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Cumplicidade Feminina

domingo, 29 de agosto de 2010

Uma das coisas que mais gosto de fazer, é lidar com gravações e interpretações.

Desde criança, e acho que a maioria dos cegos passaram pela faze de brincar de gravar, eu costumava gravar minha voz imitando os personagens do meu dia a dia. Imitava

minha mãe dando bronca, a professora dando aula, as atrizes de novelas com seus textos românticos e adorava brincar de rádio, onde eu era a âncora de um programa

local qualquer de uma gigantesca cidade.

Hoje eu cresci, tenho 35 anos, porém posso afirmar que minha mentalidade não acompanhou o desenvolvimento físico do meu humilde ser. Ainda adoro brincar de gravar

e interpretar.

Mas na época da minha infância, eu não tinha uma mesa de som, e até hoje ainda não tenho, mas os recursos eram muito mais escassos. Eu contava apenas com um gravador

para tocar a música e outro para gravar o que eu falava juntamente com  a música do outro aparelho. Era algo muitíssimo precário, mas que me deixava eufórica. Com

o surgimento dos computadores, internet, programas que falam para nós cegos, uma portinha se abriu para que a minha brincadeira ficasse, como direi, um pouco mais

real.

Comecei com essas gravações na rádio dosvox, da UFRJ, onde eu juntamente com mais alguns amigos corajosos, editamos algumas gravações que passamos a chamar de programas

de rádio. E não é que a coisa deu certo? Alguns outros amigos, também corajosos, ouviram nossas bagunças sonoras e adoraram. Com o

incentivo da turma começamos a

botar pra quebrar nas gravações. No começo eram programas simples com uma qualidade muito precária, mas que todos, tanto nós que gravávamos e editávamos o áudio,

como também os que ouviam, curtiam de montão. A Rádio Dosvox foi crescendo com tanto incentivo e os programas passaram a

adquirirem mais técnica, além de variar nos

temas. Chegou a um ponto onde tínhamos um programa de música romântica, outro de Rock, um de forró, outro sobre informática, outro sobre livros, até um diretamente

de Portugal entrou  na grade de programação! Tinha também mensagens de auto ajuda, programa culinário  e eu deixei os programas estilo FM e passei a gravar o Mundo

da Lua que era um programa com as dicas astrológicas da semana, além de entrar de cabeça nas áudio interpretações.

Desde pequena, é algo que também acho que a maioria das crianças, principalmente as meninas, sonham em ser atriz. Pois é, eu sempre quis ser atriz, mas devido as

circunstâncias desse fenômeno gigantesco chamado vida que resolve sem avisar nem dar aviso prévio nos jogar em situações diferentes, nos obrigando por muitas vezes

a desviar dos caminhos que gostaríamos de seguir, não trilhei a carreira artística. Pelo menos não nesse contexto, pois há quem jure de pé junto que eu sou uma artista

de primeira. Eu prefiro acreditar que sou arteira. Mas como gosto não se discute e maluquice não dá para se julgar,

eu, incentivada por tantas pessoas carinhosas,

vez ou outra gravo algum texto e envolvo uma cambada de amigos nas gravações. Meu sonho é um dia poder editar uma rádio novela, estilo O Nosso Lar. Cheguei a escrever

uma novela policial com uma boa dose de comédia, mas ainda não tive tempo suficiente para juntar a turma e colocar som na coisa. Enquanto isso, vou me contentando

com os textos menores que nomeei de Áudio Interpretação. Criei o RANAI (Rádio Novela e Áudio Interpretação), que é o nome desse espaço onde gravo toda essa bagunça.

Meu namorido também sempre se envolveu com esse lance todo de som. Quando era aluno do Instituto Benjamin Constant, lidava com o som da rádio da escola. Ele também

fez vários programas de rádio na internet comigo. Aliás, foi onde nosso namoro começou, quando o Salvador me chamou para ajudá-lo em uma outra rádio da net chamada

Rádio Blog. Salvador precisava de pessoas criativas e talentosas para incentivar nas gravações. Conversei com Sérgio e ele colocou a Rádio Blog no ar, passando

a ficar responsável pela qualidade técnica de toda programação.

Então, eu saí da Rádio Dosvox e fui ajudar o Salvador com a Rádio Blog. Eu e Sérgio, meu namorido, namorávamos enquanto editávamos e gravávamos o som da Rádio Blog.

Era bom de mais! Bons tempos aqueles. Como tudo que é bom dura pouco, a Rádio Blog acabou, mas eu me casei com o namorido e até hoje costumamos gravar algumas dessas

baguncinhas sonoras, acompanhados vez ou outra pelas honrosas participações de vários de nossos amigos.

Quando pensei em colocar aqui no telhado tudo isso que gravei, fiquei sem saber como seria. Não sabia se postaria por ordem, começando pelas mais antigas ou se iria

escolhendo aleatoriamente. Depois de um longo debate com o namorido, preferi colocar aleatoriamente, já que seria difícil saber qual exatamente, dentre tantas gravações,

foi a primeira e qual veio depois e depois e depois.

Então, estou disponibilizando para vocês, um texto chamado Cumplicidade Feminina, onde acho que conseguimos passar bem perto do que seria uma rádio novela.

Espero que gostem e por favor, sintam-se a vontade para comentar e dar dicas de textos que possamos gravar.

Clique para ouvir Cumplicidade Feminina com SPC e Miau.