<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Telhado da Miau</title>
	<atom:link href="http://www.mundocegal.com.br/miau/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://www.mundocegal.com.br/miau</link>
	<description>Aqui pretendo falar sobre mim e situações que vivencio e</description>
	<lastBuildDate>Wed, 05 Oct 2011 12:13:48 +0000</lastBuildDate>
	<language>en</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
	<generator>http://wordpress.org/?v=3.1</generator>
		<item>
		<title>Os Cegos e os Eletrodomésticos</title>
		<link>http://www.mundocegal.com.br/miau/2011/09/22/os-cegos-e-os-eletrodomesticos/</link>
		<comments>http://www.mundocegal.com.br/miau/2011/09/22/os-cegos-e-os-eletrodomesticos/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 22 Sep 2011 15:17:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Miau</dc:creator>
				<category><![CDATA[Textos em geral]]></category>
		<category><![CDATA[cego]]></category>
		<category><![CDATA[debie]]></category>
		<category><![CDATA[debruxa]]></category>
		<category><![CDATA[eletrodoméstico]]></category>
		<category><![CDATA[empresários]]></category>
		<category><![CDATA[independência]]></category>
		<category><![CDATA[miau]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.mundocegal.com.br/miau/?p=111</guid>
		<description><![CDATA[Uma das coisas que mais gosto de fazer em casa é cozinhar. Muitos perguntam: mas não é perigoso um cego cozinhar? Não, não é. As pessoas ficam tão dependentes davisão, que acabam por nem se darem conta quando usam os outros sentidos como o tato, paladar, audição e olfato. Os primeiros sinais de que algo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Uma das coisas que mais gosto de fazer em casa é cozinhar. Muitos perguntam: mas não é perigoso um cego cozinhar? Não, não é. As pessoas ficam tão dependentes davisão, que acabam por nem se darem conta quando usam os outros sentidos como o tato, paladar, audição e olfato. Os primeiros sinais de que algo vai bem ou mal em uma cozinha percebemos através do olfato ou da audição. Quando um bolo começa a assar, somos avisados pelo cheiro, quando o arroz está cozido, ele começa a estalar, indicando que a água evaporou e se colocamos a medida certinha, estará prontinho. Até mesmo a tão temida panela de pressão emite um sinal sonoro para sinalizar que a pressão começou a pegar. Ninguém abre a panela de pressão para olhar o alimento, e sim ouve seu chiado, percebendo que o processo de cozimento começou. Depois marca um tempo para verificar se ficou pronto ou não, novamente usa a audição para perceber que a pressão saiu totalmente da panela, e finalmente após todo aquele chiado ter acabado é que está sinalizado que podemos abrir a panela sem perigo. E essa verificação não é feita através da visão, e sim pelo paladar, provando o preparo. Não adianta olhar para o alimento que está sendo feito e perceber que está bonito, se não estiver macio, cozido e saboroso não está pronto. A visão acaba sendo dispensável, ou entra somente depois que utilizamos todos os outros sentidos para auxiliar no embelezamento do prato. Assim como o andar na rua, existem limites dentro de uma cozinha, e em ambos os casos são os mesmos para cegos, não cegos, idosos, crianças, deficientes, pessoas em geral. Na rua, o limite é o meio fio. Sabemos que depois daquele marco existe a rua onde os carros passam, então, melhor é procurar um sinal para atravessar. Na cozinha, o limite é o calor. Sabemos que quanto mais alta a temperatura, mais perto do fogo estaremos. Claro que quem enxerga vê o fogo, mas a sensação de perigo nos é passada através do tato. Nos primórdios, tanto os animais como os homens detectaram o perigo do fogo não pela visão, e sim pelo tato. Pensando nessa ordem de sentidos para cozinhar, me indago: por que a maioria dos eletrodomésticos possui sinalizadores visuais para avisar que a comida está pronta? Por que não possuem além desses sinais coloridos e luminosos os bips melodiosos? Por que estão vindo cada vez mais lisos sem nem um relevo em suas superfícies? Como uma boa cozinheira, eu adoro novidades, e curto muitíssimo os eletrodomésticos que me auxiliam na cozinha como micro-ondas, multiprocessador, centrífuga, grill etc. Vamos começar pelo mais utilizado que é o micro-ondas. Para um cego utilizar um micro-ondas, não basta ir na loja, comprar, chegar em casa, ler o manual e usar. Uma, que os manuais não veem em braille ou em áudio. É preciso que escaneemos ou procuremos uma pessoa amiga para ler pra gente. Qual a dificuldade hoje em dia para se oferecer um manual em braille, visto existirem tantas imprensas braille nas capitais do Brasil? Qual a dificuldade em adicionar um cd em áudio com a leitura por voz do manual do produto? Vale dizer que no caso de um manual falado, não atingiria somente a clientela de deficientes visuais, mas também os idosos e pessoas que não são alfabetizadas dentre outros que possuem dificuldades para ler as letrinhas e até mesmo interpretar seus códigos. Ultrapassada essa barreira do manual nos deparamos com outro problema: o micro-ondas é lisinho, lisinho, o cego não sabe onde apertar, pois não existe botões nem relevo para uma referência. Geralmente quando converso sobre essas barreiras com alguém, a opção braille me é indicada como sugestão. Eu penso de forma mais abrangente. O braille me ajudaria, mas não seria nada útil para alguém que acabou de ficar cego e ainda não foi alfabetizado nesse sistema. O relevo seria a melhor opção, e aqui fica uma dica para aqueles que como eu, usam micro-ondas e precisam adaptá-lo. Nas casas de construções existem umas bolinhas de silicone que são usadas para pisos de banheiro a fim de tornar o solo antiderrapante. Essas bolinhas são perfeitas para colar em cima da numeração do micro-ondas, pois são transparentes, não impedindo assim que uma pessoa que enxergue use também. Mas a indagação continua: qual o problema do micro-ondas vir em alto relevo como antigamente? Será que o relevo torna o aparelho tão feio assim? Será que os empresários não percebem que colocando relevos e bips nos eletrodomésticos atingiriam uma clientela bem maior? Não consigo compreender a dificuldade de se colocar, por exemplo, relevos em volta dos botões de uma máquina de lavar roupa. Relevos coloridos então! Alcançaria aqueles consumidores analfabetos, além de tornar o produto mais atraente aos olhos dos que enxergam. Meu namorido comprou para mim uma churrasqueira elétrica que vem também com bandejas para grelhar. Ainda não chegou, mas estou ansiosa para conhecer o meu mais novo brinquedinho e já me indago: Será que tem bipe para avisar que a chapa tá quente? Acho mesmo que a chapa vai é esquentar para que eu utilize esse produto! rs! Sei que ele fica vermelho quando esquenta, e no meu caso é ótimo, pois ainda consigo ver cores, mas e quem não consegue? Não pode comer comidas grelhadas? Oh dó, não é? Qual o problema em colocar um bip indicando que a chapa está quente e pronta para receber a carne? Ou mesmo uma voz falando os processos de evolução do preparo? Hoje em dia não seria tão complicado assim para um engenheiro eletrônico programar, sabendo-se que ele pode contar com tantas outras coisas desenvolvidas para cegos que possuem o sistema de fala, os sintetizadores e leitores eletrônicos. E o tempo? Ah sim, nesse iria ter problema, caso eu não tivesse uma certa experiência na cozinha. Mas é injusto saber que existe um cronômetro visual que eu, consumidora cega não posso desfrutar, contando apenas com a minha intuição de cozinheira. Caramba! Até os GPS falam! Por que não os eletrodomésticos? Mas por outro lado existem alguns eletrodomésticos bacaninhas para cegos e que no entanto não são tão conhecidos pela população cegal. Ganhei ano passado uma máquina de pão. A menina dos meus olhos cegos de minha cozinha. Eu a utilizo com a maior facilidade e independência. Seus botões são todos em alto relevo e consigo perfeitamente escolher a cor da casca do pão, o tamanho do pão, além do programa para cada pão. Como nem tudo é perfeito, ainda mais se tratando de eletrodoméstico para a cozinha, infelizmente não se tem como programar para que o processo de feitura do pão comece determinada hora. Para nós, cegos, lidarmos com a panificadora, precisamos esquecer que existe a opção de se programar para que tal hora a máquina comece a funcionar. Injusto. Ainda que eu jamais venha utilizar essa opção, é triste saber que uma pessoa que enxerga e que pagou o mesmo que eu pelo produto, conta com essa opção a mais. Saindo da cozinha, vamos para a sala onde existe um possante equipamento de som que meu namorido escolhe as músicas nos finais de semana enquanto eu cozinho. Delícia cozinhar ouvindo e cantando juntamente com o som da sala! No entanto, confesso que eu mesma não sei lidar com aquele som. Chega a ser até contraditório que um aparelho de som necessite da visão para funcionar. Não, meu namorido não enxerga. Inclusive ele é mais cego do que eu, pois eu ainda consigo ver cores, e ele nada. No entanto ele tem muita facilidade de entrosamento com esses produtos. Para lidar com esse aparelho de som, é preciso que escolhamos o que aparece no visor. Oh, Deus, como um cego faz isso? É necessário muito malabarismo digital e mental que o namorido consegue, mas eu, cega que não tem essas aptidões de comunicações com aparelhos eletrônicos, deixo a desejar. Então vamos todos os cegos desenvolver essas inteligências e facilidades em lidar com um aparelho de som que requer uma interação visual! Será que as empresas ao vender esses tipos de produtos oferecem um cursinho nesse sentido? E nós, cegos que curtimos tanto a música, não é? Injusto. Eu deliro em saber que podemos colocar um pen drive no som e ouvir todas aquelas pastas que carinhosamente fizemos a seleção no micro! Mas só mesmo em saber, porque usar&#8230; só se o namorido estiver em casa. Ouvindo o som enquanto cozinho, o telefone toca ao meu lado. Mas estou com as mãos ocupadas mexendo alguma coisa no fogo que não pode ser interrompida naquele momento. Ah! Mas tem a Bina! Ela vai me dizer quem está ligando e depois eu poderei retornar a ligação. Oh, sonho! Não, as Binas que as operadoras fornecem não veem com um sistema de voz lendo o número que aparece, nem tão pouco dizendo o nome da pessoa que está ligando após esta ter sido introduzida no sistema de armazenamento da agenda telefônica. A Bina mostra visualmente. O número ou nome de quem está ligando aparece em um visor. Coitado do cego que só poderá fazer uso de tal facilidade se comprar uma Bina falante. Oh, pai, é tão caro ser cego! E coitadas das donas de casa que precisam largar tudo no fogo para correr a fim de olharem para a Bina e identificar quem está ligando. Bem, se ela correu até o telefone deixando a comida no fogo, melhor atender. Às vezes atender o telefone é até mais rápido do que olhar e identificar o número. E a comida? É claro, ficou queimando ou está lá, esperando no fogo desligado para que recomece, após o telefonema, seu processo de cozimento. E logicamente, o sabor pode até ficar comprometido se o processo de preparo não fosse interrompido.Por que o raio da operadora não introduz um sistema de fala nas Binas visto o telefone ser algo usado por aqueles que ouvem e falam? Lógico que hoje em dia existem até telefones adaptados para que um deficiente auditivo se comunique, mas juntamente com o visor não poderia ter uma voz falando os números? Mas eu não desisto. Enquanto houver eletrodomésticos que me facilitam a vida, eu vou buscando e adaptando da melhor forma para que possa usar. Mas a vida seria tão mais fácil se os empresários se preocupassem com esses detalhes, aumentando assim a clientela. Quando eles perceberem que o dinheiro investido nessas adaptações será revertido em lucro, talvez cheguemos no ponto de uma independência maior para viver o dia a dia mais contentes com nossas conquistas.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.mundocegal.com.br/miau/2011/09/22/os-cegos-e-os-eletrodomesticos/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>2</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Homenagens e Reencontros</title>
		<link>http://www.mundocegal.com.br/miau/2011/09/21/homenagens-e-reencontros/</link>
		<comments>http://www.mundocegal.com.br/miau/2011/09/21/homenagens-e-reencontros/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 21 Sep 2011 21:36:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Miau</dc:creator>
				<category><![CDATA[Textos em geral]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.mundocegal.com.br/miau/?p=108</guid>
		<description><![CDATA[Tem muito tempo que não dou a devida atenção ao meu telhado, mas sempre faço planos para me dedicar e acabo não cumprindo o combinado comigo mesma.Vamos ver se dessa vez vai! rs! Tanta coisa pra contar, mas acho que começarei pelas mais recentes. Sei que por vezes uma certa organização se faz necessária, mas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Tem muito tempo que não dou a devida atenção ao meu telhado, mas sempre faço planos para me dedicar e acabo não cumprindo o combinado comigo mesma.Vamos ver se dessa vez vai! rs! Tanta coisa pra contar, mas acho que começarei pelas mais recentes. Sei que por vezes uma certa organização se faz necessária, mas quando se trata de um blog como  este, onde pretendo deixar meus leitores a vontade e escrever carinhosamente, o coração que toma a rédea da situação e embarco na ordem que ele me propõe. Sexta-feira passada, dia 16, fui convidada para prestar um depoimento em uma homenagem que a Associação de Ex Alunos do Instituto Benjamin Constant prestou ao querido  Professor de matemática Antônio Carlos. Declamei uma de suas lindas poesias, a que mais se parece comigo, postarei abaixo. Fiquei muito contente pelo convite, ao mesmo tempo que nervosa e ansiosa. Há muito tempo que eu não subia em um palco para falar pra tanta gente. E sinceramente, ainda não sei se é mais complicado falar para pessoas que conhecemos, ou para quem não conhecemos. Acho que o grau de nervosismo é o mesmo, por motivos distintos. Quando falamos para uma plateia onde as pessoas são conhecidas, temos a responsabilidade de não desapontar, de fazer melhor que se espera. E quando falamos para uma plateia de desconhecidos, temos a responsabilidade de passar a melhor impressão. Acho que no fim acaba dando no mesmo. rsrsrsrs! A homenagem  foi belíssima, com amigos, alunos e ex alunos, colegas de trabalho e familiares relatando passagens que vivenciaram com o querido SR. Antônio. E foi  merecido. No final tivemos o show dos ex alunos repleto de talentos e surpresas. Eu não cantei, mas marquei minha presença na plateia conduzindo, digamos assim, a bagunça do  auditório. Adorei ter reencontrado tantos amigos. Pra mim, datas como esta são sagradas. São momentos onde encontramos pessoas que não vemos há tanto tempo e somos presenteados  pela oportunidade de abraçar tanta gente querida. No sábado teve o bingo da Associação onde me diverti muitíssimo. E claro, Sérgio sortudo como é, arrebatou a cafeteira! Tudo felicidade nesse final de semana. Tomara que hajam muitos mais momentos como estes, onde comemorações e homenagens abrem espaços para a confraternização entre tantos entes queridos. Agora, segue a poesia que declamei do querido professor Antônio Carlos.<br />
                Quisera Ser Poeta<br />
          Os poetas verdadeiros são tão poucos!<br />
          Quisera eu ser um deles.<br />
          Os poetas verdadeiros são tão loucos!<br />
          Quisera a loucura deles.</p>
<p>          Os poetas verdadeiros são tão sábios!<br />
          Quisera saber como eles.<br />
          Os poetas verdadeiros são alados!<br />
          Quisera voar com eles.</p>
<p>          Os poetas verdadeiros vertem pranto!<br />
          Quisera as lágrimas deles.<br />
          Os poetas verdadeiros sonham tanto!<br />
          Que bom que eu sonho como eles!</p>
<p>Antônio Carlos Torres Hildebrandt</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.mundocegal.com.br/miau/2011/09/21/homenagens-e-reencontros/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Meu Lar</title>
		<link>http://www.mundocegal.com.br/miau/2011/09/19/meu-lar-3/</link>
		<comments>http://www.mundocegal.com.br/miau/2011/09/19/meu-lar-3/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 19 Sep 2011 23:43:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Miau</dc:creator>
				<category><![CDATA[Textos em geral]]></category>
		<category><![CDATA[debie]]></category>
		<category><![CDATA[debruxa]]></category>
		<category><![CDATA[lar]]></category>
		<category><![CDATA[meu lar]]></category>
		<category><![CDATA[miau]]></category>
		<category><![CDATA[poema]]></category>
		<category><![CDATA[sérgio]]></category>
		<category><![CDATA[telhado]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.mundocegal.com.br/miau/?p=106</guid>
		<description><![CDATA[Quando o dia se vai e por fim chega a hora de descansar, o manto negro da noite sobre a terra cai, eu descanso na proteção do meu lar. Meu lar tem braços fortes e carinhosos, corpo quente e acolhedor. Tem lábios doces e olhos bondosos, meu lar é o meu amor. O melhor lugar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Quando o dia se vai<br />
e por fim chega a hora de descansar,<br />
o manto negro da noite sobre a terra cai,<br />
eu descanso na proteção do meu lar.</p>
<p>Meu lar tem braços fortes e carinhosos,<br />
corpo quente e acolhedor.<br />
Tem lábios doces e olhos bondosos,<br />
meu lar é o meu amor.</p>
<p>O melhor lugar do mundo<br />
é o aconchego de seu leito.<br />
Ali eu converso sobre qualquer assunto,<br />
enroscada nos pêlos de seu peito.</p>
<p>Suas mãos acariciam meus cabelos<br />
com tanto amor, carinho e bem querer,<br />
que todo cansaço, fadiga e medo,<br />
desaparecem por completo de meu ser.</p>
<p>Sua voz tão profunda, tão calma,<br />
acaricia minha audição.<br />
Tranquiliza, relaxa e revigora minha alma,<br />
seu som é a mais linda canção.</p>
<p>Quando estou no meu lar,<br />
nada de mal pode me acontecer,<br />
pois aquele que sabe me amar,<br />
parece viver para me proteger.</p>
<p>Meu lar tem a temperatura certa,<br />
para meu corpo embalar.<br />
E se por acaso algo me desperta,<br />
ele volta a me abraçar.</p>
<p>Exalo seu perfume, seu cheiro,<br />
e meu corpo reflexamente responde,<br />
para ser correspondido por inteiro,<br />
por aquele que de mim jamais se esconde.</p>
<p>Ele está sempre presente,<br />
em todos momentos de minha vida.<br />
Me amando, ajudando, me deixando contente,<br />
me provando que sou tão querida.</p>
<p>Nele eu encontro a mulher que há em mim,<br />
tentando de todas as formas conquistar.<br />
Porque sem meu lar, eu sou o fim.<br />
Sem ele não consigo me imaginar.</p>
<p>Nele eu me preencho, me torno plena,<br />
me fortaleço e para a vida eu emerjo.<br />
De coração fiz esse poema,<br />
para o meu lar que se chama Sérgio.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.mundocegal.com.br/miau/2011/09/19/meu-lar-3/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Biscoito Estrelado</title>
		<link>http://www.mundocegal.com.br/miau/2011/05/05/biscoito-estrelado/</link>
		<comments>http://www.mundocegal.com.br/miau/2011/05/05/biscoito-estrelado/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 06 May 2011 00:25:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Miau</dc:creator>
				<category><![CDATA[Textos em geral]]></category>
		<category><![CDATA[beringel]]></category>
		<category><![CDATA[biscoito]]></category>
		<category><![CDATA[biscoito estrelado]]></category>
		<category><![CDATA[bruxinhas]]></category>
		<category><![CDATA[debie]]></category>
		<category><![CDATA[debie debruxa miau]]></category>
		<category><![CDATA[debruxa]]></category>
		<category><![CDATA[estrelado]]></category>
		<category><![CDATA[madrea]]></category>
		<category><![CDATA[miau]]></category>
		<category><![CDATA[pequetita]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.mundocegal.com.br/miau/?p=97</guid>
		<description><![CDATA[Antes era só o todo, que era a deusa. Era a divindade primordial chamada de Diana que foi a primeira criatura contendo todas as coisas em si como o masculino efeminino, o claro e o escuro, o espírito e a matéria, a semente da vida. Tudo estava junto, sem ordem e definição. Apesar de conter [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Antes era só o todo, que era a deusa. Era a divindade primordial chamada de Diana que foi a primeira criatura contendo todas as coisas em si como o masculino efeminino, o claro e o escuro, o espírito e a matéria, a semente da vida. Tudo estava junto, sem ordem e definição. Apesar de conter em si o masculino e o feminino, essa deidade primordial era a deusa anciã, que vem antes do nascer e depois do morrer. No começo essa deidade se recarregou energeticamente e descansou. Depois ela tomou ciência de seu ser e teve necessidade de movimento, de sonhar e de se dividir. Então surgiu o Deus, originado dessa grande energia divina e primordial, sendo filho, irmão e consorte da Deusa. ODeus tornou-se  a parte física e se expandir pelos planos enquanto a Deusa ficou com a outra metade sendo o lado espiritual, emocional e intuitivo. A Deusa é o sentimento, enquanto o Deus o físico, complementando-se mutuamente um ao outro. O Deus se expandiu em forma de luz e fogo, passando pelo processo de esfriamento das estrelas e dos planetas solidificando dessa forma a matéria. Enquanto o Deus esteve nessa jornada, a Deusa sentiu muita falta dele e desejou tê-lo de volta. Então ela mesma, depois de consultar o seu Eu Superior, desceu a matéria. Porém, essa descida não foi igual ao do Deus, pois tendo ela ficado com a parte espiritual,</p>
<p>se dividiu em várias almas tendo dessa forma várias experiências de vida e percorreu a descida a matéria em busca do Deus. Ao tomar a forma física, a Deusa se  apaixonou pelo Deus e depois de cantar o encantamento, se uniu a ele em corpo e alma. Para criar o universo e manter a união entre o espírito e a matéria, a deusa cantou em seu encantamento a música da vida, fazendo tudo vibrar e organizando todas</p>
<p>as coisas por meio dessa vibração colocando tudo em suas freqüências.  Ela entoou vários acordes, desde o mais grave, indo em um harpejo de sonoridade mágica ao mais agudo. Então ela sentou-se no meio da roda e cantou a roda da vida. Esse encantamento fez com que  o Deus, a parte física girasse em torno da roda em uma dança contínua da vida, criando o tempo. E com o tempo veio a noite e o dia, e as estações do ano. Ele dança, ela canta e tudo se faz cumprir. Assim que a Deusa deu início a criação, várias e várias partículas se desprenderam de seu ventre, dando origem a infinitas coisas com as mais diversas formas. Foram-se criando dessa maneira, os universos com todo tipo de criatura e energia. Um desses universos adquiriu a forma de um biscoito estrelado, e atraindo para si 5 poderosas borboletas, segue percorrendo seu destino carregado em cada extremidade</p>
<p>de seu pentáculo por uma delas. E é nesse biscoito estrelado que nossa história começa.</p>
<p>Capítulo I</p>
<p>Uma Chegada Inesperada<br />
No centro do Biscoito estrelado, cercada pela Floresta Gostazônica,<br />
 havia uma pequena cidade chamada Bruxópolis.</p>
<p>Bruxópolis era uma linda cidade onde viviam muitas bruxas, claro, como indica o seu nome. Porém, engana-se quem pensar que em uma cidade de bruxas, apenas estas ali habitam. Não, onde há bruxas, certamente haverá também gnomos, duendes, gatos, sapos, morcegos e muitas mais criaturas mágicas. E Bruxópolis era assim. Uma cidade de bruxas, gnomos, duendes, sapos, gatos, morcegos e vários outros seres encantados.</p>
<p>Por possuir uma terra fértil, jardins, hortas e pomares era o que não faltava e árvores frutíferas mantinham sua fantástica produtividade com os mais inocentes encantamentos das bruxonas mais idosas.</p>
<p>Passarinhos anunciavam a chegada de cada dia e o murmúrio dos bichinhos noturnos davam as boas vindas à noite e, devido à sua proximidade da floresta, não era raro ver certos animais andando pela cidadezinha como se fossem os seus donos.</p>
<p>Contudo, apesar da aparente harmonia, não podemos afirmar que Bruxópolis fosse uma cidade pacífica&#8230;</p>
<p>Os seus habitantes, em casos de iminente perigo ou ameaça hostil, se juntavam para defendê-la e à honra bruxuleante, a qualquer custo! Afinal de contas, &#8220;bruxos unidos, dificilmente são vencidos&#8221;!</p>
<p>Mas, sabemos também que bruxos unidos são bastante fedidos! Fedidos no bom sentido, é claro. Fato é que, apesar de toda a ética bruxística, dois chapéus pontudos não se pontuam. Ou&#8230; melhor dizendo, um bruxo é pouco, dois é bom mas, três é demais! Melhor ainda, esclarecendo: em sua maioria, bruxos são detentores de personalidade um tanto quanto expressiva demais. E aí, quando um discorda de outro, faíscas que emanam de suas varinhas são facilmente perceptíveis&#8230; e haja trabalho dos gnomos para consertar tais utensílios!</p>
<p>Aliás, graças há muitas desavenças desse tipo, os gnomos se mantêm no mercado de reparos, compra e venda, há séculos.</p>
<p>Naquele dia, da chaminé de uma casinha, saía certa fumaça que, progressivamente, adquiria uma cor um tanto agressiva&#8230;</p>
<p>O motivo para tal ocorrência era a visita que Debruxa,uma  bruxinha carioca recém chegada à cidade, fazia à Pequetita.</p>
<p>- Você de volta?</p>
<p>- Olá Pequetita, como vai?</p>
<p>- Mas&#8230; Mas&#8230; Eu não te esperava&#8230;<br />
 O que faz aqui?<br />
 O que quer?</p>
<p>- Eu adoro esse tipo de recepção, Pequetita!<br />
 Como você é amável&#8230;<br />
 Inclusive, eu aceito o chá e aqueles maravilhosos biscoitinhos.</p>
<p>- Não tem chá nem biscoitinhos pra você aqui, Debruxa!</p>
<p>- Nossa, Pequetita! Mas&#8230;</p>
<p>- Nem mais, nem menos! Pensa que não sei que você veio buscar a Miau?</p>
<p>- Miau? Eu?!</p>
<p>- Sim, ou você é tão relapsa que se esqueceu que a deixou comigo?</p>
<p>- Ah, sim&#8230; a Miau!<br />
 E como ela está?</p>
<p>- Está ótima. Até agora&#8230;<br />
 Não sei como ficará quando encontrar com você.</p>
<p>- Que história é esta, Pequetita?</p>
<p> Eu adoro a miau!</p>
<p>- Sim. Mas, você a deu para mim!<br />
 E, não pense que não sei que veio buscá-la.</p>
<p>- Buscá-la?</p>
<p>- Não se faça de tonta!</p>
<p>E a fumaça que saía da chaminé, adquiriu um tom avermelhado!</p>
<p>- Volte para onde veio, Debruxa. Você não é bem vinda aqui.</p>
<p>- Ora, Pequetita! Você está me deixando&#8230;</p>
<p>- Deixando o quê?!<br />
 Ah, sim! Com fome, não é?&#8230;<br />
 Aqui estão os biscoitinhos que tanto quer!</p>
<p>Nesse momento, a porta se abriu e uma linda bruxinha loira, trajando um vestidinho cor de rosa e chapéu verde, entrou na sala e foi totalmente coberta pelos biscoitos que Pequetita acabava de atirar em Debruxa!</p>
<p>- Uau! Que ótima recepção, Pequetita!<br />
 Bem que eu vi, pela fumaça que está saindo da sua chaminé, que algo estava acontecendo por aqui&#8230;<br />
 É algum festival de biscoitos, ou o quê?</p>
<p>- É o &#8220;quê&#8221; mesmo, Madrea.<br />
 é o que esta bruxa em desenvolvimento está fazendo aqui!</p>
<p>- Madrea! &#8211; gritou Debruxa, se jogando nos braços da amiga que, ainda coberta pelos biscoitos, mal pôde se preparar para o abraço e acabou caindo no chão, levando Debruxa junto!</p>
<p>- Debruxa! Quanto tempo! Que coisa boa você aqui!</p>
<p>- Até que enfim, uma recepção digna!</p>
<p>- Digna ou não, Debruxa, não pense que irá levar a Madrea para o seu<br />
 lado! A Miau fica aqui e ponto final.</p>
<p>- O único lugar para onde a Debruxa conseguiu me levar por enquanto, Pequetita, foi para o  chão!<br />
 Deixe-me levantar, Debruxa, por favor.</p>
<p>- Eu não sei do que esta doida está falando, Madrea.</p>
<p>- Você finge que não sabe, Debruxa! Mas, eu sei muito bem quais são as suas intenções com a Miau&#8230;</p>
<p>- Miau?<br />
 Então, você veio buscar a Miau, Debruxa?</p>
<p>- Buscar quem?</p>
<p>- É isso mesmo Madrea. Esta coisa entrou em minha casa para buscar a Miau!<br />
 Depois de sabe-se lá quanto tempo sem ver a bichinha, esta aí se acha no direito de pegá-la de volta!<br />
 Pois fique sabendo, Debruxa, que a Miau agora é minha, ouviu bem?<br />
 Enquanto você estava lá pelo Mar de Janeiro, se divertindo, pegando aquela praia, tomando sorvete de casquinha, eu fiquei aqui, cuidando da Miau! Eu a alimentei, cuidei de seus machucados, cantei para ela dormir&#8230;</p>
<p>Pequetita não conseguiu continuar, pois gotículas de lágrimas começaram a rolar de seus olhinhos cor de mel.</p>
<p>Apesar de seu metro e meio, tinha um temperamento super explosivo! Era a menor bruxinha de Bruxópolis mas, uma das mais bravas! Possuíauma farta cabeleira negra  como a noite, que batia em sua cintura e, quando brava, a sacudia; fazendo com que as pessoas ficassem momentaneamente cegas.</p>
<p>E foi exatamente o que fez&#8230; Sacudiu a cabeleira para disfarçar as lágrimas, pois odiava ataques sentimentais&#8230; especialmente os seus!</p>
<p>- Pare com isto, Pequetita! &#8211; disse Madrea, enquanto prendia os cabelos da amiga em um rabo de cavalo.</p>
<p>- Madrea, sua bruxa, largue o meu cabelo!</p>
<p>A fumaça, que estava apenas avermelhada, agora assumia um tom vivo, vermelho sangue.</p>
<p>- Pequetita! &#8211; gritou Debruxa.<br />
 Acho que sua chaminé está com problemas&#8230;</p>
<p>- Se acalme, Pequetita! &#8211; Continuou Madrea, agora acariciando o cabelo da amiga.<br />
 Tenho certeza de que Debruxa irá entrar em um acordo com você.</p>
<p>- Não tem acordo nenhum, Madrea. &#8211; falou Debruxa, com a boca cheia de biscoitos.</p>
<p>- Viu só, Madrea? Ela é ruim! Ela é terrivelmente ruim!<br />
 Depois de ter deixado a pobre gata quase órfã, ainda tem a petulância de dizer que não tem acordo.</p>
<p>- Mas, que droga, Pequetita! &#8211; Explodiu Debruxa.<br />
 Não tem acordo porque eu não vim para pegar a Miau. Você tá doida, é?</p>
<p>- Doida é você, sua louca, amalucada!</p>
<p>- Ai, Pequetita!<br />
 Por favor, não dê este seu grito estridente, por favor!<br />
 Debruxa, se acalme também!</p>
<p>- Me acalmar? Ela quase me afoga nos biscoitos, Madrea!<br />
 E você ainda quer que me acalme?<br />
 Fiz uma viagem longa; o vassourito, coitado, quase quebrou no meio do caminho!<br />
 Cheguei aqui com fome, cede, morrendo de cansaço e ainda tenho que  aturar o temperamento da Pequetita!</p>
<p>- Ei, vamos todas tomar um chá para nos acalmar.</p>
<p>E, dizendo isto, Madrea largou os cabelos de Pequetita e foi preparar um chá de camumila para todas.</p>
<p>- Debruxa&#8230; Então, é verdade?</p>
<p>- Sim. É verdade que estou morrendo de fome, cede e cansaço, Pequetita.</p>
<p>- Eu me referia à Miau, Debruxa.</p>
<p>- A sim, como está ela?</p>
<p>- Eu só digo se você disser a verdade.</p>
<p>- Ora, que coisa, Pequetita!<br />
 Você acha que eu seria terrivelmente má a ponto de, depois de sei lá quanto tempo, pegar a Miau e, simplesmente, tirá-la de você?</p>
<p>- Jura que não irá tirá-la de mim?</p>
<p>- Não para muito longe.</p>
<p>- Como assim?</p>
<p>- Estou voltando para Bruxópolis. Irei morar aqui perto e você&#8230;</p>
<p>- Não! &#8211; gritou Pequetita. E a casa deu uma sacudida; fazendo com que Debruxa  se engasgasse com os biscoitos que estava catando no chão e as xícaras tilintassem em cima da bandeja que Madrea estava trazendo!</p>
<p>- Então, é isto, sua bruxa má e terrível!<br />
 Você veio morar em Bruxópolis e irá levar a Miau para morar com você?</p>
<p>- Mas, Pequetita, a gata é minha!</p>
<p>- É sua uma ova de Salmão estragado!</p>
<p>- Que nojo, Pequetita! &#8211; resmungou Madrea, que estava trocando as xícaras entornadas por outras limpas.</p>
<p>- Ela é minha, ouviu bem?!<br />
 Minha, minha, minha!</p>
<p>- Se você der mais um desses seus gritos pavorosos, Pequetita, eu irei lançar aquele feitiço do pum e você ficará roxa como a fumaça que está saindo da chaminé, agora!<br />
 Ou, melhor! Eu irei fazer com que a fumaça exale aquela fragrância de pum pela cidade toda e sabe o que isto significa, não é?<br />
 Todos os habitantes de Bruxópolis irão pensar que você é a maior peidorreira de todo o Biscoito Estrelado!</p>
<p>Ameaçava Debruxa, enquanto Madréa colocava a bandeja sobre a mesinha a resmungar:</p>
<p>- Éca, como vocês duas são nojentas!</p>
<p>- O feitiço do pum não, Debruxa! Por favor! &#8211; pediu Pequetita, mais calma.</p>
<p>Se Pequetita era explosiva&#8230; Debruxa era inconsequente! Madréa estava temendo que não se contivessem. Servindo o chá, tentou contemporizar:</p>
<p>- Debruxa, se vai morar aqui perto, por que não deixa Miau morando com a Pequetita? Ela se apegou muito àquela gata vermelha.</p>
<p>- E Miau também se apegou a mim, Madrea.</p>
<p>- Então, a questão é esta?</p>
<p>- Mas, é claro!<br />
 A questão é só esta: nem Você, nem ninguém, irá tomar o que é meu.</p>
<p>- Seu, nada, Pequetita. Vamos ser corretas.<br />
 Tudo bem que Debruxa deixou a Miau para que você tomasse conta dela mas, daí a ser sua&#8230;<br />
 Não, Pequetita. Miau é da Debruxa.<br />
 Mesmo morando com você, a gata pertence a Debruxa.</p>
<p>- Pertence. Mas, mora aqui, comigo.<br />
 Ninguém melhor do que eu para cuidar dela!</p>
<p>- Ok, Pequetita. Então, temos a solução. &#8211; Disse Debruxa, levantando-se do chão e limpando a roupa, que estava cheia  de biscoitos e farelos.</p>
<p>- Eu irei morar aqui perto; Miau ficará morando com você, mas&#8230;</p>
<p>- Mas? &#8211; disseram Pequetita e Madrea, em coro.</p>
<p>- Mas, ela continua sendo minha.</p>
<p> - É razoável, Pequetita, que acha? &#8211; perguntou Madrea.</p>
<p>Pequetita deu uma golada no chá; desprendeu o rabo de cavalo, soltando suas longas madeixas e atirando-as para o lado; crusou as pernas; empinou o nariz e disse:</p>
<p>- Tá bom. Eu aceito.<br />
 Mas, nunca se esqueça de que a Miau continuará morando aqui, Debruxa!</p>
<p>- Certo.<br />
 e você, nunca se esqueça de que a Miau é minha, Pequetita!</p>
<p>- Não me esquecerei. E temos a Madrea como testemunha desse acordo.<br />
 Mas&#8230; Debruxa, o que lhe trouxe até Bruxópolis?</p>
<p>- Ah, sim! O que, exatamente, você veio fazer aqui, Debruxa?<br />
 E&#8230; que história é esta de morar aqui?</p>
<p>- Ainda não sei, amigas.</p>
<p>- Como: &#8220;ainda não sei&#8221;? &#8211; perguntou Pequetita.</p>
<p>- É meio estranho mesmo&#8230; Há uma semana, recebi uma pétala de rosa diretamente de Merlin!<br />
 vocês acreditam?</p>
<p>- De Merlin? &#8211; surpresas, exclamaram Pequetita e Madrea.</p>
<p>- É estranho, não é?</p>
<p>- Estranhíssimo! &#8211; disse Pequetita, levantando-se e,  dirigindo-se à cozinha, concluiu:</p>
<p>Vou fazer mais biscoitinhos, pois essa conversa, pelo que estou sentindo, vai ser longa!</p>
<p>- Bom, deixe-me então dar os presentinhos que trouxe do Mar de Janeiro para vocês.</p>
<p>- Presentes?<br />
 Que maravilha! Eu adoro presentes!</p>
<p>- Só você, Pequetita?!<br />
 Eu também amo receber presentes!<br />
 Ainda mais do Mar de Janeiro!</p>
<p>- Então, Pequetita, para agradecer a sua tão calorosa recepção&#8230;</p>
<p>- Ora Debruxa, isso já passou.</p>
<p>- Sim, estou brincando.<br />
 mas, antes, venha aqui e me dê aquele abraço que, até agora, não recebi de você!</p>
<p>Pequetita, que era tão intensamente afetiva quanto explosiva, levantou-se e, desta vez, sem tentar esconder as lágrimas,, abraçou a amiga, dizendo:</p>
<p>- Ah, amiga! Como eu estava com saudades de você!<br />
 Na verdade, acho que nem me importaria tanto em deixar a Miau ir morar com você&#8230; desde que, é claro, você morasse aqui perto!<br />
 Acho que eu estava com raiva mesmo é de nunca ter recebido nenhuma pétala de rosa de sua parte&#8230;</p>
<p>Até que a Interlex via bola de cristal fosse desenvolvida em Biscoito estrelado, as bruxas e a maioria dos seres  encantados, se  comunicavam escrevendo em pétalas de rosas e folhas de árvores. Muitas bruxinhas ainda preferiam este tipo de correspondência, por conta do seu toque romântico.</p>
<p>- Óh, Pequetita! Me desculpe mas, é que eu não estava no Mar de Janeiro só curtindo praia e tomando sorvete de casquinha. Pelo menos, não o tempo todo&#8230;<br />
 Estava também fazendo aquele curso de Tarot, você sabe disto.<br />
 Tudo bem que, às vezes&#8230; pelo menos umas 3 por dia, eu ia até a praia e tomava um sorvetinho mas, o material de estudos ia junto. Tenha certeza!</p>
<p>Pequetita, ainda com o rosto molhado de lágrimas, pegou o pacote que Debruxa lhe dera e o abriu com todo cuidado.</p>
<p>Mal pôde se expressar direito, tamanha foi a sua surpresa! Dentro do pacote, havia uma linda coruja de madeira!</p>
<p>Pequetita, assim como Debruxa, adorava as corujas e as duas viviam competindo para ver quem faria a maior coleção de corujas de todo o Biscoito Estrelado.</p>
<p>- Mas&#8230; é linda, Debruxa!<br />
 Poxa, muito obrigada!</p>
<p>- Não é apenas uma coruja, Pequetita.</p>
<p>- Não?</p>
<p>- Não.<br />
 Esta coruja, na verdade, é um sinalizador.</p>
<p>- Um sinalizador? &#8211; inquiriu Madréa que, até então, estava quieta, sem conter o espanto!</p>
<p>- Sim. E trouxe um para você também, Madrea.</p>
<p>- Um sinalizador para mim?</p>
<p>- Sim. Abra-o.</p>
<p>Madrea pegou o outro pacote e o abriu com o mesmo cuidado que Pequetita havia aberto o seu.</p>
<p>- Mas, pelas barbas de Merlin, Debruxa!</p>
<p>O presente de Madrea era uma linda concha do mar!</p>
<p>- Mas&#8230; mas&#8230; ela é maravilhosa, Debruxa!<br />
 E, da cor que eu mais gosto!<br />
 Veja, Pequetita, parece que tem todos os tons de abóbora!</p>
<p>- Não só os tons de abóbora, Madréa&#8230;<br />
 Todos os matizes do arco-íris se refletem nela!<br />
 É que, como você gosta muito de cor de abóbora, a vê deste jeito.</p>
<p>- É verdade! &#8211; exclamou Pequetita.<br />
 Eu mesma posso ver o violeta e o roxo com todos os seus tons e sub tons!</p>
<p>- Sim! E eu, como adoro a cor verde, são os seus matizes que enxergo na concha da Madréa!</p>
<p>- Mas, Debruxa, para que um sinalizador?</p>
<p>- E, como saberemos utilizá-lo?</p>
<p>- Pois é, meninas&#8230;<br />
 Nessa pétala de rosa que recebi do Merlin, havia instruções para que eu procurasse,  nas praias do Mar de Janeiro, uma concha que tivesse todas as cores do arco-íris. Bem como, me fez ir às florestas para buscar algo parecido com uma coruja.<br />
 Ainda mais me escreveu&#8230;<br />
 Quando encontrasse tais objetos, deveria presentear as minhas duas melhores amigas com eles.</p>
<p>- Poxa, somos mesmo as suas melhores amigas?! &#8211; disse Madrea, também emocionada com tal declaração.</p>
<p>- Mas, isto não é &#8220;algo parecido com uma coruja&#8221;, Debruxa! É uma coruja de madeira mesmo! &#8211; protestou Pequetita.</p>
<p>- Sim, Pequetita. Foi o que encontrei.</p>
<p>- Está nos dizendo que encontrou esta coruja numa floresta?</p>
<p>- Exatamente. Eu estava procurando no meio do mato; ora andando, ora voando no vassourito; quando fiquei cansada e resolvi descansar.<br />
 Me sentei debaixo de uma árvore e, quando apoiei minha mão no chão, senti um volume sob ela&#8230;<br />
 Aí, peguei-o e, tirando a terra&#8230; Lá estava a sua coruja!</p>
<p>- Que maravilha! &#8211; Exclamou Pequetita.<br />
 É um presente que veio diretamente da Floresta!</p>
<p>- E, pelo que sei, quando esses sinalizadores vêm diretamente da natureza, são mais eficazes!</p>
<p>- É isto mesmo, Madrea.</p>
<p>- Bem&#8230; mas, para que iremos precisar de um sinalizador?<br />
 Você também tem um?</p>
<p>- O meu sinalizador é&#8230; Bem, é algo muito simples.</p>
<p>- Diga logo, Debruxa! &#8211; pediu Pequetita, já ficando impaciente.</p>
<p>- Bem&#8230; o meu sinalizador é uma pedra.</p>
<p>- Uma pedra? &#8211; perguntaram, chocadas, as duas outras bruxas.</p>
<p>- Sim.<br />
 Agora&#8230; para quê, eu não sei.<br />
 Aliás, também não sei como vocês poderão utilizar os seus sinalizadores&#8230;</p>
<p>- Ora, mas que coisa mais sem graça! &#8211; indignou-se Madrea.<br />
 Ganhamos os presentes e não sabemos como usá-los!</p>
<p>- Mas, saberão.<br />
 Nessa pétala de rosa que recebi, Merlin dizia que o Beringelo&#8230;</p>
<p>- Ahahahahahahaah!<br />
 Beringelo?<br />
 ahahahahahaha!<br />
 Que raio de Beringelo é esse, Debruxa? &#8211; rolando de rir, perguntaram as bruxinhas.</p>
<p>- Como vocês são ingratas, não?!<br />
 Então, eu lhes trago presentes e as duas, simplesmente, riem da minha cara?!<br />
 Muito bom&#8230; muito legal! &#8211; Espera um pouco, Debruxa! &#8211; pediu Pequetita, ainda rindo.  Deixe-me tirar os biscoitinhos do forno&#8230;<br />
 Essa história de Beringelo  parece ser divertidíssima!</p>
<p>- É. Vai rindo, vai rindo&#8230;<br />
 Saibam vocês que será o Beringelo a nos dizer como utilizar os sinalizadores, tá?</p>
<p>- Mas, quem é Beringelo, Debruxa? &#8211; perguntou Madrea, tentando parar de rir.</p>
<p>- Beringelo é o rei das berinjelas, ora bolas!</p>
<p>- Você está nos dizendo que, uma berinjela&#8230;</p>
<p>- Uma beringela não! &#8211; corrigiu Debruxa, rispidamente.<br />
 &#8221;o Beringelo&#8221;! Respeito com a masculinidade dele!</p>
<p>- Ahahahaah!<br />
 Então, temos uma berinjela macho que, pelo jeito, ameaça destruir o coração de nossa amiga Debruxa, Madrea!</p>
<p>- Ahahahaah só você mesma, Debruxa! Ahahahaha!</p>
<p>- Bem, se vocês vão continuar assim, eu vou para a minha casinha, que está me esperando.<br />
 Preciso mesmo desarrumar minhas malas e&#8230;.</p>
<p>- Vai porcaria nenhuma! &#8211; gritou Madrea que, até então, falara baixo.<br />
 Você vai é ficar aí sentadinha, saboreando os maravilhosos biscoitinhos da nossa amiga Pequetita e nos contar quem é Beringelo!<br />
 Prometemos, não é, Pequetita, que não iremos rir mais.</p>
<p>- Ah, sim! Prometemos. &#8211; respondeu Pequetita, cruzando e beijando os dedinhos, em sinal de pacto.</p>
<p>- Assim é melhor. &#8211; continuou Debruxa.<br />
 Bem&#8230; Beringelo, como já disse, é o rei das berinjelas, claro!</p>
<p>- Tch, tch, tch&#8230;</p>
<p>- Ah, assim não dá!<br />
 Tá vendo, Madrea?!<br />
 Ela fez o juramento e está rindo!</p>
<p>- Se comporte, Pequetita.<br />
 Debruxa vai nos contar. Mas, se você rir, ela para.<br />
 Será que não percebe?</p>
<p>- É que&#8230; é que&#8230;</p>
<p>- É que o quê, Pequetita? Não consegue nem manter um juramento?<br />
 Francamente, hein?!</p>
<p>Protestava Madrea, que era muito severa nestas  questões de juramento, fossem quais fossem.</p>
<p>- Tá bom! Mas, não precisa fazer esta cara de má, não é, Madrea?!</p>
<p>- Posso continuar agora?</p>
<p>- Claro, Debruxa!<br />
 E, se a Pequetita interromper, eu lanço todos aqueles biscoitos que ela me jogou quando cheguei aqui, em cima dela.</p>
<p>- Aqueles biscoitos, querida Madrea, estão muito bem guardadinhos dentro da barriga da Debruxa.</p>
<p>- E você pensa que não sei disto?<br />
 É exatamente o que irei fazer.<br />
 Eles irão sair da barriga dela e se dirigir diretamente para a sua linda cabeça, ok?!</p>
<p>- Éca, Madrea!<br />
 Você sim, é uma nojenta do mais alto grau! &#8211; reclamou Debruxa, fazendo cara de nojo.</p>
<p>- Também tenho múltiplas facetas, lindinha!<br />
 Agora, continue, por favor.</p>
<p>- Como eu ia dizendo, o Beringelo, rei das berinjelas, nos dirá como deveremos usar os sinalizadores.</p>
<p>Merlin, em sua pétala de rosa, dizia que eu deveria procurar o Beringelo<br />
 e conversar com ele sobre os sinalizadores.</p>
<p>- E você, já conversou com ele? -  perguntou Pequetita, trazendo os biscoitinhos recém tirados do forno.</p>
<p>- Aí é que está&#8230;<br />
 Ainda não.</p>
<p>- Mas, como não, Debruxa? &#8211; se impacientou Madrea.</p>
<p>- É que antes de falar com ele, preciso encontrá-lo disposto a conversar.</p>
<p>- E onde irá encontrar esse tão famoso Beringelo?</p>
<p>- Aqui, Pequetita.</p>
<p>- Aqui na minha casa?!</p>
<p>- Não, lindinha; aqui em Bruxópolis.</p>
<p>- Ah, então está explicado porque você voltou!</p>
<p>- Mas, não é só por isto, Madrea.</p>
<p>- Não?<br />
 E o que mais?</p>
<p>- Na segunda pétala de rosa, Merlin me contou sobre coisas estranhas que estão acontecendo em alguns lugares de Biscoito Estrelado e pediu para que eu, juntamente com duas amigas, tentássemos remediá-las, o mais rápido possível!<br />
 Do contrário, o Biscoito Estrelado sofrerá conseqüências terríveis!</p>
<p>- Não sei porque mas&#8230; algo está me dizendo que essas duas amigas somos precisamente eu e Pequetita, certo?</p>
<p>- Certíssima! Afinal de contas, amigos são para essas coisas, não é?</p>
<p>- E que conseqüências terríveis são estas que  o Biscoito Estrelado poderá sofrer, Debruxa?</p>
<p>- Poderá se despedaçar todo e ser até comido pelas borboletas!</p>
<p>- Isto é pavoroso! &#8211; exclamou Madréa.</p>
<p>- É nojento! &#8211; gritou Pequetita.</p>
<p>- Precisamos fazer algo, Debruxa.</p>
<p>- Sim, Madrea. Mas, antes, temos que falar com o Beringelo.</p>
<p>- E você ao menos tem noção de onde ele possa estar plantado? Ele está plantado em algum lugar, não é?</p>
<p>- Claro, Pequetita! Berinjelas ficam plantadas mesmo.<br />
 E, respondendo à sua outra pergunta: sim, eu sei onde ele está!</p>
<p>- Sabe? Onde?</p>
<p>- Em minha casa.</p>
<p>- Ora, Debruxa! E por que não falou com ele ainda? &#8211; perguntou Madrea, nada satisfeita com tantas voltas para falar com o que, ela julgava, seria uma simples berinjela.</p>
<p>- Porque ele estava dormindo.</p>
<p>- ? E berinjela dorme, é?<br />
 ! Pois essa é nova pra mim! &#8211; gracejou Pequetita, soltando até uma exclamação típica da sua terra natal, a Bainha.</p>
<p>- Olha&#8230; devo confessar que estou, no mínimo, estupefata com tudo isto!</p>
<p>- O que quer dizer com isto, Madrea?<br />
 Você não irá me ajudar?</p>
<p>- Não é exatamente isto, Debruxa.<br />
 Claro que irei lhe ajudar!<br />
 É só que este dia está sendo muito cheio de surpresas.</p>
<p>- Eu também estou nesta, Debruxa!<br />
 Irei ajudar no que for possível para salvar Biscoito Estrelado.<br />
 aGORA, SÓ TEMOS QUE ESPERAR ESSE TAL DE Beringelo , REI DAS BERINJELAS, ACORDAR..<br />
 Se quiser, posso ir até à sua nova casinha e gritar no ouvido dele!</p>
<p>- E berinjela tem ouvido? &#8211; inquiriu Madréa.</p>
<p>- Ora, Madrea! &#8211; respondeu Pequetita.<br />
 Se dorme, deve ter ouvido, olho, nariz e outras peculiaridades de uma berinjela macho!</p>
<p>- A, sim&#8230; deve ter! &#8211; falou Debruxa, com um ar sonhador.</p>
<p>- Bem, eu só espero que ele não seja muito dorminhoco. &#8211; disse Madrea, mordendo um biscoitinho.</p>
<p>- Dorminhoco, eu não sei se é mas, que ronca um bocado&#8230; isto ronca!</p>
<p>Assim que terminaram de lanchar, Madréa foi para a cozinha ajudar Pequetita a guardar a louça, enquanto Debruxa ficava tirando uma sesta no sofá. Mal havia terminado de se esticar para em seguida relaxar, viu de relance um vulto vermelho saltando pela janela e mal pôde</p>
<p>assimilar que este se dirigia velozmente em sua direção.</p>
<p>-  aah! Socorro! &#8211; Gritou.</p>
<p>Pequetita e Madréa que mal haviam começado a arrumar a cozinha, vieram correndo em auxílio da amiga.</p>
<p>- Debruxa! &#8211; Gritou Pequetita.</p>
<p>- O que houve? Você está bem? &#8211; Perguntou Madréa, mas interrompeu o interrogatório quando percebeu do que se tratava.</p>
<p>Em cima de Debruxa, estava uma grande e lustrosa gata vermelha.</p>
<p>- Miau! &#8211; Reconheceu Debruxa. &#8211; Minha linda! Minha fofura! Minha gata amada! Mas assim você quase mata a sua mãe aqui, filhota!</p>
<p>Miau era uma linda gata vermelha de olhos bem verdes. O que chamava atenção nela, era seu tamanho. Era enorme, da altura de um gato do mato. Era super freqüente ser confundida com um leão, devido sua cor e seu tamanho.<br />
 E nem era preciso prestar muita atenção, para perceber a semelhança desta com sua Dona. Debruxa tinha seus 1 Metro e 69</p>
<p>de altura, longos cabelos ruivos e olhos expressivamente verdes.</p>
<p>- Nós deveríamos ter previsto este tipo de situação. -  Falou Madréa, se dirigindo a Pequetita que começava a demonstrar um</p>
<p>certo ciúmes diante de tal acontecimento. Mas o ciúme se desfez, assim que miau, após ter deixado Debruxa totalmente cheia de lambidas, se dirigiu para Pequetita e se jogou em seus pés, virando a barriga para ser coçada.</p>
<p>- Boa gata! Já fez seu passeio diurno, não?</p>
<p>e FALANDO COM DOÇURA E CARINHO, Pequetita se abaixou para acariciar a barriga da bichana. Não que fosse preciso, dado sua altura,</p>
<p>mas para Pequetita, era uma questão de honra se abaixar para lidar com os bichos.</p>
<p>- Mas ela está enorme Pequetita. Andou dando fermento para a bichinha?</p>
<p>- Claro que não! &#8211; Respondeu Pequetita com aquele peculiar tom de impaciência. &#8211; A comida da titia aqui que é boa de</p>
<p>mais, &#8211; e se voltando para a gata continuou: &#8211; Não é princesa da titia?</p>
<p>- Quando perguntei sobre o fermento, não quis dizer exatamente que você havia dado fermento para ELA, Pequetita. é  SÓ UMA EXPRESSÃO. É só uma maneira de se dizer, sacou?</p>
<p>- Claro. E quando respondi que claro que não, também é só uma forma de se responder a tal expressão, certo?</p>
<p>- Certo.  &#8211; Respondeu Debruxa, não querendo aborrecer Pequetita, pois conforme ela mesma estava vendo, a amiga cuidara muito bem de sua gata.<br />
***</p>
<p>Capítulo II O Encontro com Beringelo<br />
Madréa que após ter constatado que o motivo do grito de Debruxa era a entrada triunfal de Miau, voltara para a cozinha a fim de arrumar rapidamente a bagunça deixada lá, retornava a sala e pegando sua bolsinha de continhas verdes de olhos de Salamandra, disse:</p>
<p>- Bem meninas, eu preciso ir.</p>
<p>- Mas já? &#8211; Perguntou Debruxa, que queria mesmo era ficar na companhia das duas amigas.</p>
<p>- Sim, hoje é um dia muito importante e eu preciso fazer muitas coisas.</p>
<p>- Dia importante, é? e por quê? Posso saber?</p>
<p>- Na verdade Debruxa&#8230;. Não. Não pode saber.</p>
<p>- Mas que absurdo Madréa! Agora deu para esconder as coisas de sua amiga aqui, não é? Só por que eu estive afastada um certo tempo&#8230;</p>
<p>- Um certo grande tempo, não é Debruxa?</p>
<p>- Então é isso? Você está ressentida também por não ter recebido uma pétala minha?</p>
<p>Madréa aproveitou a deixa para disfarçar o real motivo de sua saída repentina.</p>
<p>- Até estou sim Debruxa. Não consigo entender como uma amiga viaja, passa tanto tempo longe das outras e se quer envia meia pétala  de rosa dando notícias.</p>
<p>- Mas vocês duas são muito&#8230; muito&#8230; incompreensíveis!</p>
<p>- Ah, deixa ela ir, Debruxa, iremos ficar aqui fofocando e tenho certeza que nossa amiga Madréa irá se roer de curiosidade e inveja!</p>
<p>- Na verdade não, Pequetita. Bem, tenho mesmo que ir.</p>
<p>E dizendo isso, Madréa foi embora da casa de Pequetita, deixando para trás uma Debruxa muito curiosa.</p>
<p>- E você? O que está rindo agora, Pequetita?</p>
<p>- Tch&#8230; tch&#8230; tch&#8230; Então você não sabe que dia é hoje?</p>
<p>- Sei sim, mas o que tem isso?</p>
<p>- Você é uma tonta mesmo, Debruxa. Acho que estou começando a concordar com as palavras de Madréa a seu respeito.</p>
<p>- Ora, mas vocês duas&#8230;.</p>
<p>- Calma bruxoila&#8230;. Eu disse que estou começando a concordar, não que já concordo plenamente.</p>
<p>- Pequetita, se você não me contar exatamente agora o que está acontecendo, que dia é hoje o que Madréa tem de tão importante para fazer, eu juro que também irei  embora.</p>
<p>Uma outra peculiaridade das bruxas, era a curiosidade. Absolutamente todas as bruxas eram muito curiosas, e se tratando de amigas então&#8230;. A curiosidade chegava perto da mortalidade. Um dos ensinamentos mais difíceis na escola de magia, era justamente controlar a curiosidade juntamente com a impulsividade. E Debruxa não  teve, por assim dizer, as mais belas notas nessas matérias.</p>
<p>- Debruxa, posso lhe responder apenas uma de suas perguntas, as outras respostas você terá que se contentar em tirar suas próprias conclusões, como eu.</p>
<p>- Bem, melhor algo que nada, não é?</p>
<p>- Sim.</p>
<p>- Então anda! &#8211; Gritou Debruxa. &#8211; Me conta logo de que se trata.</p>
<p>- Hoje é aniversário de Madréa! Sua amiga desnaturada!</p>
<p>- Pelas barbas de Merlin, Pequetita! e você não fala nada?</p>
<p>-  Você não queria que eu falasse na frente dela, não é? E do mais&#8230; Estou pensando em algo.</p>
<p>- Atim!</p>
<p>- Saúde, Debruxa.</p>
<p>Sempre que Pequetita pensava, começava a exalar um cheiro de tálcool, e Debruxa era alérgica a qualquer tipo de pó.</p>
<p>- Atim! Atim! Pare de pensar, Pequetita, por favor, eu tenho alergia!</p>
<p>- Ai Debruxa, você continua a mesma fresca de sempre.</p>
<p>- Nananão, atiiim! é questão de ser, Atichím! Freeesca, atichííím!</p>
<p>- Pera, deixe-me ver se ainda tenho aqui aquele lencinho ante pensamentos que eu guardava especialmente para você nessas ocasiões&#8230; Onde está mesmo, hein?  Onde&#8230;</p>
<p>- Atiiiiiiim!</p>
<p>-  Ah sim, aqui está ele. Toma sua bruxa fresca, e pare de espirrar, pois do contrário, minha pobre casinha ficará toda melecada!</p>
<p>- Atichímmm! Ufa! Obrigada! Caramba, mas você tem um pensamento muito forte, Pequetita.</p>
<p>- É, costumo ser intensa em tudo que faço, Debruxa.</p>
<p>- Nossa, mas que intensidade!</p>
<p>- E agora você vai ou não me deixar contar o que estou planejando.</p>
<p>- Claro! E o que está esperando?</p>
<p>- Você acabar com esse show de espirros, ora!</p>
<p>- Pronto, resolvido. Agora conte.</p>
<p>- Bem, eu estava pensando em fazermos uma festa surpresa pra Madréa.</p>
<p>- Uau! Que ótima idea! Eu topo!</p>
<p>- Legal, Debruxa.</p>
<p>- E onde será esta festa?</p>
<p>- Na sua casa.</p>
<p>- Na minha casa? Mas Pequetita, eu acabei de chegar, a casa está vazia.. Não tem nada arrumado lá.</p>
<p>- É exatamente do que precisamos, Debruxa, de uma casa vazia e nada arrumada. Ou você quer meter os trocentos bruxos que iremos convidar dentro de sua perfeita e  arrumada casinha?</p>
<p>- Não, mas&#8230;</p>
<p>- Nem mais nem menos! Se não for lá, não haverá festa. Aqui em casa ela irá desconfiar. Ou você acredita mesmo que ela saiu daqui sem ficar curiosa com o que estaríamos  conversando?</p>
<p>E nesse momento, a porta se abriu novamente e Madréa entrou na sala.</p>
<p>- Madréa!</p>
<p>Exclamaram Debruxa e Pequetita.</p>
<p>- É, &#8211; Começou Madréa. &#8211; Na verdade eu voltei porquê esqueci o presente de Debruxa aqui em algum lugar.</p>
<p>- Não está aqui na sala, Madréa.</p>
<p>Pequetita disse, olhando para todos os cantos da sala.</p>
<p>- É&#8230; Devo ter deixado na cozinha. Mas eu mesma irei lá buscar, Podem continuar sentadinhas aí. Acho que deixei em cima da pia.</p>
<p>Assim que Madréa saiu da sala, Pequetita cochichou com Debruxa, ao mesmo tempo que piscava um de seus lindos olhinhos cor de mel.</p>
<p>- Não te falei? Eu conheço a curiosidade dessas bruxinhas.</p>
<p>- Como se ela não fosse também curiosa. &#8211; Pensou Debruxa. &#8211; Mas e agora, o que iremos fazer?</p>
<p>- Precisamos ser rápidas. Você irá para sua casa arrumar tudo. Assim que eu conseguir despistar Madréa, irei me encontrar com você.</p>
<p>- Mas Pequetita, você não disse que a casa tem que estar desarrumada?</p>
<p>Mas não deu tempo de Pequetita responder, pois nesse momento Madréa retornava a sala com o pacotinho de seu presente nas mãos.</p>
<p>- Não falei que estava lá? Bem em cima da pia. E vocês nem perceberam, não é?</p>
<p>- Perguntou, mais para se assegurar que as amigas não haviam saído da sala, pois o esquecimento era apenas uma desculpa para que Madréa retornasse a presença das  amigas a fim de saber o que estas estavam conversando.</p>
<p>- Na verdade não mesmo Madréa.</p>
<p>- É, nem saímos daqui da sala.</p>
<p>- Como imaginei. Vocês duas tem mesmo muito o que conversar.</p>
<p>Pequetita, que nesse momento começou a disfarçadamente piscar o olho para Debruxa, adulou a amiga recém-chegada.</p>
<p>- Ora Madréa, sente-se aqui conosco. Não há nada que você não deva saber.</p>
<p>- É verdade Madréa, tudo que nós conversamos, você pode e deve saber.</p>
<p>- E do mais, Debruxa já está mesmo de saída, não é Debruxa?</p>
<p>Perguntou Pequetita, dando a deixa para que Debruxa fosse logo arrumar os preparativos para a festa.</p>
<p>- Estou é?</p>
<p>- Sim, está. &#8211; Respondeu Pequetita, adquirindo aquele inconfundível tom de impaciência na voz. &#8211; Você falou que tinha que arrumar suas malas. Disse que havia  algo  lá dentro que não podia ficar muito tempo guardado.</p>
<p>- Sem falar no Beringelo, não é Debruxa? &#8211; Lembrou Madréa.</p>
<p>- É mesmo! Acabei me esquecendo do Beringelo! Será que ele já acordou? Quanto tempo deve ter o sono de uma berinjela, hein?</p>
<p>- Levando-se em conta que as plantas são muito sensíveis, e que a maior parte delas dormem a noite, &#8211; explicou Pequetita. &#8211; Acho que ele já deve ter acordado  há um  certo tempo.</p>
<p>- Tem razão, Pequetita. É, eu tenho mesmo que ir, mas a gente se vê mais tarde, não é?</p>
<p>- Claro, que tal irmos jantar com você, Debruxa?</p>
<p>- Pensou rapidamente Pequetita, arranjando um bom motivo para que Madréa aparecesse na festa sem desconfiar de nada.<br />
- ótima idéia! &#8211; Respondeu Debruxa, pegando a deixa, e se dirigiu para a porta.</p>
<p>- Bay bai amigas, a gente se vê mais tarde.</p>
<p>Assim que Debruxa saiu da casa de Pequetita, se dirigiu para o chalé que ficava no fim da rua das Pedrinhas brilhantes, mesma rua, diga-se de passagem, que  moravam suas amigas Pequetita e Madréa. Por um golpe de sorte, ela havia conseguido alugar o chalé da Professora Mc Gonagall, que devido a tantos problemas em Hogwarts, se mudara para a instituição depois do tentador convite que viera dentro de uma caixa de bombom, enviado por sua irmã, a profa Caviglione Gonagall.</p>
<p>E mais coincidência ainda, era o fato de que a Profa Caviglione Gonagall era mãe de Madréa, o que significava que alguém teria que entrar em contato com ela para que esta viesse a festa da filhota. E esse alguém, certamente teria que ser Debruxa, já que Pequetita estava com Madréa.  Mas esse não seria um grande problema, pensou Debruxa, pois a família de Madréa quase toda trabalhava em Hogwarts,  que agora estava localizada em Pertrina, cidade  de todos os parentes de Madréa. , Na última convenção de bruxos, Pertrina foi escolhida dentre outras cidades para ser a cede oficial de  Hogwarts, visto ser a única cidade de Biscoito Estrelado  que ficava perto de todos os outros lugares. Claro que para que isso acontecesse, as duas irmãs Gonagall fizeram um bom encantamento usando o famoso macarrão de  Caviglione Gonagall   e distribuindo minutos antes da convenção. O efeito foi um dos melhores já visto em todo biscoito estrelado. Claro que pouquíssimas pessoas  sabiam de tal artimanha, pois todas as cidades queriam ser cede de  Hogwarts, a única, e por isso mesmo, melhor escola de bruxos de todo o Biscoito Estrelado. Mas o fato é que sabe-se lá o que a Profa Caviglione colocou dentro do macarrão, que fez com que absolutamente todos os lugares ficassem perto de Pertrina. Era algo  muito intrigante, mas os Druidas e Druidesas da mais alta escala hierárquica de Biscoito Estrelado, dada a praticidade do fato, resolveram não adentrar muito nesse mistério, pois a final de contas, por um enigma nunca desvendado, toda comunidade docente poderia morar onde for que estaria perto da escola. E devido a guarda de tão astucioso segredo, é que  a Profa Caviglione  convidara sua irmã, Minerva Mc Gonagall para morar mais perto de si. E tudo isso aconteceu justamente há uma semana atrás, quando Debruxa foi convocada para retornar a Bruxópolis. Todas essas informações, inclusive o fato do chalé da profa Minerva Mc Gonagall estar sendo desocupado, foi revelado por Merlin para Debruxa. E esta rapidamente entrou em contato com a tia de Madréa, que ficou muito contente, pois sabia da grande  amizade entre as 3 bruxinhas. Tanto Debruxa como Pequetita, eram consideradas como sendo da família Gonagall. Pequetita era de Bainha, que ficava muito longe de  Bruxópolis.<br />
                                                                                                   Essas 3 bruxinhas eram amigas desde quando entraram para Hogwarts, há muitos e muitos anos atrás. Em um desses maravilhosos passeios da escola, Pequetita se encantara por Bruxópolis e decidiu que assim que saísse de Hogwarts, iria morar lá. E Pequetita quando  cismava com algo, nem juntando todas as patinhas de  caranguejos para fazer com que pensasse o contrário.</p>
<p>O nascimento de Debruxa foi algo que intrigou por certo tempo, muitos bruxos de Biscoito Estrelado. Sabe-se que de um dia para a noite, e quando falo de um dia para  a noite, estou querendo dizer que foi exatamente entre a meia noite de um dia e a meia noite do outro, ela apareceu dentro de um cestinho em frente a escola Hogwarts,  que nessa época ficava lá pelas bandas da Floresta do Medo. Muitas foram as famílias de bruxos que se sensibilizaram com a aparição da criança e quiseram cuidar  da menina, mas depois de outra convenção de bruxos, foi decidido que esta moraria em Hogwarts, revezando suas férias nas casas dessas amáveis famílias. Depois que  Debruxa começou a estudar em Hogwarts e travou amizade com Pequetita e Madréa, suas férias passou então a se revezar entre essas duas famílias. É por isso que Debruxa  conhece muita gente de Biscoito Estrelado, mas onde ela se sente melhor, é perto de suas fiéis amigas.</p>
<p>E foi com essa alegria de estar novamente perto de suas bruxinhas amadas que Debruxa abriu o portão, de seu agora, chalé.<br />
O chalé estava do mesmo jeito que Debruxa havia conhecido anos atrás. O caminho de pedrinhas coloridas se estendia do portão até a pequena varanda da frente da casa. Em cada lado do caminho, havia um lindo jardim cheio de florzinhas  coloridas e perfumadas.</p>
<p>Assim que abriu a porta da casa, quase caiu para trás, tamanho foi seu susto. Sentado em um dos sofás, segurando uma bola de cristal, estava um homem&#8230;. Não, não era um homem&#8230; Era&#8230; algo mais que um homem&#8230;. Um super homem&#8230; Um mega  atraente misterioso homem&#8230; Era uma criatura atraente&#8230; Bom, era um ser robusto, de seus 2 metros de altura, muito forte, de cabelos roxo escuro e olhos violeta.  Sua pele tinha uma tonalidade esverdeada, e ele estava trajando um bonito terno roxo com uma gravata verde clara. A criatura exalava um charme e magnetismo que fez com que Debruxa balançasse em suas estruturas.<br />
- Então dona Debruxa, até quem em fim!</p>
<p>- El&#8230;. Bem&#8230;. Mas&#8230;.</p>
<p>- Eu sou o Beringelo da Terra, Rei das Berinjelas. Muito prazer.</p>
<p>E dizendo isso, a criatura se levantou, deixando Debruxa muitos centímetros abaixo dele.</p>
<p>- Bern&#8230;. Beringelo? Mas&#8230;.</p>
<p>- Sim, sou uma berinjela macho, mas como todas as famílias da realeza vegetal, tenho meus momentos de humanidade.</p>
<p>- Então você se transforma em homem, isso?</p>
<p>- Não exatamente um homem. Talvez algo mais que um simples homem.</p>
<p>Sua voz era profunda, ao mesmo tempo forte e tranqüilizadora. Debruxa ficou balançada com a presença daquela criatura.</p>
<p>- Bem, vejo que&#8230; que já está bem a vontade.</p>
<p>- Sim, com a demora da senhorita, tive que dar meu jeito aqui.</p>
<p>- E seu jeito, claro, resume-se a vasculhar a casa e pegar minha bola de cristal?</p>
<p>Debruxa assim que chegou, só teve tempo de tirar a bola de cristal da mala, a fim de entrar em contato com Merlin e anunciar sua chegada. Enviar uma pétala de rosa  para tal comunicação não seria nada prático, pois as pétalas de rosa, assim como as folhas vegetais de correio, apesar de mais românticas, eram levadas pelo vento,  e demoravam mais a chegar a seus destinatários. Dessa forma, assim que chegou em casa, tirou a bola de cristal da mala e instalou a interlex, enviando um  e-teiro  para Merlin. E nem se preocupou em guardar em lugar seguro a pobre bola de cristal, pois não contava com uma berinjela vasculhando sua recém casinha.</p>
<p>- Sua interlex está mal configurada. Você sabe disso, não é?</p>
<p>- An?</p>
<p>- Pra começar, sua memória não funciona corretamente.</p>
<p>- Como?</p>
<p>- Seu HD pelo que percebo, tem pouquíssimo tempo de vida.</p>
<p>- O quê?</p>
<p>- Tive que abrir sua bola,</p>
<p>- Você teve que o quê?</p>
<p>- Devido ao cheiro que estava saindo de dentro dela.</p>
<p>- Sa&#8230;. sa&#8230;. saindo de&#8230; on&#8230; onde?</p>
<p>- Era um cheiro estranho, de fumo. Por acaso a senhorita fuma?</p>
<p>Debruxa não conseguia responder mais nada, pois estava petrificada com a ousadia do vegetal humanizado.</p>
<p>- Espero que não. Você sabe, não é? Determinados fumos fazem muito mal a saúde. Bom, acabei por encontrar muitas cinzas de fumo dentro dela. Talvez por isso que  a imagem estava ruim. E por falar em imagem, a placa de vídio dessa bola está configurada  errada. A resolução está muito baixa, Debruxa. A placa de som, pelo que pude ver, há tempo que não emite nem um sussurro. A placa de rede dessa bola de cristal está  mais para placa de tártaro do que para rede em si. Imagino que <a href="mailto:dondoquinhadelicada@bruxonet.com.biscoitoestrelado">dondoquinhadelicada@bruxonet.com.biscoitoestrelado</a> seja seu email, certo? Puxa, que falta de criatividade! Mas respeito a imaginação alheia, Debruxa, e prometo não contar a ninguém.</p>
<p>- Seu&#8230;. Seu&#8230;. Saia! Saia daqui agora.</p>
<p>Debruxa, sem pensar duas vezes, lançou um olhar fuzilador para Beringelo, ao mesmo tempo que erguia sua varinha e gritava pragas de todos os tipos, fazendo com que  raios verdes fossem  lançados em todas direções, sacudindo o chalé.</p>
<p>Beringelo, acostumado com a reação de pessoas que não cuidavam direito de suas bolas de cristal, se esquivou de todos os feitiços e com grande agilidade segurou  os pulsos de Debruxa e a ergueu em seus braços. Debruxa, tomada de susto, medo e surpresa, tudo junto, se aquietou imediatamente e só conseguiu ficar parada, respirando profundamente e sentindo a maciez da pele daquela criatura, ao mesmo tempo que ouvia próximo ao seu ouvido palavras que tinham sabor de chocolate branco.</p>
<p>- Calma minha querida. Sua bola de cristal está muito parecida com uma bola de esterco, mas nada que o papai Beringelo aqui não possa arrumar. Não sei se te disseram, mas sou técnico em bola de cristal. Calma, você é muito nervosa. precisa ouvir melhor as pessoas.</p>
<p>E dizendo isso, a colocou gentilmente sentada no sofá, e pegando a bola de cristal, se dirigiu para a mesa da cozinha, deixando para trás, uma Debruxa muito perdida  em seus sentimentos.</p>
<p>- Pela barba de Merlin e de todos os Druidas&#8230; Pela sonoridade dos cânticos de Iara!! Que criatura! &#8211; Suspirava Debruxa sentada no sofá. &#8211; Mas que intrigante esse  Beringelo! Ao mesmo tempo que é crítico, é tão&#8230; tão&#8230; profundo, tão galante, tão charmoso&#8230; Não não.. isso não pode ser, a final de contas ele é um vegetal.  isso mesmo Debruxa, &#8211; disse de si para si. &#8211; ele é um vegetal, comporte-se sua assanhada. eu hein!</p>
<p>E levantando-se do sofá, foi para a cozinha demonstrar, o que até então não tinha tido a oportunidade de fazer, sua boa hospitalidade.</p>
<p>- Bem eu&#8230;</p>
<p>- A placa de rede já está toda configurada, deseja enviar algum e-teiro para alguém?</p>
<p>- El&#8230;. Sim&#8230; El&#8230;.</p>
<p>- Algo urgente, ou pode esperar?</p>
<p>- Na verdade&#8230; É urgente.</p>
<p>- Então aqui está sua bola de cristal. mas ainda tenho muita coisa para arrumar aí.</p>
<p>- Sim, eu sei&#8230; Obrigada.</p>
<p>E Debruxa, puxando outra cadeira, sentou-se a mesa e digitou rapidamente uma mensagem para tia Caviglione  .</p>
<p>- Então teremos uma festa?</p>
<p>Perguntou Beringelo, já se animando.</p>
<p>- Hoje é aniversário de Madréa.</p>
<p>- Madréa Caviglione Gonagall?</p>
<p>- Ela mesma.</p>
<p>- Conheço toda a família Gonagall. A final, eu que faço a manutenção de todas as bolas de cristal de  Hogwarts. é uma família maravilhosa, não?</p>
<p>- É sim, eu adoro todos eles. Então, &#8211; continuou Debruxa ainda sem jeito, devido as últimas sensações que experimentara diante do vegetal. &#8211; você não poderia fazer o favor de enviar e-teiros  para as pessoas avisando da festa?</p>
<p>- Claro! Seria um prazer. Pode ir arrumar suas coisas que ficarei aqui convidando todo mundo.</p>
<p>E assim, Debruxa deixou a cozinha e foi para o andar de cima, arrumar seu quarto. Era incrível como a tia  Minerva Mc Gonagall havia deixado o chalé tão direitinho para ela. Os DOIS cômodos DO ANDAR DE CIMA estavam ARRUMADINHOS, COMO SE ESPERASSEM POR ELA.</p>
<p>-  e esperavam MESMO, &#8211; PENSOU Debruxa. &#8211; ACHO QUE ESTOU SENDO muito tola. é A VIAGEM, A FINAL, NÃO TIVE AINDA TEMPO DE descansar devidamente. e AINDA TEM ESSA FESTA! Meus Deuses! A que horas Pequetita irá chegar para me ajudar com tudo? E aquele&#8230; aquele&#8230;. aquele vegetal lá em baixo&#8230; meus deuses! que homem&#8230;. que criatura&#8230; que vegetal&#8230; Que berinjelão!</p>
<p>e foi presa a esses pensamentos que Debruxa adormeceu deitada na cama.</p>
<p>Horas mais tarde, Debruxa, acordou com um grande barulho que vinha do andar de baixo, e tentando se localizar, se esforçou o máximo para se lembrar que estava em  Bruxópolis, e não no Mar de Janeiro.</p>
<p>Parecia estar havendo uma verdadeira batalha lá em baixo. Deu um pulo da cama ao se lembrar do aniversário de Madréa, e correu para a escada.</p>
<p>No andar inferior, Beringelo estava bastante atarefado lutando com que parecia ser uma mala voadora.</p>
<p>- Mas o que você pensa que está fazendo?</p>
<p>- Essa coisa não quer parar, Debruxa. Que tipo de ser é esse?</p>
<p>- é uma mala moderna, nada mais.</p>
<p>A mala de Debruxa tinha muitos pezinhos no lugar de rodas, e na lateral estendiam-se várias asinhas que apesar de pequenas, eram rápidas e muito eficazes para vôos  a distância.</p>
<p>- Você só precisa ficar parado, Beringelo.</p>
<p>- Parado? E essa coisa vai ficar me rodeando o tempo todo até que eu caia de tontura?</p>
<p>Debruxa desceu as escadas e assobiando algumas notas, trouxe a mala para o chão. Assim que a mala pousou, Debruxa assobiou outras notas, e a mala se abriu. Então  ela tirou lá de dentro uma caixa e a colocou de lado. A seguir, assobiou outras notas e a mala se fechou dirigindo-se, usando agora os pezinhos, para o andar de  cima.</p>
<p>- Fantástico!</p>
<p>Exclamou Beringelo, que gostava de tudo quanto era tipo de tecnologia.</p>
<p>- Como será que isso funciona?</p>
<p>- Não sei, não quero saber, e não será agora que descobriremos. Cadê a Pequetita?</p>
<p>- Pequetita?</p>
<p>- Sim, ela ficou de vir me ajudar com a festa. A propósito, que horas são?</p>
<p>Mal a pergunta foi feita, um pequeno cuco botou a cabeça para fora de sua casinha e anunciou em bom som que eram 14 horas e quarenta e cinco minutos.</p>
<p>- Meus Deuses,  a Pequetita está demorando muito. Acho melhor prepararmos algo para comer. Você come, não é? Digo&#8230;. Você se alimenta de algo, certo? Pelo menos  quando  está em sua forma humanizada, come algum tipo de alimento, não é?</p>
<p>- Sim, quando estou humanizado, sou capaz de comer absolutamente tudo.</p>
<p>- ótimo. Me espere só um momento, que preciso instalar a campainha que trouxe para o chalé.</p>
<p>Depois de rapidamente ir até o portão, carregando a caixa que havia retirado da mala, Debruxa retornou dizendo:</p>
<p>- Pronto, a campainha já está instalada. Vamos ver agora o que tem na cozinha pra gente.</p>
<p>E dizendo isso, a bruxinha foi até a cozinha vasculhar a geladeira. Conseguiu achar um frango inteiro congelado, e após usar um feitiço de bruxas de cozinha para descongelamento rápido, temperou-o com alguns condimentos que haviam em cima das prateleirinhas do chalé da profa Mc Gonagall, colocando-o em seguida no forno. Voltou a vasculhar a geladeira em busca de algo gelado para beber, mas só conseguiu encontrar um suco de beringela com laranja, mas achou por bem não oferecer tal bebida aquele seu hóspede em especial. Quando se voltou, deu de cara com aquele Beringelo parado a observando. Era impossível não notar a presença  daquela criatura, e por alguns momentos manteve seu olhar fixo naquela imagem. Assim que caiu em si, piscou algumas vezes e disfarçando o máximo foi procurar alguma fruta no quintal para preparar um suco, e quando estava voltando com algumas maçãs nas mãos, ouviu o chocalhar da sineta no portão.</p>
<p>- Ah, deve ser a Pequetita!</p>
<p>E correu para o portão, mais para não ter que passar pela experiência de ficar frente a frente com todo aquele tamanho de beringela humanizada. Assim que Pequetita entrou, foi logo perguntando:</p>
<p>- Que troço é aquele em cima do portão?</p>
<p>- Troço?</p>
<p>- Sim, aquela caveira.</p>
<p>- Ah, o esqueleto.</p>
<p>- Esqueleto?</p>
<p>- É, ou melhor, era  o rival de Riman.</p>
<p>- Era?</p>
<p>- Riman o liquidou no último capítulo, e como somos amigos me deu a carcaça do esqueleto de presente.</p>
<p>- E você resolveu fazer sineta do pobre?</p>
<p>- Ficou interessante, não?</p>
<p>A sineta que Pequetita se referia, consistia em uma corda que ficava amarrada no pé do esqueleto e descia pendurada para o portão, na altura de qualquer mão. Assim que a corda era puxada, o esqueleto que estava acima do portão, se requebrava todo e batia palmas, fazendo um barulho, anunciando a chegada de alguém.</p>
<p>- Você demorou muito, Pequetita.</p>
<p>- Ah, foi um custo despistar Madréa. Mas ainda temos bastante tempo. E o que você está fazendo com tantas maçãs nas mãos?</p>
<p>- A sim! As maçãs .. e o&#8230;. o frango!</p>
<p>E dizendo isso, Debruxa correu para a cozinha, acompanhada por Pequetita, que vinha logo atrás com um ar interrogativo.</p>
<p>Assim que entraram na cozinha, Pequetita estacou na porta muito surpresa ao ver o Beringelo sentado a mesa olhando para a bola de cristal.</p>
<p>- O que&#8230;. quem&#8230;..</p>
<p>- A sim, &#8211; lembrou Debruxa, mas foi interrompida por Beringelo, que ao se levantar esticou a mão para cumprimentar a recém chegada.</p>
<p>- Muito prazer, eu sou o Beringelo da Terra, rei das berinjelas.</p>
<p>Pequetita, que se recuperava da surpresa, estendeu a mão e cumprimentou o vegetal humanizado.</p>
<p>- Mas eu pensei, &#8211; Disse ela, &#8211; que você era um vegetal!</p>
<p>- Sim senhorita, -  respondeu Beringelo, puxando uma cadeira para a bruxinha. &#8211; eu sou uma berinjela. berinjela macho, diga-se de passagem.</p>
<p>- Deu para desconfiar. eu não consigo imaginar uma berinjela fêmea com todo esse tamanho.</p>
<p>- Nós vegetais da realeza, adquirimos a forma humana. Durante um tempo temos que ficar como vegetais, em nossas formas originais, mas durante outra parte do tempo, somos, não exatamente humanos, mas algo bem próximo a humanidade.</p>
<p>- Eu bem que desconfiava disso! Vai ver que a aquela bruxa Melagda faz parte da família das melancias! Ah, preciso contar isso a Madréa!</p>
<p>A bruxa Melágda, era a a responsável pelo pomar principal de Bruxópolis. Era uma bruxa muito gorda, proprietária de um gigantesco traseiro. Vivia implicando com a maioria dos habitantes, a não ser que estes tivessem algo interessante para lhe dar. Aí adquiria uma personalidade bajuladora e intragável para os que a conheciam bem. Era realmente muito interesseira, e a educação transitava por um caminho totalmente diverso ao dela.<br />
  Costumava cuidar de suas frutas, cantando, mas apesar de ser afinada, não possuía uma voz bonita. Muito pelo contrário. Tinha uma voz grave e rouca, capaz de meter medo em qualquer um quando ela bem entendesse. Principalmente quando aquele casal que morava perto de seu pomar, resolvia surrupiar rabanetes a noite.</p>
<p>***<br />
Capítulo III A Preparação da Festa</p>
<p>Debruxa tirou o frango do forno, fez um gostoso suco de maçã e juntou-se aos amigos. Os 3 almoçaram juntos e conversaram durante a refeição, cada um contando um pouco de si, mas o assunto principal era a festa de Madréa. Assim que acabaram de comer, foram arrumar a casa.</p>
<p>Pequetita que era uma excelente bruxa de cozinha, ficou responsável pela comida. Debruxa que adorava inventar coisas para chamar a atenção, foi cuidar da ornamentação da festa. E Beringelo que era especialista em tecnologia, ficou com a parte dos efeitos especiais.</p>
<p>- Pequetita, não se esqueça do bolo de macarrão. -  Lembrou Debruxa.</p>
<p>- Estou nele agora, Debruxa.</p>
<p>- Bolo de Macarrão? -</p>
<p>- Sim senhor Beringelo. É o preferido de nossa amiga Madréa. Se não tiver o bolo de macarrão em sua festa, a festa não será dela!</p>
<p>- Eu nunca comi esse bolo.</p>
<p>- Comerá hoje.</p>
<p>- Hum&#8230; E o bolo de macarrão da Pequetita é inesquecível. A Pequetita é a rainha da cozinha!</p>
<p>- Ora Debruxa, deixe disso, &#8211; respondeu Pequetita, ficando vermelha com o elogio da amiga.</p>
<p>E assim, as 3 criaturas passaram a tarde toda preparando a festa de Madréa. E quando tudo ficou pronto, o lindo chalé da profa Minerva Mc  Gonagall, adquirira um ambiente  pra lá de festivo, faltando apenas, é claro, os convidados. O Chalé, que tinha dois andares, estava todo circundado por Vaga-lumes acrobatas, convidados de Pequetita a pedido de Debruxa, para ajudar na ornamentação. Beringelo adaptou um sistema à cordinha da sineta de esqueleto, que assim que fosse puxada por Madréa, ao mesmo tempo que os Vaga-lumes acrobatas situados na sacada do andar de cima formassem a frase  Bem vinda a sua festa de aniversário, Madréa, um coro de passarinhos localizados no jardim, entonariam um sonoro feliz aniversário. Na sala do chalé, havia uma enorme mesa com um gigantesco bolo de macarrão com molho laranja. A toalha da mesa foi delicadamente bordada por Pequetita com fios  coloridos de cabelo de anjo.<br />
 Em cima do bolo, Debruxa encantou as letrinhas de uma sopinha de macarrão para que ficassem grandes e flutuantes, e escreveu: Viva a Madréa! Os docinhos foram colocados delicadamente por Pequetita em<br />
 forminhas de macarrão de lacinho, que flutuavam dentro de bandejinhas em forma de barquinhos que estavam cheios de geléias e molhos temperados. Todas as lâmpadas do chalé foram ornamentadas  com espaguetes coloridos que se balançavam com o som da música, a medida que as luzes piscavam. Debruxa encantou alguns tatuis bolinha para que ficassem enormes e os coloriu, pendurando em seguida nas paredes. Colocou um outro encantamento dentro deles, que por mais que Pequetita e Beringelo insistissem para que ela contasse de que se tratava, ela alegou ser surpresa e manteve-se calada a cerca desse assunto. Haviam também, as talhatinas, que eram vários rolinhos de  talharim que seriam distribuídos  com a finalidade de serem lançados como serpentinas. A bebida seria servida em cubos de macarrão parafuso, que foram devidamente aumentados para o tamanho de copo.</p>
<p>Na parte de trás da casa, onde se estendia um grande terreno gramado, foram colocadas mesinhas no formato de barquetes debaixo de cada árvore, deixando o centro  do quintal livre para a dança.  Em cima de cada mesinha, haviam réplicas em miniatura da mesa principal da festa. As árvores, assim como toda a volta do chalé, estavam lotadas de vaga-lumes acrobatas que iluminava animadamente o ambiente.</p>
<p>- Uau! Isso ficou de mais! &#8211; Falou Debruxa, rodopiando pela sala.</p>
<p>- Pelas barbas de Merlin! &#8211; Gritou Pequetita.</p>
<p>- O que houve? &#8211; Perguntou um assustado Beringelo, que quase levou um tombo de cima da escada que colocara para dar a última conferida no sistema de som.</p>
<p>- A vela!</p>
<p>- Minha nossa Pequetita, esquecemos da vela!</p>
<p>- Sim, e agora?</p>
<p>- Calma, &#8211; tranqüilizou Beringelo. &#8211; Quando enviei o e-teiro para  a profa Caviglione   Gonagall, ela me avisou que traria a vela, pois é tradição de família.</p>
<p>- Ufa! &#8211; Suspirou Pequetita. &#8211; Que bom!</p>
<p>- E os garçons? -  Perguntou Debruxa. &#8211; Você entrou em contato com eles, não é, Beringelo?</p>
<p>- Não.</p>
<p>- Não?</p>
<p>Gritaram apavoradas, Debruxa e Pequetita.</p>
<p>- Calma bruxinhas, vocês são muito afobadas! A profa Caviglione Gonagall  também disse que trariam os elfos da cozinha de   Hogwarts.</p>
<p>- Uau! Mas essa festa promete! -  Gritou Debruxa, voltando a dar seus rodopios.</p>
<p>- Bem, &#8211; Continuou Pequetita. &#8211; Precisamos nos arrumar então, Debruxa.</p>
<p>- É verdade, Pequetita, em breve os convidados estarão chegando.</p>
<p>- Sim, e as mocinhas, como é bem típico de todas as raças femininas, precisam de um bom tempo para essa parte. &#8211; Concluiu Beringelo, descendo da escada para checar  os ampplificadores.</p>
<p>E dessa forma, Pequetita e Debruxa subiram para o quarto para se arrumar, enquanto Beringelo, perfeccionista que só, continuou checando tudo.<br />
Horas mais tarde, Pequetita e Debruxa desceram para, juntamente com Beringelo,  esperar, os convidados.</p>
<p>Pequetita vestiu uma blusa branca cigana e uma saia vermelha, com a barra toda bordada com brilhantes pedrinhas prateadas. Calçou um tamanquinho vermelho com detalhes de pequeninos cometas prateados.  Seu cabelo estava preso em um bonito rabo de cavalo, com um laço vermelho escrito com letrinhas de pedrinhas prateadas, para combinar com a barra da saia e o tamanquinho,  Viva a Madréa! Sua pedra protetora, o rubi, pendia de seu pescoço, e usava várias pulseirinhas brancas e vermelhas de pedrinhas, que faziam barulho quando ela gesticulava.</p>
<p>Debruxa optara por usar um vestido preto. Este era de alcinha com um grande decote nas costas que mal aparecia, visto estar de cabelo solto. O vestido ia até um pouco abaixo do joelho, terminando na barra com vários garfinhos prateados, que Beringelo chamara de penduricalhos. Calçou um sapato preto com detalhes de minúsculos  garfinhos prateados. Como detestava prender o cabelo, colocou uma  tiara prateada com arames brilhantes formando a frase Viva a Madréa! Assim como Pequetita, usava seu amuleto, uma pedra de esmeralda pendurada no cordão em seu pescoço, e várias pulseirinhas com garfinhos pendurados para combinar  com a barra da saia, e que também fazia barulhinho quando esta se movia.</p>
<p>As bruxas adoravam esse tipo de coisa, barulhinhos, brilhinhos e muitos mais inhos que pudessem colocar em suas roupas.</p>
<p>Beringelo, como não era acostumado a ir a muitas festas, e nem tão pouco usava os tais inhos em sua roupa, só vestira sua capa roxa de cetim. Pequetita se encarregou de escrever atrás da capa Viva a Madréa com brilhantes letras prateadas .</p>
<p>Assim que terminou, ouviram ao longe um som de trovão, que foi aumentando gradativamente, até que não conseguindo mais suportar o ruído infernal, cada um tratou  de dar um jeito para proteger seus respectivos ouvidos. Pequetita enfiou sua linda cabecinha dentro de uma panela, enquanto Beringelo correu para o quintal, a fim de se esconder dentro do buraco de seu pé de beringela. Debruxa, atordoada do jeito que estava, só pôde pensar em enfiar seus dedos dentro do ouvido e ficar girando, produzindo um ruído, que misturado com o barulho lá  de fora, atingiu Pequetita e Beringelo, que haviam conseguido até então, impedir que aquele som vindo do inferno  os alcançasse.</p>
<p>E subitamente o barulho acabou. Pequetita e Debruxa correram para frente do chalé, enquanto Beringelo lutava com sua capa que havia se prendido num galho de árvore.</p>
<p>Mal as bruxinhas chegaram no jardim, abafaram um grito de surpresa. Parada, bem ali na frente do chalé de Debruxa, se encontrava uma gigantesca carruagem que era puxada por elefantes alados, provavelmente pertencentes a família do Dumbo.</p>
<p>- É a carruagem do corpo docente de Hogwarts!</p>
<p>Exclamou Pequetita.</p>
<p>- Nossa, mas que evoluída Hogwarts teve! Adquirir uma carruagem dessa magnitude!</p>
<p>- Até parece que você não conhece a tia  Caviglione, Debruxa. Depois que ela passou a ser a coordenadora de Hogwarts, a escola melhorou bastante!</p>
<p>Nesse momento, desceram da carruagem de uma só vez, vários bruxos e Elfos, mal dando tempo de Debruxa e Pequetita saírem da frente.<br />
- Debruxa, cuidado!</p>
<p>E dando um salto para o lado, Pequetita agarrou o braço da amiga e a puxou, a fim de dar passagem para os recém chegados.</p>
<p>- Eu me esqueci que apesar da carruagem ser linda por fora, a viagem dentro dela não é nada agradável.</p>
<p>- Também, Pequetita, é difícil imaginar como couberam  tantos bruxos aí dentro!</p>
<p>- Magia de tia    Caviglione, Debruxa. Magia.</p>
<p>- E por falar nela, olha ela aí!</p>
<p>Tia, ou melhor dizendo, a profa Caviglione   Gonagall, assim que viu as bruxinhas se aproximou rapidamente de braços abertos!</p>
<p>- Minhas filhas!</p>
<p>Costumava tratar todas as amigas de Madréa, de filhas. E principalmente estas duas.</p>
<p>A profa Caviglione   Gonagall, possuía uma belíssima voz de contralto e estava trajando um lindíssimo vestido amarelo de ceda. Era muito parecida com Madréa. Não fosse o corte de cabelo mais curto, sua estatura mais alta, e claro, sua idade, dificilmente   saberia-se quem era uma e quem era a outra. Também carregava no pescoço seu amuleto, um topázio na forma de lua cheia.</p>
<p>- Mas que coisa boa tê-la de novo conosco, Debruxa. Nossa, e como você está linda, Pequetita. Imagino que Madréa não se encontra por aqui, certo?</p>
<p>- Sim tia Caviglione, a festa é surpresa.</p>
<p>- Mas como esse chalé está maravilhoso! Vocês capricharam mesmo!</p>
<p>E dizendo isso, foi empurrando as bruxinhas para dentro do chalé, a fim de ver o resto da arrumação e colocar a vela em cima do bolo. Assim que entraram na sala,  a profa Caviglione  tirou uma linda vela cor de laranja de dentro de sua bolsinha. A vela tinha o formato de um sol, cheio de raios que brilharam no ambiente festivo.</p>
<p>Lá dentro, Beringelo tentava orientar os Elfos para a cozinha, ao mesmo tempo que ia se desviando dos demais professores.</p>
<p>- eu estava com muitas saudades de todos, tia  Caviglione. &#8211; Oh Debruxa, NÓS TAMBÉM ESTÁVAMOS MORRENDO DE SAUDADES DE VOCÊ. Só espero que o curso tenha valido A PENA.</p>
<p>- a SIM, VALEU SIM.</p>
<p>- e ONDE ESTÁ A TIA    Minerva? &#8211; Perguntou Pequetita.</p>
<p>- Ah MINHA CRIANÇA, ELA NÃO PODE VIR. Pegou um resfriado muito forte semana passada quando viajou daqui para pertrina, e agora está sob os cuidados de madame Pomfrey.</p>
<p>- Ah coitada! &#8211; Exclamou Pequetita.</p>
<p>- Sim, mas eu bem que disse que era para ela pegar o Boi Tatá, no lugar de se aventurar, com todo aquele vento que estava semana passada, pelos céus de Biscoito  Estrelado.</p>
<p>- Vejo que você está de volta, Debruxa!</p>
<p>A aguda voz veio de trás de Debruxa, fazendo com que esta desse um salto, ao mesmo tempo que girava para ficar de frente com o som.</p>
<p>- Não está lembrando de mim?</p>
<p>- Dobbiquiel! Como me esqueceria de você!</p>
<p>E abraçou o Elfo, que durante sua estada em  Hogwarts, foi um dos grandes amigos que ela, Pequetita e Madréa tiveram.</p>
<p>- Dobbiquiel! &#8211; Gritou Pequetita, se juntando ao abraço dos dois amigos.</p>
<p>Nesse momento, outros convidados adentraram a sala, e Pequetita, lançando um olhar para Debruxa, apontou na direção de Beringelo, que estava bastante enrolado  em orientar os Elfos na cozinha.</p>
<p>- Acho que preciso ir lá dar uma forcinha para nosso amigo, Debruxa.</p>
<p>- É verdade, ele está bastante enrolado. Pequetita! Acabo de me lembrar de algo importantíssimo.</p>
<p>- De quê?</p>
<p>- A bebida, será que foi providenciada?</p>
<p>- A nãããão! Eu&#8230; bem&#8230; eu&#8230;. Eu não sei!</p>
<p>E as bruxinhas correram para a cozinha, a fim de perguntar a Beringelo.</p>
<p>Assim que chegaram lá, a confusão era tão grande, que foi preciso empurrar alguns Elfos, dar cotoveladas em algumas professoras xeretas, pular por cima da cabeça  de alguns anãos e até mesmo passar por baixo de algumas pernas de criaturas altas, que devido o tumulto não foi possível identificá-las, para que as duas chegassem  perto de Beringelo, que estava tentando achar as bandejas onde seriam servidos os salgadinhos.</p>
<p>- Deixe isso comigo, Beringelo. Debruxa precisa falar com você.</p>
<p>- Eu? &#8211; Espantou-se Debruxa.</p>
<p>- Mas&#8230; mas Pequetita, e se ele não tiver&#8230;.</p>
<p>- Tiver o quê? &#8211; Perguntou Beringelo, aproveitando a ajuda de Pequetita e puxando Debruxa para fora da cozinha, arrastou-a consigo para o quintal, em busca de  um pouco de ar fresco.</p>
<p>- Bem, se eu não tiver o quê, Debruxa.</p>
<p>- É as bebidas, Beringelo, só isso. Você encomendou as bebidas?</p>
<p>- Ah, então é isso. &#8211; Murmurou Beringelo, desapontado. E retomando a firmeza habitual continuou:</p>
<p>- Como eu percebi que ninguém havia falado em bebidas, mandei um e-teiro para o Barba Ruiva encomendando alguns barris de rum e outros drinques.<br />
Debruxa, que era bastante impulsiva, deu um pulo e agarrando-se rapidamente ao pescoço de Beringelo, deu um sonoro beijo em sua bochecha. Assim que o soltou, girou, E correu para dentro do chalé, envergonhadíssima pela atitude tomada.</p>
<p>Mas nem teve tempo de pensar muito sobre o assunto, pois mal entrara em casa, deu de cara com alguns babados cor-de-rosa, que pendiam do braço de alguém que estava  a abraçando.</p>
<p>- Querida Debruxa!</p>
<p>- Fadana! Que bom que veio!</p>
<p>Fadana Lúcia, que juntamente  com mais convidados acabava de chegar, era fada madrinha de Madréa.</p>
<p>- Ainda bem que não cheguei atrasada. Peguei o Boi Tatá em João Gente, e você sabe que minha cidade é um pouco distante daqui.</p>
<p>Boi Tatá, Era na verdade, uma gigantesca cobra com janelinhas em forma de olhinhos que seguia uma trilha, percorrendo todo Biscoito Estrelado e servia de meio de transporte. Os passageiros entravam por sua enorme boca e viajavam confortavelmente em um de seus vários vagões. Tinha como maquinista, o Téu-Téu.</p>
<p>- Vejo que estão todos muito ocupados, será que existe algo que eu possa fazer para ajudar?</p>
<p>- El&#8230;. Acho&#8230; Claro! Os chapéus e tiaras! Venha comigo Fadana, precisamos distribuir os chapéus e tiaras.</p>
<p>Debruxa teve que praticamente arrastar Fadana para o andar de cima, driblando com certa dificuldade a multidão que estava chegando.<br />
 Assim que encontrou a sacola com o que procurava, a entregou para Fadana.</p>
<p>Os chapéus e tiaras eram coloridos com fortes tons fosforescentes, e estava escrito em cada um deles: Viva a Madréa!</p>
<p>- Preciso que você os distribua para todos os convidados, Fadana. E todos devem usar. Isso é importante, certo?</p>
<p>- Claro fofinha! Deixe comigo. Caso alguém se recuse, sei que sou uma boa fada, mas tenho meus encantamentos para os castigos. A final de contas, as fadas madrinhas  também puxam orelhas, não é?</p>
<p>Nesse meio tempo, outros acontecimentos se desenrolavam na frente do Chalé. Pequetita, que não sabia da negociação entre Beringelo e Barba Ruiva, estava bastante  nervosa parada no portão, tentando entender o que eram aqueles enormes baús que uns piratas estavam levando para dentro do chalé.</p>
<p>- querida, vejo que está aqui.</p>
<p>- Tia Caviglione! O que significa isso, a Senhora sabe?</p>
<p>- El&#8230; Deixe-me pensar&#8230; Bem, acho que é a bebida, Pequetita.</p>
<p>- A sim! A bebida! Mas que boa alma foi essa que lembrou de providenciá-las!</p>
<p>- A boa alma agradece, Pequetita.</p>
<p>Disse Beringelo, que depois de ter ficado algum tempo chocado e ao mesmo tempo contente com a atitude de Debruxa, resolvera ir ver se Pequetita  havia conseguido  orientar aquele bando de Elfos malucos. Ele não sabia, mas Pequetita tinha uma grande facilidade em organizar coisas e festas. Assim que entrou na cozinha, vendo  que espantosamente estava tudo em ordem e os Elfos mais tranqüilos preenchiam as bandejas com salgadinhos, foi para a frente do chalé, checar se os piratas já haviam  chegado.</p>
<p>- Muito bem lembrado encomendar a bebida dos piratas de Barba Ruiva.</p>
<p>Falou a profa Caviglione, se dirigindo ao recém chegado. Ah! Você! Beringelo querido, quanto tempo!</p>
<p>- Ah, então vocês se conhecem!</p>
<p>- Sim, Beringelo é o melhor técnico de bola de cristal e nosso amigo muito especial, Pequetita.<br />
- Puxa, obrigado pelo carinho, profa  Gonagall. &#8211; E voltando-se para Pequetita continuou. &#8211; No pacote das bebidas, Pequetita, estava incluído também o serviço de garçom para servir drinques. Espero que não se importe.</p>
<p>- Beringelo, você é um amor!</p>
<p>e DA MESMA FORMA QUE Debruxa, Pequetita DEU UM PULO, SE APOIOU RAPIDAMENTE NO PESCOÇO DO VEGETAL humanizado e lhe deu um sonoro beijo. Beringelo dessa vez, não ficou tão surpreso. E observou que Pequetita continuava ali como se nada tivesse acontecido, ao contrário de Debruxa, que antes de girar  para  correr, tinha ficado vermelha.</p>
<p>- Acho que esse tipo de reação é bem comum entre esse povo. Mas&#8230; Mas algo na atitude&#8230; no beijo, apesar de rápido&#8230; sim, algo era diferente com Debruxa. &#8211; Pensava  Beringelo, enquanto Pequetita pedia a tia Caviglione que providenciasse a retirada da carruagem da frente da casa, para que Madréa não desconfiasse.</p>
<p>Nesse momento, vários riscos luminosos cortaram o céu, vindo em direção ao Chalé.</p>
<p>- São os bruxos que vieram de vassoura! &#8211; Gritou Pequetita, correndo para trás do chalé, a fim de recepcionar os convidados que estavam chegando.<br />
- Que horas vocês combinaram com Madréa? -  Perguntou a profa Caviglione   a Beringelo.</p>
<p>- Não sei lhe dizer.</p>
<p>- Então precisamos descobrir, Beringelo, pois do contrário, não haverá uma surpresa como deve ser.<br />
Assim que entraram na sala, viram Debruxa acabando de descer as escadas e se aproximando, a profa Caviglione foi logo perguntando.</p>
<p>- Debruxa! Que horas Madréa ficou de chegar.</p>
<p>E Debruxa olhando para o cuco gritou.</p>
<p>- Agora! &#8211; E correndo a procura de Pequetita terminou. &#8211; Ou melhor, quase agora. Faltam só alguns segundos.</p>
<p>Beringelo, vendo que Debruxa estava indo para frente do Chalé, gritou:</p>
<p>- Ela está no quintal!</p>
<p>Mas não foi preciso que Debruxa fosse para o quintal, pois Pequetita já estava entrando na sala, trazendo um cordão de bruxos atrás de si.</p>
<p>- Pequetita! &#8211; Chamou Debruxa. &#8211; Está na hora de Madréa chegar!</p>
<p>- Pela paciência de Cronos, Debruxa, precisamos juntar todo mundo e ficarmos quietos.</p>
<p>A profa Caviglione, que tinha vasta experiência com seus alunos arredios, lançou um olhar em redor da sala e sinalizando para os Elfos, começou a pedir silêncio  a todos. Em poucos milinésimos de segundos, todos os convidados estavam quietos, alguns dentro da casa, outros do lado de fora, outros agachados pelo jardim, pois  não cabia tanta criatura diferente dentro do chalé.</p>
<p>- Ainda bem que não está chovendo. &#8211; Disse Fadana, colocando um chapéu na cabeça de um dos bruxos que chegara de vassoura.</p>
<p>Assim que Madréa deixou Pequetita, dirigiu-se para sua casa com um ar bastante triste.</p>
<p>- Puxa, ninguém se lembrou. Nem mesmo minha mãe. Será que meu aniversário é hoje mesmo? Será que estou tão abandonada assim? Pensei que pelo menos Pequetita e Debruxa  se lembrariam, já que somos tão amigas&#8230;.</p>
<p>Madréa morava em uma linda casinha branca com janelas e portas alaranjadas. Na frente da casa haviam algumas laranjeiras que no verão, proporcionava uma refrescante  sombra. Ao abrir o portão, observou que estava saindo uma fumacinha alaranjada da chaminé. Apesar da fumaça estar fraca, lia-se nitidamente a frase: Feliz aniversário, Madréa!</p>
<p>- Então não estou doida! Meu aniversário é hoje mesmo. E ninguém&#8230; Puxa, absolutamente ninguém se lembrou.</p>
<p>Assim que esse pensamento se concretizou em sua mente, várias gotinhas começaram a escorrer das janelas da casa.</p>
<p>- Oh! Exceto você, minha casinha. Pelo menos você, minha linda casinha alaranjada, se lembra de mim. É por isso que adoro morar em você. Lar, doce lar!</p>
<p>E abrindo a porta, se jogou em um pufe com formato de abóbora. Ficou por horas ali sentada pensando o que poderia fazer durante aquele dia.  &#8211; Ah, já que ninguém se lembrou, exceto minha casinha, não irei ficar triste. Se ninguém lembrou, que se dane todo mundo! Irei eu mesma, sozinha, comemorar o meu  aniversário. E será o mais comemorado solitário aniversário. A final de contas, quem disse que é proibido se divertir sozinha?</p>
<p>E levantando-se, apontou para o canta silva que imediatamente apoiou seu biquinho em um disco, emitindo uma música alegre e melodiosa. Madréa foi para o quarto e tirou aquela roupa que na verdade, não inspirava grandes comemorações.</p>
<p>- Como pude vestir isso! Foi isso que começou errado. Nem sou mangueirense nem nada para vestir um vestido rosa choque e botar esse chapéu verde!</p>
<p>Preciso de algo mais alegre&#8230; mais brilhante&#8230; mais cor de abóbora! E se arrumou o melhor que pode. Madréa era uma linda bruxinha de olhos azuis, cabelo loiro claro que ia até os ombros e tinha 1 metro e 65 de altura. Era a intermediária no quesito  altura, ficando entre Pequetita e Debruxa. Como gostava de feitiços radicais, sempre optara em manter seu cabelo não muito grande, pois sabia que o reflexo de um bom feitiço radical, geralmente atingiam as bruxinhas cabeludas. Abrindo o armário, escolheu seu mais lindo vestido cor de abóbora. Este era de ceda e todo bordado em amarelo bebê com luinhas crescentes. O vestido acabava com  várias  estrelinhas brancas  penduradas na barra e na manga.</p>
<p>Colocou um bracelete dourado, e como toda bruxa, ajeitou seu amuleto, uma pedra de quartzo na forma de lua crescente que carregava pendurada no cordão em seu pescoço. Pegou então o seu mais lindo chapéu dourado e usando seu estoque de fios de sol, bordou: Viva eu mesma, nele. Calçou seu sapatinho de vidro, amarelo bebê. Depois ficou horas escolhendo uma bolsa que COMBINASSE. Lembrou então da bolsa que ganhara de Fadana EM SEU último aniversário.</p>
<p>- Puxa vida, &#8211; pensou amargamente, &#8211; nem a dinda Fadana se lembrou&#8230;.</p>
<p>Mas tratou logo de botar esse pensamento de lado, e começou a procurar a bolsa. Encontrando-a, olhou-se no espelho.</p>
<p>A bolsa era realmente linda. Tinha o formato de uma lua crescente, e  penduravam-se nela várias luinhas e estrelinhas. Tanto a bolsa como as inhas, adquiriam qualquer cor para combinar com a roupa da bruxa.</p>
<p>Madréa então, apertando o dispositivo para a mudança de cor,  experimentou colocar a bolsa rosa, e as inhas, cor de laranja. -  Não combinou. &#8211; Tentou então inverter. &#8211; Nada feito. &#8211; Coloriu a bolsa de roxo e as inhas vermelho. &#8211; Chocante, mas nada apropriado para o dia de hoje. &#8211; Mudou para o azul bebê e verde soldado. &#8211; Hum, hum. Isso ficou feio! &#8211; E manteve-se por muito tempo tentando combinar as cores, até que resolveu aceitar a proposta da bolsa. Esta sugeriu o amarelo bebê para o corpo da bolsa, e cor de abóbora para as inhas.</p>
<p>- Uau! Como não tinha pensado nisso! Ficou ótimo!</p>
<p>E rodopiando pelo quarto começou a dançar ao som da música que vinha da sala. Sentindo-se mais animada, foi procurar uma bebidinha na cozinha, a final de contas, todo aniversário devia ser bem brindado. Não encontrando nada, correu para seu  pequeno pomar e colheu algumas jabuticabas. Preparou então um delicioso licor e erguendo o copo para a casa, brindou seu aniversário. Ficou muito tempo brincando de feitiços radicais, extravasando com eles toda sua tristeza. Quando deu por si, a noite já havia caído e Madréa se lembrou do jantar na casa de Debruxa.</p>
<p>- Seria muito interessante se eu de repente decidisse não ir. Afinal, aquelas duas amigas de araque nem se lembraram de mim.</p>
<p>Mas sua curiosidade a respeito daquele jantar era maior. E também, gostava das amigas e não conseguia ficar longe delas muito tempo. Ainda bem que Pequetita  estava por perto para segurar a saudade que teve de Debruxa, quando esta decidira ir estudar Tarot no Mar de JANEIRO. No fim das contas, tanto ela, como Pequetita,  ficaram muito tempo se consolando mutuamente. Até que um belo dia, sua mãe veio visitá-la e com todo carinho de mãe que lhe é bem peculiar, conseguiu explicar a  ambas a necessidade que Debruxa tinha de estudar Tarot. No fundo, Debruxa vivia procurando suas origens familiares, por mais que não admitisse. De repente, Madréa sentiu muitas saudades das amigas.</p>
<p>- Acho que no fim de contas, esse jantar vem bem a calhar, hein&#8230;.. E se despedindo da casa, e agradecendo muito pela lembrança, Madréa pegou sua vassoura de peroba e voou em direção a casa de Debruxa. O chalé se encontrava no mais absoluto silêncio, quando Beringelo perguntou sussurrando:</p>
<p>- Ela vem de Vassoura?</p>
<p>- Não sei. &#8211; Respondeu Pequetita, voltando o olhar interrogador para Debruxa que falou:</p>
<p>- Se vier, vai dar de cara com a barreira.</p>
<p>- Que barreira? Perguntou Beringelo.</p>
<p>- A barreira protetora que coloquei em volta da casa, no caso de justamente Madréa resolver vir de vassoura.</p>
<p>- Mas acho então, que não está funcionando. &#8211; Falou Dobbiquiel, que estava agachado entre alguns arbusto e vira nesse momento um risco luminoso passando por cima  da casa.</p>
<p>- Não é possível! &#8211; Praguejou Debruxa, não entendendo onde havia errado no feitiço.</p>
<p>- Ah linda criança, &#8211; consolou a profa Caviglione  . &#8211; Se você tivesse me pedido ajuda, eu fazia isso pra você.</p>
<p>Debruxa, para não ser mal criada com tia Caviglione, seguiu Pequetita que se dirigia para o quintal, onde o risco havia se apagado.</p>
<p>- Mas tinha que ser mesmo você, Lorde Lerdo!</p>
<p>Falou Debruxa aliviada.</p>
<p>- Sempre atrasado, não?</p>
<p>Detonou Pequetita.</p>
<p>- A festa já acabou?</p>
<p>Perguntou Lorde Lerdo, ajeitando a cartola.</p>
<p>- Ainda nem começou, para pura sorte sua.</p>
<p>E arrastando o Lorde para dentro do Chalé, as duas foram sussurrando pragas em seu ouvido, devido ao susto que ele havia pregado em todos.</p>
<p>- Viu Debruxa, seu feitiço está funcionando direitinho.</p>
<p>Falou a profa Caviglione, segurando a mão de Debruxa.</p>
<p>- Na verdade,  &#8211; se meteu Beringelo. &#8211; Só iremos saber se funciona ou não, quando Madréa chegar.</p>
<p>Debruxa fuzilou Beringelo com o olhar, que além de ter ficado sem jeito, acabava de se arrepender de ter feito tal comentário. Ele mesmo não entendeu porque falou  aquilo.</p>
<p>De repente, todos ouviram um baque surdo vindo do céu, e viram um risco brilhante descendo desequilibradamente para a frente do chalé.</p>
<p>- É ela! &#8211; Sussurrou Pequetita. &#8211; Silêncio todos agora.</p>
<p>Madréa, que vinha alegremente voando em sua vassoura de peroba, sentindo o frescor noturno, ao avistar o chalé de Debruxa, ficara decepcionada ao constatar que estava todo apagado.</p>
<p>- Que estranho, -  pensou. &#8211; O chalé está todo escuro. Que será que houve? Será que essas duas irão furar comigo. Ah&#8230; mas isso eu não irei perdoar. O esquecimento  de meu aniversário, tudo bem, pois afinal, não foram só elas que se esqueceram, mas marcar comigo no mesmo dia um jantar e caírem fora! Ah não, isso é de mais!</p>
<p>E aumentou a velocidade da vassoura que colidiu com algo e começou a cair desengonçadamente.</p>
<p>- A aa aa aa a a aa aa a a a a a! Socoooooorro! &#8211; Gritou enquanto caía.</p>
<p>***<br />
Capítulo IV Uma Festa de Arromba!</p>
<p>Os gritos de Madréa foram ouvidos por todos lá em baixo.</p>
<p>- Ai minha filhinha! &#8211; Se preocupou profa Caviglione, correndo para o portão, mas Beringelo foi mais rápido e a segurou, chamando-a por tia na confusão.</p>
<p>- Espera tia, ela já está se equilibrando, veja!</p>
<p>Madréa, que era muito habilidosa com feitiços radicais, retomou rapidamente o equilíbrio e pousou harmonicamente em frente ao portão do chalé.</p>
<p>Desceu da vassoura e procurando uma campainha, encontrou um cordãozinho que julgando que deveria puxá-lo, assim o fez.</p>
<p>Nesse momento, o que pareceu ser um esqueleto situado acima do portão, começou a se requebrar e bater palminhas e um coro majestoso se ergueu do jardim entoando  um feliz  aniversário Madréa, enquanto letrinhas brilhantes foram aparecendo no alto da sacada do andar de cima, formando a frase: Bem vinda a sua festa de aniversário, Madréa! Ao mesmo tempo, foram aparecendo criaturas de tudo quanto era jeito, saindo de dentro do chalé, se levantando  das  folhagens e até saltando as janelas.</p>
<p>Madréa levou um susto, pois não esperava tal coisa, e se recuperando, abriu o sorriso e lágrimas escorreram de seus lindos olhos azuis. Nunca ninguém havia preparado  uma festa surpresa pra ela. Até mesmo em Hogwarts, quando estava cercada de colegas, não tivera uma festa surpresa. Houveram sim, muitas e animadas festas de aniversário, mas surpresa? Não, nunca!</p>
<p>- Puxa, &#8211; Pensou. &#8211; Mas só mesmo minhas amigas para preparar tão agradável presente. &#8211; E tentou abrir o portão, que para seu espanto se manteve fechado.</p>
<p>- Anda sua boboca, &#8211; Chamou Debruxa, se aproximando do portão. &#8211; Porque ainda não entrou?</p>
<p>- Por que o portão está trancado, Debruxa.</p>
<p>- Meus Deuses! Acho que exagerei no feitiço de proteção.</p>
<p>- Calma Debruxa, &#8211; Disse a profa Caviglione  , já dôo um jeito nisso.</p>
<p>E apontando sua varinha para a tranca do portão, o abriu. Pequetita e Debruxa correram para a amiga a abraçando e gritando muitos felizes aniversário. Depois foi  a  vez de sua mãe e de todos os convidados cumprimentá-la. Madréa não esperava uma festa, muito menos tão cheia de convidados. Estavam lá seus ex-professores de Hogwarts: a profa de história da magia Rita Binns,  a profa de adivinhação Silígia Trelawney, agora casada com o professor, Remo  Josias Lupin que lecionava defesa contra as artes das trevas, a profa de Aritmancia, Septerica Vector,  a professora de estudos dos trouxas, Marlenta Carrow, a profa de erbologia, Pomonaudaí Sprout, o professor de trato das criaturas mágicas, Rúbílio Hagrid, a profa de vôo, olizia Hooch, o professor de feitiços, Antozé Flitwick, o professor de poções, Horácaco Slughorn, o professor de runas, Caldeira da Porteira, o professor de astronomia, Devistro Sisco, o diretor de Hogwarts, Felicíssimo  Dumbledore, e até mesmo seus amigos de escola,  que há muito não via como: Madame Tauil, Silcrita Tininha, suas quase xarás Medréa, Meméia e Medéia,  Fabibruxa, Tábata e sua mãe Samanta, Dine é o Gênio,<br />
 Bene Chapeleta, Driqueta, Patibru, Moni Cats,  a bruxinha Queca, Francisco Feliz,<br />
 e os habitantes da cidade como: Pardalito com sua viola, Sapancos, o escritor de<br />
 cordel, Dragonildo, , o dragão de cabeleira colorida, a cuca, MATINTAPERERA,  o General LABATUT, a dupla de gnominhos inseparáveis Lole e Leo, Adão o anão,  o capitão caverna e seu filho caverninha, Merleta, o prefeito de Bruxópolis com seu assessor Munifélix,  e até o Lorde lerdo!</p>
<p>- Quanta gente! &#8211; Gritou Madréa, transbordando de alegria. E tia Minerva, ainda gripada, mamãe?</p>
<p>- Oh sim, querida. Ela é muito teimosa!</p>
<p>- E Bibis Potter, Duda Granger e Balin Weasley, também estão aqui?</p>
<p>- Oh, infelizmente não, querida. Estão de castigo por terem explodido um banheiro.</p>
<p>- Ah, que pena!<br />
- Feliz aniversário, Madréa!</p>
<p>Veio uma doce voz atrás de Madréa, que se voltando para ver de quem era, foi envolvida por muitos babados cor-de-rosa.</p>
<p>- Como você está, minha única e por isso mesmo, afilhada predileta?</p>
<p>- Dinda Fadana! E eu que pensei&#8230;</p>
<p>- Pensou que eu havia me esquecido de seu aniversário, não é?</p>
<p>- Hel&#8230;. Sim, mas&#8230; El&#8230;.</p>
<p>- Que ótimo! Era pra pensar mesmo. Faz parte dos preparativos da festa surpresa.</p>
<p>- Vamos! -  Chamou Pequetita. &#8211; Vamos todos para o quintal, pois o som vai começar.</p>
<p>E puxando mestre Pardalito pelo bico, dirigiu-se para o quintal, seguida aos atropelos por todos convidados da festa. Beringelo acoplou ao violão um fio invisível para que a música fosse espalhada por todo o chalé.</p>
<p>- Colicença, meu jovem. -</p>
<p>- Pois não.? &#8211; Respondeu Beringelo a gorda criatura que pegou o violão de suas mãos, e afastando algumas cordas, tirou lá de dentro um comprido cachimbo cor de abóbora.</p>
<p>- Mas quem é o Senhor? Acho que não o vi chegar.</p>
<p>- Ah sim, e nem poderia mesmo, pois vim dentro do violão de mestre Pardalito. Sabe como é, né? Nós sapos não sabemos voar, e o Boi Tatá estava lotado. Então, Mestre Pardalito gentilmente me ofereceu uma carona. Sou Sapocampos, o escritor de cordel e contador de histórias. Pode me chamar de Sapancos. Mas e você, quem é?</p>
<p>- Sou o Beringelo!</p>
<p>- Sapancos era um enorme sapo martelo que se encontrava em sua forma humanizada, mas nem por isso escondia algumas características anfíbias. Media cerca de um metro e meio, era proprietário de uma gigantesca pança, usava um enorme óculos de osso de tartaruga, e apesar da maioria dos sapos quando em suas formas humanizadas terem  boca grande, este conseguira adquirir uma boca nem muito grande nem muito pequena. Era uma boca normal, mas sua voz era potente e diziam que ele cantava muito bem.</p>
<p>- Vejo que você também não é um bruxo.</p>
<p>- Ah não, meu senhor. Sou o rei das Beringelas.</p>
<p>-  Berinjelas? Hum&#8230; eu adoro Berinjelas! Fritas então&#8230; Hum, que maravilha!</p>
<p>Beringelo achou estranho aquele papo e preferiu manter distância de tal criatura.</p>
<p>- Ei meu rapaz, &#8211; Chamou Sapancos, enquanto Beringelo se esquivava correndo para a cozinha. &#8211; Volte aqui, nós ainda não terminamos nossa conversa!</p>
<p>- Eu já tinha escutado falar em urubu violonista que carregava sapos no violão, mas um pardal com um sapo? Que dupla mais diferente! E tenho certeza que aquela boca  quando o assunto é comida, deve tomar proporções gigantescas! &#8211; Ia pensando. O movimento na cozinha era frenético. Beringelo pegou um salgadinho e foi logo servido por um dos piratas que lhe estendeu um copo parafuso com um líquido gelado  com uma coloração amarelada. O garçom, percebendo a indagação no semblante de Beringelo, esclareceu.</p>
<p>- Cerbreja, meu caro. É uma delícia. Beba e não irá querer outra coisa!</p>
<p>E nem deu tempo de Beringelo recusar, pois mal acabara de lhe fornecer tal informação, o pirata já estava servindo outros convidados que ainda estavam sem  copo parafuso. Beringelo achou por bem experimentar.</p>
<p>- Hum&#8230; Nada mal!</p>
<p>O som já estava rolando e muitos convidados se dirigiram para a pista de dança, que ficava no centro do quintal. Alguns vaga-lumes voaram<br />
 Para cima da pista e formaram um lindo teto brilhante que piscava no ritmo do som.</p>
<p>A profa olizia Hooch, se encontrava no que parecia ser uma disputa pelo microfone com Sapancos.</p>
<p>- Ande Olizia, eu cantarei a primeira música e depois será a sua vez.</p>
<p>- Nada disso Sapancos! Eu cantarei primeiro.</p>
<p>Enquanto os dois disputavam o microfone, mestre Pardalito que tinha que ficar repetindo os acordes da introdução de uma música, perguntou impaciente:<br />
- Ei, vocês vão se decidir ou não?</p>
<p>E ouviu uma voz arrastada atrás de si:</p>
<p>- Se quiserem, eu posso abrir a festa com a primeira música.</p>
<p>- Ora ora, vejam isso! &#8211; Gritou mestre Pardalito rindo. &#8211; Lorde Lerdo quer cantar, e logo a primeira música! Escute bem Lorde Lerdo, se você ousar pegar nesse microfone com qualquer intenção, eu sim, que irei abrir sua cabeça!</p>
<p>- Sapancos ouvindo isso, achou por bem ceder o lugar para Olizia Hooch, por dois motivos: 1 que se Lorde Lerdo começasse a cantar, além de fazer toda a festa dormir, dificilmente largaria o microfone, e outra que não queria ter sua cabeça quebrada. Em  outra ocasião, já vira o amigo partindo seu agora, ex violão, na cabeça de um jabuti, que desafinara muito ao cantar.<br />
 Então pegando seu martelo, puxou uma batida acompanhando ritmamente a música. O professor de runas, Caldeira da Porteira ouvindo o martelo, se juntou aos músicos com seu chocalho de runas recém fabricado, arrastando consigo Antozé Flitwick,  que foi reclamando com a boca cheia de torradinhas com patê. Antozé Flitwick, além de ser professor de feitiços, era um excelente sanfoneiro, e assim que conseguiu digerir o alimento, sacou da sanfona e se juntou aos músicos.</p>
<p>- Ei meninas! &#8211; Chamou Madréa, se dirigindo a Debruxa e Pequetita.</p>
<p>- Vamos fazer aquela coreografia das amigas inseparáveis! Venham já para o meio da pista de dança.</p>
<p>Como todo círculo de amizade feminino, essas 3 compartilhavam muitos segredos, feitiços e claro, micos. E a dancinha das amigas inseparáveis se tratava do que poderíamos  chamar, ritual musical com grande dosagem de pagação de mico.</p>
<p>Debruxa e Pequetita, como adoravam tudo que se dizia respeito ao trio, correram para Madréa e começaram a dar seus primeiros paços da dança.</p>
<p>Driqueta, uma das bruxinhas mais amimadas, vendo o trio, convidou o prefeito Merleta para dançar. Este não pensou duas vezes, pois Driqueta tinha um jeito muito  apimentado de ser, o que lhe proporcionava, de certa forma, muito charme.</p>
<p>A professora Marlenta Carrow, que não perdia um arrasta pé, puxou o primeiro cavaleiro que viu pela frente, O professor Rúbílio Hagrid, que diga-se de passagem, dançava muito bem.</p>
<p>Madame  Tauil, Moni Cats, Medréa e Patibru estavam sentadas em uma mesa perto da pista de dança, esperando serem tiradas para dançar. A primeira felizarda foi Medréa, que ganhou várias competições de dança quando estudou em Hogwarts.</p>
<p>- Colicença!</p>
<p>- Bene Chapeleta!</p>
<p>Gritaram as 4 em uni sono.</p>
<p>- Sim eu&#8230;.</p>
<p>- Quer dançar, certo? &#8211; Perguntou  Moni Cats que foi arrastando a cadeira e ficando de pé.</p>
<p>- Medréa, você quer dançar comigo?</p>
<p>Medréa nem teve tempo de pensar, pois foi empurrada por Madame Tauil e Patibru, antes que pudesse recusar.</p>
<p>- Não foi dessa vez, Mone. &#8211; Disse Patibru, se servindo de uma empadinha.</p>
<p>- Não tem problema, pois se é para dançar, eu danço sozinha. Não preciso de homens fantasiados de cavaleiros para que eu mexa o esqueleto.</p>
<p>- ótima idéia!  &#8211; Gritou Madame Tauil, puxando as duas amigas para a pista de dança. &#8211; Vamos arrasar!</p>
<p>Do outro lado do quintal, Felicíssimo Dumbledore dividia sua mesa com a profa  Caviglione  Gonagall, Rita Binns,   e Lorde Lerdo, que depois de ter levado muito  tempo para chegar até o trio e ter causado um acidente com um dos Elfos que carregava uma bandeja cheia de croquetes de camarão, mantinha um concentrado discurso  sobre a história da magia.</p>
<p>Nesse momento a primeira música chegou ao fim, e Debruxa que não conseguiu terminar com perfeição o último paço da dancinha das amigas inseparáveis, passou voando  por cima da mesa do professor Felicíssimo Dumbledore, indo aterrizar sentada bem nomeio da mesa de Silígia Trelawney e  Remo Josias Lupin .</p>
<p>- Uau! &#8211; Exclamou Jozias Lupin. &#8211; Isso que eu chamo de colocar coisas estranhas na bandeja!</p>
<p>- El&#8230; Me desculpe&#8230;. El&#8230;.</p>
<p>- Ora deixe disso meu bem, são caroços que encontramos dentro das empadas. Corrigiu Silígia Trelawney, e reconhecendo a coisa, até então não identificada, exclamou: &#8211; Debruxa!</p>
<p>- El&#8230; Olá&#8230;  professora. &#8211; Respondeu, uma Debruxa encabulada.</p>
<p>- Vamos querida, sente-se aqui conosco!</p>
<p>Nesse momento, Beringelo que esteve observando e tentando entender aquela dança das amigas inseparáveis, se aproximou preocupado, pois vira com todos os detalhes  o vôo da bruxinha. Principalmente aquela parte onde seu vestido levantou, revelando o que havia por baixo.</p>
<p>- Sim, meu caro?</p>
<p>Indagou desconfiado o professor Josias Lupin.</p>
<p>- Debruxa! você está bem? &#8211; Perguntou Beringelo, ignorando os demais.</p>
<p>- Estou ótima Beringelo, mas deixe-me apresentar meus professores.</p>
<p>- Ex- professores. &#8211; Corrigiu Silígia.</p>
<p>- Que isso professora! Uma vez professor, sempre professor, certo?</p>
<p>- Sim querida, ela tem lá uma certa razão. -  Respondeu Josias Lupin, e pousando seu wisck na mesa, perguntou: &#8211; - Mas quem é este seu amigo?</p>
<p>- Bom, &#8211; retomou Debruxa.<br />
 - Este é o Beringelo. Beringelo, estes são meus professores Silígia Trelawney.  e Josias Lupin. Ambos dão aulas em Hogwarts.</p>
<p>- Muito prazer! &#8211; Respondeu Silígia, estendendo a mão para o vegetal humanizado.</p>
<p>- Vamos meu caro, junte-se aos bons! Amigo de Debruxa é nosso amigo também. &#8211; Acrescentou Josias Lupin.</p>
<p>- Venha Debruxa, &#8211; disse Silígia. &#8211; Quero saber como foi esse seu curso de tarot com o Frather Goya.<br />
  E assim, os 4 mantiveram animadamente uma conversa.</p>
<p>Debruxa considerava muito Silígia Trelawney e Josias Lupin, pois mesmo o casal não tendo filhos, ela se apegara muito a eles em Hogwarts, e passou algumas férias  na companhia deles.</p>
<p>Quando a música acabou e Debruxa saiu voando, Pequetita e Madréa, sem entender o desfecho que a amiga dera, ficaram perdidas no meio da pista de dança.</p>
<p>- O que deu nela?</p>
<p>- Sei lá Pequetita. Vai ver que é um paço que ela aprendeu lá no Mar de Janeiro. Sabe como são as modas de lá, não é?</p>
<p>- Hum&#8230;.</p>
<p>Mas Pequetita não acabou de responder a amiga, pois nesse momento 3 criaturas rodearam Madréa.<br />
 Uma das criaturas tamparam momentaneamente a visão de Pequetita, que ficou tentando descobrir quem eram os 3, e reconhecendo um deles gritou:</p>
<p>- Dragonildo!! &#8211; Mas os 4 se afastaram rapidamente.</p>
<p>As outras duas criaturas eram Lole e Leo, os gnominhos. Esses 3 quando se encontravam em algum lugar, faziam tanta bagunça, que era impossível controlá-los. Madréa,  sem poder responder nada, foi arrastada para outra dança, só que mais maluca do que a que tinha feito com as amigas.</p>
<p>Pequetita ficou pensando:</p>
<p>- Esse Dragonildo Maldito, nem me deu atenção! E Lole e Leo! Que falta de educação! Nunca mais darei geléias de morango para nem um deles. Quem eles pensam que são para me ignorar? Pensam que só porque praticam feitiços radicais com Madréa podem arrastá-la e me deixar sozinha?</p>
<p>- Pequetita? &#8211; Chamou UMA VOZINHA VINDA LÁ DE BAIXO.</p>
<p>- Quem me chama? Onde estás? Pequetita como era acostumada a sempre procurar no alto seus interlocutores, não estava conseguindo achar de onde partia a tal voz.</p>
<p>- Aqui em baixo querida.</p>
<p>- Ah, você!</p>
<p>- sim, como vai?</p>
<p>- Estou ótima.</p>
<p>- Deixe-me servi-la com um pouco de Idromel.</p>
<p>- Idromel! Eu adoro idromel, Adão.</p>
<p>- Que bom! Mas tenho outra coisa aqui que irá gostar.</p>
<p>- E o que é?</p>
<p>- Talhatinas encantadas!</p>
<p>- As talhatinas! Como eu havia me esquecido!</p>
<p>- Quer brincar?</p>
<p>- Mas é claro, Adão.</p>
<p>As talhatinas, eram as serpentinas de talharim que Debruxa havia feito para a festa.</p>
<p>- Em quem iremos jogar? -  Perguntou Adão, o anão.</p>
<p>&#8211; Deixe comigo.</p>
<p>E dizendo isso, Pequetita lançou a talhatina mirando Dragonildo, , mas acabou acertando um pirata com uma bandeja cheia de copos de parafuso. Este foi erguido com  seus copos  e ficou todo enrolado na talhatina.<br />
 Pequetita, que detestava errar o alvo, fez nova tentativa, mas acabou por acertar bem na careca do professor Felicíssimo Dumbledore que estava nesse exato momento,  passando um copo de Cherês para Rita Binns.  Ele foi erguido para o alto, levando consigo a professora de história da magia. Por questão de segundos não atingira a profa Caviglione, que havia acabado de ir a cozinha verificar como os elfos estavam se saindo, ficando longe do alvo de Pequetita. &#8211; Ora, vejam que graça. &#8211; Exclamou Felicíssimo Dumbledore. &#8211; O que mais faltam a essas crianças para inventar?</p>
<p>- Socorro! Eu estou toda enrolada! &#8211; Gritou Rita Binns, que deixou o Lorde Lerdo discursando sozinho lá embaixo.</p>
<p>Pequetita, como gostava do número 3, fez a última tentativa, mas também não acertara seu alvo, pois Piuí, Lole, Leo e Madréa, ao perceberem a intenção da bruxinha,  correram para pegar suas talhatinas e miravam para ela. Mas Pequetita era muito rápida e girou, fugindo para o jardim, dando voltas e voltas em torno de várias  roseiras, correndo  e entrando em seguida debaixo de uma mesa. Em sua última tentativa porém, acertara o professor Horácaco Slughorn,   que estava com dois copos  nas mãos, fazendo uma de suas experiências de porção mágica. Esse ficou todo enrolado e foi subindo, ao mesmo tempo que pensava:</p>
<p>- Ora que coisa! Como saberei qual é a porção que misturei? Devistro Sisco, que estava tentando explicar a Munifélix, o assessor do prefeito como seria melhor que a prefeitura fosse localizada em cima da montanha do observatório,  pois de lá não só teriam uma melhor visão de Bruxópolis, como também poderiam ver de mais perto os astros, ao  apontar para o céu para exemplificar determinadas  estrelas, viu muitos convidados lá em cima, enrolados no que parecia ser tiras de macarrão.</p>
<p>- Sim, Devistro Sisco, mas como você ia dizendo.?</p>
<p>- Esqueça Munifélix. Acho que agora não dará para eu lhe mostrar devidamente as estrelas que protegem Bruxópolis.</p>
<p>Madréa, Dragonildo, Lole e Leo, não conseguindo acertar Pequetita, lançaram suas talhatinas de qualquer jeito e acabaram se enrolando os 4 mutuamente, ficando girando  e subindo por alguns minutos.</p>
<p>Felizmente, o efeito da talhatina era rápido, e em poucos instantes todos retornavam aos seus lugares.</p>
<p>O professor Felicíssimo Dumbledore e a assustada professora Rita Binns, posaram suavemente em suas cadeiras, encontrando com Lorde Lerdo, que por não ter percebido o que se passava, ainda discursava compenetradamente.</p>
<p>Muitos convidados, gostando da brincadeira, correram para pegar suas talhatinas a fim de brincar.</p>
<p>Profa Caviglione, ao entrar na cozinha, quase foi atropelada por um trem de talhatinas, tendo como maquinista Madréa.</p>
<p>- Minha filha! &#8211; Mas Madréa nem teve tempo de olhar, e passou direto, seguida por Leo, Lole, Dragonildo, Madame Tauil, Silcrita Tininha, Medréa,  Fabibruxa, Bene Chapeleta, Driqueta, Patibru, Moni Cats,  Francisco Feliz e outros que ela não conseguiu identificar.</p>
<p>- É&#8230; Que bom que eles estão se divertindo. -  E pensando nisso, resolveu também entrar no trem. Não demorou muito a maioria dos convidados da festa estavam pulando  e voando no trenzinho em volta do chalé, ao som dos músicos.<br />
  Pequetita que ao fugir de Madréa e das 3 criaturas se manteve durante certo tempo debaixo de uma mesa, assim que viu o trem, correu em direção a Debruxa, e arrancando  esta da mesa a carregou também para o trem. Beringelo, que apesar de ter um ar sério, não estava mais suportando ficar longe de Debruxa, não pôde resistir e também  seguiu as bruxinhas, entrando de qualquer jeito na fila.</p>
<p>- Que legal! &#8211; Exclamou Silígia, e pegando a mão de Josias Lupin convidou: &#8211; Vamos querido! Também quero entrar nesse trem!</p>
<p>Caldeira da Porteira, percebendo a animação daquele trem, foi sorrateiramente aumentando o ritmo da música, no que teve o total apoio de  Antozé Flitwick e Sapancos. Mestre Pardal, percebendo que  olizia Hooch estava ficando sem fôlego para continuar cantando, diminuiu o ritmo. Mas os outros músicos aceleravam novamente. Então  ficou assim: O trem, que estava acompanhando o ritmo da música, ora ia de vagar, ora ia rápido&#8230;. </p>
<p>- Mestre Pardalito &#8211; Chamou Sapancos. &#8211; Toque aquela!</p>
<p>Aquela que Sapancos se referia, era uma música que tinha as notas muito agudas, e que olizia Hooch era uma das poucas pessoas que conseguia alcançar com facilidade.</p>
<p>- Bom pedido! &#8211; Concordaram os outros músicos.</p>
<p>- Que músicos dos diabos! &#8211; Exclamou Mestre Pardalito, que já adivinhava o que Sapancos estava tramando, não pôde recusar e iniciou a tocar. Assim que olizia  deu as primeiras notas, o trem foi subindo&#8230; subindo&#8230;.</p>
<p>- Uau que delícia! &#8211; Exclamou encantado Felicíssimo Dumbledore que havia acabado de entrar no trem.</p>
<p>- Ei Madréa, vá mais baixo, vamos para o chão, por favor.</p>
<p>Pedia Beringelo, que não estava acostumado com alturas.</p>
<p>- Eu não consigo, Beringelo&#8230;. Acho que esse trem segue a música.</p>
<p>- Ei, alguém peça aquela mulher para parar de cantar, por favor. &#8211; Pedia apavorado Beringelo.</p>
<p> Na sala do chalé, alheias a toda essa questão do trem de talhatinas, Pomonaudaí Sprout conversava animadamente com sua amiga Septerica Vector sobre as dosagens de uma determinada erva, quando foram abordadas por Horácaco Slughorn, , que procurava alguém  para experimentar sua mais nova poção.</p>
<p>- Ora vamos, Horácaco, você não espera que provemos isso, não é?</p>
<p>- E por que não, Pomonaudaí?</p>
<p>- Por que algumas ervas ao serem misturadas, podem provocar efeitos nada agradáveis.</p>
<p>- Então você acha que eu colocaria algo maligno nessas poções e viria aqui oferecê-las a vocês?</p>
<p>- Não é bem isso, Horácaco. É que&#8230;<br />
  &#8211; Ora vamos Pomonaudaí! O que tem de mais experimentarmos um pouquinho dessa poção? E do mais, Horácaco nunca faríamos mal, não é mesmo Horácaco?</p>
<p>- Claro, Septerica.</p>
<p>- Então prove você primeiro, Septerica. &#8211; Sugeriu Pomonaudaí.</p>
<p>E dessa forma, as duas professoras tomaram a poção mágica de Horácaco.</p>
<p>- Ai, aqui dentro está muito quente. &#8211; Reclamou Pomonaudaí levantando-se. &#8211; Eu falei que determinadas ervas ao serem misturadas não trazem bom efeito. Vamos lá pra  fora por favor, Septerica.</p>
<p>Assim que os 3 saíram da sala:</p>
<p>- Vejam isso: Gritou Pomonaudaí. &#8211; As cobras estão se rastejando no céu!</p>
<p>- Não é nada disso. &#8211; Corrigiu Septerica . &#8211; É uma estrela cadente. Não está vendo sua cabeça na frente cor de laranja? o resto é a calda dela, só isso.</p>
<p>- Fantástico! &#8211; Pensou Horácaco. &#8211; Essa poção que fiz é de mais! Preciso distribuir para todos!<br />
Lá para o lado dos músicos, a coisa estava ficando feia. Mestre Pardalito, que vira a reação de Beringelo lá em cima, gritava agora com olizia Hooch para que cantasse  uma escala abaixo.</p>
<p>- Não tenho como fazer isso, Pardalito. Detesto desafinar, e você bem sabe que corro este risco. Pare você de tocar.</p>
<p>- Mas parar agora é que eu não posso, pois o trem pode cair e são poucos os bruxos habilidosos com reflexos radicais.</p>
<p>- Um pirata que acabara de encher o copo de Sapancos com cerbreja, sugeriu:</p>
<p>- E se vocês diminuírem a velocidade da música?</p>
<p>- Isso não tem  nada haver com velocidade da música! &#8211; Gritou Mestre Pardalito, que detestava pitacos de leigos em sua música. &#8211; É o tom, entende? o tom!</p>
<p>- Acho que nosso amigo Pardalito está nervoso. &#8211; Comentou Antozé Flitwick, a Caldeira da Porteira.</p>
<p>- É verdade. E ouvindo apenas a palavra &#8220;velocidade&#8221; que Mestre Pardalito dissera ao pirata, sugeriu: Penso que estamos tocando de vagar de mais.<br />
e DESSA FORMA, AUMENTARAM A VELOCIDADE DA MÚSICA.</p>
<p>Mestre Pardalito quase teve um troço, pois agora o trem não só estava muito alto, como também girava rapidamente.</p>
<p>- Seus filhos de Serpentes! &#8211; Praguejava aos percussionistas. &#8211; E você Sapancos, é o responsável de tudo isso. Seu&#8230;. Seu&#8230;. Seu filhote de cruz credo misturado  com Deus me livre!</p>
<p>Nesse momento Lorde Lerdo por questões óbvias não conseguira entrar no trem, se aproximava dos músicos.</p>
<p>- E você? O que quer aqui. Olha, eu não estou nada bem hein! Já vou te avisando. Não me venha com esse seu cérebro de nhoque!</p>
<p>- Espere, Pardalito. &#8211; Pediu olizia Hooch, entre uma pausa e outra. &#8211; Ele pode cantar de vagar. &#8211; E nem esperou a resposta de Mestre Pardal para jogar o microfone a Lorde Lerdo gritando:</p>
<p>- Cante, rápido, cante.. Digo, cante de vagar, mas cante de vagar rapidamente, se é que me entende.</p>
<p>Ao mesmo tempo que Lorde Lerdo dera suas lerdas  primeiras notas, Sapancos soltou um arroto fenomenal e o trem desceu, não tão vagarosamente como pretendia Mestre  Pardalito, mas sem grandes riscos.</p>
<p>- Ufa! &#8211; Suspirou um apavorado Beringelo, assim que tocou o solo com seus pés.</p>
<p>- Mas Já acabou? &#8211; Lamentou Felicíssimo Dumbledore.</p>
<p>- Vamos, vamos! &#8211; Chamou a profa  Caviglione, antes que inventassem mais coisas. &#8211; Vamos cantar os parabéns!</p>
<p>E os convidados, e meio a atropelos e empurrões, correram, cada um a sua maneira devido ainda a sensação do trem voador, em direção a sala para cantarem os parabéns. Debruxa e Pequetita se postaram ao lado de Madréa que estava radiante com a sensação do trem voador.</p>
<p>Os convidados foram se ajeitando em torno da mesa de qualquer jeito, pois era óbvio que não caberiam todos ali dentro. Os gnomos, como eram pequenos, assim como os anãos, se enfiaram debaixo da mesa, os professores ficaram esmagados na parede, devido a entrada furtiva dos amigos de Madréa que queriam ficar perto da  aniversariante e os duendes se equilibravam nas pontas dos pés atrás de todos para tentar enxergar o parabéns. Outras criaturas ainda não denominadas, abriram frestinhas  na parede da casa e ficaram lá fora olhando para dentro. Ninguém queria perder os parabéns,  exceto Mestre Pardalito, por motivos justificáveis.</p>
<p>Mal os músicos entraram na sala, olizia Hooch, iniciou os parabéns, acompanhada somente pelos percussionistas, pois Mestre Pardalito ficara lá fora saboreando uma  Serbreja gelada, já que por culpa de seus companheiros de música, teve que bancar o inspetor, pois do contrário aqueles malucos iam acabar transformando a festa  em baderna.</p>
<p>Esmagado em uma das paredes, Devistro Sisco tentava convencer Septerica que aquela música não era ópera, e sim os parabéns de Madréa.</p>
<p>- Você é surdo, Devistro. Ou nada musical. Isso é uma ópera, ouviu bem? Hoooo oh, oh ooooooo oh! &#8211; E acompanhou a música com muitos vibratos.<br />
Ao lado deles, Pomonaudaí Sprout, sinalizava para um elfo trazer uma cerbreja bem gelada, pois estava com muito calor.</p>
<p>Devistro Sisco, que não estava entendendo o comportamento daquelas professoras, sabendo que o Elfo não conseguiria atravessar aquela multidão, começara a assoprar Pomonaudaí.<br />
***<br />
Capítulo V Tem mais confusão na Festa!<br />
Assim que o parabéns acabou, os tatues bolinha que Debruxa havia aumentado de tamanho, explodiram, lançando vários beijinhos nos convidados, que ao serem tocados por seus beijos, sentiam muitas cosquinhas. Todos correram para fora, rindo e se desviando dos tatuis bolinhas, agora transformados em beijoqueiros.</p>
<p>- Quem&#8230;. kaaaa, kaaa, kaaaaaaaa, ka ah, ah, ah,a, ka! Fez isso? ka, kaaa, ah ah, aka, kaaa, kaa, ka!</p>
<p>Perguntou Madréa, morrendo de rir.</p>
<p>- Foi&#8230; Kih, kih, ihiiiii, kihii, kiiiiih! Debruxa, Madréa! Kih ki, kih kih ih iih! &#8211; Respondeu Pequetita, rolando no chão.</p>
<p>Para pura sorte de todos, assim como as talhatinas, o efeito dos tatu bolinha beijoqueiros não demorava muito, e logo todos estavam respirando aliviados esperando os docinhos sentadinhos em suas mesas.</p>
<p>- Viu como deu certo? &#8211; Perguntou Debruxa a tia Caviglione. &#8211; Agora é mais fácil para os Elfos servir!</p>
<p>- Obrigada, Debruxa!</p>
<p>Beringelo, que se escondera dos tatuis bolinha beijoqueiros em seu buraco de pé de berinjela, acabava de ver Debruxa conversando com tia Caviglione do outro lado  da festa. Queria se aproximar, mas já estava sem graça de ficar o tempo todo atrás de Debruxa. Então optou por permanecer ali em seu buraco observando-a.</p>
<p>Debruxa, que ao se dirigir para a mesa de suas amigas Madréa e Pequetita dera uma trombada com o professor de poções Horácaco Slughorn, derrubando seu copo de parafuso no chão, se desculpava com este.</p>
<p>- Professor&#8230;. el&#8230; me desculpe.</p>
<p>- Não foi nada Debruxa. Mas vejo que perdeu seu copo. Queira aceitar este, por favor.</p>
<p>- Não precisa se incomodar, professor.</p>
<p>- El&#8230; Bem, tome pelo menos um gole dessa deliciosa bebidinha, para se refazer da trombada, Debruxa. Eu faço questão.</p>
<p>Debruxa, que não gostava de destratar ninguém, deu uma rápida golada na bebida de Horácaco Slughorn,.</p>
<p>- Hum, mas é deliciosa! Que bebida é esta, professor?</p>
<p>- Ah, segredo de cozinha minha cara, segredo!</p>
<p>- Eu não sabia que o senhor gostava de cozinha.</p>
<p>- Sou professor de poções mágicas, esqueceu?</p>
<p>- Ah, é verdade. &#8211; E devolvendo o copo ao professor, abaixou-se para pegar seu copo que ainda jazia no chão.</p>
<p>Ao fazer isso, sentiu uma alfinetada bem no bumbum.</p>
<p> Ai! &#8211; Deu um gritinho, fazendo com que Horácaco Slughorn voltasse e a ajudasse ficar em pé.</p>
<p>- Que foi, minha jovem?</p>
<p>- Foi&#8230; hel&#8230; Ah, deixa pra lá, já estou melhor.</p>
<p>Existem criaturas que não faltam em certas festas. Não gostam muito de serem descobertas, mas sempre se fazem notar, nem que passados dias do acontecimento festivo.</p>
<p>No exato momento em que Beringelo se postara em seu buraco de pé de berinjela observando Debruxa, uma dessas criaturas, que estava escondida no alto de uma árvore,  marcou sua presença. Era um pequenino índio que trajava apenas uma tanguinha estampada com vários coraçõezinhos e carregava consigo um arco e flecha. Focando sua energia no olhar apaixonado de Beringelo, assim que Debruxa se abaixou para pegar seu copo parafuso, lançou sua flecha que atingiu certeiramente o traseiro da pobre  bruxinha.</p>
<p>- &#8211; Em fim sós, meninas! &#8211; Disse Debruxa sentando-se com as amigas.</p>
<p>- É, né Debruxa?</p>
<p>- Ora, não me olhe assim Madréa.</p>
<p>- É Madréa, &#8211; ajudou Pequetita. &#8211; Hoje é seu aniversário, divirta-se. E do mais, Debruxa também foi atacada pelos tatuis bolinha beijoqueiros.</p>
<p>- É verdade, mas estou apenas me divertindo de lançar meu maligno olhar.</p>
<p>- Sua bruxa! &#8211; Gritou Debruxa, ameaçando fazer cócegas em Madréa, e mudando rapidamente de assunto a fim de evitar que Madréa passasse a lançar seu olhar maligno  de verdade, pegou um docinho de morango e exclamou: &#8211; Esses docinhos estão divinos!</p>
<p>- Hum&#8230; Estão mesmo! Quem foi a fada que os fez? -</p>
<p>- Nem uma fada, Madréa. Foi nossa amiga Pequetita aqui.</p>
<p>- Pequetita! Estão ótimos.</p>
<p>- Hum&#8230; Obrigada&#8230; Obrigada.</p>
<p>- Mas mudando de assunto. &#8211; Retomou Madréa. &#8211; E o Beringelo?</p>
<p>- Que tem ele? &#8211; Perguntou Debruxa, desconfiada.</p>
<p>- Calma bruxoila. Não precisa ter ciúmes.</p>
<p>- Ciúmes? Eu? Ora Madréa, fala sério!</p>
<p>- Madréa tem razão, Debruxa. Eu bem vi os olhares que ele dirigia a você.</p>
<p>- Ora, vocês duas estão doidas!</p>
<p>- É mesmo? &#8211; Perguntou Madréa. &#8211; Então olhe para a direita pra ver se aqueles olhos que tanto miram essa mesa não é de um certo vegetal humanizado.</p>
<p>Debruxa, como adorava desafios, olhou e seu olhar ficou imediatamente preso em  um outro olhar, claro, de Beringelo.</p>
<p>- E por falar nele, Madréa, &#8211; prosseguiu Pequetita, &#8211; Você já foi apresentada a ele?</p>
<p>- E a Debruxa por acaso teve essa delicadeza?</p>
<p>- Debruxa! Você não o apresentou a Madréa?</p>
<p>- Ela não só não me apresentou, Pequetita, como também não está te ouvindo.</p>
<p>- Debruxa? Debruxa!</p>
<p>- Não adianta Pequetita, ela está presa ao olhar daquele lá.</p>
<p>- AH, éÉ? &#8211; E piscou para Madréa.</p>
<p>- Só não dê um daqueles seus gritos, por favor, Pequetita.</p>
<p>- Não, não, faremos algo melhor. Use um de seus feitiços radicais. Mas só por aqui, certo? Não vá atingir os convidados.</p>
<p>- Farei o possível.</p>
<p>- Então, Madréa, depois do 3. 1&#8230;.2&#8230;. E&#8230; 3!</p>
<p>Assim que Pequetita acabou de contar, o olhar de Debruxa sofreu uma violenta interferência de cabelos negros, ao mesmo tempo que se sentiu perdida na noite a flutuar&#8230;.  flutuar&#8230; até que se tocou.</p>
<p>- Vocês duas! Pequetita, tire sua cabeleira de meu rosto&#8230;.</p>
<p>- Ainda não, Pequetita. &#8211; Pediu Madréa, que imediatamente fez a mesa rodopiar rapidamente no ar e dando uma volta completa no chalé com as 3 de ponta cabeça, fez algumas piruetas e aterrizou violentamente no chão.<br />
- Ah, ah ahahahahahahah, ahahahah, ahahahahaaa! &#8211; Gritaram Debruxa e Pequetita.</p>
<p>- O feitiço era só para ela, Madréa.</p>
<p>Falou Pequetita, assim que seus pezinhos tocaram novamente o solo.</p>
<p>- Eu disse que faria o possível. Vai dizer que não gostou? &#8211; Perguntou Madréa, morrendo de rir.</p>
<p>- Vocês&#8230; Vocês duas tramaram contra mim?</p>
<p>- Deixe disso, Debruxa. Pequetita estava te chamando por horas e você presa apaixonadamente em um certo olhar.</p>
<p>- Eu o quê? Vocês estão loucas!</p>
<p>- Ora, vamos Debruxa, não tem como disfarçar. &#8211; Disse Pequetita,  que era especialista em feitiços de amor. &#8211; E vou te dizendo logo, hein. Não tem nem um feitiço aí. E voltou a procurar sua fita vermelha que com o vôo radical de  Madréa, havia caído.</p>
<p>- Ora como não Pequetita. Então você acha mesmo que eu iria me apaixonar por uma beringela?</p>
<p>- Uma beringela macho. &#8211; Corrigiu Madréa.</p>
<p>- E rei das beringelas. &#8211; Acrescentou Pequetita.</p>
<p>- E um senhor berinjelão. &#8211; Finalizou Debruxa, mal se dando conta do que havia dito.</p>
<p>- Ah! &#8211; Responderam Madréa e Pequetita. &#8211; Viu só? Depois diz que não, né?</p>
<p>- Tá bem&#8230; tá bem&#8230; Eu confesso.</p>
<p>E colocando as mãos espalmadas e abertas viradas para cima na mesa, explicou.</p>
<p>- É como se fosse uma cilada embrulhada em um papel de charada com milésimas de gotinhas de interrogações, entendem?</p>
<p>- Não. &#8211; Responderam Madréa e Pequetita.</p>
<p>- Seja mais clara, Debruxa, por favor. &#8211; Pediu Madréa.</p>
<p>- Hum&#8230;. Deixe-me ver. É como se você, ou melhor, eu, estivesse com a boca cheia dágua esperando um bombom de cereja&#8230; Como se eu sentisse o tempo todo perfume  no ar&#8230;. como se eu estivesse o tempo todo flutuando&#8230;.</p>
<p>- Pare por aí, Debruxa. Não precisa ser tão específica. &#8211; Pediu Madréa.</p>
<p>- Sim, e agora, o que você pretende fazer?</p>
<p>- Não sei Pequetita. Acho que&#8230;. Acho que nada.</p>
<p>- Hum&#8230; E a mensagem que ele tem que nos dar? &#8211; Perguntou Madréa. &#8211; Você, ou melhor, vocês já falaram com ele?</p>
<p>- Não&#8230; Quer dizer&#8230;.</p>
<p>- Certo Debruxa, você não falou com ele, mas e você Pequetita?</p>
<p>- El&#8230;. Quer dizer&#8230;</p>
<p>- Você também não? &#8211; Gritou Madréa inconformada.</p>
<p>- Madréa, se acalme. &#8211; Pediu Pequetita. &#8211; Ou quer que eu grite também?</p>
<p>- Não precisa fazer isso lindinha. Agora só se lembre de uma coisa: &#8211; E dizendo isso, Madréa fez a mesa flutuar.</p>
<p>- Ah, ah, ah, aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaah! &#8211; Gritaram Pequetita e Debruxa.</p>
<p>- Se acalme, Madréa! Vou te apresentar agora mesmo e você pergunta a ele, certo?</p>
<p>E colocando a mesa novamente no chão, Madréa disse;</p>
<p>- Agora?</p>
<p>- Bem, preciso beber algo antes.</p>
<p>- Ah, ah, ah, ahahahahaahaha! &#8211; Gritou Pequetita, antes que Madréa iniciasse outro feitiço radical. Mas Madréa já tinha conjurado um feitiço para proteção de  ruídos estridentes.</p>
<p>- Pequetita! &#8211; Gritou Debruxa. &#8211; Pare com isso. Eu não tenho nada haver com isso.</p>
<p>E nesse momento, a mesa começou a girar.</p>
<p>- Ok, ok, eu dispenso a bebida!</p>
<p>- Droga Debruxa, por que você não perguntou sobre as mensagens ao Beringelo? &#8211; Indagou Pequetita, que desistira de procurar a fita e arrumava os cabelos que  estavam para cima.</p>
<p>- Ora Pequetita, e por que você não perguntou.</p>
<p>- Porque ele é seu hóspede, não meu!</p>
<p>- Ei, &#8211; Chamou Madréa. &#8211; Vocês vão ficar aí culpando-se mutuamente ou irão me apresentar ao galante Beringelo, hein?</p>
<p>- Vamos logo então. &#8211; E levantando-se da mesa, Debruxa varreu a festa com o olhar, encontrando Beringelo em um canto muito solitário. Sentiu uma pontada no coração.  &#8211; Tadinho! Parece tão triste. &#8211; Pensou. &#8211; Será que fiz algo de ruim a ele?</p>
<p>Assim que Madréa e Pequetita se levantaram para seguir Debruxa, foram interceptadas por Horácaco Slughorn, que conseguindo uma bandeja com um dos Elfos, enchera esta com copos parafusos repletos de sua poção.</p>
<p>- Ora vocês duas!</p>
<p>- Estamos com pressa, professor. &#8211; Disse Madréa, que detestava rodeios, e concluiu: &#8211; Daqui há pouco falamos com o Senhor.</p>
<p>- Puxa, mas eu só queria oferecer uma bebidinha refrescante a vocês!</p>
<p>- Que gentileza! &#8211; Exclamou  Pequetita, querendo dar algum tempo para que Debruxa pudesse respirar. Ela que conhecia muitos feitiços de amor, sabia, é claro,  reconhecer um sentimento verdadeiro. E imaginava o que Debruxa estava sentindo. E pegando um copo parafuso concluiu: &#8211; Pegue, Madréa. E vamos levar um para Debruxa  também.</p>
<p>- Ai Pequetita! &#8211; Praguejou entre dentes Madréa. &#8211; Desse jeito iremos perder Debruxa de vista.</p>
<p>- Que nada. &#8211; Respondeu Pequetita, deixando o professor para trás. Beba um golinho de sua bebida. Você está muito ansiosa.</p>
<p>- Não me provoque, Pequetita.</p>
<p>- Olha aqui Madréa, eu sei muito bem o que Debruxa está sentindo, certo? Então, vou lhe dizer uma coisa&#8230;</p>
<p>- Ah, vai? Então diga logo Pequetita.</p>
<p>- Beba um gole desse treco aí para se acalmar, se não eu não irei em lugar nem um.</p>
<p>Bufando de raiva, Madréa obedeceu a amiga para não perder mais tempo.</p>
<p>- Sente-se melhor? &#8211; Perguntou Pequetita, já se preparando para correr da amiga, pois estava abusando da paciência de Madréa, e conhecia muito bem seu temperamento. Mas para seu espanto, Madréa deu um lindo sorriso e respondeu.</p>
<p>- Muito melhor! Acho que&#8230; que&#8230;. sinto vontade de pular!</p>
<p>E começou a pular.</p>
<p>- Ora Madréa, agora não é hora de pular, você não ia falar com Beringelo?</p>
<p>Mas Madréa estava pulando cada vez mais alto.</p>
<p>- Vou&#8230;sim&#8230; Pe.que.ti.ta.</p>
<p>Seus pulos foram atingindo alturas cada vez maiores.</p>
<p>- Então pare de pular, sua bruxa doida!</p>
<p>- Estou..tentando..mas..isso aqui..tá.. muito&#8230;..divertidoooooooo!</p>
<p>Os pulos de Madréa já ultrapassavam o primeiro andar do chalé, quando Debruxa sentindo a falta das amigas, voltou para buscá-las.</p>
<p>- Ora Pequetita, então é assim? Vocês pedem para ir falar com o cara e me deixam sozinha?</p>
<p>- Debruxa&#8230; Acho que Madréa não está nada bem.</p>
<p>- O que deu nela?</p>
<p>- Veja por você mesma!</p>
<p>Madréa agora ultrapassava o telhado do chalé.</p>
<p>- Madréa! &#8211; Gritou Debruxa. &#8211; O que você pensa que está fazendo aí em cima?</p>
<p>- Não&#8230;&#8230;.. Seeeeeeeeiiiiieiiiiihihihihihi!</p>
<p>- Ela não está fazendo nada lá em cima, Debruxa. Ela está fazendo lá e cá, entendeu?</p>
<p>- Como assim?</p>
<p>- Ela está pulando, Debruxa, Pulando! entende?</p>
<p>- Entendo. Então: Madréa, &#8211; Corrigiu Debruxa: &#8211; O que você pensa que está fazendo pulando desse jeito?</p>
<p>Mas agora elas tinham que esperar alguns momentos para Madréa voltar ao chão e escutarem o que ela<br />
 estava dizendo.</p>
<p>Nesse momento, Beringelo que tomara coragem para se aproximar de Debruxa, viu Madréa pulando muito alto e perguntou:</p>
<p>- Ela está tentando alcançar a lua?</p>
<p>- Ora cala a boca, Beringelo. &#8211; Falou Debruxa, se espantando com sua agressividade.</p>
<p>- Não sabemos ao certo.- Respondeu Pequetita mais delicada piscando o olho desaprovadoramente para Debruxa.</p>
<p>- E o que você está fazendo com esses dois copos nas mãos? &#8211; Perguntou Beringelo, tentando se acostumar com tantas coisas esquisitas.</p>
<p>- El&#8230;. Eu&#8230; A sim! Tome Debruxa.</p>
<p>- o que é isso?</p>
<p>- É uma bebida que eu tinha pego para você.</p>
<p>- Oh Pequetita, como você é gentil! Eu estou mesmo morrendo de cede.<br />
- Lá vem ela! &#8211; Disse Pequetita, a fim de ouvir o que Madréa tinha começado a dizer.</p>
<p>- Eeeeeeeeu estou adorando&#8230;.. isso aquiiii ihihihihihihihiiiiiiiii!</p>
<p>E voltou novamente para cima.</p>
<p>- Hum Pequetita! Essa bebida é maravilhosa!! Pegou com o professor Horácaco Slughorn, não foi?<br />
 É uma delícia! &#8211; Exclamou Debruxa, que nem tinha percebido Madréa retornando e tornando novamente a ir para cima.</p>
<p>- Eu também preciso beber algo. &#8211; Disse Beringelo, procurando um elfo para servir-se.</p>
<p>- Ah, tome o meu copo. Ainda não bebi nada. &#8211; Ofereceu Pequetita, mas Debruxa foi mais rápida. E chegando-se para bem perto de Beringelo, sussurrou provocadoramente.</p>
<p>- Pode tomar comigo querido, se não se importar.</p>
<p> Pequetita que acabava de ficar vermelha com a atitude de Debruxa, não sabendo o que fazer para disfarçar seu mal jeito, tomou a bebida de um gole só. Ao virar  o copo, percebeu Madréa voltando e gritou:</p>
<p>- Lá vem ela de novo!</p>
<p>- Oiiii Beringelo, eu não tinha te vistoooo. Mas muito prazeeeee eheheheheheheeeeeeeeeeeeeeeeeee eheheheheheheheheheeeeer!<br />
E subiu novamente.</p>
<p>- Muito prazer! &#8211; Gritou Beringelo para o vazio.</p>
<p>- Ah, ela já foi para cima, Beringelo. Venha comigo. Vamos dançar esse forró!</p>
<p>E agarrando Beringelo, Debruxa o conduziu para o meio da pista de dança.</p>
<p>- Eu não sei dançar, Debruxa, mas gostei disso!</p>
<p>- Ah, então somos dois!</p>
<p>- Dois o quê, Que não sabem dançar?</p>
<p>- Não amor, dois que gostaram disso!</p>
<p>Pequetita, já refeita da vergonha, ouviu um som vindo de cima, e devido ao efeito da poção de Horácaco, havia se esquecido o que estava acontecendo com Madréa. Esta, que tinha uma boa visão de lá de cima, chegou já perguntando.</p>
<p>- Ondeeeee estããããoooo eleeeeeeeheheheheheheheheheeees?</p>
<p>E subiu de novo.</p>
<p>Pequetita que era muito desconfiada, ao ouvir tal pergunta vindo de cima e retornando as alturas, sacou de sua varinha mágica e gritou para o alto:</p>
<p>- Você não irá perturbar a festa de minha amiga Madréa, ouviu bem? Volte de onde veio! Mas por pura sorte, não lançou imediatamente o feitiço, preferindo procurar  de onde exatamente tinha vindo o som.</p>
<p>Não encontrando nada, saiu a procurar pela festa. Ia passando pelas mesas e olhando bem na cara de cada convidado ia descartando aqueles que julgara não serem os  responsáveis por tal ameaça.</p>
<p>- Onde estão eles&#8230; eu hein&#8230; então tem um penetra tentando entrar na festa! Ora, isso não vai ficar assim. ah, mas não mesmo!</p>
<p>E se dirigiu para a frente do chalé. Ao passar pela sala, tropeçou com seus tamanquinhos no que julgara ser um pé de dragão. &#8211; Um dragão? Hum&#8230; eu conheço um Dragão&#8230;  um doce dragão&#8230;  um dragãozinho&#8230;. &#8211; E erguendo olhar das patas para a perna, corpo e cabeça, se deparou com a colorida cabeleira do bicho;</p>
<p>- Dragonildo! É você? Finalmente o encontrei!</p>
<p>Dragonildo, que também já tinha tomado da poção, puxou Pequetita para si e a colocando na cacunda, voou lá para fora. Ao sair pela porta da cozinha, alçou um voou mais alto e quase trombou com algo que vinha descendo.</p>
<p>- Draaaaaaagooooooooniiiiildooooo! Pequeeeetíííítaaaaaaaaaaa aaaa aaa aaa a!<br />
 ahahahaha!</p>
<p>- É Madréa! &#8211; Reconheceu Dragonildo.</p>
<p>- Sim, ela parece que veio lá de cima e foi lá para baixo, querido.</p>
<p>Mas Madréa já estava subindo novamente e gritou para a dupla:</p>
<p>Já passei pela luaaaa agora vou para Maaaaarteeeeeeeeheheheheheeheheeeee!</p>
<p>E foi embora para o alto.</p>
<p>- Vamos atrás dela, isso parece ser interessante!</p>
<p>- Nããããããããããão! &#8211; Gritou Pequetita, mas nesse momento Dragonildo já tinha alcançado Madréa, que tornava a descer.</p>
<p>- Vocês estãããão muiiiiitooo devagaaaaa ahahahahahahahahahahaaaaaahahahahahaha ahahahaaar!</p>
<p>- Ah! &#8211; Exclamou ele. &#8211; Então ela quer brincar de pique e pega?</p>
<p>E descendo rapidamente, foi atrás de Madréa.</p>
<p>- Não faça iiiiiisso Dragooooniiiiildoooohohohohohohoooooooooooooooooooooooo!</p>
<p>Gritava Pequetita, mas era inútil. Ao chegarem perto do chão, Madréa já estava voltando para cima e berrou para os dois:</p>
<p>- Vocês nãããão vééééhéhéhéééééhéééhéééééééhéhéhééémm?</p>
<p> Assim que Dragonildo fez o retorno para voltar a subir, Pequetita que puxava com todas as forças a cabeleira colorida do Dragão, se desequilibrou e parou de cabeça  para baixo  bem na frente de sua testa. Nisso, seus longos cabelos negros foram lançados para baixo, tapando totalmente a visão do gragãozinho, , que saiu aos tropeços, serpenteando  com Pequetita em suas costas para o meio da pista de dança.</p>
<p>- Veja amor. &#8211; Falou Debruxa no ouvido de Beringelo. &#8211; Tem até um casal de perucas dançando, não é o máximo?</p>
<p>Mas ao virar a cabeça para ver do que Debruxa estava falando, seus olhares se encontraram. Nesse momento, o que parecia ser um formigamento colorido percorrera todo  o corpo de Debruxa, enquanto</p>
<p>faíscas fosforescentes se desprendiam daqueles olhares, atingindo toda a festa.<br />
 Pequetita que já tinha saltado da cacunda de Dragonildo, começou a rodar, puxando o dragão com ela.</p>
<p>- bruxinha Pequetita! Pare com isso, por favor. Eu vou ficar tooontooooo!</p>
<p>- A Dragonildo, você não sabe como sempre quis fazer isso com você. Vamos brincar de atirei o pau no gato! Ou melhor, no dragão! E seguiu girando e girando com um tonto Dragonildo.</p>
<p>- Pequetita! &#8211; Gritou ele. &#8211; Você já está tirando faíscas do chão de tanto rodar!</p>
<p>- Eu quero mais é que brotem lavas coloridas!</p>
<p>- Aaa aha! Então é fogo que você quer? &#8211; Ainda conseguiu perguntar o pobre dragãozinho, que numa tentativa inútil de lançar fogo, só conseguira tossir. Pequetita que percebera a intenção de Dragonildo, girou mais e mais rápido.Com toda a confusão de faíscas se espalhando pela festa, a maioria dos convidados saíram correndo.</p>
<p>Tia Caviglione, que estava no banheiro dando um apoio moral para Pomonaudaí Sprout e Septerica Vector,  que não paravam de vomitar um líquido azul, ouvindo a gritaria que vinha lá de fora, deixou as professoras com os cuidados de Olizia Hooch, e correu para a cozinha. Ouviu ainda Olizia Hooch dizendo as professoras.</p>
<p>- Vomitem uma de cada vez, por favor. Não quero ser alvo das duas!<br />
Na cozinha a situação estava pegando fogo no que parecia ser um debate calórico entre Devistro Sisco e Horácaco Slughorn.</p>
<p>- Você não tem mesmo juízo Horácaco!</p>
<p>- Ora Devistro, o lunático aqui é você! Não me venha com suas lições de moral!<br />
  &#8211; Acho que já está na hora de você pegar sua vassoura, Horácaco. Já se divertiu bastante com sua poção, não é?</p>
<p>- Quem é você para me dizer que horas são, Devistro?</p>
<p>- Quem mais bebeu aquele troço azulado, Horácaco? Vamos, preciso saber para preparar um antídoto!</p>
<p>- Ah, então é isso, não é?</p>
<p>Os dois professores percebendo a interrupção da profa Caviglione  Gonagall, pararam imediatamente com a discussão.</p>
<p>- Vamos rapazes, o que está havendo?</p>
<p>- El&#8230;.</p>
<p>- Horácaco? -  Bem, acho que você não irá me contar, não é? Então você, Devistro?</p>
<p>- Bem professora, &#8211; Começou Devistro Sisco. &#8211; Acho que nosso amigo aqui exagerou um pouco na dosagem de uma poção. Mas tenho certeza que não foi por mal.</p>
<p>- Sim, &#8211; Começou Horácaco. &#8211; Era para ser apenas uma diversão inofensiva. Eu juro, madame Caviglione  Gonagall. A senhora precisa acreditar em mim. &#8211; E caiu em  prantos  ajoelhado aos pés da professora.</p>
<p>- Vamos, Horácaco. Eu acredito em você. &#8211; E passando a mão na cabeça do choroso professor, continuou. &#8211; Você não precisa chorar. Precisa sim, é nos ajudar com o  antídoto.</p>
<p>- Sim, eu ia mesmo fazer isso, mas esse aí&#8230;.</p>
<p>- Não, não. Não continue Horácaco, tenho certeza que Devistro  só está nervoso tentando ajudar, não é Devistro?</p>
<p>- Claro! &#8211; E estendendo a mão para Horácaco, o ajudou a ficar novamente de pé. Mas Horácaco era muito pesado, e Devistro acabou indo parar do outro lado da cozinha  com o impulso que dera, derrubando Fadana que acabava de chegar esbaforida.</p>
<p>- Oh! &#8211; Gritou a profa Caviglione. &#8211; Se machucou Devistro?</p>
<p>- Não professora. Estou bem.</p>
<p>Mas vários passarinhos já esvoaçavam um galo que começara a crescer em sua testa.</p>
<p>- Mantenha esse gelo aí, Devistro. &#8211; Disse tia Caviglione, fazendo aparecer pedrinhas de gelo da ponta de sua varinha. &#8211; E você venha comigo, Horácaco. Vamos remediar essa bagunça.</p>
<p>E pegando um caldeirão, tia Caviglione foi adicionando várias coisas que Horácaco ia lhe dizendo para fazer o antídoto.</p>
<p> - E você, Fadana, se machucou?</p>
<p>- Oh, não Caviglione. Na verdade estava a sua procura!</p>
<p>- Estou um pouco ocupada agora, Fadana, mas vá dizendo.</p>
<p>- Ah querida,<br />
 os convidados estão enlouquecidos! Mas deixe-me ajudar enquanto te conto.</p>
<p>- Sim querida, segure o caldeirão enquanto vou adicionando essas coisas aqui.</p>
<p>- Mas o que houve Caviglione? E o que estamos fazendo?</p>
<p>- Mais tarde Fadana&#8230; mais tarde te conto com detalhes, mas precisamos andar rápido agora.E preciso saber o que exatamente está acontecendo lá fora. Ainda bem  que  você chegou. Conte, por favor.</p>
<p>- Bem, eu não sei por onde começar.</p>
<p>- De preferência do começo. &#8211; pediu tia Caviglione.</p>
<p>- Bom, eu estava dançando com<br />
 Rúbílio Hagrid,<br />
 quando vi uma gigantesca peruca colorida passando voando por cima de nós.</p>
<p>- Uma peruca?</p>
<p>- Sim, mas não foi só isso.</p>
<p>- Continue.</p>
<p>- Antes eu já tinha notado alguns comportamentos estranhos.  Marlenta Carrow, por exemplo, estava brincando de tiro ao alvo com os espinhos das roseiras. Silígia Trelawney estava jogando Ping pongue com Remo Josias Lupin.</p>
<p>- Ora Fadana, não vejo nada de mais nisso! Tiro ao alvo usando espinhos de rosas, tudo bem, é esquisito e perigoso, mas Ping pongue! O que tem de mais?</p>
<p>- Não teria nada de mais, se eles não estivessem usando as bandejas  como raquetes, as cordas do violão como rede e os docinhos como bolinhas. Mas fiquei mesmo  com  medo quando ouvi Josias Lupin dizer que jogar com docinhos era muito sem graça, e olhou para Sapancos&#8230;</p>
<p>- E então?</p>
<p>- E então Caviglione,  ele mirou a varinha para Sapancos e este está lá fora agora quicando de raquete em raquete. Ou melhor, de bandeja em bandeja.</p>
<p>- Meus Deuses! &#8211; Precisamos andar logo com isso, Horácaco.</p>
<p>- Impossível acelerar, professora Caviglione. Para que surta um bom efeito, é necessário esperarmos o tempo certo.</p>
<p>- Que mais está acontecendo lá fora, Fadana? &#8211; Perguntou tia Caviglione, tentando lembrar de um antigo feitiço que fazia com que o tempo andasse mais rápido. -  E  onde está a manga de seu vestido?  &#8211; Adão, o anão arrancou de mim enquanto eu estava dançando e a comeu.</p>
<p>- Nossa! &#8211; Exclamou Horácaco.</p>
<p>- Tem mais, muito mais.</p>
<p>- Desembucha logo, Fadana. &#8211; Pediu tia Caviglione.</p>
<p>-  Antozé Flitwick metera Mestre Pardalito dentro do próprio violão e está dançando, chocalhando a viola, enquanto Caldeira da Porteira está a cantar: &#8220;Pardalito na viola, fez um buraquinho, voou, voou, voou, voou. e a menina que gostava tanto do bichinho, chorou, chorou, chorou, chorou.</p>
<p>- Que macabro! &#8211; Exclamou Devistro que ainda estava segurando o gelo na testa.<br />
- Tem mais. Driqueta, está tentando acertar Bene Chapeleta com bombinhas explosivas de pimenta malagueta, Debruxa vestiu a capa de Beringelo  e está rodopiando em círculos no que ela diz ser a dança do acasalamento, Lorde lerdo transformou a si próprio em um auto falante e está  discursando na varanda da frente para os convidados que estão indo embora.</p>
<p>- E MUITOS JÁ FORAM?</p>
<p>- Para nossa sorte, sim, Caviglione, mas ainda tem outros malucos lá fora tentando alcançar Madréa.</p>
<p>- Que tem minha filha?</p>
<p>- Ah, todos estão pensando que ela quer chegar até Plutão com seus saltos.</p>
<p>- Pronto! &#8211; Gritou Horácaco. &#8211; O antídoto está pronto.<br />
Horas mais tarde, tia Caviglione se despedia dos últimos convidados, já refeitos dos sintomas da poção.</p>
<p>Madréa, Pequetita e Debruxa, dormiam na saleta do andar de cima, que fora arrumado por tia Caviglione. Esta, depois de ajeitar um resistente Beringelo em seu buraco de pé de Berinjela, deitou-se ao lado de Fadana no quarto de Debruxa.</p>
<p>- Ufa! Que festa! &#8211; Suspirou ela. E voltando-se para a comadre:  &#8211; Ainda bem que acabou, não é Fadana?</p>
<p>Mas Fadana já roncava sonoramente.</p>
<p>***</p>
<p>Capítulo VI A Visita ao Prefeito<br />
No dia seguinte, as bruxinhas acordaram com muitas dores de cabeça. Tia Caviglione estava na cozinha preparando um chá medicinal, enquanto Fadana ajudava-a a colocar a mesa para o café da</p>
<p>manhã.</p>
<p>Madréa, Pequetita e Debruxa, sentadas a mesa, lamentavam suas dores, enquanto esperavam o chá.</p>
<p>- Que raio o professor Horácaco Slughorn colocou na bebida pra termos essa dor de cabeça infernal!</p>
<p>Reclamava Madréa.</p>
<p>- Calma querida, aqui está seu chá. Bebam tudinho, todas vocês. &#8211; Disse tia Caviglione, sentando-se a mesa também.</p>
<p>- Ai tia Caviglione, se não fosse a senhora, nem sei! &#8211; Suspirava Debruxa.</p>
<p>- Hum, tem maçã nesse chá! &#8211; Falou Pequetita, que sabia tudo de ervas.</p>
<p>- Tem sim querida, é calmante. Fadana, venha sentar-se conosco.</p>
<p>- Já estou indo Caviglione. Não consigo me desculpar por não ter tomado conta direito de minha afilhada e das garotas.</p>
<p>- Ora Dindinha, deixe disso. Era meu aniversário. Você não acha que conseguiria dar conta, não é?</p>
<p>- Pensando bem, ela tem razão, Fadana, não se culpe. Mas vocês 3 devem ter mais cuidado com que bebem e comem. &#8211; Orientou</p>
<p>tia Caviglione.</p>
<p>Nesse momento, Beringelo entrou na cozinha.</p>
<p>- Bom dia!</p>
<p>- Beringelo! Como você está, meu filho? -</p>
<p>- &#8211; Estou ótimo, tia Caviglione. Só um pouco tonto, mas nada que um bom chá não cure.</p>
<p>- Então chegou na hora certa. &#8211; Retrucou Fadana, puxando uma cadeira para o vegetal humanizado.</p>
<p>Debruxa que não conseguia se lembrar direito dos acontecimentos da noite passada, estava intrigada, pois sabia que tinham</p>
<p>ocorrido muitas coisas estranhas. E rapidamente desviou o olhar de Beringelo. Notou porém, que este também não estava muito</p>
<p>a vontade.</p>
<p>- Bem, mas preciso dizer-lhes algo.</p>
<p>Falou Beringelo, sentando-se a mesa.</p>
<p>- Sobre os sinalizadores, certo? &#8211; Indagou Madréa que não agüentava mais de tanta curiosidade.</p>
<p>- Sinalizadores? Que história é esta? &#8211; Perguntou tia Caviglione, preocupada.</p>
<p>- Bem, mais cedo ou mais tarde ela terá que saber, Madréa. Falou Debruxa.</p>
<p>- Então contem, meninas!</p>
<p>Disse Fadana, que também era muito curiosa. Enquanto as três bruxinhas contavam sobre os sinalizadores e pétalas de rosas que Debruxa recebera de Merlin, Beringelo</p>
<p>pôde tomar seu café da manhã, e ao terminar já se sentia melhor da tontura.</p>
<p>- Pronto, Beringelo, &#8211; Disse Madréa. &#8211; Agora você pode falar sobre os sinalizadores.</p>
<p>- Vocês 3 receberam sinalizadores mágicos. Eu não os chamaria de sinalizadores, mas sim de comunicadores.</p>
<p>- Comunicadores? &#8211; Repetiram as 3 bruxinhas curiosas, enquanto tia Fadana não parava de apertar as mãos de nervoso e tia</p>
<p>Caviglione lançava olhares nada agradáveis para Beringelo.</p>
<p>- Beringelo, &#8211; Disse ela. &#8211; Para que Merlin enviou esses sinalizadores para as garotas? Elas não correm perigo, não é?</p>
<p>- Não. Pelo menos, por hora não.</p>
<p>- Que história é essa de por hora não? &#8211; Indagou Fadana já se preparando para defender suas pupilas. Madréa se adiantou:</p>
<p>- Mamãe e dinda, eu esperei até agora para saber o que esses sinalizadores fazem, e vocês não irão atrapalhar, não é? -<br />
Acabe de contar, por favor, Beringelo.</p>
<p>- Como eu ia dizendo, são comunicadores porque a coruja por exemplo, através de seus olhos pode ver a pessoa que você, Pequetita,</p>
<p>deseja ter notícias. Assim como envia sinais visuais do lugar em que você se encontra naquele momento.</p>
<p>- Que maravilha! Uau, eu adorei esse presente!</p>
<p>- E pra que Pequetitairá precisar de um objeto desses?</p>
<p>- Mamãe! Deixe ele continuar, por favor.</p>
<p>- Bem, sua concha, Madréa, emite e recebe sinais sonoros. Ao colocá-la no ouvido, poderá escutar o som da pessoa que você</p>
<p>deseja, assim como enviar seu som.</p>
<p>- Seria então um bruxolar?</p>
<p>- Exatamente, mas os bruxoslares ainda não estão prontos, e como Merlin tem uma certa urgência, pediu para que os técnicos</p>
<p>desenvolvessem o mais rápido possível um aparelho próximo ao bruxolar. A coruja também é um bruxolar. Na verdade, tanto a coruja como a concha, funcionam com a metade de seus potenciais. Um bruxolar,</p>
<p>pelo que andei pesquisando, tem a capacidade de emitir e receber sinais sonoros e visuais. Mas essa tecnologia só deverá</p>
<p>estar pronta em todo Biscoito Estrelado daqui alguns equinócios.</p>
<p>- Que máximo! &#8211; Gritou Madréa.</p>
<p>- E por que essa urgência toda?</p>
<p>- Ainda não, tia Caviglione, falta o meu. Beringelo, para que serve uma pedra?</p>
<p>- A pedra, Debruxa, não sei se você reparou bem, mas assim como a concha de Madréa, tem as 7 cores do arco-íris. ela absorve</p>
<p>a energia do lugar. Quando quente, indica perigo, e quando fria de mais, há que se ter cuidado, pois tudo deve manter um</p>
<p>equilíbrio.</p>
<p>- Puxa, não irei me comunicar com ninguém?</p>
<p>- Não exatamente, mas através dessa pedra poderá saber quando um perigo se aproxima.</p>
<p>- aGORA RESPONDA, PARA QUE ESSAS 3 MENINAS PRECISARÃO DESSES OBJETOS?  Não estou gostando nada disso.</p>
<p>- Na verdade, eu&#8230; eu&#8230; eu não sei.</p>
<p>- Não sabe? &#8211; Gritou tia Caviglione.</p>
<p>- Mas Beringelo, &#8211; Interrompeu Madréa. &#8211; Mamãe está certa em perguntar. para que nós iremos querer esses objetos?</p>
<p>- Calma. &#8211; Cortou Debruxa. &#8211; Lembra das pétalas que recebi de Merlin? Ele disse que Beringelo ia nos contar sobre o que</p>
<p>os sinalizadores eram.</p>
<p>- Exatamente, Debruxa. E preciso lhes dar o recado que recebi hoje do sussurro das árvores.</p>
<p>- Recado? &#8211; Exclamaram todas as bruxas.</p>
<p>- Bem, havia algumas interferências, mas o recado é que as bruxinhas devem procurar o prefeito Merleta.</p>
<p>Assim como as bruxas possuíam bolas de cristal, os vegetais e outras criaturas também tinham seu meio de comunicação. No caso dos vegetais, esses trocavam mensagens por meio de códigos sussurrados de árvore em árvore, de folha em folha, de vegetal</p>
<p>em vegetal.</p>
<p>- Então eu também irei a prefeitura com vocês. &#8211; Comunicou tia Caviglione.</p>
<p>As bruxinhas não gostaram nada da idéia de tia Caviglione ir junto a prefeitura, mas sabiam que seria inútil discutir.</p>
<p>Precisavam muito saber em que aqueles objetos seriam úteis, e agora o que o prefeito queria com elas.</p>
<p>Quando estavam se dirigindo para o portão do jardim, uma sombra enorme passou por cima de todos.<br />
- Vejam! &#8211; Gritou Pequetita, apontando para o céu.</p>
<p>- Meus deuses, que será isso?</p>
<p>- Não sei, Debruxa, mas está vindo pra cá.</p>
<p>Respondeu Madréa.</p>
<p>- Será um pássaro? Morcego? Um réptil voador?</p>
<p>Tentava adivinhar Pequetita.</p>
<p>- Pássaro não é. &#8211; Explicou Beringelo. &#8211; Os pássaros tem penas, e essa criatura parece possuir uma membrana. Além de não</p>
<p>ter ante braço como os pássaros. Minha pergunta é: Vem para o bem ou para o mal?</p>
<p>- Morcego também não é. &#8211; Ajudou Fadana, observando a criatura que se aproximava. &#8211; Morcegos têm 4 dedos, enquanto essa</p>
<p>criatura parece ter um só sustentando as enormes asas.</p>
<p>- E tem uma crista enorme, vejam! &#8211; Reparou Madréa.</p>
<p>- E está carregando alguém. &#8211; Concluiu Debruxa.</p>
<p>- é UM pterossauros. E se não me engano, quem vem nele é Felicíssimo Dumbledore!</p>
<p>- Mamãe! Então você conhece essa criatura?</p>
<p>Mas não deu tempo da profa Caviglione responder, pois a criatura já havia pousado e Felicíssimo Dumbledore estava saltando</p>
<p>das costas do animal se sacudindo todo.</p>
<p>- Ei! &#8211; Saldou ele. &#8211; Será que tem um pedacinho de pão velho nessa linda casinha para um humilde professor aviador?</p>
<p>- Felicíssimo, mas você não havia voltado para Petrina? Aconteceu alguma coisa?</p>
<p>- Não aconteceu nada, Caviglione. Pelo menos por enquanto. Apenas quis vir tomar o café da manhã com minhas amigas, não  posso?</p>
<p>- Claro, mas é que&#8230;.</p>
<p>- É que o que, Fadana? Não quer acompanhar eu e a profa Caviglione ao café?</p>
<p>- É que já tomamos o café, professor, mas nada impede de tomarmos novamente, não é, Fadana? &#8211; Respondeu a Profa Caviglione,</p>
<p>dando uma catucada em Fadana.</p>
<p>- ótimo, ótimo! Ah, deixe-me apresentar meu amiguinho aqui a vocês. Este é o piuipterossauro, uma boa criatura. Mas podem</p>
<p>chamá-lo de Piuí, é mais agradável de se falar.  Venham, podem passar a mão nele, ele é mansinho e adora carinhos.</p>
<p>Debruxa, Madréa e Pequetita que adoravam animais, se adiantaram para perto da criatura, enquanto Beringelo, cauteloso que</p>
<p>era, preferiu manter uma certa distância, e tia Caviglione e Fadana, continuaram paradas sem saber o que fazer, pois ambas</p>
<p>queriam ir a prefeitura.</p>
<p>- O piuipterossauro aqui,  é um pterossauro Anhanguera piscator.</p>
<p>- Nunca vi uma criatura dessas, professor.</p>
<p>- Claro que não, Pequetita, são criaturas raríssimas. Ele viveu a cerca de 110 milhões de anos, no período cretácio. Graças</p>
<p>ao projeto de manutenção das espécies do zoo-estrelado, este ainda existe. Este e mais alguns de sua família.</p>
<p>- Mas o que exatamente ele é, professor? &#8211; Perguntou Beringelo, ainda se mantendo afastado.</p>
<p>- Assim como as aves e os dinossauros, os pterossauros foram na verdade arcossauros, mas não são exatamente aves, nem dinossauros</p>
<p>voadores, e nem muito menos répteis. Os cientistas do zoo-estrelado não conseguem  enquadrá-los em uma classificação conhecida, pertencente de alguma família de animais existentes em Biscoito Estrelado. Mas o que importa, é que é uma boa criatura e</p>
<p>me trouxe hoje em um agradável vôo. Ah, voar nele é muito melhor do que voar em vassouras! Não quer experimentar, meu jovem?</p>
<p>- Não, não, muito obrigado, professor.</p>
<p>- Bem, sendo assim, acho que já podemos entrar para aquele delicioso café, professoras.</p>
<p>E piscando um olho para as bruxinhas e Beringelo, empurrou as duas professoras para dentro da casa. Os 4 não perderam tempo em se adiantar para a prefeitura. Preferiram ir a pé, pois Beringelo recusara veementemente voar na carona de alguma vassoura.</p>
<p>A prefeitura localizava-se em cima do Pico-de-Rosa e tinha o formato de um abacaxi. Assim que os 4 entraram na recepção, Camboa,a recepcionista, deu-lhes a Cartola. Beringelo, nada acostumado com a cultura local, não entendendo o porque recebera um doce da recepcionista, e muito menos o porquê havia de comê-lo, expressou seu mais interrogativo olhar para as bruxinhas, que rindo dele, responderam.</p>
<p>- Você precisa comer para saber a senha. &#8211; Disse Debruxa, dando uma dentada em seu doce.<br />
A senha era revelada apenas para aqueles que comiam a cartola, um delicioso doce de queijo, banana, açúcar e canela, só</p>
<p>encontrado na prefeitura de Bruxópolis.</p>
<p>- Como é isso?</p>
<p>- É só morder, Beringelo. E depois olhe para o limpapapo que a senha aparecerá. Ah, mas limpe a boca, a senha é formada</p>
<p>ao limpar a boca. &#8211; Respondeu Madréa.</p>
<p>- Anda! &#8211; Incentivou Pequetita. &#8211; Está uma delícia! Você não vai se arrepender.</p>
<p>- E se eu não quiser morder?</p>
<p>- Se não quiser, terá que nos esperar aqui embaixo.</p>
<p>- Já entendi, Debruxa. Bem, então deixe-me provar.</p>
<p>- Veja meninas, aqueles não são os guarda-costas do prefeito?</p>
<p>- Sim. &#8211; Respondeu Madréa. &#8211; É o Gaiamun e o Itamaracá.</p>
<p>No balcão da recepção, Camboa enrolada com tantas Cartolas que estavam saindo naquela manhã, tentava dar atenção aos dois</p>
<p>funcionários.</p>
<p>- oxe! Mas que pressa é essa? Eu também tenho trabalho aqui, Itamaracá. E você Gaiamun, deixe de ser buliçoso e largue  meu borrão. Que coisa!</p>
<p>- Ora Camboa, o chefe lá em cima está com a macaca!- Disse Gaiamun, virando as páginas do bloquinho de anotação de Camboa.</p>
<p>- E por isso vocês dois se sentem no direito de vir bulir com minhas anotações?</p>
<p>- É que você está muito ocupada e o chefe tá mesmo é com a moléstia.</p>
<p>- Então mande ele vir aqui fazer meu trabalho! Que peitica!</p>
<p>*nota: peitica &#8211; sujeito insistente, renitente. Fim da nota.*</p>
<p>- Olha Camboa, &#8211; Contemporizou Itamaracá. &#8211; Deixe explicar. Só queremos saber se por acaso as 3 bruxinhas que ele esperava  para ontem enviaram algum recado.</p>
<p>- Ah, é isso? Não, não enviaram recado algum.</p>
<p>- Então é hoje que o chefe vai dar o tango no mango!</p>
<p>Exclamou Gaiamun, bastante apavorado.</p>
<p>Pode ser que não dê, pois elas estão bem ali junto com aquele&#8230; hum&#8230; aquele cidadão enorme.</p>
<p>No mesmo instante, Gaiamun largou o bloquinho e seguiu Itamaracá que já se adiantava para os visitantes. Os 4, acompanhados por Gaiamun e Itamaracá, subiram para o andar de cima, onde localizava-se o gabinete do prefeito Merleta. Assim que entraram, foram recepcionados por Merleta, seu assessor Munifélix e sua secretária Driqueta.</p>
<p>- Vamos nos sentando porque o tempo urge. &#8211; Disse Merleta, que era muito sucinto. E indo direto ao assunto continuou:</p>
<p>- Chamei vocês 4 aqui&#8230;</p>
<p>- Nós quatro? &#8211; Interrompeu Beringelo.</p>
<p>- Sim Beringelo. Sei quem você é e porquê está aqui. Mas eram para ter vindo ontem. Estão bastante atrasados, não é?</p>
<p>Antes que alguém abrisse a boca para se desculpar, o prefeito continuou:</p>
<p>- Nem precisam se desculparem. Já sei que houve uma festa, Parabéns Madrea, mas agora vamos ao que interessa que é o motivo pelo qual vocês deveriam ter vindo ontem, e não hoje.</p>
<p>- Ah, então me diga, por favor, pois eu mesmo não sei. Pensei que minha missão era explicar como funcionavam os  sinalizadores.</p>
<p>- Também, meu jovem, também. Mas se me deixar continuar, explico tudo, apesar de saber que o leite já fora entornado. &#8211; E  limpando a garganta, continuou: &#8211; Bem, Biscoito  estrelado precisou muito da ajuda de bruxos corajosos, pois sofreu um ataque.</p>
<p>- Um ataque?</p>
<p>Exclamaram os 4 amigos.</p>
<p>- Exato.<br />
 Agora já temos tudo sob controle, embora tenham havido alguns efeitos colaterais.</p>
<p>- Mas Merleta, Beringelo não é um bruxo. &#8211; Dessa vez foi Debruxa que interrompeu o prefeito, que lançando um olhar  impaciente  respondeu.</p>
<p>- Sei disso, mas qualquer ajuda era bem vinda.</p>
<p>E antes que o interrompesse novamente, continuou.</p>
<p>Melagda<br />
 Algum ser nada agradável contaminou a plantação de dona Melagda semana passada.</p>
<p>- Que horror!</p>
<p>Se espantou Pequetita.</p>
<p>- Que absurdo!</p>
<p>Indignou-se Debruxa.</p>
<p>- Isso é um crime!</p>
<p>Acusou Madrea.</p>
<p>- É uma crueldade!</p>
<p>Concluiu Beringel.</p>
<p>- É sim todas essas coisas juntas e muito mais.</p>
<p>- E como poderemos ajudar?</p>
<p>- Não poderão mais, Debruxa, pois graças a festa de Madrea, conseguimos detectar e sanar o problema na madrugada passada.</p>
<p>- A minha festa? Mas como?</p>
<p>- Sim, Madrea. Digam-me. Ninguém passou mal nessa festa?</p>
<p>- Sim, quase todo mundo.</p>
<p>Respondeu um sério Beringel.</p>
<p>- Exato. E esta porcentagem de pessoas que passaram mal, tomaram uma certa mistura produzida pelo professor Horácaco  Slughorn.</p>
<p>- Oh!</p>
<p>Exclamaram todos de uma só vez.</p>
<p>- Acalmem-se por favor.</p>
<p>E pegando o canofone, o prefeito  Merleta,   ligou para Camboa, que atendeu no  andar debaixo.</p>
<p>- Prefeitura de Bruxópolis, bom dia!</p>
<p>- Camboa, mande subir as folhas de chá por favor.</p>
<p>- Agora senhor prefeito?</p>
<p>- Estou pedindo agora, não é?</p>
<p>- El&#8230;. Sim&#8230;. Certo, já estão subindo.</p>
<p>O canofone era muito usado nas repartições públicas de Bruxópolis. Consistia em um cano comprido que interligava alguns</p>
<p>setores, a fim de possibilitar a comunicação interna, sem que os bruxos precisassem usar as bolas de cristal, que as vezes</p>
<p>demoravam para serem energizadas. Já o canofone para funcionar, bastava que gritassem em uma extremidade para se fazer ouvir na outra. De vez em quando acontecia de duas pessoas pegarem ao mesmo tempo as duas extremidades do canofone, gritando em conjunto para o outro. Nessas ocasiões, ambos telecanonicadores levavam um susto e por vezes eram chuviscados com  gotículas</p>
<p>de cuspes. Foi prevendo esse tipo de situação, que o prefeito Merleta proibiu qualquer outro funcionário de fazer ligação,</p>
<p>sendo autorizado apenas para atender.</p>
<p>- Não consigo entender certas atitudes. Se o telecano só funciona dentro da prefeitura, por que raio de motivo Camboa  insiste</p>
<p>em atender anunciando Prefeitura de Bruxópolis!</p>
<p>- Quer que eu coloque isso na pauta para a próxima reunião?</p>
<p>- Não é preciso, Driqueta. Munifélix, não se esqueça de lembrar a  Camboa que o Telecano só funciona dentro da repartição, não atendendo ligação de fora.</p>
<p>- Certo, avisarei.</p>
<p>Nesse momento a porta do gabinete se abriu, e uma linda bruxa de avental entrou carregando a bandeja com o chá.</p>
<p>- Pode colocar aqui na mesa, Encanta-Moça, e não precisa esperar, depois alguém levará a bandeja.</p>
<p>Assim que Encanta-Moça  saiu do gabinete, o prefeito continuou.</p>
<p>- Driqueta, pode por gentileza mostrar-lhes o que apareceu no borrão do chá ontem a noite?</p>
<p>- Sim, mer&#8230;. prefeito, claro.</p>
<p>E E tomando de uma só vez o chá, Driqueta levantou-se, após virou a xícara de boca para baixo, e erguendo de vagar mostrou o  borrão de chá.</p>
<p>Vêem?</p>
<p>Perguntou com uma voz misteriosa.</p>
<p>Debruxa, Pequetita, Madrea e Beringel, até que se esforçaram para tentar decifrar o borrão do chá, mas nada conseguiram. Por  sorte, Driqueta continuou.</p>
<p>- Esse monte do lado direito, é a plantação de dona Melagda . Percebam! Percebem?</p>
<p>Os quatro nada percebiam, mas faziam cara de espantados.</p>
<p>- Exatamente isso. Essas borrinhas que rolam morro abaixo, são as plantas correndo de medo do veneno. E este ponto mais  escuro é justamente o veneno que estava bem no meio da plantação.</p>
<p>Beringel, bastante preocupado se adiantou.</p>
<p>- Esse veneno, o senhor&#8230; o senhor tem notícias se por acaso atingiu alguma berinjela, senhor prefeito?</p>
<p>- Não meu jovem. Graças a Driqueta. Ontem a noite quando estávamos tomando o chá de fim de expediente, Driqueta teve essa visão no borrão do chá. Imediatamente procuramos dona Melagda e conseguimos isolar a plantação.</p>
<p>- Isolar? Mas o veneno não foi exterminado?</p>
<p>- Ainda não, Pequetita, mas será. O professor  Horácaco Slughorn, está trabalhando nisso.</p>
<p>- mAS SENHOR PREFEITO, POR QUE GRAÇAS A MINHA FESTA?</p>
<p>- Na verdade, foi graças a sua festa e a Driqueta. Driqueta percebeu o problema, mas não sabíamos se já haviam vítimas. Como  fiquei sabendo de sua festa, pude checar melhor os efeitos colaterais. Ainda bem que sua mãe, minha grande amiga Caviglione   Gonagall, estava lá para preparar um antídoto. Ela sempre foi boa nisso. Devo estender meus agradecimentos também ao  professor Devistro, pois ele me procurou bastante nervoso com a situação, o  que nos ajudou em muito a organizar uma defesa. Bem, e agora se me permitem, da próxima vez que receberem um chamado meu, venham na mesma hora, por favor. Dessa vez  conseguimos solucionar o problema, mas os efeitos poderiam ser bem piores. Ainda bem que  Horácaco Slughorn não fez uma poção muito forte. Do contrário&#8230;.. Ah, deixemos isso para lá.</p>
<p>E levantando-se, conduziu os quatro amigos até a porta, se despedindo efusivamente.</p>
<p>Debruxa, Pequetita, Madrea e Beringel, ficaram espantadíssimos com a história do veneno e rapidamente contaram para a cidade  toda. Dias depois, para a felicidade de todos, o professor Horácaco Slughorn, conseguiu exterminar todo veneno. A profa Caviglione  Gonagall, só aceitou retornar para a casa após checar pessoalmente a plantação de dona Melagda. Debruxa, Pequetita e Madrea, agora mais amigas que nunca, resouveram fazer um curso de poções mágicas avançado. Beringel, que se apegara muito aquelas bruxinhas, em especial a  uma certa de cabelos vermelhos, continua fazendo suas viagens e concertando bolas de cristal por todo Biscoito Estrelado. E vez ou outra, essa turma se reúne para festejar animadamente com muito barulho, músicas, danças e inhos, a felicidade de existirem.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.mundocegal.com.br/miau/2011/05/05/biscoito-estrelado/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Virada Cultural por Luiz Eduardo Ballin</title>
		<link>http://www.mundocegal.com.br/miau/2011/04/25/virada-cultural-por-luiz-eduardo-ballin/</link>
		<comments>http://www.mundocegal.com.br/miau/2011/04/25/virada-cultural-por-luiz-eduardo-ballin/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 25 Apr 2011 16:59:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Miau</dc:creator>
				<category><![CDATA[Textos em geral]]></category>
		<category><![CDATA[2011]]></category>
		<category><![CDATA[alegria]]></category>
		<category><![CDATA[amizade]]></category>
		<category><![CDATA[augusta]]></category>
		<category><![CDATA[bebedeira]]></category>
		<category><![CDATA[cultural]]></category>
		<category><![CDATA[debie]]></category>
		<category><![CDATA[debruxa]]></category>
		<category><![CDATA[dudu]]></category>
		<category><![CDATA[felicidade]]></category>
		<category><![CDATA[luiz eduardo ballin]]></category>
		<category><![CDATA[miau]]></category>
		<category><![CDATA[virada]]></category>
		<category><![CDATA[virada cultural]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.mundocegal.com.br/miau/?p=95</guid>
		<description><![CDATA[A &#8220;virada&#8221; começou na sexta, com incursão na Augusta com a Débora, amiga em comum minha e do Diniz. Chegou do Rio e não queria conhecer minha balada predileta em dia que antecede uma boa maratona: El Dredon. É quase uma dark roon que fechando a porta e a janela ganha isolamento acústico. Lá o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A &#8220;virada&#8221; começou na sexta, com incursão na Augusta com a Débora, amiga em comum minha e do Diniz. Chegou do Rio e não queria conhecer minha balada predileta em dia que antecede uma boa maratona: El Dredon. É quase uma dark roon que fechando a porta e a janela ganha isolamento acústico. Lá o celular pega, mas não toca porque deixo no silencioso. O despertador é o dia a me chamar.<br />
 </p>
<p>Tudo bem, eu já começaria a virada virado mesmo. Chegamos da Augusta já clareando e ficamos esperando o Diniz e a namorida, bebericando cachaça do Cesar de abacachi (ah que saudades de Mauá..). Copo cheio e som de Rita Lee do pen-drive, não foi difícil convencê-la a mudar de planos. Eles vieram para a Reatech ( feira de tecnologia inclusiva)  eu para a Reatrash.<br />
  Algumas horas de sono, ao estilo Casas Baía (em suaves prestações, por conta do UOL, do engano e de alguém que queria falar comigo, mas a recíproca não era verdadeira). Quase apressado (o quase se deu porque eu estava acompanhado da Débora, que também não enxerga), subimos ladeira e encontramos com a Thelma, amiga em comum minha e da Elaine, no metrô Trianon. Tia Rita já tinha cantado algumas, mas o mar de gente nos impedia de ouvir muita coisa. Já saberíamos que seria assim, mas o importante é participar. Será mesmo que estaria melhor  nos jardins da babilônia ou no escurinho do cinema?<br />
 Alô alô marciano, hoje tô querendo sair da Terra! Elas toparam em assistir Thais Gulin na Xv de Novembro. É uma cantora nova, cuja única canção que eu conhecia era &#8220;Garoto de Aluguel&#8221;. Será que na época eu não conhecia Zé Ramalho? O fato é que aqueles versos me deixavam reflexivos nos fins de madrugada e início de manhã, quando tocavam na Transamérica, durante o jornal que eu costumava ouvir antes de ir pra faculdade. Poucas coisas me prendem a atenção nas primeiras horas do dia: sou de poucas palavras, faço tudo no automático, prometo pela quinta vez que na próxima noite vou dormir cedo.<br />
  Thaís me pareceu muito sorridente. Satisfeita com o público que aumentava, pedia desculpas e pouco ligava para os defeitos técnicos com a aparelhagem de som. No intervalo entre uma música e outra, a Débora e eu insistíamos no coro de duas vozes: gárOto de aluguÉl! Ela tocava músicas que eu conhecia de longe &#8211; acreditaria se me dissessem que eram dela, mas logo me contaram que eram do Roberto Carlos e outros. foi bom de mais ouvir &#8220;Angélica, COnsolação e Augusta&#8221;, do Tom Zé. Quantas ruas, quantos personagens, esquinas e sinais fechados.. O coro continuava e uma hora ela disse que, no fim, cantaria de improviso, olhando em direção a nós, contava a Thelma. Mas o improviso mesmo era com o som, que incistia em falhar. Talvez por isso ela tenha esquecido da promessa. Ou talvez não era ela quem cantava quase todas as manhãs na Transamérica, já imaginou que mico?<br />
  Sanduba do Mc pra manter a máquina funcionando e deixar espaço para combustível. Ficamos um tempo esperando a Elaine e o namorado. Enquanto isso música eletrônica rolava no Anhangabaú, rock no Shopping Light, famílias passeavam, menores e maiores de 18 bebiam, outros perguntavam onde era algum outro palco. Danilo Gentili não me faria rir tanto como Teté e Dedé. A conversa teve também seus momentos profundos. Quando já praticamente sóbrios Elaine brota de baixo da terra com uma garrafa de água cheia de whisky &#8211; ela saía da boca do metrô Anhangabaú, na Xavier de Toledo. Nosso caminho alternativo para chegar até a Luz nos levou para as bordas da cracolândia, que mesmo num centro lotado continuava, literalmente, a pleno vapor. Um clarão em meio ao formigueiro &#8211; clarão de pedra e isqueiro. Depois foram as grades de outros palcos que nos fizeram desistir de chegar em tempo ao show do Sepultura e Orquestra. Paramos ali na Júlio Prestes, onde horas atrás se cantava sobre a suspensão dos jardins da babilônia. Uma banda de rock européia que eu até me recordo o nome, mas não me arriscaria na grafia. Começaram com um &#8220;haloweeeeen, haloweeen&#8221;, em ritmo de bengala subindo ladeira atrasada para o trabalho. Começava uma giração de braços e outros movimentos que eu só fui descobrir que não era briga quando a Elaine me contou como era a &#8220;coreografia&#8221; em shows de rock. Se eu estava sóbrio o bastante pra achar que era briga e por alguns segundos meu coração até entrou no ritmo do &#8220;haloweeen&#8221;, mais alguns goles da garrafinha de água com cor de guaraná (será?) me deixaram a fim de arriscar um bate-cabeça com ela. A Débora reclamava de bolhas no pé e de um intenso cansaço. Eu parecia não ter bolhas, e sim rodinhas. Até descontraímos um pouco com a versão impovisada do &#8220;haloween&#8221;, um &#8220;qué morêeê&#8221;. Cogitamos acordar o Diniz com essa sinfonia, mas felizmente ela chegou com energia baixa e eu também não tava nem um pouco  alto. Isso ficou bem nítido quando, ao sairmos do táxi, já na porta de casa, ela ter sussurrado um &#8220;metrô Trianon, moço&#8221;. Enquanto eu escovava os dentes andando pela casa, imaginava aquela multidão, me recordava do Double You tocando às 5 da manhã lá no Arouche ano passado. Mas é claro que o sol vai voltar amanhã, pra que tanta sede? Ela já roncava quando eu puxei a bicama e capotei. Acordei animado, passei e tomei um café com o Diniz, a Dida e a Débora (só agora me dei conta que, me xamando de Dudu, éramos em 4 iniciados pela letra d). Quando eu voltava da 14 bis, onde os deixei para pegarem o metrô (partiriam daqui umas duas horas), cheguei a pensar se eu só iria para a Mart’nália. Até parece que não me conheço. Pouco já se passava da metade do dia, e o show era só às 14. Tempo suficiente para congelar uma garrafa de água com bacardi e energético, descongelar alguma gororoba, demoradamente escovar os dentes e aliviar uma súbita dor de barriga que me deu antes de sair de casa. Achar banheiro sozinho em meio à muvuca pode ser tão fácil quanto chegar em tempo já tendo saído  atrasado.<br />
  O ônibus Princesa Isabel demorou, o que me fez pensar se não teria sido melhor ter descido no metrô anhangabaú. Mas a demora foi certeira: desci em terreno conhecido e em nem 3 minutos a Grasi (minha bengala) me conduzia para um lugar onde se ouvia bem.<br />
  &#8220;Não é preciso apagar a luz Eu fecho os olhos e tudo vem Num Caleidoscópio sem lógica&#8221; Era Paralamas, cantada pelo Frejat, e interpretada por mim e pra mim.<br />
  Se você quiser alguém em quem confiar, Confie em si mesmo? Isso pode ser muito válido se você conhece um caminho e te sugerem outro. Não foi difícil chegar da Júlio Prestes à República, com antecedência para ver a Mart’nália quase de pertinho.Lúcia, um desses milhares de anônimos que já me deram tantas alegrias, me deixou quase de frente pro palco. A encontrei já quase na Rua do Arouche, mas foi tempo suficiente pra ela dizer que estava super conservada porque não era de beber. Será que foi alguma lição de moral ou apenas o pleno exercício da vaidade? Eu e meu bacardi estávamos ainda longe da metade. Dessa vez eu queria degustar tudo, ainda que invocasse por algum marciano, mantendo o espírito de &#8220;tudo agora&#8221; do show da Rita Lee. Quem ou o que é o remédio, que me tira do tédio? Bacardi, sol, energia consentrada, boa música, estado de espírito.. Quantos remédios mesmo. Um grupo de meninas comentava que eu sabia boa parte das letras, ainda que quase naquele tom do &#8220;que boonitinho&#8221;, do dia em que eu balançava o esqueleto e cantava o samba da vai-vai na quadra da escola.<br />
  Lembrando da Lúcia, minha vaidade falou mais alto e comecei a abusar, cantando palavras que deviam ser de outra música. Botei as mãos  na cara, fingi (ou talvez senti mesmo alguma vergonha). Ofereci goró pra elas, mesmo depois de perceber que estavam acompanhadas (diria então que ofereci pra eles). Sequer responderam. Tal qual os roqueiros do &#8220;haloweeen&#8221;, eu estravazava gritando &#8220;toca cheeega&#8221;, a cada intervalo. Tinha esperança de que ela guardasse para o bis, mas alguém me fez o favor de contar que ela tinha ido embora. Senti o mesmo reconforto e a mesma tristeza de quando me contam que o ônibus que estou esperando passou pouquinho antes de eu chegar no ponto. Triste porque sei que a espera vai ser grande, e confortável justamente porque já sei o que vai acontecer. Não não Mart’nália, Não vá embora, deixa melhorar.. Você não cantou &#8220;chega&#8221;, mas eu continuarei a &#8220;andar de madrugada feito traça&#8221; e a lembrar de amigos muito queridos. Arrisquei sair do lugar bom de ouvir pra fazer o segundo chichi do dia. O primeiro foi no percurso Luz/República, em um banheiro. Ando bem comportado e não quis nessa virada mijar na Santa (Efigênia). Duas amigas que papeavam sentadas em algum chão gentilmente me levaram até um banheiro químico. Acho que eu estava acelerado por demais, ainda que o bacardi estivesse preenchendo mais da metade da garrafa. É que a Mart’nália me provocou uma pequena euforia, que talvez tenha se consentrado na minha lingua. Falei perguntei, ri, contei do dia anterior.. Quando me dei conta de que era quase um monólogo elas falavam que ficariam por ali. O troco eu tive minutos mais tarde, já no show do Paulinho da Viola -  não no mesmo banco mas na mesma praça (República). Se em 2010 teve Geraldo Azevedo, 2009 Maria Rita, aqui fechei com Ana Rita. Se eu sabia que o &#8220;Chega&#8221; não seria tocado, embarquei no coro &#8220;ei, Kassab, vai tomar no cu&#8221; (não era preciso enxergar pra imaginar que o digníssimo devia estar lá na frente). Ana diz ter ficado surpresa com a minha voz &#8211; será pelo meu tamanho? Disse que eu tinha uma voz grossa. Olha, depois que me disseram que parece com a do Selton Melo eu não duvido mais nada dos tímpanos alheios. Talvez o &#8220;haloweeen&#8221; seja sim minha praia? Bacardi só agora passava da metade, mas Ana não bebia porque tomava remédio. Será que era tarja preta? Ela me despertava alguma curiosidade, que foi se esvairindo quando disse querer de mais que eu conhecesse o filho dela, de 22 anos. Vozes realmente enganam &#8211; a minha soava grossa e a dela jovem. Mas o que diminuiu minha curiosidade foi que aos poucos sobrava pouco espaço para as perguntas, já que as respostas eram cada vez mais longas.<br />
  É Paulinho, bem quando você tocava a primeira que eu reconhecia, ela desatinava a falar. &#8220;Danço eu dança você, na dança da solidão..&#8221; Quando vem a madrugada, seu pensamento vagueia? O meu as vezes se dá ao direito de fazer isso em plena tarde de dia útil. Depois veio &#8220;sinal fechado&#8221;. Quis desviar o falatório perguntando se não era do Chico, mas ela não soube me responder. Podia ter me enrolado, talvez eu teria dito que sim?<br />
  Ana confiou em mim &#8211; quis me passar seu telefone e aceitou a idéia de pegar o metrô na República, e não na Santa Cecília, como o distraído frentista havia indicado. &#8220;nossa relação acaba-se assim, como um caramelo que chegasse ao fim.&#8221; Será? Como um pastel e tomo a saideira já perto de casa, adiando por alguns minutos o encontro com seu Antônio e a esposa dona Selinha, que chegaram pra acampar lá em casa no momento em que eu mais queria descansar.<br />
  Gole final no Bacardi com energético, subo o elevador radiante, lembrando de flashs acelerados  das últimas 24 horas. Converso com o casal, me distraio e eles me perguntam se teria algum problema em deixar a chave caso eu fosse mesmo viajar na terça-feira e eles precizassem ficar um pouco mais, por conta dos exames do seu Antônio. Olhei o relógio, era hora de se despedir do marciano que tomava conta de mim. Coloco o celular pra carregar. Em meio a tweets e sms informando dos gols do Corinthians (até esqueci que era domingo), converso com o Diniz e só depois me dou conta do &#8220;mensagem de voz à espera&#8221;. Era Ana, falando que não sabia se era esse mesmo o número e falando baixinho o seu. Quanto mais eu pressionava o telefone contra o ouvido mais o tempo corria, e eu lembrava que meus créditos estavam pra acabar. O sinal ia abrir. Por impulso ou distração pressionei o 7 e a mensagem foi apagada.<br />
  &#8220;- Quando é que você telefona? Precisamos nos ver por aí! &#8211; Pra semana, prometo, talvez nos vejamos&#8230;Quem sabe? &#8211; Quanto tempo! &#8211; Pois é&#8230;quanto tempo! &#8211; Tanta coisa que eu tinha a dizer, mas eu sumi na poeira das ruas&#8230; &#8211; Eu também tenho algo a dizer, mas me foge à lembrança! &#8211; Por favor, telefone &#8211; Eu preciso beber alguma coisa, rapidamente&#8230; &#8211; Pra semana&#8230; &#8211; O sinal&#8230; &#8211; Eu procuro você&#8230; &#8211; Vai abrir, vai abrir&#8230; &#8211; Eu prometo, não esqueço, não esqueço&#8230; &#8211; Por favor, não esqueça, não esqueça&#8230; &#8211; Adeus! &#8211; Adeus! &#8211; Adeus!&#8221; (Sinal Fechado, que confirmei ser mesmo do Chico)<br />
  Acho que não dormi pensando em nada, tão rápido que foi a travecia entre o domingo e a segunda. Meu corpo passou um café para o casal e minha lingua estava até que bastante solta para uma manhã de segunda-feira. Talvez porque a cabeça já esteja pensando no feriadão? Os exames esperavam por eles, a cama também me esperava mais um pouco.<br />
  &#8220;Amanheceu é hora de dormir Nesse nosso relógio sem órbita Se tudo tem que terminar assim Que pelo menos seja até o fim Prá gente não ter nunca mais Que terminar&#8230;&#8221;<br />
  Ah Rita, Lee, Ana. Será essa a origem do nome Eliana? Quando tudo começou, quando tudo terminou? Só sei é que virou!</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.mundocegal.com.br/miau/2011/04/25/virada-cultural-por-luiz-eduardo-ballin/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Um Dia Chuvoso e Uma Cabeça de Vento!</title>
		<link>http://www.mundocegal.com.br/miau/2011/03/16/um-dia-chuvoso-e-uma-cabeca-de-vento-4/</link>
		<comments>http://www.mundocegal.com.br/miau/2011/03/16/um-dia-chuvoso-e-uma-cabeca-de-vento-4/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 16 Mar 2011 20:49:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Miau</dc:creator>
				<category><![CDATA[Textos em geral]]></category>
		<category><![CDATA[cabeça]]></category>
		<category><![CDATA[cabeça de vento]]></category>
		<category><![CDATA[CHUVOSO]]></category>
		<category><![CDATA[debie]]></category>
		<category><![CDATA[debruxa]]></category>
		<category><![CDATA[fluzão]]></category>
		<category><![CDATA[miau]]></category>
		<category><![CDATA[sombrinha]]></category>
		<category><![CDATA[vento]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.mundocegal.com.br/miau/?p=91</guid>
		<description><![CDATA[Dia chuvoso, correria no fim do expediente para chegar em casa sem ser pega pela chuva. Mas logo na saída do trabalho, o chuvisco me pegou. Bolsa de um lado, sacola de outro, bengala na mão e o braço dado com uma boa alma que me ajudava a chegar no ponto de ônibus&#8230; com tudo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Dia chuvoso, correria no fim do expediente para chegar em casa sem ser pega pela chuva. Mas logo na saída do trabalho, o chuvisco me pegou. Bolsa de um lado, sacola de outro, bengala na mão e o braço dado com uma boa alma que me ajudava a chegar no ponto de ônibus&#8230; com tudo isso tive que parar para pegar a sombrinha de dentro da bolsa, pois nada e ninguém desse mundo, e nem do além, estragaria a esplêndida escova Portiê (é assim que se escreve?) que fiz ontem no salão com minha maravilhosa cabeleireira que não abro mão. Dentro do ônibus, chuva lá fora e ambiente abafado com cheiro de roupa há muito guardada nos armários dos passageiros. Ufa! Um lugarzinho para sentar! Que maravilha! Desarma bengala, tira a bolsa que sempre agarra no casaco jeans, tira sacola do braço, coloca tudo no colo cuidadosamente, pois qualquer movimento errado poderia desativar uma avalanche de bengala, sombrinha, bolsa e sacola rolando ônibus a dentro, calhando, é claro, de até ir parar lá fora, saltitando degrau por degrau, até cair, quem sabe, em uma poça suja no meio da rua. Sem falar nas diversas coisinhas que somente uma mulher pode carregar dentro de uma bolsa e de uma sacola se espalhando por todos os lugares. Não! Todo cuidado é pouco para evitar uma catástrofe dessa magnitude. Finalmente, chega meu ponto. Ritual inverso agora. Ajeita a bolsa no ombro&#8230; briga com o casaco para que esta não escorregue para o braço. Bengala armada, sacola no outro braço e&#8230; Abrir ou não a sombrinha? eis a questão. Sentir o clima lá fora me pareceu ser a melhor solução. Pingos espaçados caiam do céu, como me desafiando a abrir a sombrinha. Não abri. Vou eu agora desafiar os céus e correr o risco. Mas hei de chegar em casa a tempo, sem precisar abrir a sombrinha. Nada contra a sombrinha, mas é que o rito de ter que encaixar todas aquelas coisas no lugar de novo, me pareceu ser esforço de mais para um trajeto tão curto. Finalmente portaria do prédio. Ufa! Venci a chuva hoje. Entro no elevador&#8230; Quinto andar. ok, chegou. Ao sair, pisei em um saco no chão. Ainda pensei em verificar o que era, mas não tinha certeza se havia outra pessoa por ali, o que seria um mico razoável, eu abaixar para tatear o chão só para matar uma mera curiosidade daquilo que parecia ser um simples e inútil saco. Chego em casa, xixi na portinha para sair. Jogo as coisas assim meio sem ordem, em cima da cama. Agora o ritual de retirada de coisas não me parece ser tão necessário, pois a emergência do 2x era bem maior. Ui, alívio no banheiro, relaxamento total. Ok, me organizar para a rotina desses últimos dias. Comer algo rapidamente, pegar cigarro, colírio, celular da bolsa e ir estudar para o concurso que será daqui há duas semanas? Meus deuses, como o tempo voa! E eu, pra variar, não satisfeita com o que tenho estudado. Sempre acho que deveria ter estudado mais. Ao abrir a bolsa, encontrei a capa da sombrinha. Ai, preciso guardá-la antes que suma por aí. Mas cadê? Ah, devo ter deixado na entrada de casa, por cima de algum sofá, cadeira, ou na cozinha, durante o corre-corre para despachar o 2x. Deixa pra lá. Depois a encontro, estudar agora é mais emergencial do que essa busca. Em fim no micro, toma de estudar, e ler, e reler, e voltar, e avançar&#8230;. Fim do dia. Arrumar as coisas para o trabalho amanhã. Volta tudo para dentro da bolsa, cigarro, celular, colírio e a&#8230;.. sombrinha! Procura e procura pela casa. Onde ela está? Onde será que a coloquei. Peço socorro aos habitantes da casa: Alguém por a caso não viu uma sutil sombrinha rosa-choque por aí? Não&#8230; ninguém viu. Mas como? Ela é tão&#8230;. tão expressiva! Senta.. relaxa.. pensa&#8230; Como cheguei em casa? Com ela na mão, isso tenho certeza. Faço uma detalhada regressão e fixo meu pensamento em um sórdido detalhe: o saco do elevador. Será que o saco na verdade não era saco, e sim minha sombrinha que escorregara de minhas mãos sem que eu percebesse? Nem penso duas vezes e me dirijo para fora de casa. Não custa nada tentar, não é? Sei que a possibilidade é por de mais remota, mas vai que existem almas boas, ou almas que não se interessam por uma sombrinha rosa-choque? Chego a portaria e pergunto ao porteiro com a maior naturalidade: &#8211; Moço, por acaso alguém não teria achado uma sombrinha rosa choque no elevador hoje? Ele me responde com uma voz animada. &#8211; Olha, tem uma sombrinha aqui, mas é vermelha de bolinhas pretas, seria essa? Vermelha de bolinhas pretas? &#8211; Me espantei. &#8211; Eu não sei&#8230;. moço, deixe-me pegar nela por favor. E lá estava, a reconheci, pela etiqueta rasgada que havia nela. &#8211; Olha moço, eu sei lá se é rosa choque ou vermelha de bolinhas pretas, mas com certeza é essa mesma! Que felicidade! Alívio em fim. Sair de casa em plena sexta-feira as seis da manhã com chuva e sem sombrinha, não é algo que me anime nem um pouco. O curioso disso é que durante algum tempo, eu imaginava que andava pelas ruas com uma sombrinha rosa de bolinhas brancas&#8230; Mas vermelha? Talvez a portaria estivesse sem luminosidade o suficiente para que o porteiro diferenciasse a cor rosa choque de vermelha.. Mas bolinhas pretas são bem diferentes que bolinhas brancas&#8230;. Será&#8230; será&#8230; será? Não&#8230;.. por via das dúvidas, melhor é comprar uma sombrinha nova, dessa vez com as cores do meu fluzão, pois não me sinto nada segura andando com uma sombrinha vermelha de bolinhas pretas. Logo vermelha de bolinhas pretas! Não poderia ser vermelha de bolinhas azuis? Ou verdes? Ou quem sabe até roxas? Ah, não importa, o que com toda certeza se faz necessário agora, é agradecer mentalmente a pessoa que devolveu minha lindinha, fofinha, charmozinha e super útil sombrinha!</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.mundocegal.com.br/miau/2011/03/16/um-dia-chuvoso-e-uma-cabeca-de-vento-4/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title></title>
		<link>http://www.mundocegal.com.br/miau/2011/01/13/79/</link>
		<comments>http://www.mundocegal.com.br/miau/2011/01/13/79/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 13 Jan 2011 09:19:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Miau</dc:creator>
				<category><![CDATA[Textos em geral]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.mundocegal.com.br/miau/?p=79</guid>
		<description><![CDATA[&#8220;Tem dias que a gente se sente Como quem partiu ou morreu. A gente estancou de repente, Ou foi o mundo então que cresceu. A gente quer ter voz ativa, No nosso destino mandar, Mas eis que chega a roda viva E carrega o destino pra lá. A gente vai contra a corrente Até não [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;Tem dias que a gente se sente Como quem partiu ou morreu. A gente estancou de repente, Ou foi o mundo então que cresceu. A gente quer ter voz ativa, No nosso destino mandar, Mas eis que chega a roda viva E carrega o destino pra lá. A gente vai contra a corrente Até não poder resistir. Na volta do barco é que sente O quanto deixou de cumprir. Faz tempo que a gente cultiva A mais linda roseira que há, Mas eis que chega a roda viva, E carrega a roseira pra lá. A roda da saia, a mulata Não quer mais rodar, não senhor. Não posso fazer serenata: A roda de samba acabou. A gente toma a iniciativa: Viola na rua a cantar. Mas eis que chega a roda viva E carrega a viola pra lá. O samba, a viola, a roseira, Um dia a fogueira queimou. Foi tudo ilusão passageira Que a brisa primeira levou. No peito a saudade cativa, Faz força pro tempo parar. Mas eis que chega a roda viva E carrega a saudade pra lá. Roda mundo, roda gigante Roda moinho, roda peão O tempo rodou num instante Nas voltas do meu coração.&#8221;</p>
<p>E foi mais ou menos assim a minha virada de ano.</p>
<p>Não, não posso dizer que a minha passagem de ano foi ruim, apenas não foi nada. Branco no branco sem ao menos uma gota de tinta para cair num pedacinho azul do papel,  iniciando-se o processo da criatividade para que infinitas coisas surjam. Parei, pensei&#8230; Pensei muito e não cheguei a nem uma conclusão, nem uma resposta me foi lançada e resolvi conversar com uma de minhas melhores amigas em pleno dia  2 de janeiro, onde espera-se assuntos otimistas e alegres, e lá estava eu tentando juntamente com ela, me entender. &#8220;Estava mais angustiada, que um goleiro na hora  do gol.&#8221;</p>
<p>- Não estou bem certo, dizia eu, Que ainda vou sorrir Sem um travo de amargura&#8230;</p>
<p>Como ser mais livre? Como ser capaz De enxergar um novo dia&#8230;</p>
<p>Eu que tinha tudo, Hoje estou mudo, Estou mudado À meia-noite, à meia luz Pensando! Daria tudo, por um modo De esquecer&#8230;</p>
<p>Foram horas no telefone, do lado dela, os que lá estavam passavam comentando: &#8220;que papo cabeça!&#8221; E aqui eu desfiava o novelo da vida para encontrar um nó, um trecho  errado, uma linha apertada de mais, um ponto mal dado, uma costura solta. E a amiga me ajudando, lembrando fatos&#8230; Viajamos dentro e fora da minha personalidade, desenterrando vivências, compartilhando pensamentos&#8230;. Tinha que postar algo, até mesmo para agradecer essa pessoa que tem comigo uma amizade impar. Obrigada, amiga, por me ouvir, por conversar, por pensar juntamente  comigo e tirar conjuntamente as conclusões. Amigos são assim, somem, voltam, desaparecem, mas sempre amigos. Essa é o melhor exemplo de amizade que tenho. Há quanto  tempo eu não conversava com tal figura? Há mais de um ano, com certeza. Não assim, uma conversa, como bem disse o amigo dela do outro lado &#8220;papo cabeça&#8221;. E era assim mesmo, coisa de &#8220;papo estranho, com gente esquisita.&#8221; E no caso, por mais absurdo que possa parecer, a esquisita era eu, tagarelando um assunto estranhíssimo. Só uma amiga, não amiga não, só uma grande amiga&#8230; não, acho que nem grande, o melhor, ideal e perfeito é dizer que só uma amiga louca melo para aturar a gente nessas horas. É incrível,  posso passar anos sem conversar com essa amiga, mas quando retomamos a falar, parece que nunca nos afastamos. E é assim que sinto. Amigos, aqueles verdadeiros, estão  sempre com a gente em nossos corações.</p>
<p>E o papo continuou mais ou menos assim:</p>
<p>Amiga: O que houve?</p>
<p>E eu tentei explicar:</p>
<p>- Tente entender: Eu num macacão de plástico, Ele com o corpo elástico, Pensamos em nos divertir. Fizemos muito Cooper, ginástica, Ligados numa muito bombástica Aplicados prá não dormir&#8230;</p>
<p>Acho que eu me sentia incrível. Ele se achava apetecível. Dissemos: somos gente de nível, O casal vinte daqui!</p>
<p>Mas fomos barrados no baile, Tratados como maus elementos. Lá dentro rolando Bob Marley. Cá fora: Por favor: Documento! E foi isso amiga, fomos barrados no baile! Barrados no Baile, eu lamentava, Oh! Oh! Só vivíamos dando detalhe. Barrados no Baile Oh! Oh! E meu amor, nem me fale, só jogava na minha cara: Mas isso é que dá Cê querer frequentar&#8230; Tentamos argumentar: &#8220;Somos chiques&#8221;. Ele de leve Sugeriu um trambique. Lhe deram uma bofetada Pensando que a finesse Não importa. Eu gritei: &#8220;Olha que arrombo essa porta&#8221;, Já levando uma pernada&#8230;</p>
<p>O plástico e a plástica Não são nada! Mesmo gente considerada Saca aqui qualquer privê. É cilada: Se não for peixinho Não nada&#8230;.</p>
<p>Nossa dupla que era chique Na entrada, Amarrotada teve que &#8220;sartar&#8221;. E nem fomos ao menos vistos pela madrugada, comendo um hot-dog vulgar&#8230;</p>
<p>Pois fomos barrados no baile, Tratados como maus elementos. Lá dentro rolando Bob Marley. Cá fora: Por favor: Documento! Deu pra entender?  Aí a minha amiga, agora analista, me disse que desse jeito eu não vou ser feliz direito. Porque o amor é uma coisa mais profunda do que um encontro casual.</p>
<p>Então entrei de cabeça no papo cabeça e lhe respondi:</p>
<p>&#8220;Daquilo que eu sei Nem tudo me deu clareza Nem tudo foi permitido Nem tudo me deu certeza&#8230;&#8221;</p>
<p>E ela justificava:</p>
<p>&#8220;Daquilo que eu sei Nem tudo foi proibido Nem tudo me foi possível Nem tudo foi concebido&#8230;&#8221;</p>
<p>E eu argumentava:</p>
<p>&#8220;Não fechei os olhos Não tapei os ouvidos Cheirei, toquei, provei Ah Eu! Usei todos os sentidos&#8221;</p>
<p>E ela me abriu os olhos:</p>
<p>- Mas não lave as mãos, não fique parada naquela estação. Dói em mim saber, que a solidão existe e insiste em viver no teu coração. Sei, que aluz que guia o meu dia te guia também. A vida é bela, só nos resta viver.        ,  Voar, voar<br />
 subir, subir, Ir por onde for Descer até o céu cair Ou mudar de cor</p>
<p>E eu justifiquei</p>
<p>Eu sou assim Brilho do farol Além do mais Amargo fim Simplesmente sol&#8230;</p>
<p>Ela então me fez lembrar do Rock do bom Ou quem sabe jazz Som sobre som Bem mais, bem mais que costumávamos curtir nas baladas do passado registradas em nossos corações.</p>
<p>Então eu lhe disse que talvez o erro era deixar tão claro que tudo que sai de mim vem do prazer, De querer sentir O que eu não posso ter De fazer de mim Ser o que sou É gostar de ir Por onde, ninguém for&#8230; Talvez o meu Viver, viver E não fingir, nem tão pouco Esconder no olhar, me condenara a ser diferente, e por isso, quem sabe, excluída?</p>
<p>Ela me respondeu que eu não deveria pedir, nem tão pouco permitir jogos de azar, que eu deveria sentir mais o Fauno lunar, tentar decifrar as Sombras no porão, e voltar a participar dos shows que para muitos eram tidos como vulgares como os dos verões do passado em que cantávamos em rodas  e rodas de violão, mas que para nós, eram momentos maravilhosos  de trocas de energia positiva dentre tantos e tantos amigos, onde semeávamos as canções no vento, fazendo com que nossas vozes crescessem naquilo que faltava sonhar.  Ah, nossa linda juventude! Página de um livro bom.        Naquele tempo a gente tinha certeza que a noite seria boa.       </p>
<p>Nesse momento, as recordações que me vieram a mente embargaram minha voz, e foi com muita emoção que me vi</p>
<p>transformando outrora, momentos ruins em bons, tentando ser feliz, me vendo  Como fosse um par que numa valsa triste Se desenvolvesse Ao som dos Bandolins&#8230;</p>
<p>E como não? E por que não dizer Que o mundo respirava mais Se eu apertava assim? meu colo como Se não fosse um tempo Em que já fosse impróprio Se dançar assim</p>
<p>e eu teimei e enfrentei O mundo me rodopiando ao som Dos bandolins, dos violões, dos teclados e flautas, e tambores e chocalhos de latinhas, e batuques nas mesas, e marcações do tempo musical com os pés, e vozes&#8230;.</p>
<p>Era como se fosse um lar meu corpo a valsa triste Iluminava e a noite Caminhava assim: feliz, solta, livre, ingênua, repleta, poderosa.</p>
<p>E como um par O vento e a madrugada Iluminavam a fada Do meu botequim&#8230;</p>
<p>E eu ia valsando como valsa Uma criança Que entra na roda A noite tá no fim</p>
<p>Eu valsando Só na madrugada Se julgando amada Ao som dos Bandolins&#8230; dos violões, dos teclados e flautas, e tambores e chocalhos de latinhas, e batuques nas mesas, e marcações do tempo musical com os pés, e  vozes&#8230;. Mas acordei: Tudo que se foi, não será de novo do jeito que já foi um dia. Ah, como eu queria, queria tanto que me aceitassem do jeito que sou: arrebatada, atirada, rápida, sem pudor. sempre nessa vida solta, fazendo a gente se chegar, ao  encontro natural, muito bom de se ficar! Mas eu já estou com o pé nessa estrada e sei que nada será como antes, amanhã. As vezes penso em fugir                 para Qualquer outro lugar comum&#8230; Para Outro lugar qualquer, Guaporé, Qualquer outro lugar ao Sol, Outro lugar ao Sul, céu azul,  Onde haja sol, ou um tobogã, onde agente escorregue e que Todo dia de manhã, flores que agente regue.</p>
<p>E ela respondeu sorrindo:</p>
<p>&#8220;Fugir meu bem, Pra ser feliz, Só no polo sul. Não vou mudar Do meu país Nem vestir azul&#8230;</p>
<p>Faça o sinal, Cante uma canção Sentimental Em qualquer tom&#8230;</p>
<p>Repetir o amor Já satisfaz. Dentro do bombom Há um licor a mais. Ir até que um dia Chegue enfim Em que o sol derreta A cera até o fim&#8230;&#8221;. Vamos, &#8220;Já te vejo brincando gostando de ser sua sombra a se multiplicar.&#8221; E por falar nisso, &#8220;sabe quem perguntou de você?&#8221;</p>
<p>- &#8220;Quem pergunta por mim Já deve saber Do riso no fim De tanto sofrer, Que eu não desisti Das minhas bandeiras, Caminho, trincheiras, da noite</p>
<p>- Ah, respondeu ela gargalhando, &#8220;deixa de bobeira, deixa de bobagem, já virou, sacanagem.&#8221; E deixa de lado esse baixo astral. Erga a cabeça, enfrente o mal. agindo assim, será vital para o seu coração.&#8221;</p>
<p>Tempos depois, após ter desligado o telefone, fiquei pensando, e acho que até hoje estou nessa fase labiríntica de pensar. E quando mais tarde, ao receber o &#8220;mar feroz que vem dormir na minha cama Sangrar na minha vida tão confusa&#8221;, paro pra pensar e percebo que no fundo, &#8220;Queria ter o sol e tenho a lua E a escuridão.&#8221; Mas como vovó já dizia: Quem não tem colírio, usa óculos escuro.&#8221; Então: &#8220;Eu uso óculos&#8221;, PARA TENTAR DESCOBRIR que Além do horizonte deve ter algum lugar bonito pra viver em paz Onde eu possa encontrar a natureza, alegria e felicidade com certeza, mesmo porquê, é claro que o sol vai brilhar amanhã&#8230; mais uma vez, eu sei. E do mais, escuridão  já vi pior, de endoidecer gente sã. É só eu esperar, que o sol já vem, pois  quem acredita, sempre alcança. &#8220;Perder o entusiasmo é criar rugas na Alma&#8221;</p>
<p>Em Branco</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.mundocegal.com.br/miau/2011/01/13/79/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Lei e Decreto do Cão Guia em Áudio</title>
		<link>http://www.mundocegal.com.br/miau/2010/09/05/lei-e-decreto-do-cao-guia-em-audio/</link>
		<comments>http://www.mundocegal.com.br/miau/2010/09/05/lei-e-decreto-do-cao-guia-em-audio/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 06 Sep 2010 02:36:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Miau</dc:creator>
				<category><![CDATA[Programas de Rádio]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.mundocegal.com.br/miau/?p=77</guid>
		<description><![CDATA[Ouça a Lei e o Decreto do Cão Guia aqui.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.mundocegal.com.br/miau/cg.wma">Ouça a Lei e o Decreto do Cão Guia aqui.</a></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.mundocegal.com.br/miau/2010/09/05/lei-e-decreto-do-cao-guia-em-audio/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
<enclosure url="http://www.mundocegal.com.br/miau/cg.wma" length="5811447" type="audio/x-ms-wma" />
		</item>
		<item>
		<title>Mundo da Lua</title>
		<link>http://www.mundocegal.com.br/miau/2010/08/31/mundo-da-lua/</link>
		<comments>http://www.mundocegal.com.br/miau/2010/08/31/mundo-da-lua/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 31 Aug 2010 14:37:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Miau</dc:creator>
				<category><![CDATA[Programas de Rádio]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.mundocegal.com.br/miau/?p=74</guid>
		<description><![CDATA[O Mundo da Lua é um programa de astrologia que faço semanalmente baseado em textos da Vanessa Toluski. Para ouvir o Mundo da Lua Clique aqui. Esse programa é atualizado toda semana.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O Mundo da Lua é um programa de astrologia que faço semanalmente baseado em textos da Vanessa Toluski.</p>
<p>Para ouvir o Mundo da Lua</p>
<p><a href="http://www.mundocegal.com.br/miau/mundo.wma">Clique aqui</a>.</p>
<p>Esse programa é atualizado toda semana.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.mundocegal.com.br/miau/2010/08/31/mundo-da-lua/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>2</slash:comments>
<enclosure url="http://www.mundocegal.com.br/miau/mundo.wma" length="4298904" type="audio/x-ms-wma" />
		</item>
		<item>
		<title>Resposta ao Texto da Cadevi</title>
		<link>http://www.mundocegal.com.br/miau/2010/08/30/resposta-ao-texto-da-cadevi/</link>
		<comments>http://www.mundocegal.com.br/miau/2010/08/30/resposta-ao-texto-da-cadevi/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 30 Aug 2010 17:00:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Miau</dc:creator>
				<category><![CDATA[Preconceito e Discriminação]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.mundocegal.com.br/miau/?p=71</guid>
		<description><![CDATA[  Esses dias recebi um dos textos mais repugnantes e preconceituosos que já li pela internet. Apesar de ter sido escrito há algum tempo, o texto foi disparado por uma colega, com intuito de colocar lenha na fogueira. A sim, que fogueira? Certo, vou explicar. Haverá em Outubro um evento envolvendo cegos na cidade de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p> </p>
<p>Esses dias recebi um dos textos mais repugnantes e preconceituosos que já li pela internet.</p>
<p>Apesar de ter sido escrito há algum tempo, o texto foi disparado por uma colega, com intuito de colocar lenha na fogueira. A sim, que fogueira? Certo, vou explicar. Haverá em Outubro um evento envolvendo cegos na cidade de Cascavel, PR. Um de nossos companheiro de cegueira foi veementemente impedido de fazer sua reserva no hotel, porque ele é usuário de cão guia. Para a pessoa que disparou o imundo texto, eu só tenho a agradecer, pois ainda que ela seja contra o cão guia, como já deixou claro em algumas listas de debates  da internet, nos deu uma chance única de ganhar mais uma vez a luta pela acessibilidade da pessoa cega. Sim, porque a causa é ganha. Não se iludam aqueles que pensam  que esse lamentável fato do hotel não irá adiante, porque irá, e seremos mais uma vez vitoriosos. Para conhecer mais sobre o infeliz episódio com nosso amigo que fora barrado com seu  cão guia,</p>
<h1><a href="http://www.betopereira.com.br/2010/08/hotel-plaza-cascavel-o-exemplo-e-som-do-preconceito.html">Clique aqui e leia seu relato.</a></h1>
<p>E se quiser se inteirar de outro fato semelhante ocorrido com uma amiga, também usuária de cão guia aqui do Rio de Janeiro,</p>
<h1><a href="http://www.mundocegal.com.br/blog/page/2/">Clique aqui.</a></h1>
<p>Existem vários e vários episódios lamentáveis como estes, e acreditem, a maioria já ganha na justiça. Com essa história de Cascavel, veio a tona esse texto preconceituoso. ao ler essa abominação, o sangue foi me subindo e não pude deixar de responder. Mesmo porquê, sou da opinião de que quem cala consente, logo, concorda com o que  está escrito. o ser que escreveu tal atrocidade não conhece um cão guia, aliás, ele não conhece  nem um ser humano, e muito menos a vida de um cego.</p>
<p>O texto começa com uma argumentação que um cego fora barrado com seu cão  guia ao tentar entrar em um ônibus metropolitano em Foz do Iguaçu. eu não tenho cão guia, embora pretendo um dia ter um, e já fui barrada  várias vezes com minha bengala em ônibus, trens, metrôs, barcas etc.</p>
<p>O texto segue se baseando em épocas medievais onde é sabido que pessoas  cegas eram impedidas de entrarem em templos, mas ele mesmo se justifica ao  dizer que estes ficavam mendigando esmolas nas escadarias, logo, além de  cegos, eram mendigos.  Ora, não é uma regra que todo cego tenha  necessariamente que ser pobre e sujo. Sem falar da época, que era a medieval, onde várias doenças assolavam a  humanidade e recursos eram escassos, sem falar a tecnologia.</p>
<p>Depois o nojento texto diz que “a  prática da companhia de cães  e cegos, foi uma das primeiras formas de discriminação que esse segmento de pessoas sofrerão na história.” Que equívoco múltiplo! Não foi, a primeira forma de descriminação que as  pessoas cegas sofreram, não permitiu que esta nem chegasse a possibilidade  de ter um cão, pois eram eliminadas após o nascimento, quando se  constatava alguma deficiência física. Quando não, eram levadas para os lugares onde se jogavam os enfermos  incuráveis e padeciam lá. Além do mais, tal entidade, que hoje eu abomino, se é que esse texto  realmente partiu de lá, pois até agora me recuso a acreditar que um órgão  que visa proteger os direitos de uma pessoa cega haja dessa forma, está  sendo absurdamente preconceituosa ao descriminar não o cão guia, mas sim a  pessoa que utiliza essa ferramenta de locomoção.</p>
<p>O texto também deixa a entender que pessoas cegas pertencentes a classe  dominante ou as famílias de operários preferem andar com uma “bengala  humana” do que ter um cão guia. Gostaria de saber onde foi estabelecido  isso? Que verdade é esta que eu sendo cega desconheço?</p>
<p>Esse texto é agressivo, mentiroso e infringe a lei com calúnia, infâmia  difamação, pois onde está escrito que um cão guia não constitui uma alternativa viável?</p>
<p>Não conheço nem um cego que já tenha utilizado o cão guia, devolvê-lo por  falta de ter como mantê-lo, não conheço nem um cego que dependa exclusivamente do seu cão, os que  conheço, e não são poucos, utilizam também a bengala, em casos específicos  como quando vão em lugares com muito barulho;</p>
<p>a higiene do cão é uma das primeiras coisas que o cego aprende no curso do  cão guia, e , a mais grotesca das argumentações, o cão guia nunca, jamais é um animal  violento, o que demonstra a total falta de informação por parte da pessoa  que escreveu esse texto. As argumentações seguem em uma linha totalmente lunática, onde afirma que a  miséria das classes trabalhadoras são tantas, que não se tem como sustentar  um cão. Volto a dizer que não existe no Brasil nem um cego que tenha um cão guia e  não possa mantê-lo. Isso é mentira e um argumento muito baixo e  inescrupuloso, sem falar que é extremamente preconceituoso.</p>
<p>Argumentar dizendo que até mesmo as lojas de pet-shop e os fabricante de ração não tem interesses no avanço do cão guia é  no mínimo uma “cegueira” mental, pois eu nunca ouvi falar na vida que  qualquer comerciante que seja, vá contra algo que lhe trará lucro. Sem falar, como que eles podem ser contra ou a favor da utilização do cão  guia por uma pessoa cega, se não são especialistas na área da cegueira? Não podem ser contra porque não tem conhecimento de causa, não sabem como um  cego usa o cão, não sabem porque um cego prefere ou necessite do uso de um  cão guia, e nem tão pouco conhecem a vida de um cego para ser contrário. No  máximo, eles teriam que ser a favor, visto o lucro que um cão desse porte traz para  tais empresários.</p>
<p>Outro crime nesse texto é dizer que um outro cego não “pode   se dispor e  não querer ser confundido a um ser humano dependente e submisso ao “raciocínio de um cão &#8211; animal irracional”. Quem disse que o usuário de cão guia está sob a inteligência do animal? Um  cão guia não atravessa uma rua sozinho por livre vontade, há não ser que o  dono dele dê o comando, assim também com a bengala; um cão guia não decide para que lado ir, há não ser com o comando de seu  dono, do mesmo jeito com a bengala; um cão guia fica quietinho, deitado ou sentado, devido a ordem de seu  dono,  do mesmo jeito que a bengala fica dobradinha em cima da mesa ou dentro de  uma bolsa. Um cego para usar um cão guia não pode ser um alienado. Ele precisa entender  que ele é o comando, e que o cão obedece a ele. Até mesmo para se andar com um cão guia, o cego precisa ter noção de  lateralidade, conhecer o caminho, e quando não, saber o que fazer para  seguir a diante. Um cão guia não tira os obstáculos da frente de um cego, apenas desvia  deles, coisa que a bengala jamais fará. Em uma rodoviária por exemplo, o cão é mais que útil, pois apesar de  sabermos as localizações das escadas rolantes, dos guichês e das cadeiras,  malas, carrinhos e bolsas de viagem se espalham pelo chão, de forma  imprevisível. É importante dizer que um cego, utilizando o cão ou a bengala, precisa da  audição e olfato. É inteiramente enganosa a afirmativa que diz que “ ao utilizar um cão-guia, a pessoa não precisa, por exemplo, concentrar-se para  se deslocar de um lugar para outro, já que tal processo é realizado mediante um comando dado ao animal.”</p>
<p>E o que o cego precisa para dar esse comando? Justamente o que falei acima,  boa orientação, noção de espaço, conhecendo o lugar ou não. Esse texto é  altamente preconceituoso contra os usuários de cães guia.</p>
<p>“ E, em não se concentrando, a pessoa cega não desenvolve sua capacidade de percepção auditiva, memorização e atenção. Tornando-se assim, ao invés de um sujeito  independente  em sua  mobilidade diária, um eterno  dependente do animal para se locomover (inclusive em ambientes fechados).”</p>
<p>Da mesma forma que depende da bengala dobrável, ou de uma bengala “humana”.</p>
<p>A ACADEVI, se foi mesmo a responsável por tal texto, é extremamente  desinformada e preconceituosa ao dizer que somente os cegos que possuam um  poder aquisitivo elevado podem ter cães guia. Gostaria de saber que cego  Brasileiro teve que devolver o cão por não conseguir sustentá-lo. E ainda acusa os cegos de contribuírem com o aumento da miséria social.</p>
<p>Finaliza com a velha e descabida argumentação de que as pessoas não são  obrigadas a frequentarem restaurantes com cães que soltam pelos e fazem  necessidades fisiológicas no ambiente. Não conhecem o cão guia, não conhecem  o cego, e não conhecem a bengala, porque afirmam que tal objeto é mais  higiênico do que um cão guia. Gostaria muito de ver um cego colocando a bengala sob a mesa de um  restaurante, após ter passado sob o lixo de uma lixeira tombada. Quantos são os cegos que possuem uma capinha para guardar a bengala dentro de uma bolsa? Bengala esta que toca o chão esbarrando em poças dágua, fezes de animais,  escarros e tantas outras sujeiras, para em descanso, ser guardada dentro da bolsa pertinho de um colírio, de um comprimido, de um papel higiênico, celular etc. Qual  ferramenta mesmo é mais higiênica? O cão guia que ao entrar com seu dono no restaurante fica sentado debaixo da cadeira, ou a bengala que geralmente é colocada em cima da mesa perto dos pratos? Para conhecer melhor um cego que utiliza o cão guia, leia os textos</p>
<h2><a href="http://www.mundocegal.com.br/blog">O USO DA BENGALA E DO CÃO GUIA,</a></h2>
<h2><a href="http://www.mundocegal.com.br/blog">O CÃO SOMANDO FORÇA COM O HOMEM,</a></h2>
<p>e outros escritos por Deborah Prates.</p>
<p>Segue o lixo abaixo que espero do fundo do coração que seja uma brincadeira, e que não  tenha realmente partido da ACADEVI. Nunca vi tamanha forma de preconceito na  vida.</p>
<h2>ACADEVI NÃO RECOMENDA O USO DE CÃES-GUIA</h2>
<p>Nos últimos dias em Cascavel,  um tema que tem sido muito divulgado na mídia é o direito ao uso de cães-guia por pessoas cegas. O tema ganhou tal relevância devido ao fato de uma pessoa cega ter sido barrada ao pretender entrar num ônibus metropolitano em Foz do Iguaçu com um cão.  Até o momento a entidade ainda não havia se manifestado em relação a  esse tema, porém, o seu Conselho Deliberativo reunido no último sábado entendeu necessário  manifestar sua posição.</p>
<p>Ao contrário do que pregam algumas pessoas, de que a utilização de cães para a locomoção de pessoas cegas se  constituiria numa moderna tecnologia e, sobretudo eficaz ferramenta, é preciso esclarecer que esta  constitui uma dedução  absurda.  A prática de uso de  cães guia para a “independência” da pessoa com deficiência visual na verdade é um fenômeno antigo e medieval.</p>
<p>Nos primórdios da humanidade, em geral, pessoas cegas  eram deixadas a sua  própria sorte, como mais tarde também  o foi na idade média,  onde eram impedidas até  mesmo de adentrar aos espaços sagrados dos  templos religiosos e ficavam nas escadarias a mendigar esmolas para sua subsistência. Espaço que dividiam também com os cachorros abandonados, muitos com sarna e feridas; fatores que embaralhavam a própria imagem discriminatória desses indivíduos, que eram valorados como uma alma em devoção para o perdão de “seus” pecados e para a comoção dos  fiéis, que deveriam ver nessas bestas &#8211; no caso a pessoa cega, confundida e infectada pelas condições insalubres do animal &#8211; exemplo de castigo divino, resultado dos desvios da prática cristã desses ou de seus familiares.</p>
<p>Assim, a  prática da companhia de cães  e cegos, foi uma das primeiras formas de discriminação que esse segmento de pessoas sofrerão na história.</p>
<p>Já na modernidade, com o desenvolvimento da ciência e principalmente a  crescente concentração econômica, quando também algumas  pessoas cegas alcançam o privilégio de pertencer a classe dominante,  se passa a experienciar qual a espécie de cão que poderia servir ao propósito de auxilio dessas pessoas  com maior eficácia.</p>
<p>Contudo, mesmo as pessoas cegas pertencentes a classe dominante, devido a seu potencial econômico, poucos optavam em se relacionar com um animal &#8211; no caso o cachorro -,  visto que podiam contar com um empregado para seu auxilio na locomoção. E como a imensa massa de pessoas com  deficiência visual pertenciam e continuam representados em famílias operárias e trabalhadoras, o uso de cães guia não  se constituiu como alternativa  viável.</p>
<p>E isto devido a vários fatores, desde a ineficácia desse processo, como  outros: manutenção do cão, dependência que a pessoa acaba por ter do animal, higiene, perigo de violência do animal, e a própria e decisória condição de miséria  da classe trabalhadora; famílias as quais, já convivem com a dificuldade de nutrição para seus membros, tão logo não tendo nenhuma condição de sustento do animal.</p>
<p>Atualmente, por diversos motivos,  não se podendo isentar nem mesmo os  interesses das lojas de pet-shop e os fabricante de ração animal, se tem disseminado a idéia da  utilização do cão-guia como o melhor instrumento de locomoção para pessoas cegas. Inclusive, tal utilização já está prevista em lei. A ACADEVI, apesar de não poder se  colocar  contrária à referida legislação, por diversos fatores, principalmente, o direito dos demais cegos de  não se dispor e não querer ser confundidos a um ser humano dependente e submisso ao “raciocínio de um cão &#8211; animal irracional -, não recomenda  a utilização desse equivocado “avanço” tecnológico.</p>
<p>Sendo ainda indispensável compreender que: A pessoa cega, para superar as limitações impostas pela cegueira &#8211; condição biológica &#8211; necessita realizar um processo de supercompensação das dificuldades que a falta da visão lhe   proporciona, o que só ocorre quando a pessoa necessita enfrentar obstáculos. Ou seja, ao utilizar um cão-guia, a pessoa não precisa, por exemplo, concentrar-se para  se deslocar de um lugar para outro, já que tal processo é realizado mediante um comando dado ao animal. E, em não se concentrando, a pessoa cega não desenvolve sua capacidade de percepção auditiva, memorização e atenção. Tornando-se assim, ao invés de um sujeito  independente  em sua  mobilidade diária, um eterno  dependente do animal para se locomover (inclusive em ambientes fechados).</p>
<p>Como afirmado há pouco, é imprescindível considerar o  aspecto presente no fato de que ter um cão-guia demanda ter boa condição financeira, já que ele necessita cuidados especiais. E isso, a imensíssima maioria das pessoas cegas continua não possuindo, pelo contrário, tem sim é aumentado a miséria da ativa  massa social.</p>
<p>Para finalizar, queremos transparecer também que  caso observado, cautelosamente, o direito ao uso de cães-guia por pessoas cegas, limita o direito dos  demais membros da sociedade brasileira. Dado ao fato de que, assim como uma pessoa cega tem o direito de entrar num restaurante com um cão-guia, também outro cidadão comum tem o direito de não querer freqüentar um restaurante onde haja a presença de animais que, por mais que sejam cuidados, soltam pêlos, tossem enfim&#8230; Possuem inclusive  necessidades fisiológicas que precisam ser atendidas, e mesmo com muito treinamento, não se pode garantir,  até por se tratar de um animal irracional, que o cão não fará essas necessidades em ambientes inadequados.</p>
<p>Por esses e tantos outros motivos aqui não elencados, a ACADEVI não  recomenda a utilização dos insuficientes e  injustificáveis cães-guia e sim de bengalas.  As quais, esta sim, realmente constitui-se  numa ferramenta indispensável aos cegos. Detendo uma tecnologia totalmente acessível às pessoas com deficiência, auxiliando no desenvolvimento social do indivíduo. Sendo que, depois de  muita luta dessas próprias pessoas, reivindicações afastadas de interesses individuais  e mesmo de conglomerados privados anciosos para mover  o capital que detêm em suas mãos, são  fornecidas pelo Ministério da Saúde, e podem ser guardadas na bolsa, pois são dobráveis e  não exigem nenhum cuidado específico por parte de seu usuário. Tornando o usuário da bengala, apenas mais uma pessoa, como as demais, capazes de conduzir seus próprios passos. Apenas se utilizando quando necessário desse instrumento altamente higiênico, tanto para a pessoa cega como para os demais considadãos, que aliás, no entendimento da ACADEVI, merecem todo nosso respeito.</p>
<h2>ACADEVI &#8211; ASSOCIAÇÃO CASCAVELENSE DE PESSOAS COM DEFICIÊNCIA VISUAL</h2>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.mundocegal.com.br/miau/2010/08/30/resposta-ao-texto-da-cadevi/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>8</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>

