Quando comecei a ler o primeiro livro da Trilogia da Viagem, não esperava tanto do autor. É uma história envolvendo druidas, Elfos, máquinas e tecnologia, para nós, de última geração. Digo para nós, porque até onde entendi, estou indo agora para o terceiro livro, o espaço temporal da trama é no futuro, pois eles se referem as máquinas e tecnologia que eu chamo de última geração, como coisas do passado.
TerryBrooks misturou conceitos de magia com os da tecnologia moderna de forma espantosa e bastante criativa. Ao mesmo tempo que ele lança mão da tecnologia para fazer com que seus personagens ataquem com raios ultra potentes, se foca no poder mental que cada ser possui. E assim ele mantém ambas potências, tanto a tecnológica como a mental, durante toda narrativa da história, fazendo com que seus aventureiros explorem com todas as forças seus potenciais.
Contrariando todas minhas expectativas da história, me vi envolvida pela trama diante do grupo de amigos que se forma focado em um objetivo de uma única pessoa, que no fim passa a ser em comum entre todos. Acontece tanta, mas tanta coisa com essa equipe!eles se separam e o ritmo alucinante com que o autor narra os episódios de cada grupinho que se dividiu é de perder o fôlego. Só consigo me lembrar de um outro autor que me prendeu dessa forma, Matthew Reilly. Apesar das histórias de Estação Polar e Ária 7 chegarem mais próxima da realidade do que a trilogia da Viagem, existem muitas semelhanças na forma com que esses dois autores contam as histórias. Sem falar nas lutas da trilogia da Viagem que são muito parecidas com Área 7 E Estação Polar. Na verdade, a história dos livros de Matthew Reilly nada tem haver com as de TerryBrooks. Matthew Reilly conta sobre um grupo de fuzileiros que luta contra terroristas envolvidos em armações políticas, algo bem mais próximo de nossa realidade. Já TerryBrooks nos remete a um mundo de fantasia onde a magia e a força da tecnologia são armas essenciais. Porém, tanto nas obras de um autor, como de outro, os personagens fogem ao mesmo tempo que procuram seus inimigos e haja briga com SIG-Sauer, Maghook, fogo élfico e muita magia!
E no meio de tanta luta pela sobrevivência, ambos autores conseguem nos passar mensagens lindíssimas sobre a amizade, caráter e fraternidade. Colo abaixo um trecho do segundo livro da trilogia da viagem, que gostei bastante. Mas não se prendam somente nessa parte, porque a trama vai muito além disso. Tem muita briga rolando, uma legião de perseguidores e de fugitivos, tanto do bem como do mal, muita força de vontade na tentativa de encontrar uma saída daquele mundo aterrorizante. foi apenas um trechinho que achei extremamente sensível na história, e que mostra que nem sempre o feio é maligno, e o belo benigno. Claro que normalmente tememos os diferentes, mas será que podemos dizer que somos todos iguais? Uma pessoa se torna diferente da outra por suas opiniões, seu aspecto físico e principalmente devido a sua bagagem de vida que é sempre única.
para quem gosta de perder o fôlego e prender a respiração no meio de batalhas, indico tanto um autor como outro. Nhau!
“ – Foi você quem disse isso – disse Bek. – Seu rosto não é quem você é. Pode parecer um monstro, mas não é. Você é meu amigo. Salvou a minha vida. Mas não confiava em mim para contar a verdade a seu respeito. Escondia a verdade porque se enganava e pensava que era outra coisa. Eu prefiro conhecer você assim, por mais terrível que seja, do que ter a verdade ocultada.
– Belas palavras – grunhiu o outro, mas não se afastou.
– A verdade, Truls Rohk. Eu sei que você se odeia por ter esse aspecto. Sei que odeia seu aspecto e como os outros irão olhá-lo se se revelar. Mas às vezes, com pessoas que importam, precisa revelar até mesmo o pior do que você acredita ser. Precisa ter fé no fato de que não fará diferença. Jamais o julguei pelo seu aspecto. O que importa é quem você é, e quem você é está sempre enterrado bem no seu interior. Os mutantes nas montanhas sabiam disso. Perguntaram-me o que eu sentia por você porque queriam ver se eu o achava importante. Será que poderia haver uma amizade entre nós? Até que ponto iria essa amizade? Será que eu achava que haveria um lugar para você no mundo? Será que eu cederia meu próprio lugar para que você tivesse o seu? Será que eu daria minha vida por você? Eu lhes dei respostas que não tinham nada a ver com seu aspecto e tudo a ver com quem você é.
– Então, o que você conseguiu fazendo com que eu lhe mostrasse como sou? A que propósito isso serviu? – Amargura e suspeita cobriam as palavras do outro. – A verdade não ajuda ninguém aqui.
Bek apertou o braço do outro e continuou:
– Mas você não está vendo? A verdade ajuda a todos. A chance de viver que os mutantes deram a você quando foi atacado pelo caull é a mesma chance que você deve dar a Grianne. Todos acham que ela também é um monstro. Mas a verdade é algo inteiramente diferente. Ela simplesmente precisa de alguém que a ajude a ver isso. Ela precisa de alguém que a ajude a se despir de seus enganos e mentiras. Precisa de alguém que acredite nela, que acredite que ela é mais do que todos vêem. Ela precisa de alguém que fale por ela.
Bek inclinou-se para perto.
– Não há mais ninguém a não ser você e eu. Somos a última esperança dela.
Fez-se um longo silêncio quando ele terminou, um congelamento de tempo e espaço enquanto o garoto e o mutante encaravam um ao outro na escuridão, um humano e o outro, alguma coisa. Todo o ar havia desaparecido do mundo, deixando-o vazio e sufocante. Bek não sabia o que fazer ou dizer. Recusava-se a soltar Truls Rohk, segurando-o firme pelo braço, como se fazendo assim pudesse mantê-lo preso à sua causa.
– Você e eu – o outro disse por fim, a voz rouca estranhamente suave. – Mas em grande parte você.”
