Dentre tantas coisas que gosto de fazer na internet, uma das que mais gosto certamente é jogarMud. Muds são jogos de RPG onlines, onde criamos um personagem e interagimos com outros personagens e com o jogo em si. Em um desses Muds, chamado Valinor, eu desenvolvi o personagem da Selkie, uma humana. Com o decorrer do jogo, fiz parte de um clã, mas senti a necessidade de criar juntamente com outros amigos, um clã mais personalizado. O clã infelizmente não foi criado, pois eu comecei a trabalhar e tive que diminuir minha participação no Mud, mas a história do clã eu escrevi com muito carinho e compartilho com vocês.
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História do Clã Círculo da Lua (Por Selkie)
A história do Clã Círculo da Lua tem início com uma sangrenta batalha. Por volta das 22 horas, do 3º dia do Úrimë do 3064º ano da Terceira Era do Sol, cinco corajosos aventureiros se encontravam em Isengard, por diferentes motivos. Não estavam juntos, mas a luta pela sobrevivência os uniria para sempre. Beringel, um jovem mago, após ter atendido o apelo de uma druida que estava a beira da morte na casa do SR. Dragão, ao tentar retornar para Bri, pegara o caminho errado, seguindo durante muito tempo perdido em uma longa estrada de pedra até que chegou a um grande portão de ferro. Já desconfiava que estava perdido, e ao ver o portão, encheu-se de esperança, pois ainda que não fosse a entrada de Bri, certamente haveria alguém ali que lhe daria abrigo. Porém, sua vasta experiência de ser atacado inadvertidamente fez com que se tornasse invisível e vigiasse o lugar antes de tentar entrar. Ficou algum tempo escondido em uma moita no canto da estrada observando o movimento que não era grande. Viu homens fortes e armados até os dentes entrarem e sair daquele lugar. Achou melhor retornar por onde veio, pois aqueles homens não pareciam nada amigáveis. Já estava se levantando para pegar o caminho de volta, quando ouviu um grito de socorro vindo de dentro daquela fortaleza. Como mago, tinha a responsabilidade de ajudar seres indefesos e não podia ignorar o apelo. Mas como entraria ali? Como passaria pelo forte guarda que vigiava o portão? Então lembrou-se de uma magia que pouco usava, mas se mostrava eficaz, ficar transparente! Já invisível, lançou a magia de transparência e cuidadosamente atravessou o portão e seguiu a direção dos gritos. Passou silenciosamente pela guarita do guarda ao oeste e adentrou um túnel que desembocava em uma larga rua de pedras. Os gritos pareciam vir de algum lugar ao oeste. Avistou mais a frente a entrada, mas assim que se aproximou para dobrar a rua, os gritos silenciaram-se. Beringel ficou preocupado e começou a correr a fim de encontrar o ser que gritava apavoradamente e agora estava mudo. Ao dobrar a rua, se indignou com que viu. Um jovem mestiço estava lutando desesperadamente com dois Orcs! E o bravo jovem estava sangrando por tudo quanto era lugar e parecia estar morrendo! Beringel evitava o máximo que podia as lutas, mas aquilo era uma covardia sem tamanho! Agarrou com força sua adaga e partiu para cima de um dos Orcs enquanto proferia magia ofensivas para o outro. O jovem mestiço, surpreso e estimulado pela ajuda, conseguiu desferir um chute no joelho de um dos Orcs que tombou sem equilíbrio. Beringel que estava tentando afastar o o inimigo para longe, percebeu o que o rapaz havia feito, e com um giro rápido lançou um raio fulminante no peito do Orc que estava caído no chão matando-o, ao mesmo tempo que decepava a cabeça do outro. A luta estava terminada, mas ainda não satisfatória. O rapaz jazia no chão sangrando e a beira da morte. Imediatamente, Beringel pegou seu cantil e suas poções curativas de dentro de uma mochila para provisões e rapidamente se ajoelhou ao lado do moribundo. Lembrou-se de repente que ambos estavam visíveis e sem demora se tornou invisível lançando a magia no rapaz também. Percebendo que não contava com muito tempo, recitou pergaminhos curativos fechando as feridas. Não demorou o jovem abriu os olhos e acordou. Então Beringel serviu as poções de cura que ajudavam no restabelecimento. Mais disposto, o ferido sorriu para Beringel e assim ficaram se conhecendo. O jovem que se chamava Lwayt, contou para o mago como tinha chegado até ali. Ele havia passado o dia todo bebendo. Era um Ladino e vinha de terras distantes, mas assim que chegara nas cercanias de Bri, alugara um quarto na hospedaria do Poney Saltitante e saiu para explorar o lugar. Como um bom Ladino, sempre carregava consigo algumas garrafas de rum. Tomou o caminho oeste de Bri e viera cantando e bebendo animadamente, até que chegou a uma interseção, e como sentira a presença de lobos a frente, resolvera entrar pelo caminho verde que seguia ao sul. Mais tranqüilo, pois havia se afastado dos lobos, Lwayt seguiu sua animada caminhada bebendo e cantando até que chegou a uma trilha que se dividia. Como avistou uma larga rua de pedras, supôs que poderia dar em uma outra cidade. E tomou este caminho. Entretanto, sua animação durou pouco. Ao passar por algumas trilhas que cortavam a estrada, fora atacado por um bando de mercenários. Lutou bravamente com pelo menos cinco deles enquanto outros fugiam, e conseguira escapar. Porém, devido a bebedeira, estava totalmente desorientado e seguiu a estrada até que passou por um portão de ferro. Lembrava de ter sido advertido pelo guarda a não entrar ali, mas estava tão cansado e ainda ferido da briga com os mercenários, que tratou de procurar um abrigo. Ao dobrar a curva a oeste, se deparou com dois Orcs. Tentou partir pra cima deles, mas só conseguia se defender e gritar. Foi quando Beringel apareceu e o salvou. Sentindo-se melhor, Lwayt levantou, agradeceu o mago, e conheceu a história de Beringel. Agora precisavam sair dali o mais rápido possível. Mesmo tendo seus ferimentos curados, o Ladino estava mentalmente perturbado devido a bebida e andava com dificuldades, precisando se apoiar em Beringel. Assim que começaram a andar em direção a larga rua de pedras, ouviram mais gritos vindos de direções diferentes. Sabiam da necessidade de sair daquele lugar, mas não podiam deixar mais inocentes presos aquele terror. Os gritos vindo do oeste estavam se aproximando e sem demora correram para la. Entraram por um caminho ao noroeste e viram um Elfo lutando bravamente com um homem forte. Lwayt esquecendo-se de seu estado mental, partiu pra cima do agressor do Elfo e Beringel achou melhor ficar recitando magias de cura. O Elfo parecia estar bastante ferido, mas ainda lutava com valentia. O forte homem não estava deixando por menos. Parecia haver dois homens dentro daquele corpo. E como pensamento geralmente atrai ação, de repente chegou mais fortes homens armados até os dentes e se uniram a luta desferindo golpes no Elfo e em Lwayt. O Elfo que acabava de matar o primeiro homem que o atacou, uniu-se a Lwayt para ajudá-lo a enfrentar os recém chegados. O Ladino lutava com que tinha. Infelizmente perdera sua adaga para os mercenários, mas ainda possuía uma garrafa que arremessou na cabeça de um dos homens que caiu morto na mesma hora. Beringel como estava enviando magias curativas, rapidamente jogou sua adaga para Lwayt que a pegou no ar e girou apunhalando mais um pelas costas. O Elfo estava se desvencilhando de um outro homem, quando este o feriu na barriga. Lwayt percebendo que o golpe podia ser fatal, se jogou em cima do maldito e ambos rolaram no chão. Beringel rapidamente correu para o Elfo e fechou suas feridas com magias de cura. O Elfo ainda não totalmente restabelecido, mas um pouco melhor, aproveitando que Lwayt lutava com o homem no chão, deu seu arco e flecha para o mago dizendo para que este atirasse mirando no homem. Beringel que não tinha grande perícia em usar armas de tiro, titubeou, mas observando a luta que se desenrolava ali, notou que Lwayt estava no seu limite de força. Pediu aos deuses e esticou o arco mirando na cabeça do homem. Infelizmente errara, e acabara por acertar o braço do Ladino que gritou de dor. Então Beringel desistiu do arco e flecha, apelou para suas magias conjurando do nada um punho invisível acertando um homem em cheio fazendo o cair desmaiado! O Elfo agradeceu os dois jovens e se apresentou. Era Keyner, que foi até Isengard explorar os subterrâneos em busca do mago mestre do fogo, pois havia escutado que tal mestre estaria preso em uma das cavernas daquele lugar. Estava em meio a busca quando foi interceptado por dois Orcs. Agora sorria feliz por ter sido ajudado. Mas seu sorriso durou pouco tempo. Assim que Beringel e Lwayt acabaram de se apresentar, e antes mesmo que pudessem ficar invisíveis, outra luta estava se aproximando. Eram os outros gritos que Lwayt e Beringel escutaram antes. Se curaram rapidamente, esperaram pela luta, já que não havia tempo de se tornarem invisíveis. Lwayt ainda estava com o braço ferido, e o Elfo fraco, dado as magias de cura que tivera que lançar. Precisavam sair logo dali para se restabelecerem. Porém, o Elfo que já conhecia o lugar, avistou mais homens e Orcs vindo da abertura de um subterrâneo que havia ali. Puxando Beringel e Lwayt, precipitou a fugir antes que fossem vistos. Todavia, não foram rápidos o bastante e antes mesmo que pudessem pensar em truta crua, já estavam correndo em uma fuga desesperada com Orcs, homens e uruk-hais em seus calcanhares. Beringel e Lwayt corriam mais a frente, enquanto Keyner gritava que estavam indo para o caminho errado. Mas seu aviso foi em vão, pois os dois da dianteira já tinham dobrado a esquerda, adentrando mais ainda em Isengard. O Elfo ainda correndo, pensou rapidamente e dobrou a rua a direita. Os Orcs, homens e uruk-hais não possuíam uma inteligência eficaz, de forma a fazer com que se dividissem, e preferiram todos juntos perseguir Lwayt e Beringel que já estavam entrando em outra luta mais a diante. Keyner ficou sozinho e livre dos atacantes, porém desprotegido. Suas energias estavam debilitadas e não podia lançar magia de invisibilidade, agora só lhe restava usar o máximo de cautela possível. Para piorar a situação, uma chuva torrencial caiu do céu, e trovões e raios tornava aquele ambiente mais ameaçador. Apesar de se manter alerta, o Elfo começava a acreditar que as criaturas tinham desistido de persegui-lo, decidido que ele não valia tanto esforço. E acreditando nisso, pois era o que lhe restava, caminhou, driblando a chuva que lhe ensopava a roupa, em direção a luta, pela retaguarda dos homens, Orcs e uruk-hais. Mais a frente, conseguiu avistar o mago lutando com dois Orcs, e o Ladino com 1 Uruk-hai. As criaturas que estavam perseguindo, ainda não tinham chegado neles, mas o Elfo sabia que não podia permitir isso. Seria uma chacina. Haviam pelo menos 4 Orcs, 3 uruk-hai e 8 homens na perseguição! Mas ele tinha a vantagem de estar atrás, e estes apesar de estarem se aproximando dos aventureiros la na frente, se mantinham no meio, e não estavam lhe vendo. Mas como podia ajudar? Apesar dessa vantagem, ainda eram muitos para 3! Assim que dobraram para a esquerda, Beringel e Lwayt continuaram correndo desesperadamente enquanto o Elfo ficava para trás. Lwayt estava tão apavorado que sua bebedeira parecia ter passado. Mas Beringel sabia que não. O Ladino estava demonstrando uma coragem que há muito ultrapassava seus limites. Lá na frente, viram um meio-elfo lutando bravamente com dois Orcs e um comandante uruk-hai enquanto mais uruk-hais e homens chegavam vindos de vários lugares. Foi quando a chuva caiu e Lwayt tropeçou, diminuindo a distância com seus perseguidores. Beringel estendeu-lhe a mão, e ouviu por entre o ruído dos trovões Lwayt gritar para seguirem, não perderem a coragem, já que era para morrer, morreria lutando. E com um salto, se jogou pra cima de um uruk-hai que saíra de uma das ruas laterais e corria para o meio-elfo com uma cimitarra na mão. Beringel ficara com os Orcs que saltavam do lado da estrada e pensava onde poderia ter ido parar o Elfo, pois não o via mais por ali. Keyner por sua vez, pensava em uma maneira de não permitir que os Orcs, uruk-hais e homens saídos do subterrâneo, chegassem até Beringel e Lwayt. Enquanto ele pensava, mais próximos de Beringel e Lwayt as criaturas ficavam. Foi quando algo inusitado aconteceu. O Elfo não soube dizer ao certo de onde surgira uma pequena criatura saltando sob um uruk-hai e rodopiando feito uma louca, desferindo chutes, apunhaladas e golpes para todos os lados. Era uma mulher! Pequena, é verdade, mas uma mulher guerreira! Pensaria nisso depois com calma, pois precisava aproveitar a ajuda inesperada e atacar também. Porém, havia dado seu arco para Beringel, mas lembrou de ainda ter uma arma em sua bolsa, uma adaga com cabo de marfim. correu para o meio da luta, proferindo ameaças, lançando poderosas magias, golpes, socos, pontapés e tudo que podia para ajudar aquelas pessoas. Como atacou na retaguarda, empunhando sua espada dourada juntamente com a adaga, as criaturas foram pegas de surpresa e o Elfo conseguiu cortar a cabeça de 3, enquanto gritava para a a mulher se abaixar, pois um Orc havia jogado uma espada franchada na direção do pescoço dela. O Elfo, ocupando-se de um homem ágil, foi tentando ganhar espaço para chegar perto de Lwayt e Beringel a fim de se certificar que eles estavam bem, apesar do possível. Quando o aviso do Elfo ecoou, a guerreira lançou-se por terra; a espada do inimigo assobiando-lhe aos ouvidos. Rolou sobre o solo enlameado e aproveitou o ensejo para pontapear os joelhos do homem que a atacara pelas costas. Este cuspiu um palavrão, mas conseguiu suster-se, após vacilar dois ou três passos. Assim que recuperou o equilíbrio, tornou a investir com um ímpeto enfurecido. Já de pé, a pequena mulher deteve a lâmina do guerreiro, cruzando a espada sobre o punhal apelando a todas suas forças para empurrá-lo. Porém, não era fácil derrubar um uruk-hai, quando sua atenção precisava estar em toda sua volta. E nesse momento um homem lançou uma cimitarra em sua direção. A mulher conseguiu girar e vendo que o homem estava desarmado, cortou-lhe a garganta com uma espada. Aproveitando que ela tinha se virado para o homem, o uruk-hai partiu pra cima dela desarmando-a. A jovem não agüentou com o peso e caiu cambaleando desamparada. A espada escapou-lhe da mão e o seu olhar encontrou o esgar vitorioso do colosso que a defrontava. A lâmina afiada tombou sobre ela, e só não a trespassou graças à velocidade vertiginosa com que se movia. O guerreiro rugiu irado, sem acreditar que falhara. No instante seguinte, o seu semblante retorceu-se de agonia, quando o punhal da opositora se enterrou na sua virilha. Lá na frente, Lwayt e Beringel ouviram o grito do Elfo que se aproximava: – Lwayt! Beringel! A voz de Keyner ribombou como um trovão sobre o clamor da batalha. O Elfo surgiu entre a confusão de corpos suados, escudos e espadas que se batiam, como se tratasse da encarnação de um Vala da guerra. Percebendo que Lwayt ocupava-se de dois uruk-hais, aproximou-se, defendendo o amigo que recentemente havia lhe salvado a vida, e jogou uma de suas armas para ele. Sua espada dourada abateu-se sobre um dos guerreiros, rodou e caiu sobre o outro. A lâmina ergueu-se, salpicando de sangue o louro-dourado dos seus cabelos. Um dos inimigos tombou de joelhos, com o peito rasgado… Ainda não fechara os olhos e outro já ocupara o seu lugar. Por ter se separado momentaneamente de Beringel e Lwayt, conseguira se restabelecer satisfatoriamente, e agora atacava com uma ferocidade incrível. Empunhando unicamente sua espada dourada A sua força era suficiente para manter os inimigos à distância. O valente Elfo, investiu adiante e decepou o braço de um homem que saltara em cima de Lwayt. O homem tropeçou nos próprios pés e tombou desamparado; a mão que lhe restava apertando o coto por onde o sangue esguichava; os olhos esbugalhados de horror. Beringel que acabara de matar dois Orcs, se aproximara e com o arco e flecha pôs fim ao seu suplício. Lwayt, pegou a adaga com cabo de marfim que Keyner lhe dera e aproveitando a ajuda do Elfo, devolveu imediatamente a arma que Beringel havia lhe emprestado antes, pois sabia que o mago estava passando sufoco para manusear o arco e flecha cedido por Keyner. O ladino sem perder tempo, com a mão que antes empunhava a arma que dera para Beringel, desferiu um soco na barriga do outro uruk-hai, en seguida, estendeu a mão para pegar uma espada que estava caída no chão. Levantando-se rapidamente, girou e arremeteu contra dois jovens Orcs e abandonou-os engasgados em sangue. Com a adaga cabo de marfim, juntamente com a espada que achara, agora apunhalava e decepava braços e pernas daqueles que se atreviam a cruzar seu caminho. Beringel percebendo que Keyner estava dando cobertura para Lwayt, olhou para trás e viu uma mulher lutando valentemente com um homem que tinha pelo menos o triplo de seu tamanho. Não pensou duas vezes e correu em direção a guerreira, gritando para que os dois recém amigos tentassem chegar até lá. O meio-elfo que ninguém ainda sabia quem era, mas que estava também lutando contra aquelas criaturas repugnantes, conseguira chegar até Lwayt e enviava-lhe magias curativas, pois este se encontrava bastante debilitado após a investida cega contra os uruk-hais. A escuridão era sufocante, e só alguns poucos archotes que por milagre resistia a torrente de chuva, se encontravam por ali fazendo com que as lâminas brilhassem. Beringel deixou os amigos para trás e foi tentando abrir caminho através do campo de batalha. O terreno íngreme, rochoso e escorregadio podia ser uma armadilha fatal para botas que nunca o haviam experimentado. Mas o mago estava habituado em lutar nas mais precárias condições. A mulher guerreira acabava de libertar a arma da carne quente de um Orc, e já prostrava um uruk-hai com um pontapé. Preparava-se para recuperar a espada, que caíra, quando outra lâmina lhe sibilou aos ouvidos. Instintivamente, ergueu o braço para deter o ímpeto inimigo com a bravura do punhal. Caiu para trás e o homem seguiu-a, tentando subjugá-la com o seu peso. Habituada a repelir adversários com o dobro da sua estatura, usou os pés para afastá-lo, enquanto a mão se fechava sobre o punho da espada. Quando o homem tornou a investir, a lâmina da guerreira já o aguardava. Varou-lhe o ventre com um grito alucinado e levantou-se para sustar mais um ataque. Ao seu redor, os corpos agitavam-se num frenesi bravio. O clamor dos homens e das armas era ensurdecedor. Viu que o Elfo que surgira do nada estava em dificuldades la na frente, lutando ao lado de dois outros jovens. Aproveitando sua pequena estatura, abriu caminho por entre os Orcs e uruk-hais que tentavam fechar o cerco, investindo a espada contra suas virilhas e barrigas. Era noite fechada e nem a lua se fazia presente no céu. A chuva parecia estar cada vez pior e somente os relâmpagos iluminavam a sangrenta batalha. Os archotes há muito que se extinguiram. Rapidamente usou da magia infravisão e gritou para que os rapazes também usassem, caso possuissem tal encantamento. Assim que gritou, despertou a atenção de um Orc que estava mais a frente de costas para ela. Este não perdeu tempo e correu na sua direção, empunhando uma espada de lâmina torta e berrando enlouquecido. Ela só teve tempo de lançar o punhal contra ele, antes de erguer a espada para defender-se de outro inimigo. Pelo canto do olho viu o Orc da espada de lâmina torta cair, com o punhal enterrado na garganta, e inspirou um fôlego de vaidade. O seu arremesso melhorava a cada dia! Concentrou-se no gigante que a desafiava. Era o maior que já enfrentara. Mais uma vez foi derrubada e teve de rolar na lama para escapar. Esboçou um tênue movimento defensivo, mas o homem tombou ao seu lado, vomitando sangue. Lutando para recuperar o fôlego, viu o jovem mago recolher a adaga com que trespassara o inimigo e estender-lhe a mão. Seus olhares se encontraram, e por um momento algo pareceu marcar aquelas duas almas. Beringel a puxou para si e só teve tempo de perguntar se ela estava bem, no que ela respondeu que sim. Não puderam continuar a trocar impressões, porque se viram cercados. Uniram as costas e repeliram os inimigos com um ânimo renovado. Lwayt,o Elfo e o meio-elfo juntaram-se finalmente a eles. Ficaram dispostos lado a lado em Círculo, formando uma estrela, rodeados por Orcs, uruk-hais e homens, e assim que os cinco corpos se tocaram, a lua prateada apareceu no céu, abrindo espaço e meio aquele temporal, e raios vitalizantes emergiram sobre eles. Agrupados e revigorados pela energia produzida pelo contato dos seus corpos, os cinco confrontaram os incrédulos inimigos com a misteriosa magia produzida pela lua que os unia. Estes já não sabiam se enfrentavam homens ou animais, guerreiros ou Valar… Os gritos confundiam-se com o rugido das feras e arrepiavam a escuridão. O sangue espirrava na direção do negro céu e misturava-se com a chuva e formava rios no solo alagado. Perceberam que quando juntos, ganhavam mais ânimo para a luta e uma força misteriosa surgia revitalizando-os e encorajando-os. Assim, mantiveram a tática de avançar e voltar formando um Círculo menor, de forma a compartilharem aquela vitalidade que vinha da mãe lua. Muitas criaturas jaziam no chão, mas ainda haviam em número suficiente para fechar o circo em torno deles. Ao se unirem pela última vez dentro da roda formada por Orcs, uruk-hais e fortes homens, Em uma contagem mental, que por encanto os cinco compartilharam naquele momento, partiram de uma só vez juntos para cima do Círculo que os rodeava, matando 3 criaturas cada um. A lua voltou a abrir passagem dentre o céu escuro, e um clarão jamais visto antes iluminou o terreno. Os Orcs não acostumados com luz, fugiram desesperados para os subterrâneos enquanto homens e uruk-hais iam tombando pelo caminho. Todavia, os valentes aventureiros já estavam nos limites de suas forças. Como afastaram-se uns dos outros para liquidar com os últimos homens e uruk-hais que resistiam, perderam rapidamente a vitalidade e a força. Lwayt, que gastara mais energia devido a bebedeira, se jogou com sua última resistência em cima de um forte homem e cortou-lhe a cabeça. Porém, já estava no limite de suas forças, por causa da enorme exaustão, tombou ao lado deste esperando o golpe de um uruk-hai que não tardou a vir. Viu a lâmina de seu agressor se aproximando, mas não tinha forças para empunhar sua espada ou rolar para o lado desviando. A lâmina se aproximava rapidamente, e em um último momento, esta desviara o trajeto, pois fora atingida por uma flecha. Erguendo um pouco a cabeça, Lwayt viu o meio-elfo armando o arco de novo e transpassando o coração do uruk-hai com outra flecha., Não muito longe dali, Beringel desenterrava sua adaga do corpo de um forte homem e saltava para cima de um segundo. Mas também estava cansado, e ao girar, torceu o pé e caiu com força no chão. O meio-elfo percebendo que um uruk-hai perseguira Beringel na queda, armou sua última flecha e mirou no peito deste, porém falhara não atingindo no local desejado, acertando-o no ombro. O uruk-hai ainda mais enfurecido pegara Beringel, desferindo pontapés no mago. O meio-elfo, desesperado por ter errado a mira, se aproximou e lançou uma de suas magias destruidora fulminando e matando o uruk-hai. Todavia, o meio-elfo já se encontrava em completa exaustão, por estar a muito tempo lutando sozinho, assim ficou prostrado sem energias para continuar a combater. Keyner lutava com tudo que tinha contra 3 uruk-hais, e não sabia onde estava a mulher guerreira. Teria sido ilusão? Girando e chutando, golpeando com sua espada dourada, conseguiu matar um dos uruk-hais, cortando-a cabeça deste fora. Não, não fora ilusão, ele realmente tinha visto uma moça lutando e entrando no Círculo com eles. Agora eram dois contra ele, mas já cansado não lutava com desenvoltura. Fora atingido no braço direito, então empunhou a espada dourada com a mão esquerda e assim fez o que sempre fazia em momentos como este, girou sua espada como um molinete tirando fagulhas quando atingiu uma grande roda. Com o impacto, Keyner caiu ao chão. Porém não podia ficar ali, pois os homens ainda estavam vivos. Gritou pela mulher guerreira e não obtendo resposta, golpeou com sua espada em direção do tornozelo de um dos homens que saltou rapidamente, fazendo com que Keyner errasse o golpe. Com o canto dos olhos, viu a guerreira saltar de uma pilastra em cima de um deles, cortando com sua espada a cabeça do agressor. O outro homem pegara Keyner, mas a guerreira chutou-lhe as pernas por trás, desequilibrando e derrubando-o no chão. Porém, o braço do homem a segurou e este o torceu, fazendo com que a guerreira largasse a espada gritando de dor. Keyner caído mais a frente, foi se rastejando e quando estava quase alcançando a perna do homem, sentiu algo o machucando por baixo da barriga. Com muita raiva teve que rolar para se livrar do que lhe incomodava. Viu então que se tratava de uma flecha. Agarrou-a com esperança e do jeito que pode mirou na nuca do homem e a lançou. A guerreira sentiu que algo tinha acertado seu oponente, pois o aperto no braço afrouxara-se, deixando espaço suficiente para que ela impulsionasse o corpo para cima, dando uma cabeçada no queixo do homem, quebrando seus dentes. O Elfo aproveitou este momento para chegar mais perto. O homem urrou de dor, mas ainda não estava morto. A mulher, agora mais livre do aperto, tateou desesperada o chão em busca de uma pedra. A sorte pareceu lhe brilhar, pois encontrou-a rapidamente e com toda força bateu na cabeça de seu inimigo finalmente matando-o. Keyner suspirou satisfeito e sorriu para ela. No entanto, a jovem guerreira também estava em seus limites e não tinha forças para se levantar. O Elfo olhou em volta e o que viu cortou seu coração. Do outro lado da rua, Lwayt jazia imóvel no chão. Mais a frente, viu o meio-elfo com um serio ferimento em sua face direita, pois durante o combate usava uma máscara que fora golpeada e quebrada pelo comandante uruk-hai, ferindo-o seriamente. Porém os olhos do meio-elfo estavam flamejando com um brilho inquietante, apesar de estar exausto e de joelho apoiado em sua espada. Keyner, percorrendo com um olhar suplicante para encontrar o mago, viu-o sentado encolhido gemendo de dor. Assim que conseguiu ver onde estava cada um deles, a lua desapareceu do céu, deixando-os na mais desoladora escuridão. Keyner não acreditava que tudo tinha sido em vão. Precisava fazer algo, e urgentemente. Lembrou da batalha, de como conhecera Beringel e Lwayt, o susto que levara com a chegada da guerreira e a esperança que teve ao descobrir que havia mais um meio-elfo do lado deles. Não, aquilo não podia terminar assim. Tinha que haver algo. Ele precisava fazer alguma coisa e o mais rápido possível. E foi assim, visualizando toda a batalha que lembrou que as coisas começaram a sair melhor quando os cinco se uniram em um Círculo. Respirou fundo e sabendo o que precisava fazer, foi se arrastando até a mulher que estava mais perto. Esta por sorte não se encontrava desacordada, apenas ferida. Contou-lhe seu plano e ambos se levantaram se apoiando um no outro e foram cambaleando para junto dos outros. Todavia, cada um estava em um lugar e a escuridão os sufocava. Não dava para ver mais nada. O Elfo possuía um bom senso de direção, no entanto, este estava abalado devido os últimos acontecimentos. Mesmo assim não podia desistir. Lançou a sorte e foram totalmente esgotados e trôpegos, guiando a mulher para a direção que o meio-elfo estava. Felizmente conseguiram chegar la, mas o esforço que desprenderam até ele, fez com que tivessem que aguardar para pegar mais fôlego. Sabiam porém, que quanto mais tempo demorassem a chegar perto dos outros, mais chances eles tinham de não sobreviver. Abriu sua bolsa e pegou um cantil, passando para a guerreira e sussurrando para que esta bebesse. A mulher obedeceu e captando as intenções de Keyner, serviu um gole ao meio-elfo, que se levantou apoiando em sua espada. Sorriu para ambos e agradeceu-lhes a ajuda. Mas dessa vez a mulher disse-lhes que não tinham tempo. Precisavam chegar até os outros dois para que unidos tivessem forças. O meio-elfo captou rapidamente a intenção dos dois e se uniu a eles. Assim foram caminhando sem firmeza pela lama. O chão estava encharcado de poças d’água e o sangue escorria pelas pedras, dificultando o progresso. Com muita dificuldade chegaram até onde imaginavam estar Lwayt, mas nada encontraram. Então foi a vez do meio-elfo AGIR. começou a rastrear as pistas deixadas pelo combate e conduziu-lhes até onde estava o ferido mais próximo. Para a surpresa de Keyner, encontravam-se mais perto de Beringel do que de Lwayt. Então foram em direção a ele. As pedras escorregadias faziam-lhes tropeçar e até cair, cortando e deixando mais machucados, mas não desistiram. Assim que conseguiram chegar até o mago, perceberam que Lwayt também estava ali. Beringel, apesar de bastante ferido, não sangrara muito nas lutas, tendo apenas torcido o pé. Enquanto Keyner e a mulher lutavam com os homens, ele se aproximou aos pulos de Lwayt, certificando-se que o Ladino estava apenas desacordado. Sem muita demora, Keyner explicou rapidamente seu plano e os cinco se dispuseram em Círculo, pois a debilidade era grande. Deram-se as mãos, e assim que estas se tocaram, a Lua prateada apareceu no céu, e gotas de essências revitalizantes caíram sob eles. Então se sentaram ali mesmo no chão enlameado sentindo o frescor lunar que pairava. Pouco a pouco, um a um foi se restabelecendo. Lwayt sorria totalmente restaurado de seus ferimentos e bebedeira no auge de sua agilidade. O pé de Beringel não estava mais torcido. O meio-elfo gozava agora de plena vitalidade e de todo seu poder. Keyner sentia a força correndo por todo seu corpo. E a mulher respirava aliviada ao ver que seus reflexos estavam melhor que nunca. Fizeram uma fogueira e um a um contou sua história. O meio-elfo fora até Isengard com o propósito de conseguir que um ferreiro humano que outrora fora escravizado pelos Orcs, lhe forjasse uma espada, pois ouvira que tal ferreiro era perito em forjar espadas de aço que poderia cortar qualquer coisa. Seu nome era Leicester e ele vinha de Valfenda. Ao dobrar a curva que o levaria ao ferreiro, foi atacado por dois uruk-hais. A guerreira se chamava Selkie e chegara até ali a fim de explorar o lugar. Selkie gostava muito de conhecer lugares e nunca tinha entrado em Isengard. Felizmente não fora atacada, mas de repente escutou gritos vindos de todos os lugares. Chegou até eles e não aceitando a injustiça entrou na luta para ajudá-los. Enquanto conversavam, a lua parecia sorrir no céu. Leicester como vinha de longe, tinha guardado muito suprimento de comida e água, e compartilhava com todos. Perceberam que algo naquela noite havia marcado a vida de cada um para sempre. Eram cinco desconhecidos que pareciam ter afinidade desde criança. Resolveram então criar um clã que deram o nome de Círculo da Lua, devido a influência desta na glória da batalha.