Discriminação

13 de julho de 2010 0:02 | Dra. Deborah Prates | Sem comentários

TENSÃO NO CLIMA! Lá íamos nós a achar graça das próprias experiências. Cada qual contava um experimento tido com outro ser humano acerca dos dolorosos temas que nunca nos acostumaremos graças a nossa mania de ter fé na vida. Falávamos do preconceito e da discriminação. O papo ia longe!
Puxei a roda relembrando os episódios que sofri no meu condomínio onde resido quando ouvi: “A Dra. Deborah é advogada competente, mas é cega! Por isso tem que deixar as ações e o cargo de Conselheira Consultiva”. Relembrei a passagem que ainda está começando quando fui discriminada pela maior autoridade do Poder Judiciário do Estado do Rio de Janeiro, ao me impedir de entrar – onde já frequentava há dois anos – no foro central com meu pessocão de nome JIMMY PRATES.
Aninha já contava de certa feita, quando, acompanhada de mais duas amigas, encontraram com suas bengalas um banco da praça onde sentaram para um dedo de prosa. Logo após acomodarem-se ouviram: “Ah! Coitadinhas. Todas cegas! Vão para o INFERNO!”
Augusto, mais tímido, custou a descrever uma de suas passagens. Rodeou e rodeou mas fez nascer. Disse que, esfrega daqui e esfrega dali, veio o tesão e o encontro do motel com sua namorada. Duros como coco contaram o dinheiro e conseguiram a informação de local compatível. Finalmente encontraram. Ficava bem em frente a saída do metrô. Ao pegarem a reta da portaria ouviram: “Que lindos! Lá vão os ceguinhos para o motel! Que gracinha!”
Seguidamente veio Mônica com sua história. Esperava sentada
com sua amiga Vera a abertura de suas contas em um banco quando ouviram: “Com licença. Mas será que vocês poderiam me explicar uma curiosidade? É que sempre tive interesse de saber como um cego consegue transar no escuro! Como encontram o local correto para aquilo?”
Salete continuou no ritmo acrescentando que já ao final de sua gravidez, ao atravessar a rua, ouviu: “Coitadinha. Quem fez isso com você?”
Machado, com seu vozeirão grosso, aduziu logo após com sua parte. Narrou que no trajeto de um caminho a bordo de um ônibus, a pessoa ao seu lado disse-lhe: “Nossa! Você é tão bonito. Como pode ser cego?”
E o novelo de contos foi se desenrolando com lorotas para todo mau gosto. Coisas que até o Criador duvidaria ouvir de suas Criaturas!
De repente um silêncio! O clima ficou pesado/tenso. Os amigos ficaram introspectivos. Certamente todos pensavam sobre a dor sentida com as experiências trocadas.
Na manhã seguinte conversava com Carlos – com quem trabalho – sobre os episódios de preconceito e discriminação acima. Daí ele complementou dizendo que desde que se entendia por “gente” ouvia besteiras por ter nascido negro. Com consternação disse ter perdido as contas de quantas vezes ouviu: “Preto quando não c… na entrada, c… na saída!”
Esse nosso papo custou-nos uma manhã de amadurecimento. Lembramos de muitas histórias de conhecidos uma mais petrificante que a outra. Concluí que todos os DIFERENTES são vítimas de crimes idênticos. Mas como situações tão díspares podem ser idênticas?
Simples! Os “IGUAIS” discriminam tudo quanto foge a indústria da moda. Tudo quanto foge ao estereótipo da atual sociedade. Assim, quem não tem o corpo saradão e veste acima do manequim 40, já passa a ser visto como DIFERENTE.
Quem são os diferentes? Brincadeira de criança a resposta! Os gordos/obesos, os cadeirantes, os que se locomovem de muletas, os cegos, os negros, os que residem em comunidades, os que exercem cargos tidos como menores (varredores de rua, empregados domésticos, contínuos, e por aí afora.
No fundo a dor de quem sofre o gesto discriminatório é a mesma. A intenção do ofensor, melhor explicando, de quem discrimina também é a mesma, qual seja a de tão-só HUMILHAR/ESPEZINHAR seu semelhante.
Todo esse blá-blá-blá nos leva a pensar que de longe somos a minoria como dizem as más línguas. Nada disso! Somos mesmo é a VOZ DA MAIORIA. Sim. Contudo, uma MAIORIA DESUNIDA. Se passearmos sobre o resultado do último senso (IBGE/2000), conferiremos que os negros somados aos deficientes e aos aposentados e aos que moram na periferia, já somariam mais do que o grupo dos que intitulamos de “IGUAIS”.
Como mudar? A resposta está na cara! Basta descruzarmos os braços, secar as lágrimas que nos esforçamos em derramar, falar mais alto (na moral e no amor), lançar mão da nossa legislação e sair para a luta a FAVOR DA PAZ E DA SOLIDARIEDADE. Só isso.
No entretanto, é lamentável verificar a nossa inércia e medo de reivindicar o que está na Carta da República tão às duras penas conquistado.
Fecho esse artigo com o pensamento abaixo na ESPERANÇA de que os seres humanos que o leiam reflitam sobre as monstruosidades agora divididas. Está no legado de Martin Luher King:

“Aprendemos a voar como pássaros, e a nadar como peixes, mas não aprendemos a conviver como irmãos.”

Com todo o meu carinho.
DEBORAH PRATES (cachogente) e JIMMY PRATES (pessocão)

AS CRIANÇAS NA VIDA DO DEFICIENTE

7 de julho de 2010 23:32 | Dra. Deborah Prates, Geral | Sem comentários

Em bate-papo com amigos lançou-se o convite a uma troca de experiências acerca das crianças e familiares na vida dos deficientes. Nas respostas deu bem para constatar que os filhos e sobrinhos criados bem próximos aos deficientes cegos lhes ofertam tratamento carinhoso e proporcional a supressão do sentido. Numa das respostas veio um relato de um filho de menos de dois anos que levou a mão da mãe ao interruptor, a fim de que ela acendesse a luz para ele, bem como – noutra situação – lhe desviava de obstáculos na rua. Então, percebemos que a visão das crianças criadas ao lado da deficiência é de igual para igual na medida das desigualdades.
Já fora dessa intimidade as crianças da escola, por ilustração, discriminam os coleguinhas e seus familiares deficientes com total naturalidade. Claro que essa discriminação, tomando-se em conta a pureza das crianças, deve-se aos comentários que ouvem em seus lares.
Óbvio que são os adultos os culpados pelas atitudes das crianças, vez que as palavras de zombarias e discriminatórias partem desses responsáveis.
Conclui-se, pois, que Governo e sociedade, em sintonia fina, devem investir na educação dos pequenos a partir do maternal, no sentido de que aprendam a olhar para os diferentes com a mesma naturalidade com que olham para os iguais. Isso porque as crianças de hoje serão os adultos do amanhã!
Então, que façamos a nossa parte e comecemos a pulverizar mais sementinhas de amor, paz e solidariedade entre todos porque, certamente, uma haverá de vingar. Nada de esperar sentados pela mudança no mundo. “NAVEGAR É PRECISO”, pelo que façamos a nossa parte!
E para refletimos de forma mais profunda sobre essa troca de experiências é que lhes deixo a frase abaixo para futuro bate-papo.
“Nunca ande pelo caminho traçado, pois ele conduz somente até onde os outros foram.” (Alexandre Graham Bell – 1847/1922)
Pela nossa união hoje e sempre!
Carinhosamente.
DEBORAH PRATES (cachogente) e JIMMY PRATES (pessocão)

QUE SEJAMOS NÓS A MUDANÇA QUE QUEREMOS VER NO MUNDO

4 de julho de 2010 1:55 | Geral | Sem comentários

“Sejamos nós a mudança que queremos ver no mundo.” Eis um dos pensamentos maravilhosos de Mahatma Gandhi. Penso que é sob essa ótica que devemos enxergar o próximo OUTUBRO. Entendo que devemos começar a assumir os nossos erros politicamente falando. Se os políticos que estão hoje no poder nada fazem por nós é porque escolhemos mal os nossos representantes. A responsabilidade do voto é de suma importância para que, de fato, venhamos a ter um BRASIL COM MAIOR IGUALDADE DE OPORTUNIDADES. Se no passado recente vimos uma parlamentar fazendo a dança da pizza é nossa a responsabilidade desse gesto tão inconsequente, já que foi graças ao nosso voto que a deputada chegou ao Congresso Nacional. É preciso que tenhamos essa consciência para que no outubro vindouro possamos modificar o que não está funcionando e conservar o que está correto.
Reflitamos o que, verdadeiramente, vem sendo posto em prática de tudo quanto temos em nossa legislação pelos deficientes. Sim! Leis temos em abundância! Resta-nos exigir que sejam tantos diplomas legais cumpridos. Inconcebível é continuarmos acomodados e reclamando de falta de inclusão se, por inércia, não exercitamos o nosso direito de cidadania. Então, que “SEJAMOS NÓS A MUDANÇA QUE QUEREMOS VER NO MUNDO”, de modo que nas próximas eleições tenhamos a força do nosso VOTO a atuar como varinha de condão para garantir que os nossos direitos saiam do “papel” e passem a ser uma justa realidade. Tudo depende de nós.
Carinhosamente.
DEBORAH PRATES (cachogente) e JIMMY PRATES (pessocão)

INÍCIO DO USO DA BENGALA E DO CÃO GUIA

28 de junho de 2010 17:27 | Dra. Deborah Prates | Sem comentários

Sou DEBORAH PRATES – cega e usuária de cão-guia – evenho dividir com vocês Internautas uma pergunta feita num grupo de deficientes visuais, pela qual o Listante indaga sobre o início do uso da bengala e cão-guia logo no início da cegueira. Assim, trago para a apreciação e complemento de vocês a minha resposta, como se segue:

Olá amigo Listante

Então a nossa situação é semelhante, melhor dizendo as nossas preocupações iniciais. Isso porque fiquei cega faz 4 anos e tive que iniciar na bengala. Assim é que vou descrever-lhe a minha experiência, como vai abaixo.

1 – De plano, ainda no apagar das luzes (tempo em que via pouco) – já fui me adiantando nesse particular porque sabia que nos próximos dias estaria totalmente sem visão por conta da ingestão de corticoides. Isso ocorreu num final de janeiro e as aulas da minha filhotinha querida começava em meados de fevereiro. Logo, tinha muito a fazer em tão pouco tempo, pelo que não tive oportunidade para depressão e outras mazelas mais! Tive logo que por a mão na massa, como se diz na gíria!

2 – Fui logo buscar aulas de mobilidade numa escola para cegos do Rio de Janeiro e, sem surpresa, ouvi que não havia vaga para o curso que estaria começando em breve. Pediram para eu deixar meu nome numa lista de espera. Claro que não fiquei esperando a banda passar! Fui logo indagando quem seria a diretora ou o diretor. Sabido é que só não há jeito para a morte. E assim, consegui que um professor, em suas horas vagas e de folga, viesse a minha casa para ministrar – não mais – do que seis aulas de mobilidade/bengala. Foi uma pessoa maravilhosa e – de minha parte – fui bem objetiva. Sem tempo para lamentações. Pedi: Dá-me logo a bengala e pronto!

3 – Disse-me o instrutor que não era bem assim e que eu teria o momento correto para a bengala e que, antes de tudo, deveríamos bater alguns papos psicológicos e por ai afora! Lamentavelmente não tinha tempo para rodeios. O tempo urgia e os ponteiros do relógio eram implacáveis. Lamento, disse-lhe, mas quero pegar logo na bengala. O psicológico será resolvido entre nós duas e rápido!

4 – Na aula seguinte esse instrutor maravilhoso – mas espantado comigo – trouxe-me Berenice. Fazia pouco que eu havia lido um livro de aventuras onde o personagem, ao final da história, se via sozinho numa tormenta em alto mar e com seu barco pesqueiro todo arrebentado e equilibrando-se como podia gritou para uma onda gigantesca que vinha em sua direção: “VENHA! SUA FDP! NÃO TENHO MEDO DE VOCÊ!… Loucura total. Quando peguei Berê, com a mesma fúria do personagem descrito, ela já foi se montando sozinha nuns plecs-plecs abomináveis E, em pensamento, lhe dizia: “VENHA SUA FDP! NA PRIMEIRA GRACINHA EU LHE PARTO AO MEIO! Na verdade precisava desse desabafo rápido.. Nenhum tempo dispunha para estar num consultório de psicólogo e/ou qualquer similar. Tratei urgente de ir à rua com o instrutor. Precisava que as pessoas da redondeza me vissem usando Berê para que também desabafassem seus “dós”. E, inevitavelmente, lá fomos nós aos sons de: “Ah! Coitada! O que aconteceu Deborah…..

5 – Em mais cinco aulas e já estava a dar as minhas bengaladas sozinha. De plano o que me deixava furiosa foi a perda do espaço aéreo. Começávamos – por exemplo – do lado direito da calçada e quando percebia já estava quase a esbarrar o meio-fio oposto. Andava como peixe, valendo dizer na diagonal da vida. Logo verifiquei que Berê não iria se dar muito bem com a minha personalidade. Era tão, ou mais, cega que euzinha. Foi aí que pensei que um olho quadrúpede iria me ajudar e parti para o encontro do cão-guia.

6 – Pelo buscador minha filhota e eu encontramos na Internet o nome de uma fundação americana, cujas informações eram as melhores. Não falava inglês suficiente para me virar na América, tampouco para o envio de cartas no idioma. Cuidei de telefonar para um curso de inglês (IBEU), expondo para o encarregado a minha necessidade. No dia seguinte já recebia um telefonema daquela que tornou-se meu anjo da guarda. Era Marilena, uma professora de inglês que – entendendo meu caso – tudo fez para acertar as nossas necessidades e já começar com as aulas. Marilena ficou sensível, vez que tinha uma filha deficiente. E tome de aula e preenchimento de formulários, envio de documentos, entrevistas e muito mais. Muita papelada e informações até o dia da entrevista pelo telefone. Para mal dos meus pecados foram duas. Marilena e eu firmes e fortes! Ano e meio mais tarde minha filhota trazia da caixa de correspondência a carta dando-me parabéns pela vitória na conquista da vaga para ir fazer o curso de treinamento de 28 dias em Nova Yorque.

Nossa! Que alegria! E que pavor também de enfrentar o desconhecido e sem dominar a língua! Nunca minha filhota e eu havíamos nos separado por tanto tempo. A cabeça girava a mil por hora. Tudo decidido e resolvido em Família. Na arrumação da mala foram lágrimas para lá e para cá. Filha, parentes, amigos, afilhadas e eu derramávamos lágrimas. Pensei no rio de lágrimas vivido pelo personagem Alice, na história ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS.

7 – Procurava deixar o meu cérebro anestesiado no aeroporto Tom Jobim. Ao perceber a decolagem e ganhar a estabilidade nas alturas tive a certeza de que no voo de volta traria a totalidade da busca. Era a fundamentação da lei da atração dos corpos tão elementar na física quântica. Soube querer, pelo que JIMMY PRATES já me esperava na América. Pronto! Lá ia eu caminhando com apoio em um ombro americano pelo aeroporto J. Kennedy. E os 28 dias foram maravilhosos e muito aprendi sozinha por lá. Uma experiência de vida inenarrável. Sentia-me – verdadeiramente – um cego num tiroteio. O treinamento foi intenso e quase nem tínhamos tempo para escovar os dentes. Fiz muitos amigos com quem falo, pelo tradutor instalado em meu computador, com regularidade. JIMMY PRATES se adaptou muito bem e hoje somos uma Família feliz e com mil histórias para contar. Umas ótimas e outras tristes como, por exemplo, a discriminação que sofri praticada pelo Presidente do Tribunal de Justiça do RJ. Coisas da vida!

8 – Então, só usei a bengala por, mais ou menos, 18 meses. Agora o fato de ter cão-guia não significa, em absoluto, abandonar a amiga bengala. Não. É preciso que se tenha essa consciência. Há lugares que não devemos levar o cão. Isso porque é um ser vivo e não podemos expô-lo – por exemplo – em locais inadequados. Quando vou ao estádio do Maracanã ver meu FLUSÃO jogar não levo JIMMY PRATES. É a vez de Berê entrar em campo com seu traje de gala. Num show onde o volume do som é exagerado também não levo JIMMY PRATES. Então, o que temos que ter como princípio é o bom-senso em tudo na vida.

9 – Estou perfeitamente adaptada com Jimmy Prates. Digo-me cachogente e ele meu pessocão. Isso porque eu sou o seu cérebro e ele o meu olho. Logo, somos um só. A dupla há que estar perfeita e em plena sintonia. Nenhum dos dois pode errar. Digo que é melhor que um casamento. Isso porque no casamento a cada dia estamos mais perto do fim. Já com o cão-guia a cada dia estamos melhor. (rsrsrs) Interessante a metamorfose na cabeça das pessoas/semelhantes. Antes do cão-guia tratavam-me de: “A CEGUINHA”. Pós Jimmy Prates tratam-me: A MULHER DO CACHORRO, ou a advogada do cachorro. É, vejam meus amigos que evoluí!

10 – A bengala não nos dá gastos e nem trabalho com limpeza, veterinário, ração, etc… Em contrapartida, não nos dá a alegria de conviver com um amigo quadrúpede e de conquistar novos amigos no dia-a-dia. No metrô, por ilustração, é uma verdadeira festa. No vagão onde estamos todo mundo fala com todo mundo por conta de Jimmy. Cada um tem uma história para contar e dividir uns com os outros. É sempre um ponto de convergência e de união. Até mesmo quando temos que nos unir contra os não cachorrentos (que são a minoria). É uma grande companhia com quem converso a toda hora. A bengala não me desviava dos orelhões (telefones públicos muito mal colocados pelas calçadas), não me desviava das brechas dos andaimes de construções, não me desviava de obstáculos mais baixos que a minha cabeça, etc…. Já o guia faz tudo isso e andamos em boa velocidade. Até, quando é o caso, arrisco uma boa corridinha!

11 – Veja amigo Listante que tudo na vida há um lado bom e outro não tão agradável. Posso lhe assegurar que ter um cão-guia é fantástico quando se ama cachorro. A nossa qualidade de vida melhorou sensivelmente depois da chegada de JIMMY PRATES. Se precisar de incentivo tens o meu. Pense na opção com muito amor e carinho.

O CÃO SOMANDO FORÇA COM O HOMEM

26 de junho de 2010 16:42 | Dra. Deborah Prates | 3 comentários

Um mimo! Sim. É como podemos nos referir a um cãozinho de estimação. É aquele amigão que deixa os nossos momentos felizes ainda mais MARAVILHOSOS, fazendo papel semelhante nas horas em que estamos para baixo. É o amigo inconteste. É o animal a quem conferimos voto de predileção, sempre na frente de todas as candidaturas. Em contrapartida, temos que ser responsáveis e nos curvar as leis vigentes. Falo dos que extrapolam os seus direitos por puro abuso! Como assim? Num táxi ou outros meios de transportes os donos dos cães hão que levá-los dentro de caixas próprias. Há caixas de todos os tamanhos e para todos os tipos de animaisinhos de estimação. É uma segurança para o animal. É bom que saibam os que os amam! Também adaptá-los a entrar nas caixas não é trabalho difícil/complicado. Não. Basta que, em casa, na brincadeira estimulemos o cão ou o gato a entrar dentro da caixa de transporte. Assim ao tomar um táxi, por exemplo, o próprio animal já tomará a iniciativa de entrar nela para uma gostosa e não perigosa viagem seja para onde for. Então, para o cão de estimação seus donos têm que proceder algumas adaptações, a fim de evitar aborrecimentos de parte a parte.

Mas há outro lado para vermos o cão. Esse animal é ainda mais fantástico quando ajuda o homem, suprindo-lhe necessidades de sobrevivência. Falamos, sob esse enfoque, dos cães de trabalho. Últimamente profissionais especializados têm levado cães treinados aos hospitais, objetivando dar mais alento aos que sofrem, bem como impulsionando-lhes a recuperação. Pessoas idosas, muitas vezes por contingências da vida, suprem a solidão com o amigo cão. Incrível é imaginarmos o bem que o cão-guia faz aos cegos! Particularmente sou CEGA E USUÁRIA DE CÃO-GUIA, pelo que posso atestar aos amigos Leitores o quão a minha qualidade de vida melhorou após a chegada de JIMMY PRATES. É mais uma “ferramenta” para o deficiente visual lançar mão. A bengala, a guisa de ilustração, é tão cega quanto o próprio dono! Nas adversidades da vida diária trombamos contra orelhões, andaimes de construções, buracos e outros fatores arquitetônicos não detetáveis por ela. Já o cão-guia proporciona aos cegos um conforto e uma segurança inenarráveis para a sua locomoção, bem como para o equilíbrio/conforto emocional. Além de nos guiar, também exerce a função de uma grande companhia com quem podemos contar e conversar, quer sejam nos dias de sól, quer sejam nos dias de chuva.

Muitos de nossos Semelhantes, por falta de esclarecimentos sobre a questão, criticam o uso do cão-guia para o serviço do homem, sob a alegação de que são uns “coitados”. Absolutamente! Longe de serem “coitados”! Verdadeiramente são seres completos, já que não só trabalham, como, em contrapartida, têm seus momentos de lazer/brincadeira. Estão sempre na rua, nas festas, nos shoppings, aviões, praias, florestas, caminhadas mil, correndo atrás das suas bolas, nutrindo-se de ótimas rações, enfim, gozando de todo conforto e bem-estar que qualquer ser mortal almeja.

Até para a condução desses “trabalhadores” há diferença
relativamente aos de estimação. Os guias já não tem lógica serem transportados em caixas. Até porque seria incoerente com a sua condição. Para estes já chegou, ainda de forma tímida, ao mercado uma coleira que se adapta ao cinto de segurança dos carros, onde os cães poderão fazer as suas viagens com segurança, tanto quanto se estivessem nas caixas (como seus amigos de estimação). Fato é que todos devem resguardar as suas seguranças ao estarem em veículos em movimentação.

Por isso meus amigos Leitores é que há que ser dispensado um tratamento especial por parte da SOCIEDADE quando se está diante de um cão trabalhador. Para os que odeiam animais de todo gênero – a quem devemos o nosso respeito – temos a dizer que entendam o cão-guia, por exemplo, como SOLIDARIEDADE prestada a um Semelhante necessitado dele. Logo, independe de gostar ou não de um cão-guia.

O que há que ser perquirido é o BEM E O RESPEITO que se está dispondo para alguém que sofreu uma DESVENTURA DA VIDA. De fato a deficiência anda em paralelo na estrada das nossas vidas. Como garantir que “amanhã” o Leitor ou um de seus entes queridos não necessitará de ser guiado por um JIMMY PRATES?

Sem dúvida alguma temos que PARAR e pensar nas nossas atitudes diárias e, quando for o caso, revê-las. Para tanto é que sugiro que façamos juntos um exercício de cidadania com a leitura do texto abaixo – QUE NÃO É DE MINHA AUTORIA – que muito bem serve para refletirmos sobre as nossas condutas relativamente aos DEFICIENTES/DIFERENTES.

“Um menino entra na lojinha de animais e pergunta o preço dos filhotes a venda. Entre 30 e 50 dólares, respondeu o dono. O menino puxou uns trocados do bolso e disse: – Mas, eu só tenho 3 dólares… Poderia ver os filhotes? O dono da loja sorriu e chamou Lady, a mãe dos cachorrinhos, que veio correndo, seguida de cinco bolinhas de pêlo. Um dos cachorrinhos vinha mais atrás, com dificuldade, mancando de forma visível. O menino apontou aquele cachorrinho e perguntou: – O que é que há com ele? O dono da loja explicou que o veterinário tinha examinado e descoberto que ele tinha um problema na junta do quadril – mancaria e andaria devagar para sempre. O menino se animou e disse com enorme alegria no olhar… – Esse é o cachorrinho que eu quero comprar! O dono da loja respondeu: – Não, você não vai querer comprar esse. Se quiser realmente ficar com ele, eu lhe dou de presente. O menino emudeceu e, com os olhos marejados de lágrimas, olhou firme para o dono da loja e falou: – Eu não quero que você o dê para mim. Aquele cachorrinho vale tanto quanto qualquer um dos outros e eu vou pagar tudo. Na verdade, eu lhe dou 3 dólares agora e 50 centavos por mês, até completar o preço total. Surpreso, o dono da loja contestou: – Você não pode querer realmente comprar este cachorrinho. Ele nunca vai poder correr, pular e brincar com você e com os outros cachorrinhos. O menino ficou muito sério, acocorou-se e levantou lentamente a perna esquerda da calça, deixando à mostra a prótese que usava para andar… Olhou bem para o dono da loja e respondeu: – Veja… Não tenho uma perna… Eu não corro muito bem e o cachorrinho vai precisar de alguém que entenda isso.” “As vezes desprezamos as pessoas com que convivemos todos os dias, por causa dos seus “defeitos”, quando na verdade somos tão iguais ou mesmo pior do que elas. Desconsideramos que essas mesmas pessoas precisam apenas de alguém que as compreendam e as amem, não pelo que elas poderiam fazer, mas pelo que realmente são. Amar a todos é difícil, mas não é impossível.

Sejamos mais tolerantes e solidários com os DIFERENTES!
Carinhosamente. DEBORAH PRATES

O SER HUMANO NÚ E CRÚ, VOCÊ É ASSIM? junho/2010

16:39 | Dra. Deborah Prates | Sem comentários

Sou DEBORAH PRATES – cega e usuária de cão-guia e, como todo “DIFERENTE” não consigo escapar dos atos de DISCRIMINAÇÃO diário distribuídos pelos nossos semelhantes. Triste? Sem dúvida. Muito cruel! Mas uma REALIDADE pela qual nos cumpre LUTAR E LUTAR para que desapareça do PLANETA TERRA. Penso que só com o diálogo e o amor seremos capazes de tocar o coração das pessoas para que, verdadeiramente, nos olhem como seus pares nessa sociedade tão engessada pela indústria da moda. Lamentavelmente, nesse particular, não há um “modelito” para os DIFERENTES. Só para se ter uma ideia somente em passado próximo é que a sociedade está se voltando para o tema “ACESSIBILIDADE”. Importante para que os brasileiros – de fato – exerçam os seus direitos individuais e coletivos plenamente. Sugiro, então, que os amigos Motoristas reflitam sobre o texto extraído do livro “Psycho-Pictography”, de Vernon Howard. Segue o trecho para meditação: “Conta-se uma fábula sobre um homem que caminhava vacilante pela estrada, levando uma grande pedra numa mão e um tijolo na outra. Nas costas carregava um saco de terra; em volta do peito trazia vinhas penduradas. Pelo caminho encontrou um transeunte que lhe perguntou: ‘Cansado viajante, por que carrega essa pedra tão grande?’ ‘É estranho’, respondeu o viajante, ‘mas eu nunca tinha realmente notado que a carregava.’ Então, ele jogou a pedra fora e se sentiu muito melhor. Em seguida veio outro transeunte que lhe perguntou: ‘Diga-me, cansado viajante, por que carrega esse saco de terra tão pesado?’ ‘Estou contente que me tenha feito essa pergunta’, disse o viajante, ‘porque eu não tinha percebido o que estava fazendo comigo mesmo.’ Então ele jogou o saco de terra fora e continuou seu caminho com passos muito mais leves. Um por um, os transeuntes foram avisando-o a respeito de suas cargas desnecessárias. E ele foi abandonando uma a uma. Por fim, tornou-se um homem livre e caminhou mais tranquilo e mais feliz. Qual era na verdade o problema dele? A pedra, o saco de terra? Não. Era a falta de consciência da existência desses pesos. Uma vez que as viu como cargas desnecessárias, livrou-se delas bem depressa e já não se sentia mais tão cansado. Esse é o problema de muitas pessoas. Elas estão carregando cargas sem perceber. Não é de se estranhar que estejam tão desanimadas! O que são algumas dessas cargas que pesam na mente de uma pessoa e que roubam as suas energias? a. Pensamentos negativos. b. Culpar e acusar outras pessoas. c. Pemitir que impressões tenebrosas descansem na mente. d. Carregar uma falsa carga de culpa por coisas que não poderiam ter evitado. e. Auto-piedade. f. Acreditar que não existe saída. Todo mundo tem o seu tipo de carga especial, que rouba energia. Quanto mais cedo começarmos a descarregá-la, mais cedo nos sentiremos melhor e caminharemos mais levemente.” – Pois é! Queridos amigos Motoristas, que tal se tirássemos de um lado o peso do PRECONCEITO! D outro lado arrancássemos o peso da DISCRIMINAÇÃO! De quebra descarregássemos um punhado do nosso EGOÍSMO! Certo é que se estamos – em junho de 2010 – fazendo esse questionamento é porque, sem dúvida, não conseguimos responder as perguntas de SÉCULOS PASSADOS. Os DIFERENTES – de longe – cogitam em autopiedade. Ao contrário. Estão na luta de frente enfrentando as adversidades. A sociedade há que nos ver como SEMELHANTES que somos! Deixemos de caminhar pela estrada da vida ARRASTANDO esses horríveis fardos nas nossas almas. Façamos um exame de CONSCIÊNCIA e, um a um, como o viajante do texto, vamos abandonando esses MAUS sentimentos que nos corroem a todos. Não é difícil! É só questão de boa vontade. Vamos encarar?

O SER HUMANO NÚ E CRÚ, VOCÊ É ASSIM? maio/2010

16:38 | Dra. Deborah Prates | Sem comentários

Sou DEBORAH PRATES – advogada cega e usuária de cão-guia. De quando em vez – por solidariedade – esse tabloide “FOLHA DO MOTORISTA” vem nos dando um espaço pra que possamos interagir com os amigos Motoristas, pelo que, mais esta vez, registramos os nossos agradecimentos. Imaginem que, nos meus estudos diários de direito, li um artigo comentando sobre um Projeto de Lei de um nobre Deputado, pelo qual pretendia instituir o “DIA DO SEXO”. Para tanto, sugeriu fosse o dia 14 de janeiro. INDIGNADA FIQUEI! Claro! Num Brasil onde a população precisa de alimentos, educação e saúde (básicos) uma proposta dessas é, no mínimo, um acinte a dignidade da Pessoa Humana! Pois é! Então trouxe para o nosso EXERCÍCIO periódico de cidadania um texto para reflexão. Na verdade os textos que trago habitualmente NÃO são de minha autoria. Apenas são escritos que dizem muito e que merecem ser vividos por todos os mortais como treinamento de vida. Ao invés da instituição do “DIA DO SEXO”, sugiro – como Projeto de Lei – seja apresentado para votação em Brasília o “DIA DO TROCA-TROCA DAS MÁSCARAS”. Em que consiste essa sugestão? Consiste em um exercício onde um DIFERENTE troca sua MÁSCARA com um IGUAL. Durante um período, por exemplo, eu (cega) trocaria a minha máscara com um parlamentar (o Pres. Lula da Silva). Nesse exercício “Lula”, de OLHOS VENDADOS e de posse de JIMMY PRATES faria a sua rotina dentro e fora do Palácio tendo que enfrentar todas as adversidades que eu enfrento no dia-a-dia. Não seria legal? Enquanto esse Projeto de Lei não é apresentado trago para vocês um texto super lindo – que NÃO é de minha autoria – para que os amigos se coloquem nos lugares dos DIFERENTES e meditem como é difícil sobreviver nessa SELVA DE ASFALTO! Depois, se puderem, comentem com o JOrnal (por e-mail) sobre a sugestão do DIA DO TROCA-TROCA DAS MÁSCARAS. Vai abaixo o texto: “Vista Cansada. Se eu morrer, morre comigo um certo modo de ver, disse o poeta. Um poeta é só isto: um certo modo de ver. O problema é que, de tanto ver, a gente banaliza o olhar. Vê não-vendo. Experimente ver pela primeira vez o que você vê todo dia, sem ver. Parece fácil, mas não é. O que nos cerca, o que nos é familiar, já não desperta curiosidade. O campo visual da nossa rotina é como um vazio. Você sai todo dia, por exemplo, pela mesma porta. Se alguém lhe perguntar o que é que você vê no seu caminho, você não sabe. De tanto ver, você não vê. Sei de um profissional que passou 32 anos a fio pelo mesmo hall do prédio do seu escritório. Lá estava sempre, pontualíssimo, o mesmo porteiro. Dava-lhe bom-dia e às vezes lhe passava um recado ou uma correspondência. Um dia o porteiro cometeu a descortesia de falecer. Como era ele? Sua cara? Sua voz? Como se vestia? Não fazia a mínima idéia. Em 32 anos, nunca o viu. Para ser notado, o porteiro teve que morrer. Se um dia no seu lugar estivesse uma girafa, cumprindo o rito, pode ser também que ninguém desse por sua ausência. O hábito suja os olhos e lhes baixa a voltagem. Mas há sempre o que ver. Gente, coisas, bichos. E vemos?

Não, não vemos. Uma criança vê o que o adulto não vê. Tem olhos atentos e limpos para o espetáculo do mundo. O poeta é capaz de ver pela primeira vez o que, de fato, ninguém vê. Há pai que nunca viu o próprio filho. Marido que nunca viu a própria mulher, isso existe às pampas. Nossos olhos se gastam no dia-a-dia, opacos. É por aí que se instala no coração o monstro da indiferença.”

Como DIFERENTE/CEGA é que peço-lhes que não ajam com INDIFERENÇA diante dos semelhantes. É muito triste não ser notado, e mais triste é, ainda, sermos HUMILHADOS com o mau hábito da DISCRIMINAÇÃO. Pensem nisso! Por um Brasil mais IGUALITÁRIO EM OPORTUNIDADES.

O SER HUMNO NÚ E CRÚ, VOCÊ É ASSIM? abril/2010

16:36 | Dra. Deborah Prates | Sem comentários

Sou DEBORAH PRATES, advogada, cega e usuária de cão-guia. JIMMY PRATES (labrador) melhorou enormemente a qualidade de vida de nossa Família. A partir dele tenho um olho quadrúpede a me levar para one necessito. Até a tal DISCRIMINAÇÃO fora minimizada com JIMMY. Agora fui PROMOVIDA de “A CEGUINHA” para “A MULHER DO CACHORRO”! Muito curioso e peculiar essa abordagem. A cada dia os DIFERENTES continuam a ser massacrados pelos nossos semelhantes que se acham MAIS IGUAIS que os demais. Essa malvadeza tem que acabar. Para a reflexão dos amigos Motoristas trago o texto abaixo: “A Folha de Papel. Quando mais jovem, por causa de meu caráter impulsivo, tinha raiva e na menor provocação, explodia magoando meus amigos. Na maioria das vezes, depois de um desses incidentes me sentia envergonhado e me esforçava por consolar a quem tinha magoado. Um dia, meu professor me viu pedindo desculpas depois de uma explosão de raiva, e me entregou uma folha de papel lisa e dizendo: – Amasse-a! Com medo, obedeci e fiz com ela uma bolinha. – Agora -voltou a dizer-me- deixe-a como estava antes. É obvio que não pude deixá-la como antes. Por mais que tentei, o papel ficou cheio de pregas. Então, disse-me o professor: – O coração das pessoas é como esse papel…a impressão que neles deixamos será tão difícil de apagar como esses amassados. Assim aprendi a ser mais compreensivo e mais paciente. Quando sinto vontade de estourar, lembro deste papel amassado. A impressão que deixamos nas pessoas é impossível de apagar . Quando magoamos com nossas ações ou com nossas palavras, logo queremos consertar o erro, mas muitas vezes é tarde demais. Alguém disse, certa vez: ” Fale quando tuas palavras sejam tão suaves como o silêncio.”" Pois é! Vale enfatizar que no peito dos DIFERENTES existe um coração como o seu! A dor/ofensa vinda da força de um ato de discriminação nunca mais se desamassará. Sempre seremos uma folha de papel amassada. No entretanto, que restem apenas as marcas das dobraduras, mas sem as ofensas/humilhações diárias. Coloquem-se um pouquinho em nossos lugares! Por um BRASIL mais JUSTO E IGUAL! De fato, um BRASIL PARA TODOS!

O SER HUMANO NÚ E CRÚ, VOCÊ É ASSIM? março/2010

16:34 | Dra. Deborah Prates | Sem comentários

Olá Amigos Motoristas! Sou DEBORAH PRATES – cega e usuária de cão-guia. Todos os dias os “DIFERENTES” estão expostos as hostilidades da sociedade que não está preparada para o convívio comum. Natural! Porque? Ora, o que é diferente nos causa estranheza! Por isso é que agradecemos a Equipe da “FOLHA DO MOTORISTA” a oportunidade mensal que nos dá para, com todo amor, convidá-los a fazer conosco um exercício mental de cidadania. A ideia é trazermos textos verdadeiros que levem os nossos semelhantes a se colocarem nos lugares dos protagonistas nas mais diferentes situações. Para esse março selecionamos o texto que se segue. A nota é internacional e diz, mais ou menos assim: Aquela poderia ser mais uma manhã como outra qualquer. Eis que o sujeito desce na estação do metrô de Nova York, vestindo jeans, camiseta e boné. Encosta-se próximo à entrada. Tira o violino da caixa e começa a tocar com entusiasmo para a multidão que passa por ali, bem na hora do rush matinal. Mesmo assim, durante os 45 minutos em que tocou, foi praticamente ignorado pelos passantes. Ninguém sabia, mas o músico era Joshua Bell, um dos maiores violinistas do mundo, executando peças musicais consagradas, num instrumento raríssimo, um Stradivarius de 1713, estimado em mais de 3 milhões de dólares.

Alguns dias antes, Bell havia tocado no Symphony Hall de Boston, onde os melhores lugares custaram a bagatela de mil dólares. A experiência no metrô, gravada em vídeo, mostra homens e mulheres de andar ligeiro, copo de café na mão, celular no ouvido, crachá balançando no pescoço, indiferentes ao som do violino. A iniciativa, realizada
pelo jornal The Washington Post, era a de lançar um debate sobre valor, contexto e arte.

A conclusão é de que estamos acostumados a dar valor às coisas, quando estão num contexto. Bell, no metrô, era uma obra de arte sem moldura. Um artefato de luxo sem etiqueta de grife.

Esse é mais um exemplo daquelas tantas situações que acontecem em nossas vidas, que são únicas, singulares e a que não damos importância, porque não vêm com a etiqueta de preço. Afinal, o que tem valor real para nós, independentemente de marcas, preços e grifes? É o que o mercado diz que podemos ter, sentir, vestir ou ser?

Será que os nossos sentimentos e a nossa apreciação de beleza são manipulados pelo mercado, pela mídia e pelas instituições que detêm o poder financeiro? Será que estamos valorizando somente aquilo que está com etiqueta de preço? Uma empresa de cartões de crédito vem investindo, há algum tempo, em propaganda onde, depois de mostrar vários itens, com seus respectivos preços, apresenta uma cena de afeto, de alegria e informa: Não tem preço. E é isso que precisamos aprender a valorizar. Aquilo que não tem preço, porque não se compra. Não se compra a amizade, o amor, a afeição. Não se compra carinho, dedicação, abraços e beijos. Não se compra raio de sol, nem gotas de chuva. A canção do vento que passa sibilando pelo tronco oco de uma árvore é grátis. A criança que corre, espontânea, ao nosso encontro e se pendura em nosso pescoço, não tem preço. O colar que ela faz, contornando-nos o pescoço com os braços não está à venda em nenhuma joalheria. E o calor que transmite dura o quanto durar a nossa lembrança.

O ar que respiramos, a brisa que embaraça nossos cabelos, o verde das árvores e o colorido das flores é nos dado por Deus, gratuitamente.

Pensemos nisso e aproveitemos mais tudo que está ao nosso alcance, sem preço, sem patente registrada, sem etiqueta de grife. Usufruamos dos momentos de ternura que os amores nos ofertam, intensamente, entendendo que sempre a manifestação do afeto é única, extraordinária, especial.

Fiquemos mais atentos ao que nos cerca, sejamos gratos pelo que nos é ofertado e sejamos felizes, desde hoje, enquanto o dia nos sorri e o sol despeja luz em nosso coração apaixonado pela vida.

Pois é! Também a solidariedade não tem preço. Certo é que as pessoas valem pela sua essência e não pelo seu estereotipo. Pouco importa se a embalagem não está perfeita. Indubitavelmente existem grandes celebridades, em todas as áreas, que são DIFERENTES e que enobrecem o planeta. Reflitam sobre o tema e abram essa discussão com seus amigos e familiares.

“É maravilhoso ter ouvidos e olhos na alma. Isto completa a alegria de viver.” Helen Keller

O SER HUMANO NÚ E CRÚ, VOCÊ É ASSIM? fevereiro/2010

16:28 | Dra. Deborah Prates | Sem comentários

Olá AMIGOS MOTORISTAS! Sou DEBORAH PRATES – CEGA E USUÁRIA DE CÃO-GUIA.Trago para o nosso exercício mensal de cidadania e solidariedade o texto que se segue. O exercício está, justamente, em nos colocarmos no lugar dos personagens para questionarmos as suas atitudes.

Dois homens, seriamente doentes, ocupavam o mesmo quarto em um hospital. Um deles ficava sentado em sua cama por uma hora todas as tardes para conseguir drenar o liquido de seus pulmões. Sua cama ficava próxima de uma janela existente no quarto. O outro homem era obrigado a ficar de bruços em sua cama por todo o tempo. Eles conversavam muito. Falavam sobre suas mulheres e suas famílias, suas casas, seus empregos, seu envolvimento com o serviço militar, onde costumavam ir nas férias. E toda a tarde quando o homem da janela podia sentar-se ele passava todo o tempo descrevendo ao companheiro todas as coisas que ele podia ver pela janela. O homem na outra cama começou a esperar por esse período onde seu mundo era ampliado e animado pelas descrições do companheiro. Ele dizia que da janela dava para ver um parque com um lago bem legal. Patos e cisnes brincavam na água enquanto as crianças navegavam seus pequenos barcos. Jovens namorados andavam de braços dados no meio de flores e estas possuíam todas as cores do arco íris. Grandes e velhas árvores cheias de elegância na paisagem, e uma fina linha podia ser vista no céu da cidade. Quando o homem perto da janela fazia suas descrições, ele fazia de modo primoroso e delicado, com detalhes e o outro homem perto da janela descreveu que havia um desfile na rua e embora ele não pudesse escutar a música, ele podia ver e descrever tudo. Dias e semanas passaram-se. Em uma manhã a enfermeira do dia chegou trazendo água para o banho dos dois homens mas achou um deles morto. O homem que ficava perto da janela morreu pacificamente durante seu sono à noite. Ela estava entristecida e chamou os atendentes do hospital para levarem o corpo. Assim que julgou conveniente, o outro homem pediu a enfermeira que mudasse sua cama para perto da janela. A enfermeira ficou feliz em poder fazer esse favor para o homem e depois de verificar que ele estava confortável o deixou sozinho no quarto. Vagarosamente, pacientemente, ele se apoiou em seu cotovelo para conseguir olhar pela primeira vez pela janela. Finalmente, ele poderia ver tudo por si mesmo. Ele se esticou ao máximo lutando contra a dor para poder olhar através da janela e quando conseguiu faze-lo deparou-se com um muro todo branco. Ele então perguntou a enfermeira o que teria levado seu companheiro descrever-lhe coisas tão belas, todos os dias, se pela janela só dava para ver um muro branco. A enfermeira respondeu que aquele homem era cego e não poderia ver nada, mesmo que quisesse. Talvez ele só estivesse pensando em distraí-lo e alegra-lo um pouco com suas histórias. Moral da história: há uma tremenda alegria em fazer as outras pessoas felizes, independente da nossa situação atual. Dividir problemas e pesares é ter metade de uma aflição, mas felicidade quando compartilhada é ter o dobro de felicidade. Se quer sentir-se rico, apenas conte todas as coisas que você tem e o dinheiro não pode comprar. Hoje é um presente e é por isso que é chamado assim.

Pois é! Então, amigos MOTORISTAS! Sejamos solidários e humanos. Vençam os preconceitos e consequentes discriminações. Vejam os “DEFICIENTES” como BRASILEIROS!