eliminadas. E será que os técnicos das outras seleções são mais educados do que o  Dunga? Será que enquanto o Dunga “fecha a
 porta para a imprensa” os outros abrem? Não não. Os outros técnicos agem da mesma forma, se não pior, como é o  caso do Maradona.

Outro dia estava conversando com um amigo sobre o fato de um jornalista  não precisar ter o diploma universitário. Ora, mas tendo eles fazem  esse papelão! A imprensa sim, deveria mobilizar os torcedores para irem receber de  braços abertos nossos heróis no aeroporto. Porque eles jogaram. E  jogaram muito! E ao contrário dos ataques frenéticos da imprensa, eles  fizeram bonito nos orgulhando até o fim. Faltou equilíbrio emocional. Mas isso não é culpa do Dunga nem dos  jogadores. Há muito tempo que vemos os jogadores ficarem emocionalmente abalados quando sofrem um gol, quando  nós, torcedores, que estamos vendo tudo que se passa em campo, e que damos um show em vários comentaristas, temos a certeza que o futebol brasileiro é o melhor do  mundo. Júlio Cesar foi para a copa com o título de melhor goleiro do mundo.
 Mas nós não vemos isso. Só queremos ganhar e pronto. Não importa se o  jogo foi ótimo, que a seleção jogou pra valer, que as jogadas tenham  sido lindíssimas e de placa. Será que já esquecemos o belíssimo gol de Luís Fabiano? Será que esquecemos a velocidade de Daniel Alves, Micom e Newmar? Será que esquecemos os acertos de Ruan e Lúcio? Será que esquecemos as passadas de bola de Kaká? Será que esquecemos os dribles desconcertantes de Robinho? Será que esquecemos as defesas fantásticas de Júlio Cesar? Será que esquecemos os ataques de Elano? Será que esquecemos as jogadas de Ramires? Será que apagamos de nossas mentes o desempenho de toda essa rapaziada? Será que não atentamos para a péssima arbitragem de toda essa copa? Será que deixamos de lado o fato de um jogador estar ali tentando  evitar o terceiro gol, jogando machucado desde o primeiro tempo? Será que esquecemos que somos os primeiros do mundo no rank de copas?  Que outra seleção ganhou cinco vezes?

Está na hora de nós brasileiros pararmos e analisarmos com mais carinho  o nosso futebol. E dar sem sombra de dúvida, valor aquilo que nos  pertence. Durante os jogos passados do Brasil, enquanto eu ouvia dos estrangeiros  elogios a seleção brasileira, escutava dos brasileiros críticas e  críticas maldosas. Faltou equilíbrio emocional dos jogadores. E isso precisa urgentemente ser trabalhado para a próxima copa. A  seleção brasileira precisa ter uma equipe eficaz de psicólogos e outros  profissionais nessa área. E enquanto isso não acontece, nada de entrar na pilha da imprensa.  Vamos receber de braços abertos nosssos jogadores que nos  proporcionaram um show de futebol.

Parabéns Dunga, por seu trabalho. Ao contrário do que se diz por aí,  você é um vencedor e a “sua seleção” foi uma das melhores equipes da  copa. Parabéns jogadores. Dessa vez não deu, mas um dia precisamos perder  também. E vocês perderam com dignidade e de cabeça erguida. E obrigada, por me fazer torcer com orgulho por nosso Brasil!

Amarrando os Sentimentos

11 de abril de 2010

Chegou de leve na brisa quente de Dezembro. um sussurrar, um leve tocar, um abraçar, um chamado, um  desatar. Me cercava POR TODOS OS LADOS, MAS HÁ MUITO QUE A Deusa DECIDIRA POR serrar os OLHOS E fechar as sete cortinas do caminho dos sentimentos.

Acostumada com a visão noturna, a felina fora para a caverna da desilusão e ajudada pelas Moiras,  costurou com fios de aço os véus da jornada perigosa do amor. Na amizade ela deu um laço apertado, prendendo nele todos os falsos amigos que tivera até ali. E pediu a Brigith piedade por não compreender os mistérios dos relacionamentos humanos.

Ao amarrar o carinho, os fios de aço cortaram seus dedos, fazendo sangrar juntamente seu coração, que tanto afagara as pedras que tropeçara em sua jornada. Mas estas voltaram-se contra a gata, fazendo-a fugir para longe e se abrigar solitariamente debaixo da marquise do medo, onde lembrou dos braços ternos de Isis.

Do mesmo fio do carinho, puxou um apertado nó para  a fidelidade, onde imperceptivelmente caiu uma gota de sangue de seu corte. Deixou ali registrada toda sua sinceridade, e pediu justiça a Maat.

Amarrou o respeito e pediu misericórdia a Vulcano, pois apesar da determinação, ainda não entendera o motivo da não colheita.

Seu dedo começara a gotejar com mais freqüência,
 e amarrando o companheirismo, assoprou o ferimento, suplicando a Sekhmet que lhe mantivesse distante de qualquer envolvimento. Tentaria a todo custo seguir só, tendo apenas  como companhia a voz da mãe. Obedeceria somente as forças da natureza.

Com sua mão já envolta a sangue, deu um nó cego na compreensão. A vida não lhe fora muito grata até então, e nada tinha para compreender. Seguiria apenas seu instinto felino. E deu de presente a Osiris toda sensibilidade que possuía. Já sem forças, conseguiu apenas dar um laço fraco no prazer. E talvez por isso, a gata dali em diante passou a viver por prazer. Não era triste viver por prazer e seguir seus extintos. Tinha uma vida vazia, é verdade, apesar de muitas companhias. Mas ela amarrara o companheirismo com sangue de sua dor, e jamais se apegaria a uma pessoa. Agora era carregada para o mundo de Dionísio e Vênus.

Reunindo suas últimas forças amarrou o taxo de sentimentos e o lançou no fundo do abismo do esquecimento.

A gata era simpática, bonita e perspicaz. Aproveitava todas as delícias da vida e seu lema era apenas viver buscando a felicidade, longe de apegos. Mal sabia de que Cronos, o senhor do tempo era capaz. Só ele para inspirar os deuses e fazer com que as feridas se cicatrizassem. A gata viveu assim por muito tempo. Transbordava alegria e simpatia, mas a cicatriz da busca interior demorou a fechar. Só um amor verdadeiro para curar tal enfermidade. Apesar da aparência, ela sabia… lá no fundo sabia, que quando isso acontecesse, não existiria mais ferida, surgindo no lugar desta um solo fértil de amor, paz, compreensão e respeito.

História do Círculo da Lua

24 de março de 2010

Dentre tantas coisas que gosto de fazer na internet, uma das que mais gosto certamente é jogarMud. Muds são jogos de RPG onlines, onde criamos um personagem e interagimos com outros personagens e com o jogo em si. Em um desses Muds, chamado Valinor, eu desenvolvi o personagem da Selkie, uma humana. Com o decorrer do jogo, fiz parte de um clã, mas senti a necessidade de criar  juntamente com outros amigos, um clã mais personalizado. O clã infelizmente não foi criado, pois eu comecei a trabalhar e tive que diminuir minha participação no Mud, mas a história do clã eu escrevi com muito carinho  e compartilho com vocês.
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História do Clã Círculo da Lua (Por Selkie)
A história do Clã Círculo da Lua tem início com uma sangrenta batalha.  Por volta das 22 horas, do 3º dia do Úrimë do 3064º ano da Terceira Era do Sol, cinco corajosos aventureiros se encontravam em Isengard, por diferentes motivos. Não estavam juntos, mas a luta pela sobrevivência os uniria para sempre. Beringel, um jovem mago, após ter atendido o apelo de uma druida que estava a beira da morte na casa do SR. Dragão, ao tentar retornar para Bri, pegara o caminho errado, seguindo durante muito tempo perdido em uma longa estrada de pedra até que chegou a um grande portão de ferro. Já desconfiava que estava perdido, e ao ver o portão, encheu-se de esperança, pois ainda que não fosse a entrada de Bri, certamente haveria alguém ali que lhe daria abrigo. Porém, sua vasta experiência de ser atacado inadvertidamente fez com que se tornasse invisível e vigiasse o lugar antes de tentar entrar. Ficou algum tempo escondido em uma moita no canto da estrada observando o movimento que não era grande. Viu homens fortes e armados até os dentes entrarem e sair daquele lugar. Achou melhor retornar por onde veio, pois aqueles homens não pareciam nada amigáveis. Já estava se levantando para pegar o caminho de volta, quando ouviu um grito de socorro  vindo de dentro daquela fortaleza. Como mago, tinha a responsabilidade de ajudar seres indefesos e não podia ignorar o apelo. Mas como entraria ali? Como passaria pelo forte guarda que vigiava o portão? Então lembrou-se de uma magia que pouco usava, mas se mostrava eficaz, ficar transparente! Já invisível, lançou a magia de transparência e cuidadosamente atravessou o portão e seguiu a direção dos gritos. Passou silenciosamente pela guarita do guarda ao oeste e adentrou um túnel que desembocava em uma larga rua de pedras. Os gritos pareciam vir de algum lugar ao oeste. Avistou mais a frente a entrada, mas assim que se aproximou para dobrar a rua, os gritos silenciaram-se. Beringel ficou preocupado e começou a correr a fim de encontrar o ser que gritava apavoradamente e agora estava mudo. Ao dobrar a rua, se indignou com que viu. Um jovem mestiço estava lutando desesperadamente com dois Orcs! E o bravo jovem estava sangrando por tudo quanto era lugar e parecia estar morrendo! Beringel evitava o máximo que podia as lutas, mas aquilo era uma covardia sem tamanho! Agarrou com força sua adaga e partiu para cima de um dos Orcs enquanto proferia magia ofensivas para o outro. O jovem mestiço, surpreso e estimulado pela ajuda, conseguiu desferir um chute no joelho de um dos Orcs que tombou sem equilíbrio. Beringel que estava tentando afastar o o inimigo para longe, percebeu o que o rapaz havia feito, e com um giro rápido lançou um raio fulminante no peito do Orc que estava caído no chão matando-o, ao mesmo tempo que decepava a cabeça do outro. A luta estava terminada, mas ainda não satisfatória. O rapaz jazia no chão sangrando e a beira da morte. Imediatamente, Beringel pegou seu cantil e suas poções curativas de dentro de uma mochila para provisões e rapidamente se ajoelhou ao lado do moribundo. Lembrou-se de repente que ambos estavam visíveis e sem demora se tornou invisível lançando a magia no rapaz também. Percebendo que não contava com muito tempo, recitou pergaminhos curativos fechando as feridas. Não demorou o jovem abriu os olhos e acordou. Então Beringel serviu as poções de cura que ajudavam no restabelecimento. Mais disposto, o ferido sorriu para Beringel e assim ficaram se conhecendo. O jovem que se chamava Lwayt, contou para o mago como tinha chegado até ali. Ele havia passado o dia todo bebendo. Era um Ladino e vinha de terras distantes, mas assim que chegara nas cercanias de Bri, alugara um quarto na hospedaria do Poney Saltitante e saiu para explorar o lugar. Como um bom Ladino, sempre carregava consigo algumas garrafas de rum. Tomou o caminho oeste de Bri e viera cantando e bebendo animadamente, até que chegou a uma interseção, e como sentira a presença de lobos a frente, resolvera entrar pelo caminho verde que seguia ao sul. Mais tranqüilo, pois havia se afastado dos lobos, Lwayt seguiu sua animada caminhada bebendo e cantando até que chegou a uma trilha que se dividia. Como avistou uma larga rua de pedras, supôs que poderia dar em uma outra cidade. E tomou este caminho. Entretanto, sua animação durou pouco. Ao passar por algumas trilhas que cortavam a estrada, fora atacado por um bando de mercenários. Lutou bravamente com pelo menos cinco deles enquanto outros fugiam, e conseguira escapar. Porém, devido a bebedeira, estava totalmente desorientado e seguiu a estrada até que passou por um portão de ferro. Lembrava de ter sido advertido pelo guarda a não entrar ali, mas estava tão cansado e ainda ferido da briga com os mercenários, que tratou de procurar um abrigo. Ao dobrar a curva a oeste, se deparou com dois Orcs. Tentou partir pra cima deles, mas só conseguia se defender e gritar. Foi quando Beringel apareceu e o salvou. Sentindo-se melhor, Lwayt levantou, agradeceu o mago, e conheceu a história de Beringel. Agora precisavam sair dali o mais rápido possível. Mesmo tendo seus ferimentos curados, o Ladino estava mentalmente perturbado devido a bebida e andava com dificuldades, precisando se apoiar em Beringel. Assim que começaram a andar em direção a larga rua de pedras, ouviram mais gritos vindos de direções diferentes. Sabiam da necessidade de sair daquele lugar, mas não podiam deixar mais inocentes presos aquele terror. Os gritos vindo do oeste estavam se aproximando e sem demora correram para la. Entraram por um caminho ao noroeste e viram um Elfo lutando bravamente com um homem forte. Lwayt esquecendo-se de seu estado mental, partiu pra cima do agressor do Elfo e Beringel achou melhor ficar recitando magias de cura. O Elfo parecia estar bastante ferido, mas ainda lutava com valentia. O forte homem não estava deixando por menos. Parecia haver dois homens dentro daquele corpo. E como pensamento geralmente atrai ação, de repente chegou mais fortes homens armados até os dentes e se uniram a luta desferindo golpes no Elfo e em Lwayt. O Elfo que acabava de matar o primeiro homem que o atacou, uniu-se a Lwayt para ajudá-lo a enfrentar os recém chegados.  O Ladino lutava com que tinha. Infelizmente perdera sua adaga para os mercenários, mas ainda possuía uma garrafa que arremessou na cabeça de um dos homens que caiu morto na mesma hora. Beringel como estava enviando magias curativas, rapidamente jogou sua adaga para Lwayt que a pegou no ar e girou apunhalando mais um pelas costas. O Elfo estava se desvencilhando de um outro homem, quando este o feriu na barriga. Lwayt percebendo que o golpe podia ser fatal, se jogou em cima do maldito e ambos rolaram no chão. Beringel rapidamente correu para o Elfo e fechou suas feridas com magias de cura. O Elfo ainda não totalmente restabelecido, mas um pouco melhor, aproveitando que Lwayt lutava com o homem no chão, deu seu arco e flecha para o mago dizendo para que este atirasse mirando no homem. Beringel que não tinha grande perícia em usar armas de tiro, titubeou, mas observando a luta que se desenrolava ali, notou que Lwayt estava no seu limite de força. Pediu aos deuses e esticou o arco mirando na cabeça do homem. Infelizmente errara, e acabara por acertar o braço do Ladino que gritou de dor. Então Beringel desistiu do arco e flecha, apelou para suas magias conjurando do nada um punho invisível acertando um homem em cheio fazendo o cair desmaiado!  O Elfo agradeceu os dois jovens e se apresentou. Era Keyner, que foi até Isengard explorar os subterrâneos em busca do mago mestre do fogo, pois havia escutado que tal mestre estaria preso em uma das cavernas daquele lugar. Estava em meio a busca quando foi interceptado por dois Orcs. Agora sorria feliz por ter sido ajudado. Mas seu sorriso durou pouco tempo. Assim que Beringel e Lwayt acabaram de se apresentar, e antes mesmo que pudessem ficar invisíveis, outra luta estava se aproximando. Eram os outros gritos que Lwayt e Beringel escutaram antes. Se curaram rapidamente, esperaram pela luta, já que não havia tempo de se tornarem invisíveis. Lwayt ainda estava com o braço ferido, e o Elfo fraco, dado as magias de cura que tivera que lançar. Precisavam sair logo dali para se restabelecerem. Porém, o Elfo que já conhecia o lugar, avistou mais homens e Orcs vindo da abertura de um subterrâneo que havia ali. Puxando Beringel e Lwayt, precipitou a fugir antes que fossem  vistos. Todavia, não foram rápidos o bastante e antes mesmo que pudessem pensar em truta crua, já estavam correndo em uma fuga desesperada com Orcs, homens e uruk-hais em seus calcanhares. Beringel e Lwayt corriam mais a frente, enquanto Keyner gritava que estavam indo para o caminho errado. Mas seu aviso foi em vão, pois os dois da dianteira já tinham dobrado a esquerda, adentrando mais ainda em Isengard. O Elfo ainda correndo, pensou rapidamente e dobrou a rua a direita. Os Orcs, homens e uruk-hais não possuíam uma inteligência eficaz, de forma a fazer com que se dividissem, e preferiram todos juntos perseguir Lwayt e Beringel que já estavam entrando em outra luta mais a diante. Keyner ficou sozinho e livre dos atacantes, porém desprotegido. Suas energias estavam debilitadas e não podia lançar magia de invisibilidade, agora só lhe restava usar o máximo de cautela possível. Para piorar a situação, uma chuva torrencial caiu do céu, e trovões e raios tornava aquele ambiente mais ameaçador. Apesar de se manter alerta, o Elfo começava a acreditar que as criaturas tinham desistido de persegui-lo, decidido que ele não valia tanto esforço. E acreditando nisso, pois era o que lhe restava, caminhou, driblando a chuva que lhe ensopava a roupa, em direção a luta, pela retaguarda dos homens, Orcs e uruk-hais. Mais a frente, conseguiu avistar o mago lutando com dois Orcs, e o Ladino com 1 Uruk-hai. As criaturas que estavam perseguindo, ainda não tinham chegado neles, mas o Elfo sabia que não podia permitir isso. Seria uma chacina. Haviam pelo menos 4 Orcs, 3 uruk-hai e 8 homens na perseguição! Mas ele tinha a vantagem de estar atrás, e estes apesar de estarem se aproximando dos aventureiros la na frente, se mantinham no meio, e não estavam lhe vendo. Mas como podia ajudar? Apesar dessa vantagem, ainda eram muitos para 3! Assim que dobraram para a esquerda, Beringel e Lwayt continuaram correndo desesperadamente enquanto o Elfo ficava para trás. Lwayt estava tão apavorado que sua bebedeira parecia ter passado. Mas Beringel sabia que não. O Ladino estava demonstrando uma coragem que há muito ultrapassava seus limites. Lá na frente, viram um meio-elfo lutando bravamente com dois Orcs e um comandante uruk-hai enquanto mais uruk-hais e homens chegavam vindos de vários lugares. Foi quando a chuva caiu e Lwayt tropeçou, diminuindo a distância com seus perseguidores. Beringel estendeu-lhe a mão, e ouviu por entre o ruído dos trovões Lwayt gritar para seguirem, não perderem a coragem, já que era para morrer, morreria lutando. E com um salto, se jogou pra cima de um uruk-hai que saíra de uma das ruas laterais e corria para o meio-elfo com uma cimitarra na mão. Beringel ficara com os Orcs que saltavam do lado da estrada e pensava onde poderia ter ido parar o Elfo, pois não o via mais por ali. Keyner por sua vez, pensava em uma maneira de não permitir que os Orcs, uruk-hais e homens saídos do subterrâneo, chegassem até Beringel e Lwayt.  Enquanto ele pensava, mais próximos de Beringel e Lwayt as criaturas ficavam. Foi quando algo inusitado aconteceu. O Elfo não soube dizer ao certo de onde surgira uma pequena criatura saltando sob um uruk-hai e rodopiando feito uma louca, desferindo chutes, apunhaladas e golpes para todos os lados. Era uma mulher! Pequena, é verdade, mas uma mulher guerreira! Pensaria nisso depois com calma, pois precisava aproveitar a ajuda inesperada e atacar também. Porém, havia dado seu arco para Beringel, mas lembrou de ainda ter uma arma em sua bolsa, uma adaga com cabo de marfim. correu para o meio da luta, proferindo ameaças, lançando poderosas magias, golpes, socos, pontapés e tudo que podia para ajudar aquelas pessoas. Como atacou na retaguarda, empunhando sua espada dourada juntamente com a adaga, as criaturas foram pegas de surpresa e o Elfo conseguiu cortar a cabeça  de 3, enquanto gritava para a a mulher se abaixar, pois um Orc havia jogado uma espada franchada na direção do pescoço dela.  O Elfo, ocupando-se de um homem ágil, foi tentando ganhar espaço para chegar perto de Lwayt e Beringel a fim de se certificar que eles estavam bem, apesar do possível.  Quando o aviso do Elfo ecoou, a guerreira lançou-se por terra; a espada do inimigo assobiando-lhe aos ouvidos. Rolou sobre o solo enlameado e aproveitou o ensejo para pontapear os joelhos do homem que a atacara pelas costas. Este cuspiu um palavrão, mas conseguiu suster-se, após vacilar dois ou três passos. Assim que recuperou o equilíbrio, tornou a investir com um ímpeto enfurecido. Já de pé, a pequena mulher deteve a lâmina do guerreiro, cruzando a espada sobre o punhal apelando a todas suas forças para empurrá-lo.  Porém, não era fácil derrubar um uruk-hai, quando sua atenção precisava estar em toda sua volta. E nesse momento um homem lançou uma cimitarra em sua direção. A mulher conseguiu girar e vendo que o homem estava desarmado, cortou-lhe a garganta com uma espada. Aproveitando que ela tinha se virado para o homem, o uruk-hai partiu pra cima dela desarmando-a. A jovem não agüentou com o peso e caiu cambaleando desamparada. A espada escapou-lhe da mão e o seu olhar encontrou o esgar vitorioso do colosso que a defrontava. A lâmina afiada tombou sobre ela, e só não a trespassou graças à velocidade vertiginosa com que se movia. O guerreiro rugiu irado, sem acreditar que falhara. No instante seguinte, o seu semblante retorceu-se de agonia, quando o punhal da opositora se enterrou na sua virilha. Lá na frente, Lwayt e Beringel ouviram o grito do Elfo que se aproximava: – Lwayt! Beringel! A voz de Keyner ribombou como um trovão sobre o clamor da batalha. O Elfo surgiu entre a confusão de corpos suados, escudos e espadas que se batiam, como se tratasse da encarnação de um Vala da guerra. Percebendo que Lwayt ocupava-se de dois uruk-hais, aproximou-se, defendendo o amigo que recentemente havia lhe salvado a vida, e jogou uma de suas armas para ele. Sua espada dourada abateu-se sobre um dos guerreiros, rodou e caiu sobre o outro. A lâmina ergueu-se, salpicando de sangue o louro-dourado dos seus cabelos. Um dos inimigos tombou de joelhos, com o peito rasgado… Ainda não fechara os olhos e outro já ocupara o seu lugar. Por ter se separado momentaneamente de Beringel e Lwayt, conseguira se restabelecer satisfatoriamente, e agora atacava com uma ferocidade incrível. Empunhando unicamente sua espada dourada A sua força era suficiente para manter os inimigos à distância. O valente Elfo, investiu adiante e decepou o braço de um homem que saltara em cima de Lwayt. O homem tropeçou nos próprios pés e tombou desamparado; a mão que lhe restava apertando o coto por onde o sangue esguichava; os olhos esbugalhados de horror. Beringel que acabara de matar dois Orcs, se aproximara e com o arco e flecha pôs fim ao seu suplício.  Lwayt, pegou a adaga com cabo de marfim que Keyner lhe dera e aproveitando a ajuda do Elfo, devolveu imediatamente a arma que Beringel havia lhe emprestado antes, pois sabia que o mago estava passando sufoco para manusear o arco e flecha cedido por Keyner. O ladino sem perder tempo, com a mão que antes empunhava a arma que dera para Beringel, desferiu um soco na barriga do outro uruk-hai, en seguida, estendeu a mão para pegar uma espada que estava caída no chão. Levantando-se rapidamente, girou e arremeteu contra dois jovens Orcs e abandonou-os engasgados em sangue. Com a adaga cabo de marfim, juntamente com a espada que achara, agora apunhalava e decepava braços e pernas daqueles que se atreviam a cruzar seu caminho. Beringel percebendo que Keyner estava dando cobertura para Lwayt, olhou para trás e viu uma mulher lutando valentemente com um homem que tinha pelo menos o triplo de seu tamanho. Não pensou duas vezes e correu em direção a guerreira, gritando para que os dois recém amigos tentassem chegar até lá. O meio-elfo que ninguém ainda sabia quem era, mas que estava também lutando contra aquelas criaturas repugnantes, conseguira chegar até Lwayt e enviava-lhe magias curativas, pois este se encontrava bastante debilitado após a investida cega contra os uruk-hais.  A escuridão era sufocante, e só alguns poucos archotes que por milagre resistia a torrente de chuva, se encontravam por ali fazendo com que as lâminas brilhassem. Beringel deixou os amigos para trás e foi tentando abrir caminho através do campo de batalha. O terreno íngreme, rochoso e escorregadio podia ser uma armadilha fatal para botas que nunca o haviam experimentado. Mas o mago estava habituado em lutar nas mais precárias condições. A mulher guerreira acabava de libertar a arma da carne quente de um Orc, e já prostrava um uruk-hai com um pontapé. Preparava-se para recuperar a espada, que caíra, quando outra lâmina lhe sibilou aos ouvidos. Instintivamente, ergueu o braço para deter o ímpeto inimigo com a bravura do punhal. Caiu para trás e o homem seguiu-a, tentando subjugá-la com o seu peso. Habituada a repelir adversários com o dobro da sua estatura, usou os pés para afastá-lo, enquanto a mão se fechava sobre o punho da espada. Quando o homem tornou a investir, a lâmina da guerreira já o aguardava. Varou-lhe o ventre com um grito alucinado e levantou-se para sustar mais um ataque.  Ao seu redor, os corpos agitavam-se num frenesi bravio. O clamor dos homens e das armas era ensurdecedor. Viu que o Elfo que surgira do nada estava em dificuldades la na frente, lutando ao lado de dois outros jovens. Aproveitando sua pequena estatura, abriu caminho por entre os Orcs e uruk-hais que tentavam fechar o cerco, investindo a espada contra suas virilhas e barrigas. Era noite fechada e nem a lua se fazia presente no céu. A chuva parecia estar cada vez pior e somente os relâmpagos iluminavam a sangrenta batalha. Os archotes há muito que se extinguiram. Rapidamente usou da magia infravisão e gritou para que os rapazes também usassem, caso possuissem tal encantamento. Assim que gritou, despertou a atenção de um Orc que estava mais a frente de costas para ela. Este não perdeu tempo e correu na sua direção, empunhando uma espada de lâmina torta e berrando enlouquecido. Ela só teve tempo de lançar o punhal contra ele, antes de erguer a espada para defender-se de outro inimigo. Pelo canto do olho viu o Orc da espada de lâmina torta cair, com o punhal enterrado na garganta, e inspirou um fôlego de vaidade. O seu arremesso melhorava a cada dia! Concentrou-se no gigante que a desafiava. Era o maior que já enfrentara. Mais uma vez foi derrubada e teve de rolar na lama para escapar. Esboçou um tênue movimento defensivo, mas o homem tombou ao seu lado, vomitando sangue.  Lutando para recuperar o fôlego, viu o jovem mago recolher a adaga com que trespassara o inimigo e estender-lhe a mão. Seus olhares se encontraram, e por um momento algo pareceu marcar aquelas duas almas. Beringel a puxou para si e só teve tempo de perguntar se ela estava bem, no que ela respondeu que sim.  Não puderam continuar a trocar impressões, porque se viram cercados. Uniram as costas e repeliram os inimigos com um ânimo renovado. Lwayt,o Elfo e o meio-elfo juntaram-se finalmente a eles. Ficaram dispostos lado a lado em Círculo, formando uma estrela, rodeados por Orcs, uruk-hais e homens, e assim que os cinco corpos se tocaram, a lua prateada apareceu no céu, abrindo espaço e meio aquele temporal, e raios vitalizantes emergiram sobre eles.  Agrupados e revigorados pela energia produzida pelo contato dos seus corpos, os cinco confrontaram os incrédulos inimigos com a misteriosa magia produzida pela lua que os unia. Estes já não sabiam se enfrentavam homens ou animais, guerreiros ou Valar… Os gritos confundiam-se com o rugido das feras e arrepiavam a escuridão. O sangue espirrava na direção do negro céu e misturava-se com a chuva e formava rios no solo alagado. Perceberam que quando juntos, ganhavam mais ânimo para a luta e uma força misteriosa surgia revitalizando-os e encorajando-os. Assim, mantiveram a tática de avançar e voltar formando um Círculo menor, de forma a compartilharem aquela vitalidade que vinha da mãe lua. Muitas criaturas jaziam no chão, mas ainda haviam em número suficiente para fechar o circo em torno deles. Ao se unirem pela última vez dentro da roda formada por Orcs, uruk-hais e fortes homens, Em uma contagem mental, que por encanto os cinco compartilharam naquele momento, partiram de uma só vez juntos para cima do Círculo que os rodeava, matando 3 criaturas cada um. A lua voltou a abrir passagem dentre o céu escuro, e um clarão jamais visto antes iluminou o terreno. Os Orcs não acostumados com luz, fugiram desesperados para os subterrâneos enquanto homens e uruk-hais iam tombando pelo caminho. Todavia, os valentes aventureiros já estavam nos limites de suas forças. Como afastaram-se uns dos outros para liquidar com os últimos homens e uruk-hais que resistiam, perderam rapidamente a vitalidade e a força. Lwayt, que gastara mais energia devido a bebedeira, se jogou com sua última resistência em cima de um forte homem e cortou-lhe a cabeça. Porém, já estava no limite de suas forças, por causa da enorme exaustão, tombou ao lado deste esperando o golpe de um uruk-hai que não tardou a vir. Viu a lâmina de seu agressor se aproximando, mas não tinha forças para empunhar sua espada ou rolar para o lado desviando. A lâmina se aproximava rapidamente, e em um último momento, esta desviara o trajeto, pois fora atingida por uma flecha.  Erguendo um pouco a cabeça, Lwayt viu o meio-elfo armando o arco de novo e transpassando o coração do uruk-hai com outra flecha., Não muito longe dali, Beringel desenterrava sua adaga do corpo de um forte homem e saltava para cima de um segundo. Mas também estava cansado, e ao girar, torceu o pé e caiu com força no chão. O meio-elfo percebendo que um uruk-hai perseguira Beringel na queda, armou sua última flecha e mirou no peito deste, porém falhara não atingindo no local desejado, acertando-o no ombro. O uruk-hai ainda mais enfurecido pegara Beringel, desferindo pontapés no mago. O meio-elfo, desesperado por ter errado a mira, se aproximou e lançou uma de suas magias destruidora fulminando e matando o uruk-hai. Todavia, o meio-elfo já se encontrava em completa exaustão, por estar a muito tempo lutando sozinho, assim ficou prostrado sem energias para continuar a combater.  Keyner lutava com tudo que tinha contra 3 uruk-hais, e não sabia onde estava a mulher guerreira. Teria sido ilusão? Girando e chutando, golpeando com sua espada dourada, conseguiu matar um dos uruk-hais, cortando-a cabeça deste fora. Não, não fora ilusão, ele realmente tinha visto uma moça lutando e entrando no Círculo com eles. Agora eram dois contra ele, mas já cansado não lutava com desenvoltura. Fora atingido no braço direito, então empunhou a espada dourada com a mão esquerda e assim fez o que sempre fazia em momentos como este, girou sua espada como um molinete tirando fagulhas quando atingiu uma grande roda. Com o impacto, Keyner caiu ao chão. Porém não podia ficar ali, pois os homens ainda estavam vivos. Gritou pela mulher guerreira e não obtendo resposta, golpeou com sua espada em direção do tornozelo de um dos homens que saltou rapidamente, fazendo com que Keyner errasse o golpe. Com o canto dos olhos, viu a guerreira saltar de uma pilastra em cima de um deles, cortando com sua espada a cabeça do agressor. O outro homem pegara Keyner, mas a guerreira chutou-lhe as pernas por trás, desequilibrando e derrubando-o no chão. Porém, o braço do homem a segurou e este o torceu, fazendo com que a guerreira largasse a espada gritando de dor. Keyner caído mais a frente, foi se rastejando e quando estava quase alcançando a perna do homem, sentiu algo o machucando por baixo da barriga. Com muita raiva teve que rolar para se livrar do que lhe incomodava. Viu então que se tratava de uma flecha. Agarrou-a com esperança e do jeito que pode mirou na nuca do homem e a lançou. A guerreira sentiu que algo tinha acertado seu oponente, pois o aperto no braço afrouxara-se, deixando espaço suficiente para que ela impulsionasse o corpo para cima, dando uma cabeçada no queixo do homem, quebrando seus dentes. O Elfo aproveitou este momento para chegar mais perto. O homem urrou de dor, mas ainda não estava morto. A mulher, agora mais livre do aperto, tateou desesperada o chão em busca de uma pedra. A sorte pareceu lhe brilhar, pois encontrou-a rapidamente e  com toda força bateu na cabeça de seu inimigo finalmente matando-o. Keyner suspirou satisfeito e sorriu para ela. No entanto, a jovem guerreira também estava em seus limites e não tinha forças para se levantar. O Elfo olhou em volta e o que viu cortou seu coração. Do outro lado da rua, Lwayt jazia imóvel no chão. Mais a frente, viu o meio-elfo com um serio ferimento em sua face direita, pois durante o combate usava uma máscara que fora golpeada e quebrada pelo comandante uruk-hai, ferindo-o seriamente. Porém os olhos do meio-elfo estavam flamejando com um brilho inquietante, apesar de estar exausto e de joelho apoiado em sua espada. Keyner, percorrendo com um olhar suplicante para encontrar o mago, viu-o sentado encolhido gemendo de dor. Assim que conseguiu ver onde estava cada um deles, a lua desapareceu do céu, deixando-os na mais desoladora escuridão. Keyner não acreditava que tudo tinha sido em vão. Precisava fazer algo, e urgentemente. Lembrou da batalha, de como conhecera Beringel e Lwayt, o susto que levara com a chegada da guerreira e a esperança que teve ao descobrir que havia mais um meio-elfo do lado deles. Não, aquilo não podia terminar assim. Tinha que haver algo. Ele precisava fazer alguma coisa e o mais rápido possível. E foi assim, visualizando toda a batalha que lembrou que as coisas começaram a sair melhor quando os cinco se uniram em um Círculo. Respirou fundo e sabendo o que precisava fazer, foi se arrastando até a mulher que estava mais perto. Esta por sorte não se encontrava desacordada, apenas ferida. Contou-lhe seu plano e ambos se levantaram se apoiando um no outro e foram cambaleando para junto dos outros.  Todavia, cada um estava em um lugar e a escuridão os sufocava.  Não dava para ver mais nada. O Elfo possuía um bom senso de direção, no entanto, este estava abalado devido os últimos acontecimentos. Mesmo assim não podia desistir. Lançou a sorte e foram totalmente esgotados e trôpegos, guiando a mulher para a direção que o meio-elfo estava. Felizmente conseguiram chegar la, mas o esforço que desprenderam até ele, fez com que tivessem que aguardar para pegar mais fôlego. Sabiam porém, que quanto mais tempo demorassem a chegar perto dos outros, mais chances eles tinham de não sobreviver. Abriu sua bolsa e pegou um cantil, passando para a guerreira e sussurrando para que esta bebesse. A mulher obedeceu e captando as intenções de Keyner, serviu um gole ao meio-elfo, que se levantou apoiando em sua espada. Sorriu para ambos e agradeceu-lhes a ajuda. Mas dessa vez a mulher disse-lhes que não tinham tempo. Precisavam chegar até os outros dois para que unidos tivessem forças. O meio-elfo captou rapidamente a intenção dos dois e se uniu a eles. Assim foram caminhando sem firmeza pela lama. O chão estava encharcado de poças d’água e o sangue escorria pelas pedras, dificultando o progresso. Com muita dificuldade chegaram até onde imaginavam estar Lwayt, mas nada encontraram. Então foi a vez do meio-elfo AGIR. começou a rastrear as pistas deixadas pelo combate e conduziu-lhes até onde estava o ferido mais próximo. Para a surpresa de Keyner, encontravam-se mais perto de Beringel do que de Lwayt. Então foram em direção a ele. As pedras escorregadias faziam-lhes tropeçar e até cair, cortando e deixando mais machucados, mas não desistiram. Assim que conseguiram chegar até o mago, perceberam que Lwayt também estava ali. Beringel, apesar de bastante ferido, não sangrara muito nas lutas, tendo apenas torcido o pé. Enquanto Keyner e a mulher lutavam com os homens, ele se aproximou aos pulos de Lwayt, certificando-se que o Ladino estava apenas desacordado. Sem muita demora, Keyner explicou rapidamente seu plano e os cinco se dispuseram em Círculo, pois a debilidade era grande. Deram-se as mãos, e assim que estas se tocaram, a Lua prateada apareceu no céu, e gotas de essências revitalizantes caíram sob eles. Então se sentaram ali mesmo no chão enlameado sentindo o frescor lunar que pairava. Pouco a pouco, um a um foi se restabelecendo. Lwayt sorria totalmente restaurado de seus ferimentos e bebedeira no auge de sua agilidade. O pé de Beringel não estava mais torcido. O meio-elfo gozava agora de plena vitalidade e de todo seu poder. Keyner sentia a força correndo por todo seu corpo. E a mulher respirava aliviada ao ver que seus reflexos estavam melhor que nunca. Fizeram uma fogueira e um a um contou sua história. O meio-elfo fora até Isengard com o propósito de conseguir que um ferreiro humano que outrora fora escravizado pelos Orcs, lhe forjasse uma espada, pois ouvira que tal ferreiro era perito em forjar espadas de aço que poderia cortar qualquer coisa. Seu nome era Leicester e ele vinha de Valfenda. Ao dobrar a curva que o levaria ao ferreiro, foi atacado por dois uruk-hais. A guerreira se chamava Selkie e chegara até ali a fim de explorar o lugar. Selkie gostava muito de conhecer lugares e nunca tinha entrado em Isengard. Felizmente não fora atacada, mas de repente escutou gritos vindos de todos os lugares. Chegou até eles e não aceitando a injustiça entrou na luta para  ajudá-los. Enquanto conversavam, a lua parecia sorrir no céu. Leicester como vinha de longe, tinha guardado muito suprimento de comida e água, e compartilhava com todos. Perceberam que algo naquela noite havia marcado a vida de cada um para sempre. Eram cinco desconhecidos que pareciam ter afinidade desde criança. Resolveram então criar um clã que deram o nome de Círculo da Lua, devido a influência desta na glória da batalha.

Musculação de Cego

24 de março de 2010

Foi apenas uma ida ao médico, mas quando retornei em casa, senti como se estivesse voltando da musculação.

eu, juntamente com meu namorido, namo de namorado e rido de marido, porque todo namorado que se prese deve ter um quê protetor de marido, e todo marido um quê romântico de namorado, e o meu no caso tem ambas as coisas, então, como ia dizendo, ao descermos do 679 na Dias da Cruz, ambos devidamente armados de suas respectivas bengalas, fomos andando a fim de encontrarmos o prédio do consultório médico.

andar de cego bengalante é aquela coisa mesmo, as vezes bengala-se e a multidão vai abrindo espaço para que passemos, as vezes a aglomeração resolve testar o cego e temos que ir superando os obstáculos humanos, dando bengaladas em pernas, esbarrões em barrigas, esfregadinhas em braços, em fim…. hoje a  multidão estava com o espírito positivamente receptivo, abrindo espaço para que passássemos sossegadamente. a sim, porque as vezes a multidão está com o espírito negativamente receptivo, quando ao andar o sujeito não só não sai de nossa frente, como resolve andar em nossa direção, e claro, leva uma trombada. aliás, hoje, estava tudo muito bom para se bengalar por aí. e digo isso não só na avenida mencionada a  cima, mas também em nosso próprio condomínio, que recebemos várias boas tardes ao atravessar os portões. é incrível, mas as vezes penso que os vizinhos acham que como somos cegos não precisamos receber um bom dia, ou boa tarde etc. eu quando percebo alguém, trato logo de dar os respectivos bons dias ou boas tardes, quer seja para não me frustrar pensando que a pessoa só não me cumprimentou porque sou cega, quer seja para impressionar o cidadão ao mostrar que cego não só dá bom dia, boa tarde e boa noite, mas também pode perceber a presença de outras pessoas. isso para eles deve ser algo do além… mas, voltando a dias da cruz…. fomos bengalando e os caminhos foram se abrindo, parecia até um trabalho esotérico, daqueles que fazemos para que o caminho seja aberto, sabe? pois é.. e ao chegar ao prédio.. devo informar que esse prédio tem uma escada que conduz para baixo. a maioria dos prédios que tem escadas na frente, geralmente levam para cima. mas este não, essa escada em particular, levava para baixo. mas nós já conhecíamos o lugar e fomos, ou melhor, tentamos ir descer a dita cuja. devo confessar que depois dessa experiência, nunca mais entrarei nesse prédio como se eu conhecesse. eu juro! não não.. melhor mesmo é parar na porta, encenar que estou tentando achar a entrada e esperar ajuda. porque o que se seguiu foi o seguinte. ao descermos o primeiro degrau da escada, surgiu misteriosamente do meu lado uma moça e agarrou o meu braço, ao mesmo tempo que se materializou do lado do meu namorido, um moço que também agarrou o braço dele. será uma encenação? . seriam entidades do bem tentando nos emitir uma mensagem do pós vida?
 pensei, mas imediatamente percebi que não se tratava de nem uma cena de novela meticulosamente ensaiada e nem de almas penadas
 mas sim de duas pessoas apavoradas com a possibilidade do casal de cego rolar escada a baixo. na verdade, não sei se estavam mesmo preocupados, porque a dita ajuda saiu pior do que qualquer coisa. a moça simplesmente ao agarrar meu braço gritava dizendo que era uma escada, onde respondemos que sabíamos e que iríamos descer. aí o moço falou que não.. não iríamos descer não, porque tinha um elevador ao lado que nos conduziria para baixo. sim, o elevador é verídico. tem um elevadorzinho ao lado da escada que conduz para baixo, mas acho que tal é usado para transporte de cargas pesadas. nem para deficiente físico é, porque ele já existe ali há muito tempo. apesar de achar que hoje ele se presta a tal objetivo também. mas nós, que já experimentamos o tal elevador em uma outra situação, porque eu sou teimosamente curiosa, informamos que não iríamos pegar aquele elevador, e iríamos sim, descer de escada. o elevador é muito, mas extremamente vagaroso. bem…. vencidos por nossa recusa ao pegar o tal elevador, o casal resolveu nos ajudar. a moça além de agarrar firmemente meu braço, ia puxando para cima, como se a escada fosse para subir. o moço abraçou meu namorido pela cintura, como se fosse tirá-lo para dançar ao mesmo tempo que pedia calma, no que meu cônjuge respondia estar calmíssimo… e tudo foi tão rápido! na mesma hora que eu tentava explicar que não era assim que se guiava um cego, meu namorido tentava se desvencilhar do abraço do moço, enquanto os dois por sua vez só pioravam e muito a performance. a moça agora não só erguia meu braço enquanto minhas pernas me conduziam para baixo, mas também puxava para frente fazendo com que eu dobrasse meu corpo, e o moço além de manter firmemente o braço em torno da cintura do meu marido, colocava a bengala dele nos degraus. oh deus, pensei, isso não acaba? mas não… eu então tive que falar mais alto para a moça, enquanto meu marido se defendia lá do jeito dele contra a “ajuda” do moço. por um momento pensei que iria voar, que o casal realmente eram entidades do além querendo não nos dar uma mensagem do pós vida, mas sim nos levar voando com eles sabe-se lá para onde… agora vocês imaginem isso tudo acontecendo na descida de uma escada. bem, depois de ajudas, erguidas de braços, extensões musculares, apertões, dobrada de corpos, abraços apertados, conseguimos, sabe-se deus como, chegar lá embaixo, onde realmente precisaríamos de ajuda para acharmos o elevador que conduziria aos andares do prédio. só que quando chegamos lá em baixo, eu já estava arrancando a mão da moça do meu braço e falando rispidamente a ela que essa não era a forma certa de se conduzir um cego, e peguei no braço dela para mostrar a forma correta. não senti mais a presença do moço, mas a moça disse um obrigada e… foi embora e nós, claro, fomos procurar o elevador sozinhos.

no consultório foi tudo tranqüilo, mas ao retornarmos para a casa.,.. escada de novo, ok, dessa vez veio um outro moço nos guiando, mas sem nos tocar. veio do nosso lado falando. acho que ele deve ter assistido a cena anterior, sei lá, mas também não fez o correto, não é? mas a subida é sempre mais tranqüila. ao chegarmos na calçada, veio um guarda que designou um pedestre para nos ajudar a atravessar a rua. o ajudante pegou no meu braço, no que na mesma hora eu tirei e peguei no dele. aí ele tirou e pegou no meu, aí eu tirei e peguei no dele, aí ele tirou e pegou no meu  e eu pensei. não pai.. por favor! me ajude! e juntando toda paciência possível expliquei a ele que eu que tinha que pegar no braço dele, e não ele no meu. ele nos perguntou se gostaríamos de atravessar a rua, e falamos que sim. aí ele perguntou para onde iríamos, e eu disse que iríamos para o outro lado da rua. ficamos esperando o sinal fechar e ele perguntou  se iríamos pegar ônibus do outro lado. respondemos que sim. ele perguntou qual, informamos que seria o 679. então ele falou que deveríamos pegar desse lado mesmo, que não precisaríamos atravessar a rua. informamos, com toda a calma do mundo que iríamos pegar o 679 voltando da penha, e não indo. então ele concordou conosco. bem, finalmente atravessamos. devo informar que eu estava segurando no braço do moço e meu namorido no meu braço, logo, eu estava no meio. ao atravessar a rua, o ponto do 679 ficava a direita, mas o moço achou que era a esquerda e aí eu me senti a mulher elástico. meu namorido me puxava para um lado, e o moço vendo que eu soltara o braço dele, resolveu pegar e me puxar para a esquerda, enquanto gritava que se fôssemos para a direita, iríamos para a penha. E meu namorido já pra lá de bravo, mandava eu soltar o moço. como se eu estivesse mesmo segurando aquele infeliz! E eles puxavam… e eu me esticava.. e eles puxavam…e eu me esticava…  oh deus, haja alongamento! foi então que tive a absoluta certeza que o episódio vivido há poucas horas atrás com o casal da escada, fora apenas um aquecimento para o verdadeiro exercício de alongamento. e o pior de tudo é que meu namorido estava ficando bravo, pensando que eu estava duvidando que o ponto do ônibus era a direita. ora bolas! eu não podia nem responder, porque: 1. estava sendo puxada em sentidos opostos. 2. o homem gritava que era para a esquerda, enquanto meu namorido esbravejava que era a direita, e 3. quando eu fico nervosa começo a rir desesperadamente, o que infelizmente, foi o caso.

quando finalmente o homem me libertou de supetão, quase levei um tombo, pois meu namorido, muito bravo, diga-se de passagem, estava me puxando. então… imaginem a cena novamente! aí realmente eu tive mais do que certeza que os exercícios de musculação e alongamento haviam terminado, e agora eu estava na fase de testar o equilíbrio, tanto físico para não cair, como emocional, para me controlar e não brigar com meu namorido. ele estava bem nervoso! e não era para menos, porque claro, cego como ele é, não via que eu soltara o braço do homem e ele sim, havia segurado meu braço e estava me puxando. e aí eu pergunto: como explicar essa situação para um namorido nervoso no  meio da rua? fiquei quietinha e acho que só agora, lendo esse texto ele pode compreender que eu não estava agarrando o braço do homem, e sim ele, o homem, que estava me puxando. ora se tem cabimento eu agarrar o braço de um homem qualquer e ir para o lado oposto do meu chuchu, amado, venerado, bebezão roncador namorido! e para completar, ao chegar em casa ele ficou me dizendo por várias e várias vezes, que amanhã, ao sair, na hora que eu fosse atravessar a presidente Vargas, deveria ir para a direita, e não para a esquerda, que se por acaso viesse alguém me levando para a esquerda, não era para eu ir não, pois o lugar que eu irei amanhã é para a direita… e ficou dizendo, direita, viu.. ouviu, né? não vai não, porque você acredita em todo mundo da rua, e a pessoa vai te levar para o caminho errado, e você vai ficar perdida, e você não vai conseguir achar o lugar e…. é mole? oh deus, pensei, vou dormir!

O Mago nos Bailes da Vida

24 de março de 2010

o mago é a primeira lâmina do Tarot. é o iniciado que tem em sua frente um longo caminho para ser percorrido podendo fazer a escolha para que lado seguir. ele tem a sede do aprendizado e assim ele vai.

“foi nos bailes da vida, ou num bar em troca de pão que muita gente boa pôs o pé na profissão.”

sua profissão é percorrer o caminho praticando o aprendizado. ele tem o conhecimento necessário para buscar a complementação que o iniciado precisa “de tocar um instrumento ou de cantar.”

ele tem a sabedoria dos 4 elementos taça (água), bastão (fogo), espada (ar) e moeda (terra), e precisa colocar em prática o que aprendeu.

“cantarela a buscar o caminho que vai dar no sol. tenho comigo as lembranças do que eu era.”

essa lembrança é que o mago precisa manter para que não seja levado a sentimentos egoístas. devido ao conhecimento que ele tem, ele pode ser tentado a usar seu poder para um sucesso pessoal “não se importando se quem pagou quis ouvir” e acaba se tornando arrogante, distanciando-se do caminho que o levaria ao sol.

sua imensa vontade de praticar o que se aprendeu faz com que ele não meça esforços.

“para cantar nada era longe, tudo tão bom! pé estrada de terra na boleia de caminhão.”

a simplicidade é a chave para se alcançar os grandes ensinamentos. e “com a roupa encharcada e a alma repleta de chão, todo artista tem de ir aonde o povo está. se foi assim, assim será.”

é preciso cuidar para que a vaidade e o orgulho de ter o poder não transforme o iniciado em um mágico de circo, onde a magia significa apenas uma ilusão de transformação. o mago é um aprendiz da vida, e precisa ultrapassar com discernimento e responsabilidade as etapas impostas a ele.

a impaciência deve ser superada. as lindas peças de arte são meticulosamente trabalhadas.

a fama do artista não deve subir a cabeça e sim ser usada como estímulo de se fazer com mais perfeição o trabalho.

não basta ter os instrumentos musicais se a melodia não for confortável aos ouvidos. não basta ter audiência se só expomos nosso trabalho artístico por interesses fúteis ou para aparecer. ele precisa compor sua música interior e cantar juntamente com a natureza que o rodeia.

“cantando me desfaço e não me canso de viver nem de cantar.” e adaptar quantas vezes necessário for, os acordes para a melodia da magia de viver.

o mago tem a vida que lhe oferece as condições para sua jornada, basta que ele escolha as direções a serem percorridas.

O Enforcado e a Cidade De Cabeça Pra Baixo

24 de março de 2010

no atual momento em que vivemos, em uma sociedade autamente capitalista, diante do mundo frio da tecnologia, é confrontante depararmos com a figura do enforcado.

uma pausa faz-se necessária. é preciso que observemos o mundo de cabeça pra baixo. e não temos como parar a vida e nos colocar na figura do enforcado, com o ritmo que levamos em torno do dinheiro que temos que engolir para sermos felizes. porém, adiar o enforcado só piora a situação. se não tivermos esse momento, essa parada se fará presente em um outro período e cada vez mais bruscamente. essa pausa não pode ser feita de maneira indiferente. é preciso que se tenha uma virada. observar o mundo por outros ângulos. olhar de baixo para cima para não usarmos o teto como capacho, lhe atribuindo os perdões para nossos atos. se temos a idéia que os sentimentos ligados ao diabo estão no chão, em baixo, e os ligados a deus no céu, em cima, como seria essa idéia ao ficarmos de cabeça para baixo?

“ninguém precisa morrer pra conseguir o paraíso no alto, o céu já está no asfalto.”

nós traçamos nosso inferno e nosso céu na jornada desse caminho chamado vida.

o enforcado nos remete a uma visão contrária dos princípios que estabelecemos como verdades. se estamos acostumados a sempre ter pouco dinheiro, na cidade de cabeça pra baixo esse dinheiro apodrece nos cachos. mas como ser feliz com a cabeça no chão? percebemos que essa perfeição não existe, ou está bem longe de ser galgada. e o homem sofre porque é perfeccionista não sabendo aproveitar o que lhe tem as mãos. é necessário que o sangue chegue a cabeça, provocando a dor, abrindo o portal da visão invertida turva, mas necessária.

essa parada do enforcado não tem tempo, dura o tempo necessário para que a escolha seja firme e decisiva, porque depois do retorno a visão do homem que foi enforcado estará diferente. “ninguém precisa correr, nem ter idéia do que é calendário. não tem problema de horário na cidade de cabeça pra baixo.”

é uma fermata, que nós, os maestros estabelecemos, preparando o momento para o acorde final.

é doloroso encarar o mundo real olhando por de traz dele. enxergar no choro das pessoas um sorriso escondido. e o que dirá de “ver as espumas das ondas se quebrando no ar?”

o enforcado entra no subterrâneo de seus medos e tristezas, precisa tirar de lá a resposta alegre para se viver. ultrapassar as espumas das vaidades e mergulhar na onda da sabedoria interior. e esse mergulho é longo, não se precisa fazer nem uma coisa que não tenha vontade. é a cidade de cabeça pra baixo, onde nosso relógio mágico para no tempo que precisamos para o resgate. o enforcado é a mudança para essa cidade de cabeça pra baixo. ele reside no instante em que tudo parece ir pelos ares e nada se pode fazer. então é a parada obrigatória para que possamos organizar a casa e voltarmos para o mundo, deixando na cidade de cabeça pra baixo as dores, medos e angústias perdidas. e trazendo de lá a maturidade que só tem quem visitou essa cidade de cabeça pra baixo.