O CÃO SOMANDO FORÇA COM O HOMEM

26 de junho de 2010 16:42 | Dra. Deborah Prates | 4 comentários

Um mimo! Sim. É como podemos nos referir a um cãozinho de estimação. É aquele amigão que deixa os nossos momentos felizes ainda mais MARAVILHOSOS, fazendo papel semelhante nas horas em que estamos para baixo. É o amigo inconteste. É o animal a quem conferimos voto de predileção, sempre na frente de todas as candidaturas. Em contrapartida, temos que ser responsáveis e nos curvar as leis vigentes. Falo dos que extrapolam os seus direitos por puro abuso! Como assim? Num táxi ou outros meios de transportes os donos dos cães hão que levá-los dentro de caixas próprias. Há caixas de todos os tamanhos e para todos os tipos de animaisinhos de estimação. É uma segurança para o animal. É bom que saibam os que os amam! Também adaptá-los a entrar nas caixas não é trabalho difícil/complicado. Não. Basta que, em casa, na brincadeira estimulemos o cão ou o gato a entrar dentro da caixa de transporte. Assim ao tomar um táxi, por exemplo, o próprio animal já tomará a iniciativa de entrar nela para uma gostosa e não perigosa viagem seja para onde for. Então, para o cão de estimação seus donos têm que proceder algumas adaptações, a fim de evitar aborrecimentos de parte a parte.

Mas há outro lado para vermos o cão. Esse animal é ainda mais fantástico quando ajuda o homem, suprindo-lhe necessidades de sobrevivência. Falamos, sob esse enfoque, dos cães de trabalho. Últimamente profissionais especializados têm levado cães treinados aos hospitais, objetivando dar mais alento aos que sofrem, bem como impulsionando-lhes a recuperação. Pessoas idosas, muitas vezes por contingências da vida, suprem a solidão com o amigo cão. Incrível é imaginarmos o bem que o cão-guia faz aos cegos! Particularmente sou CEGA E USUÁRIA DE CÃO-GUIA, pelo que posso atestar aos amigos Leitores o quão a minha qualidade de vida melhorou após a chegada de JIMMY PRATES. É mais uma “ferramenta” para o deficiente visual lançar mão. A bengala, a guisa de ilustração, é tão cega quanto o próprio dono! Nas adversidades da vida diária trombamos contra orelhões, andaimes de construções, buracos e outros fatores arquitetônicos não detetáveis por ela. Já o cão-guia proporciona aos cegos um conforto e uma segurança inenarráveis para a sua locomoção, bem como para o equilíbrio/conforto emocional. Além de nos guiar, também exerce a função de uma grande companhia com quem podemos contar e conversar, quer sejam nos dias de sól, quer sejam nos dias de chuva.

Muitos de nossos Semelhantes, por falta de esclarecimentos sobre a questão, criticam o uso do cão-guia para o serviço do homem, sob a alegação de que são uns “coitados”. Absolutamente! Longe de serem “coitados”! Verdadeiramente são seres completos, já que não só trabalham, como, em contrapartida, têm seus momentos de lazer/brincadeira. Estão sempre na rua, nas festas, nos shoppings, aviões, praias, florestas, caminhadas mil, correndo atrás das suas bolas, nutrindo-se de ótimas rações, enfim, gozando de todo conforto e bem-estar que qualquer ser mortal almeja.

Até para a condução desses “trabalhadores” há diferença
relativamente aos de estimação. Os guias já não tem lógica serem transportados em caixas. Até porque seria incoerente com a sua condição. Para estes já chegou, ainda de forma tímida, ao mercado uma coleira que se adapta ao cinto de segurança dos carros, onde os cães poderão fazer as suas viagens com segurança, tanto quanto se estivessem nas caixas (como seus amigos de estimação). Fato é que todos devem resguardar as suas seguranças ao estarem em veículos em movimentação.

Por isso meus amigos Leitores é que há que ser dispensado um tratamento especial por parte da SOCIEDADE quando se está diante de um cão trabalhador. Para os que odeiam animais de todo gênero – a quem devemos o nosso respeito – temos a dizer que entendam o cão-guia, por exemplo, como SOLIDARIEDADE prestada a um Semelhante necessitado dele. Logo, independe de gostar ou não de um cão-guia.

O que há que ser perquirido é o BEM E O RESPEITO que se está dispondo para alguém que sofreu uma DESVENTURA DA VIDA. De fato a deficiência anda em paralelo na estrada das nossas vidas. Como garantir que “amanhã” o Leitor ou um de seus entes queridos não necessitará de ser guiado por um JIMMY PRATES?

Sem dúvida alguma temos que PARAR e pensar nas nossas atitudes diárias e, quando for o caso, revê-las. Para tanto é que sugiro que façamos juntos um exercício de cidadania com a leitura do texto abaixo – QUE NÃO É DE MINHA AUTORIA – que muito bem serve para refletirmos sobre as nossas condutas relativamente aos DEFICIENTES/DIFERENTES.

“Um menino entra na lojinha de animais e pergunta o preço dos filhotes a venda. Entre 30 e 50 dólares, respondeu o dono. O menino puxou uns trocados do bolso e disse: – Mas, eu só tenho 3 dólares… Poderia ver os filhotes? O dono da loja sorriu e chamou Lady, a mãe dos cachorrinhos, que veio correndo, seguida de cinco bolinhas de pêlo. Um dos cachorrinhos vinha mais atrás, com dificuldade, mancando de forma visível. O menino apontou aquele cachorrinho e perguntou: – O que é que há com ele? O dono da loja explicou que o veterinário tinha examinado e descoberto que ele tinha um problema na junta do quadril – mancaria e andaria devagar para sempre. O menino se animou e disse com enorme alegria no olhar… – Esse é o cachorrinho que eu quero comprar! O dono da loja respondeu: – Não, você não vai querer comprar esse. Se quiser realmente ficar com ele, eu lhe dou de presente. O menino emudeceu e, com os olhos marejados de lágrimas, olhou firme para o dono da loja e falou: – Eu não quero que você o dê para mim. Aquele cachorrinho vale tanto quanto qualquer um dos outros e eu vou pagar tudo. Na verdade, eu lhe dou 3 dólares agora e 50 centavos por mês, até completar o preço total. Surpreso, o dono da loja contestou: – Você não pode querer realmente comprar este cachorrinho. Ele nunca vai poder correr, pular e brincar com você e com os outros cachorrinhos. O menino ficou muito sério, acocorou-se e levantou lentamente a perna esquerda da calça, deixando à mostra a prótese que usava para andar… Olhou bem para o dono da loja e respondeu: – Veja… Não tenho uma perna… Eu não corro muito bem e o cachorrinho vai precisar de alguém que entenda isso.” “As vezes desprezamos as pessoas com que convivemos todos os dias, por causa dos seus “defeitos”, quando na verdade somos tão iguais ou mesmo pior do que elas. Desconsideramos que essas mesmas pessoas precisam apenas de alguém que as compreendam e as amem, não pelo que elas poderiam fazer, mas pelo que realmente são. Amar a todos é difícil, mas não é impossível.

Sejamos mais tolerantes e solidários com os DIFERENTES!
Carinhosamente. DEBORAH PRATES

O SER HUMANO NÚ E CRÚ, VOCÊ É ASSIM? junho/2010

16:39 | Dra. Deborah Prates | Sem comentários

Sou DEBORAH PRATES – cega e usuária de cão-guia e, como todo “DIFERENTE” não consigo escapar dos atos de DISCRIMINAÇÃO diário distribuídos pelos nossos semelhantes. Triste? Sem dúvida. Muito cruel! Mas uma REALIDADE pela qual nos cumpre LUTAR E LUTAR para que desapareça do PLANETA TERRA. Penso que só com o diálogo e o amor seremos capazes de tocar o coração das pessoas para que, verdadeiramente, nos olhem como seus pares nessa sociedade tão engessada pela indústria da moda. Lamentavelmente, nesse particular, não há um “modelito” para os DIFERENTES. Só para se ter uma ideia somente em passado próximo é que a sociedade está se voltando para o tema “ACESSIBILIDADE”. Importante para que os brasileiros – de fato – exerçam os seus direitos individuais e coletivos plenamente. Sugiro, então, que os amigos Motoristas reflitam sobre o texto extraído do livro “Psycho-Pictography”, de Vernon Howard. Segue o trecho para meditação: “Conta-se uma fábula sobre um homem que caminhava vacilante pela estrada, levando uma grande pedra numa mão e um tijolo na outra. Nas costas carregava um saco de terra; em volta do peito trazia vinhas penduradas. Pelo caminho encontrou um transeunte que lhe perguntou: ‘Cansado viajante, por que carrega essa pedra tão grande?’ ‘É estranho’, respondeu o viajante, ‘mas eu nunca tinha realmente notado que a carregava.’ Então, ele jogou a pedra fora e se sentiu muito melhor. Em seguida veio outro transeunte que lhe perguntou: ‘Diga-me, cansado viajante, por que carrega esse saco de terra tão pesado?’ ‘Estou contente que me tenha feito essa pergunta’, disse o viajante, ‘porque eu não tinha percebido o que estava fazendo comigo mesmo.’ Então ele jogou o saco de terra fora e continuou seu caminho com passos muito mais leves. Um por um, os transeuntes foram avisando-o a respeito de suas cargas desnecessárias. E ele foi abandonando uma a uma. Por fim, tornou-se um homem livre e caminhou mais tranquilo e mais feliz. Qual era na verdade o problema dele? A pedra, o saco de terra? Não. Era a falta de consciência da existência desses pesos. Uma vez que as viu como cargas desnecessárias, livrou-se delas bem depressa e já não se sentia mais tão cansado. Esse é o problema de muitas pessoas. Elas estão carregando cargas sem perceber. Não é de se estranhar que estejam tão desanimadas! O que são algumas dessas cargas que pesam na mente de uma pessoa e que roubam as suas energias? a. Pensamentos negativos. b. Culpar e acusar outras pessoas. c. Pemitir que impressões tenebrosas descansem na mente. d. Carregar uma falsa carga de culpa por coisas que não poderiam ter evitado. e. Auto-piedade. f. Acreditar que não existe saída. Todo mundo tem o seu tipo de carga especial, que rouba energia. Quanto mais cedo começarmos a descarregá-la, mais cedo nos sentiremos melhor e caminharemos mais levemente.” – Pois é! Queridos amigos Motoristas, que tal se tirássemos de um lado o peso do PRECONCEITO! D outro lado arrancássemos o peso da DISCRIMINAÇÃO! De quebra descarregássemos um punhado do nosso EGOÍSMO! Certo é que se estamos – em junho de 2010 – fazendo esse questionamento é porque, sem dúvida, não conseguimos responder as perguntas de SÉCULOS PASSADOS. Os DIFERENTES – de longe – cogitam em autopiedade. Ao contrário. Estão na luta de frente enfrentando as adversidades. A sociedade há que nos ver como SEMELHANTES que somos! Deixemos de caminhar pela estrada da vida ARRASTANDO esses horríveis fardos nas nossas almas. Façamos um exame de CONSCIÊNCIA e, um a um, como o viajante do texto, vamos abandonando esses MAUS sentimentos que nos corroem a todos. Não é difícil! É só questão de boa vontade. Vamos encarar?

O SER HUMANO NÚ E CRÚ, VOCÊ É ASSIM? maio/2010

16:38 | Dra. Deborah Prates | Sem comentários

Sou DEBORAH PRATES – advogada cega e usuária de cão-guia. De quando em vez – por solidariedade – esse tabloide “FOLHA DO MOTORISTA” vem nos dando um espaço pra que possamos interagir com os amigos Motoristas, pelo que, mais esta vez, registramos os nossos agradecimentos. Imaginem que, nos meus estudos diários de direito, li um artigo comentando sobre um Projeto de Lei de um nobre Deputado, pelo qual pretendia instituir o “DIA DO SEXO”. Para tanto, sugeriu fosse o dia 14 de janeiro. INDIGNADA FIQUEI! Claro! Num Brasil onde a população precisa de alimentos, educação e saúde (básicos) uma proposta dessas é, no mínimo, um acinte a dignidade da Pessoa Humana! Pois é! Então trouxe para o nosso EXERCÍCIO periódico de cidadania um texto para reflexão. Na verdade os textos que trago habitualmente NÃO são de minha autoria. Apenas são escritos que dizem muito e que merecem ser vividos por todos os mortais como treinamento de vida. Ao invés da instituição do “DIA DO SEXO”, sugiro – como Projeto de Lei – seja apresentado para votação em Brasília o “DIA DO TROCA-TROCA DAS MÁSCARAS”. Em que consiste essa sugestão? Consiste em um exercício onde um DIFERENTE troca sua MÁSCARA com um IGUAL. Durante um período, por exemplo, eu (cega) trocaria a minha máscara com um parlamentar (o Pres. Lula da Silva). Nesse exercício “Lula”, de OLHOS VENDADOS e de posse de JIMMY PRATES faria a sua rotina dentro e fora do Palácio tendo que enfrentar todas as adversidades que eu enfrento no dia-a-dia. Não seria legal? Enquanto esse Projeto de Lei não é apresentado trago para vocês um texto super lindo – que NÃO é de minha autoria – para que os amigos se coloquem nos lugares dos DIFERENTES e meditem como é difícil sobreviver nessa SELVA DE ASFALTO! Depois, se puderem, comentem com o JOrnal (por e-mail) sobre a sugestão do DIA DO TROCA-TROCA DAS MÁSCARAS. Vai abaixo o texto: “Vista Cansada. Se eu morrer, morre comigo um certo modo de ver, disse o poeta. Um poeta é só isto: um certo modo de ver. O problema é que, de tanto ver, a gente banaliza o olhar. Vê não-vendo. Experimente ver pela primeira vez o que você vê todo dia, sem ver. Parece fácil, mas não é. O que nos cerca, o que nos é familiar, já não desperta curiosidade. O campo visual da nossa rotina é como um vazio. Você sai todo dia, por exemplo, pela mesma porta. Se alguém lhe perguntar o que é que você vê no seu caminho, você não sabe. De tanto ver, você não vê. Sei de um profissional que passou 32 anos a fio pelo mesmo hall do prédio do seu escritório. Lá estava sempre, pontualíssimo, o mesmo porteiro. Dava-lhe bom-dia e às vezes lhe passava um recado ou uma correspondência. Um dia o porteiro cometeu a descortesia de falecer. Como era ele? Sua cara? Sua voz? Como se vestia? Não fazia a mínima idéia. Em 32 anos, nunca o viu. Para ser notado, o porteiro teve que morrer. Se um dia no seu lugar estivesse uma girafa, cumprindo o rito, pode ser também que ninguém desse por sua ausência. O hábito suja os olhos e lhes baixa a voltagem. Mas há sempre o que ver. Gente, coisas, bichos. E vemos?

Não, não vemos. Uma criança vê o que o adulto não vê. Tem olhos atentos e limpos para o espetáculo do mundo. O poeta é capaz de ver pela primeira vez o que, de fato, ninguém vê. Há pai que nunca viu o próprio filho. Marido que nunca viu a própria mulher, isso existe às pampas. Nossos olhos se gastam no dia-a-dia, opacos. É por aí que se instala no coração o monstro da indiferença.”

Como DIFERENTE/CEGA é que peço-lhes que não ajam com INDIFERENÇA diante dos semelhantes. É muito triste não ser notado, e mais triste é, ainda, sermos HUMILHADOS com o mau hábito da DISCRIMINAÇÃO. Pensem nisso! Por um Brasil mais IGUALITÁRIO EM OPORTUNIDADES.

O SER HUMNO NÚ E CRÚ, VOCÊ É ASSIM? abril/2010

16:36 | Dra. Deborah Prates | Sem comentários

Sou DEBORAH PRATES, advogada, cega e usuária de cão-guia. JIMMY PRATES (labrador) melhorou enormemente a qualidade de vida de nossa Família. A partir dele tenho um olho quadrúpede a me levar para one necessito. Até a tal DISCRIMINAÇÃO fora minimizada com JIMMY. Agora fui PROMOVIDA de “A CEGUINHA” para “A MULHER DO CACHORRO”! Muito curioso e peculiar essa abordagem. A cada dia os DIFERENTES continuam a ser massacrados pelos nossos semelhantes que se acham MAIS IGUAIS que os demais. Essa malvadeza tem que acabar. Para a reflexão dos amigos Motoristas trago o texto abaixo: “A Folha de Papel. Quando mais jovem, por causa de meu caráter impulsivo, tinha raiva e na menor provocação, explodia magoando meus amigos. Na maioria das vezes, depois de um desses incidentes me sentia envergonhado e me esforçava por consolar a quem tinha magoado. Um dia, meu professor me viu pedindo desculpas depois de uma explosão de raiva, e me entregou uma folha de papel lisa e dizendo: – Amasse-a! Com medo, obedeci e fiz com ela uma bolinha. – Agora -voltou a dizer-me- deixe-a como estava antes. É obvio que não pude deixá-la como antes. Por mais que tentei, o papel ficou cheio de pregas. Então, disse-me o professor: – O coração das pessoas é como esse papel…a impressão que neles deixamos será tão difícil de apagar como esses amassados. Assim aprendi a ser mais compreensivo e mais paciente. Quando sinto vontade de estourar, lembro deste papel amassado. A impressão que deixamos nas pessoas é impossível de apagar . Quando magoamos com nossas ações ou com nossas palavras, logo queremos consertar o erro, mas muitas vezes é tarde demais. Alguém disse, certa vez: ” Fale quando tuas palavras sejam tão suaves como o silêncio.”" Pois é! Vale enfatizar que no peito dos DIFERENTES existe um coração como o seu! A dor/ofensa vinda da força de um ato de discriminação nunca mais se desamassará. Sempre seremos uma folha de papel amassada. No entretanto, que restem apenas as marcas das dobraduras, mas sem as ofensas/humilhações diárias. Coloquem-se um pouquinho em nossos lugares! Por um BRASIL mais JUSTO E IGUAL! De fato, um BRASIL PARA TODOS!

O SER HUMANO NÚ E CRÚ, VOCÊ É ASSIM? março/2010

16:34 | Dra. Deborah Prates | Sem comentários

Olá Amigos Motoristas! Sou DEBORAH PRATES – cega e usuária de cão-guia. Todos os dias os “DIFERENTES” estão expostos as hostilidades da sociedade que não está preparada para o convívio comum. Natural! Porque? Ora, o que é diferente nos causa estranheza! Por isso é que agradecemos a Equipe da “FOLHA DO MOTORISTA” a oportunidade mensal que nos dá para, com todo amor, convidá-los a fazer conosco um exercício mental de cidadania. A ideia é trazermos textos verdadeiros que levem os nossos semelhantes a se colocarem nos lugares dos protagonistas nas mais diferentes situações. Para esse março selecionamos o texto que se segue. A nota é internacional e diz, mais ou menos assim: Aquela poderia ser mais uma manhã como outra qualquer. Eis que o sujeito desce na estação do metrô de Nova York, vestindo jeans, camiseta e boné. Encosta-se próximo à entrada. Tira o violino da caixa e começa a tocar com entusiasmo para a multidão que passa por ali, bem na hora do rush matinal. Mesmo assim, durante os 45 minutos em que tocou, foi praticamente ignorado pelos passantes. Ninguém sabia, mas o músico era Joshua Bell, um dos maiores violinistas do mundo, executando peças musicais consagradas, num instrumento raríssimo, um Stradivarius de 1713, estimado em mais de 3 milhões de dólares.

Alguns dias antes, Bell havia tocado no Symphony Hall de Boston, onde os melhores lugares custaram a bagatela de mil dólares. A experiência no metrô, gravada em vídeo, mostra homens e mulheres de andar ligeiro, copo de café na mão, celular no ouvido, crachá balançando no pescoço, indiferentes ao som do violino. A iniciativa, realizada
pelo jornal The Washington Post, era a de lançar um debate sobre valor, contexto e arte.

A conclusão é de que estamos acostumados a dar valor às coisas, quando estão num contexto. Bell, no metrô, era uma obra de arte sem moldura. Um artefato de luxo sem etiqueta de grife.

Esse é mais um exemplo daquelas tantas situações que acontecem em nossas vidas, que são únicas, singulares e a que não damos importância, porque não vêm com a etiqueta de preço. Afinal, o que tem valor real para nós, independentemente de marcas, preços e grifes? É o que o mercado diz que podemos ter, sentir, vestir ou ser?

Será que os nossos sentimentos e a nossa apreciação de beleza são manipulados pelo mercado, pela mídia e pelas instituições que detêm o poder financeiro? Será que estamos valorizando somente aquilo que está com etiqueta de preço? Uma empresa de cartões de crédito vem investindo, há algum tempo, em propaganda onde, depois de mostrar vários itens, com seus respectivos preços, apresenta uma cena de afeto, de alegria e informa: Não tem preço. E é isso que precisamos aprender a valorizar. Aquilo que não tem preço, porque não se compra. Não se compra a amizade, o amor, a afeição. Não se compra carinho, dedicação, abraços e beijos. Não se compra raio de sol, nem gotas de chuva. A canção do vento que passa sibilando pelo tronco oco de uma árvore é grátis. A criança que corre, espontânea, ao nosso encontro e se pendura em nosso pescoço, não tem preço. O colar que ela faz, contornando-nos o pescoço com os braços não está à venda em nenhuma joalheria. E o calor que transmite dura o quanto durar a nossa lembrança.

O ar que respiramos, a brisa que embaraça nossos cabelos, o verde das árvores e o colorido das flores é nos dado por Deus, gratuitamente.

Pensemos nisso e aproveitemos mais tudo que está ao nosso alcance, sem preço, sem patente registrada, sem etiqueta de grife. Usufruamos dos momentos de ternura que os amores nos ofertam, intensamente, entendendo que sempre a manifestação do afeto é única, extraordinária, especial.

Fiquemos mais atentos ao que nos cerca, sejamos gratos pelo que nos é ofertado e sejamos felizes, desde hoje, enquanto o dia nos sorri e o sol despeja luz em nosso coração apaixonado pela vida.

Pois é! Também a solidariedade não tem preço. Certo é que as pessoas valem pela sua essência e não pelo seu estereotipo. Pouco importa se a embalagem não está perfeita. Indubitavelmente existem grandes celebridades, em todas as áreas, que são DIFERENTES e que enobrecem o planeta. Reflitam sobre o tema e abram essa discussão com seus amigos e familiares.

“É maravilhoso ter ouvidos e olhos na alma. Isto completa a alegria de viver.” Helen Keller

O SER HUMANO NÚ E CRÚ, VOCÊ É ASSIM? fevereiro/2010

16:28 | Dra. Deborah Prates | Sem comentários

Olá AMIGOS MOTORISTAS! Sou DEBORAH PRATES – CEGA E USUÁRIA DE CÃO-GUIA.Trago para o nosso exercício mensal de cidadania e solidariedade o texto que se segue. O exercício está, justamente, em nos colocarmos no lugar dos personagens para questionarmos as suas atitudes.

Dois homens, seriamente doentes, ocupavam o mesmo quarto em um hospital. Um deles ficava sentado em sua cama por uma hora todas as tardes para conseguir drenar o liquido de seus pulmões. Sua cama ficava próxima de uma janela existente no quarto. O outro homem era obrigado a ficar de bruços em sua cama por todo o tempo. Eles conversavam muito. Falavam sobre suas mulheres e suas famílias, suas casas, seus empregos, seu envolvimento com o serviço militar, onde costumavam ir nas férias. E toda a tarde quando o homem da janela podia sentar-se ele passava todo o tempo descrevendo ao companheiro todas as coisas que ele podia ver pela janela. O homem na outra cama começou a esperar por esse período onde seu mundo era ampliado e animado pelas descrições do companheiro. Ele dizia que da janela dava para ver um parque com um lago bem legal. Patos e cisnes brincavam na água enquanto as crianças navegavam seus pequenos barcos. Jovens namorados andavam de braços dados no meio de flores e estas possuíam todas as cores do arco íris. Grandes e velhas árvores cheias de elegância na paisagem, e uma fina linha podia ser vista no céu da cidade. Quando o homem perto da janela fazia suas descrições, ele fazia de modo primoroso e delicado, com detalhes e o outro homem perto da janela descreveu que havia um desfile na rua e embora ele não pudesse escutar a música, ele podia ver e descrever tudo. Dias e semanas passaram-se. Em uma manhã a enfermeira do dia chegou trazendo água para o banho dos dois homens mas achou um deles morto. O homem que ficava perto da janela morreu pacificamente durante seu sono à noite. Ela estava entristecida e chamou os atendentes do hospital para levarem o corpo. Assim que julgou conveniente, o outro homem pediu a enfermeira que mudasse sua cama para perto da janela. A enfermeira ficou feliz em poder fazer esse favor para o homem e depois de verificar que ele estava confortável o deixou sozinho no quarto. Vagarosamente, pacientemente, ele se apoiou em seu cotovelo para conseguir olhar pela primeira vez pela janela. Finalmente, ele poderia ver tudo por si mesmo. Ele se esticou ao máximo lutando contra a dor para poder olhar através da janela e quando conseguiu faze-lo deparou-se com um muro todo branco. Ele então perguntou a enfermeira o que teria levado seu companheiro descrever-lhe coisas tão belas, todos os dias, se pela janela só dava para ver um muro branco. A enfermeira respondeu que aquele homem era cego e não poderia ver nada, mesmo que quisesse. Talvez ele só estivesse pensando em distraí-lo e alegra-lo um pouco com suas histórias. Moral da história: há uma tremenda alegria em fazer as outras pessoas felizes, independente da nossa situação atual. Dividir problemas e pesares é ter metade de uma aflição, mas felicidade quando compartilhada é ter o dobro de felicidade. Se quer sentir-se rico, apenas conte todas as coisas que você tem e o dinheiro não pode comprar. Hoje é um presente e é por isso que é chamado assim.

Pois é! Então, amigos MOTORISTAS! Sejamos solidários e humanos. Vençam os preconceitos e consequentes discriminações. Vejam os “DEFICIENTES” como BRASILEIROS!

O SER HUMANO NÚ E CRÚ, VOCÊ É ASSIM? janeiro/2010

16:27 | Dra. Deborah Prates | Sem comentários

Olá! Sou DEBORAH PRATES, cega e usuária de cão-guia. Diariamenteestou sujeita, assim como todo deficiente, as agruras da sorte. Na intenção de dizer a sociedade que saiba nos recepcionar é que, convido os amigos MOTORISTAS para que se coloquem no lugar do protagonista de uma tese de psicólogo que versa sobre a INVISIBILIDADE SOCIAL. Diz o psicólogo: “Fingi ser gari por 8 anos e vivi como um ser invisível”. Psicólogo varreu as ruas da USP para concluir sua tese de mestrado da “invisibilidade pública”. Ele comprovou que, em geral, as pessoas enxergam apenas a função social do outro. Quem não está bem posicionado sob esse critério, vira mera sombra social… – Plínio Delphino, Diário de São Paulo – O psicólogo social Fernando Braga da Costa vestiu uniforme e trabalhou oito anos como gari, varrendo ruas da Universidade de São Paulo. Ali, constatou que, ao olhar da maioria, os trabalhadores braçais são “seres invisíveis, sem nome”. Em sua tese de mestrado, pela USP, conseguiu comprovar a existência da “invisibilidade pública”, ou seja, uma percepção humana totalmente prejudicada e condicionada à divisão social do trabalho, onde enxerga-se somente a função e não a pessoa. Braga trabalhava apenas meio período como gari, não recebia o salário de R$ 400 como os colegas de vassoura, mas garante que teve a maior lição de sua vida: “Descobri que um simples bom dia, que nunca recebi como gari, pode significar um sopro de vida, um sinal da própria existência”, explica o pesquisador. O psicólogo sentiu na pele o que é ser tratado como um objeto e não como um ser humano. “Professores que me abraçavam nos corredores da USP passavam por mim, não me reconheciam por causa do uniforme. Às vezes, esbarravam no meu ombro e, sem ao menos pedir desculpas, seguiam me ignorando, como se tivessem encostado em um poste, ou em um orelhão”, diz.. No primeiro dia de trabalho paramos pro café. Eles colocaram uma garrafa térmica sobre uma plataforma de concreto. Só que não tinha caneca. Havia um clima estranho no ar, eu era um sujeito vindo de outra classe, varrendo rua com eles. Os garis mal conversavam comigo, alguns se aproximavam para ensinar o serviço. Um deles foi até o latão de lixo pegou duas latinhas de refrigerante cortou as latinhas pela metade e serviu o café ali, na latinha suja e grudenta. E como a gente estava num grupo grande, esperei que eles se servissem primeiro. Eu nunca apreciei o sabor do café. Mas, intuitivamente, senti que deveria tomá-lo, e claro, não livre de sensações ruins. Afinal, o cara tirou as latinhas de refrigerante de dentro de uma lixeira, que tem sujeira, tem formiga, tem barata, tem de tudo. No momento em que empunhei a caneca improvisada, parece que todo mundo parou para assistir à cena, como se perguntasse: ‘E aí, o jovem rico vai se sujeitar a beber nessa caneca?’ E eu bebi. Imediatamente a ansiedade parece que evaporou. Eles passaram a conversar comigo, a contar piada, brincar.
O que você sentiu na pele, trabalhando como gari? Uma vez, um dos garis me convidou pra almoçar no bandejão central. Aí eu entrei no Instituto de Psicologia para pegar dinheiro, passei pelo andar térreo, subi escada, passei pelo segundo andar, passei na biblioteca, desci a escada, passei em frente ao centro acadêmico, passei em frente a lanchonete, tinha muita gente conhecida. Eu fiz todo esse trajeto e ninguém em absoluto me viu. Eu tive uma sensação muito ruim. O meu corpo tremia como se eu não o dominasse, uma angustia, e a tampa da cabeça era como se ardesse, como se eu tivesse sido sugado. Fui almoçar, não senti o gosto da comida e voltei para o trabalho atordoado. E depois de oito anos trabalhando como gari? Isso mudou? Fui me habituando a isso, assim como eles vão se habituando também a situações pouco saudáveis.. Então, quando eu via um professor se aproximando – professor meu – até parava de varrer, porque ele ia passar por mim, podia trocar uma idéia, mas o pessoal passava como se tivesse passando por um poste, uma árvore, um orelhão. E quando você volta para casa, para seu mundo real? Eu choro. É muito triste, porque, a partir do instante em que você está inserido nessa condição psicossocial, não se esquece jamais. Acredito que essa experiência me deixou curado da minha doença burguesa. Esses homens hoje são meus amigos. Conheço a família deles, freqüento a casa deles nas periferias. Mudei. Nunca deixo de cumprimentar um trabalhador. Faço questão de o trabalhador saber que eu sei que ele existe. Eles são tratados pior do que um animal doméstico, que sempre é chamado pelo nome. São tratados como se fossem uma “COISA”. Ser “IGNORADO” é uma das piores sensações que existem na vida!

E você amigo MOTORISTA enxerga os que ocupam cargos de menor hierarquia? Enxerga, ainda, os “DIFERENTES”? Algum dia já se colocaram em nossos lugares? Então, vamos todos aproveitar que “2010″ está começando pra dar início a nossa marcha de SOLIDARIEDADE e AMOR ao próximo.

O SER HUMANO NÚ E CRÚ. VOCÊ É ASSIM?

16:24 | Dra. Deborah Prates | Sem comentários

Olá Amigos Taxistas e Passageiros. Sou DEBORAH PRATES – cega e usuária de cão-guia. Nessa época de FESTAS DE FINAL DE ANO é que o propósito dessa coluna tem muito mais oportunidade e eficácia. Isto porque estamos todos imbuídos dos mais nobres dos sentimentos, qual seja O AMOR em todas as suas versões. Por isso é que temos um grande pretexto para uma reflexão sobre os nossos últimos comportamentos relativamente aos nossos semelhantes. Será que nesse “2009″ fomos solidários? Será que fizemos pelo nosso próximo o que gostaríamos que tivessem feito por nós e pelos nossos Familiares? E para exercitarmos a nossa mente é que trago para os Amigos um texto sobre amizade e solidariedade. Segue o texto: “Um filho pergunta à mãe: Mãe, posso ir ao hospital ver meu amigo? Ele está doente! Responde a mãe: Claro, mas o que ele tem? O filho, com a cabeça baixa, diz: Tumor no cérebro. A mãe, furiosa, diz: E você quer ir lá para quê? Vê-lo morrer? O filho lhe dá as costas e vai… Horas depois ele volta Vermelho de tanto chorar. A mãe lhe interpela: E agora?! Tá feliz?! Valeu a pena ter visto aquela cena?! Uma última lágrima cai de seus olhos e, acompanhado de um sorriso,ele diz: Muito, pois cheguei a tempo de vê-lo sorrir e dizer: “- EU TINHA CERTEZA QUE VOCÊ VINHA!”

Moral da história: A amizade não se resume só em horas boas, alegria e festa. Amigo é para todas as horas, boas ou ruins, tristes ou alegres.

APRENDAM A CONSERVAR SEUS AMIGOS! O VALOR QUE ELES TÊM NÃO TEM PREÇO…”

Pois é! Vamos nos esforçar para fazer em “2.010″ tudo de bom e solidário que deixamos de fazer em “2.009″. Especificamente falo de AMOR, AMIZADE e SOLIDARIEDADE, bens esses que não estão a venda para esse NATAL! Todos esses bens trazemos dentro de nós, pelo que basta abrir as portas dos nossos corações e retirá-los e retirá-los…

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Apresentação

16:19 | Autores, Dra. Deborah Prates | Sem comentários

Sou DEBORAH PRATES – cega e usuária de cão-guia. Vivo na selvametropolitana do Rio de Janeiro e enfrento diariamente todas as adversidades inerentes de uma grande capital. Verdadeiramente todos parecemos INVISUAIS! Nítidamente ninguém vê ninguém! Ao despontar da portaria do meu prédio rumo à rua já levamos uma trombada. JIMMY PRATES (meu pessocão) e eu, de imediato, ficamos atônitos. E a vida só está começando em mais um dia. Pegamos o caminho do metrô e percebemos os transeuntes num empurra empurra vigoroso na ânsia de chegar sabe-se lá Deus aonde. Na escadaria para pegar o trem vários Tarzans seguem desvairadamente a nossa frente pelos corri-mãos até as plataformas numa demonstração de raiva para atingirem o primeiro lugar não se conhece em que categoria. E na saída da estação lá vai a massa feito boiada no gargalo do funil até o logradouro, onde se dispersam com a graça do Criador. Uma loucura! Jimmy Prates uma benção a me desviar – como pode – dos buracos, camelôs e suas bancas, raízes de árvores que afloram pelas calçadas, obras de todo tipo e sem qualquer segurança, orelhões, etc..
Nosso destino era um dos prédios da justiça onde, rude e irrefreavelmente, fui discriminada pela maior autoridade do Poder Judiciário do Estado do Rio de Janeiro. Total falta de discernimento, irreflexão, e insensatez um Semelhante conhecedor da legislação ordenar aos seus subordinados que seu manual de portaria se colocaria a frente de todo arcabouço LEGAL vigente!
Fui pedir a quem de direito autorização para a entrada de uma emissora de TV nas dependências do
foro central do Rio de Janeiro, a fim de que pudessem filmar matéria registrando a sociedade o maravilhoso e útil trabalho do cão-guia. Depois de frequentarmos essas instalações por mais de dois anos qual fora a surpresa ao ouvir que a TV e eu entraríamos, no entretanto, JIMMY PRATES ficaria guardado/custodiado pelos seguranças do Desembargador na portaria. Impôs o Dr. Presidente que – obrigatoriamente – eu teria que seguir caminho guiada por um componente de sua Equipe. Além da desventura da vida que retirou-me o sentido da visão, o Presidente do Tribunal de Justiça do RJ, imbuído de seus poderes, também quis castrar a minha VONTADE. Abruptamente teria a minha vontade INTERDITADA pelo tempo em que permanecesse no interior daquelas instalações por ele supervisionadas. Nem cão-guia, nem bengala, mas sim o braço/apoio de quem me fosse IMPOSTO! Eis o SER HUMANO NU E CRU! VOCÊ QUE ME LÊ É ASSIM?
Por ser uma militante do direito foi que fiquei ainda mais
perplexa. Constatei quão verdadeiro é o dito popular que diz que “O HÁBITO FAZ O MONGE.” Muito às duras penas certifiquei-me que – para alguns Semelhantes – o PODER sobe a cabeça e fala mais alto que a LEI E A RAZÃO. Não poderia ficar inerte diante de uma DISCRIMINAÇÃO tão flagrante! Por telefone contraargumentei com o Desembargador que, dentro da urbanidade e da ética da advocacia, de tudo faria para a restauração da minha dignidade tão INJUSTAMENTE aviltada. Mais mau foi dar ouvidos às palavras da maior autoridade do Poder Judiciário do RJ, quando – com ironia – indagou-me se JIMMY PRATES saberia ler a placa, por exemplo, existente sobre a porta da 24ª Vara Cível! Claro é que Jimmy sendo americano e só falando inglês não saberia ler o português!
Fato é que monstruosidades como essas que lhes relato não podem mais servir de palco para inúmeras reportagens pelos vários seguimentos da mídia. Aliás, sempre que posso, faço questão de registrar o enorme APREÇO aos que trabalham na “MÍDIA EM GERAL”, já que não fosse com as suas ajudas ainda os DIFERENTES estariam em situação infinitamente mais desastrosas.
Quanto custa uma carreira? Qual o valor de uma profissão? Pois é! Temos que lutar sim. Contudo, qual o preço a ser PAGO por reivindicarmos os nossos direitos? Asseguro-lhes que custa bem caro! Pós cegueira perdi todos os meus clientes. Normal! Duro! Sim. Porém, dentro do pensamento da maioria dos IGUAIS que insistem em associar a supressão de um sentido, por exemplo, com a perda da capacidade intelectual. E para desfazer tal premissa meus queridos Pares é que temos que nos unir para dizer NÃO. Não ao preconceito e não a consequente DISCRIMINAÇÃO. Verdadeiramente quem de nós daria uma causa para um advogado que demanda contra a MAIOR AUTORIDADE do Poder Judiciário do Estado onde reside? Certo é que fui enormemente prejudicada na minha sobrevivência por conta dessa INJUSTIÇA agora dividida com vocês. Sem dúvida alguma a UNIÃO FAZ A FORÇA E TODA A DIFERENÇA.
Na defesa do Estado do Rio de Janeiro feita para a minha ação objetivando o pagamento de uma indenização por danos morais, a Dra. Procuradora conseguiu, no exercício de seus misteres, agravar, ainda mais, a situação. Então foi que deixou mais evidenciado que a DISCRIMINAÇÃO é contra os CEGOS EM GERAL. Dentre os argumentos na defesa do Estado do RJ, usou um que até para película cinematográfica serviria de chacota e zombaria, ante a velocidade em que avança a tecnologia a serviço das redes de espionagens. Exemplificou a Procuradora que qualquer um poderia usar a fantasia de cego, colocando-se a bordo de óculos escuros e de uma bengala. Continuou a descrição da indumentária dando ao personagem a criatividade de lançar mão de um cão feroz, treinado para atacar, mas com sabedoria para disfarçar-se em generoso. Assim com bengala em uma das mãos e o cão feroz em outra poderia esse MALVADO adentrar em qualquer local público e violentar/atacar a sociedade, pelo que o Desembargador apenas fez proteger a coletividade, já que o cão-guia representaria um ANIMAL HOSTIL. Ora, nem para comédia se prestaria essa fita, vez que seriam os CEGOS OS “BOBOS DA CORTE”!

Lamentável é constatar que a legislação, antes de ser ignorada, fora ao menos, lida por quem JAMAIS se desculpa a ignorância. Se a legislação do cão-guia tivesse sido lida o temor do Desembargador estaria demolido, já que está expresso que para ser um guia o cão há que ser DÓCIL.
Esse personagem MALFEITOR teria que ser mesmo um indivíduo bronco, curto de inteligência, asno, burrego, estúpido, imbecil, jerico, para intentar um PLANO dessa “magnitude”, visto que seria pego – no primeiro gesto desatinado – no labirinto estrutural do prédio em questão. Até mesmo pela maravilhosa Equipe de Segurança que o Desembargador tanto enfatiza, cujo serviço assegura a INTEGRIDADE FÍSICA E EMOCIONAL dos transeuntes diários.
Na verdade a intenção do Desembargador foi a de atirar o cão-guia contra a sociedade para que esta o rejeitasse de plano. Tanto trabalho está tendo a mídia para educar os nossos Semelhantes quanto as benesses representadas por um cão-guia na vida de um cego para que, ARBITRARIAMENTE, venha o Desembargador Presidente do TJ/RJ destruir essa ainda frágil – construção. Realmente inconcebível! É o guia mais uma ferramenta a disposição dos cegos que por ela optarem. Logo, não podemos nos curvar a gestos antidemocráticos e, por conseguinte VERGONHOSOS, como os praticados pelos prepostos do Estado do Rio de Janeiro.
Realmente é de chorar, ter que repartir com vocês essas coisas extraordinárias e abomináveis!
E, mais uma vez, graças a “MÍDIA” foi que consegui em um tabloide periódico publicar alguns artigos com o objetivo de conscientizar a sociedade de que tem que recepcionar bem os DIFERENTES porque somos uma realidade. Porque somos sujeitos de obrigações e, por conseguinte, de direitos também! Porque somos tão cidadãos quanto os que se julgam IGUAIS! Porque temos o direito a vida e a ser feliz! Nesse espírito é que nesses artigos sempre transcrevo textos – que não são de minha autoria – de grande profundidade psicológica, de sorte a levar o leitor a se colocar nos papéis dos protagonistas das histórias e – ainda que hipoteticamente – trocar suas máscaras conosco e viver as adversidades a que estamos sujeitos. De certa forma chamo os leitores a serem solidários porque só no amor e no diálogo é que conseguiremos avançar contra o monstro da DISCRIMINAÇÃO.
Trago para esse “MUNDO CEGAL” alguns desses artigos, na intenção de que vocês tentem se imbuir desse espírito de luta e somem conosco nessa caminhada árdua, porém, plenamente POSSÍVEL se acreditarmos num MUNDO MAIS IGUALITÁRIO EM OPORTUNIDADES PARA TODOS. Vamos juntos?
Convido aos meus Pares leitores que interajam conosco escrevendo notas contando gestos discriminatórios a que já passaram e como passaram. A ideia é formarmos uma corrente de paz, amor e solidariedade em prol de todos.

Carinhosamente.

DEBORAH PRATES (cachogente) e JIMMY PRATES (pessocão)

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Crianças especiais, educação especial

17 de junho de 2010 0:28 | Vida diária | 1 comentário

Ninguém se desenvolve exactamente como aparece nos livros. Por isso, quando um adulto se apercebe de que uma criança não se enquadra numa ou noutra estimativa padronizada, não deve concluir imediatamente que esse factor por si só representa algum tipo de perturbação de desenvolvimento. Mas deve ficar alerta, observar com atenção o comportamento do miúdo e até tirar algumas notas. Se verificar que há repetição prolongada, informe o médico de família, peça ajuda e aceite a criança como ela é. São sugestões do terapeuta de psicomotricidade Francisco Lontro.

Como é que se pode detectar precocemente que se está perante uma criança diferente e que esta vai precisar de uma atenção especial? “Os pais desde muito cedo percebem que se passa qualquer coisa. Mas pensam: “Se calhar não é nada. Eu não quero que seja nada… Quero que o meu filho seja perfeitinho, muito feliz, que tenha tudo de bom na vida” e às vezes o sinal é recusado.”

Medos e dúvidas

A ansiedade própria de quem tem um bebé, com muitas dúvidas e medos, levam o terapeuta, ex-professor universitário, a dizer nas conferências em que participa: “O primeiro aspecto a ter em conta é o coração dos pais. O primeiro sinal é o mais difícil de expressar porque mexe com as ansiedades e com as dúvidas.”

Mas é imperioso estar atento desde os primeiros dias. Nos casos de surdez, por exemplo, que forem detectados até aos seis meses de idade e imediatamente intervencionados, a criança irá ter oralidade. Ou seja, poderá comunicar com a voz. Quem fala agora é Ana Pereira, docente de Educação Especial, com formação em comunicação, linguagem e deficiências auditivas. “Há pais que acham normal que as crianças não reajam a um som que possam emitir e não vão ligando. Ou não “querem” ligar. Quando vão fazer o rastreio, já é tarde.”

Iniciar a aprendizagem da linguagem gestual bastante cedo também irá facilitar o percurso escolar. “Tenho ex-alunos que estão agora no 12.º ano e têm óptimos resultados. Estes meninos só têm a falta do sentido de audição. Não há problemas cognitivos, motores ou outros. Nenhum repetiu um ano, apesar de a partir do 10.º ano terem deixado de ter apoio. Aqui [em Setúbal] mais ninguém tem esta especialidade.”

Como se pode definir então uma criança com necessidades educativas especiais? “É uma pergunta cada vez mais difícil de responder, sobretudo com a mudança de paradigma e da lei. As necessidades educativas especiais definem-se dentro do percurso que seria esperado de uma criança no ensino regular. Acontece quando a resposta da criança não se adequa a determinado nível de competências”, diz Francisco Lontro.

“São crianças que não podem utilizar todos os sentidos da mesma forma que nós, os ditos “normais”. Mas não quer dizer que não consigam atingir os mesmos objectivos, desde que trabalhados e bem acompanhados, que a maioria das outras crianças. Só que a outro ritmo”, responde Ana Pereira, que trabalha com miúdos há mais de 30 anos. “Uma criança numa cadeira de rodas também se enquadra aqui porque tem problemas de mobilidade, mas pode não ter qualquer outro problema.”

A Classificação Internacional de Funcionalidade (CIF), adoptada pela Organização Mundial de Saúde, foi criada por Rune J. Simeonsson e permite avaliar se as crianças necessitam de educação especial. Embora pretendendo ser uma linguagem unificada, perceptível em qualquer parte do mundo, na definição de parâmetros para a saúde e para a educação, não é de aceitação pacífica. Um relatório divulgado no final da semana passada pelo Instituto de Educação da Universidade do Minho dava conta disso mesmo.

Formar docentes e médicos

“Em Portugal, houve pouca formação da classe docente em CIF. Também os profissionais da saúde, principalmente os que estão em hospitais e centros, deveriam ter sido formados nesta classificação universal. Eles têm de certificar a diferença que a criança tem e não o sabem fazer”, diz a professora.

Francisco Lontro divide os casos que necessitam de ajuda em comportamentais e de aprendizagem. Nos primeiros, entra a hiperactividade: “Começa a ser preocupante quando o miúdo não consegue prestar atenção a nada, quando reage impulsivamente a qualquer coisa que lhe peçam ou tem grande incapacidade de atrasar a recompensa.” Mas lembra que a hiperactividade é um “saco muito grande”. Cabe lá “o défice de atenção, a depressão infantil e perturbações de vinculação (desorganização familiar)”.

O autismo, assim como a síndrome de Asperger são alguns dos problemas que por vezes são acompanhados de “défice na coordenação motora ou na comunicação, mas em termos cognitivos as crianças podem ter uma inteligência normal ou acima da média dirigida para assuntos específicos. Ser extraordinariamente competentes numas áreas, mas ter grandes lacunas noutros sectores do conhecimento”. Miúdos com hiperactividade e défice de atenção têm tendencialmente uma inteligência normal, mas a aprendizagem “ressente-se” devido aos outros problemas, daí a necessidade de diferentes ritmos e adaptações.

Inclusão com sucesso

Os jogos são uma boa via para trabalhar com estes miúdos. A brincadeira associada ao jogo é uma maneira fácil de de promover processos de interacção e desenvolvimento.

Numa das turmas a que Ana Pereira dá apoio (8.º A, na Escola Básica 2/3 de Aranguez, Setúbal), há uma criança surda, um aluno com muito baixa visão, uma criança com trissomia 18 e outra com esquizofrenia e crises psicóticas. “Por norma, só está na sala um professor de Educação Especial, independentemente da especialidade. Não era possível nem desejável ter um professor por cada tipo de problema (seria demasiada gente e perturbação) nem concentrar os problemas do mesmo tipo na mesma turma (juntar todos os invisuais, por exemplo)”, diz a professora.

E este é um bom exemplo de inclusão. “Esta turma é exemplar até em termos de comportamento. Há preocupação com os colegas. E os professores colaboram a 100 por cento. Funcionamos como par pedagógico. O mesmo acontece com o 9.ºA e o 6.ºC.” Mas, conta Ana Pereira, há professores que não autorizam que os colegas da Educação Especial ajudem os alunos durantes as suas aulas. “Nesses casos, não podendo fazer o meu trabalho, saio da sala.”

Fonte: Públic de hojea