** Estilo Canino

24 de abril de 2011 22:05 | Dra. Deborah Prates | Sem comentários

Jimmy mudou a nossa vida por inteiro. Nem a minha maneira de vestir escapou das adaptações. A minha personalidade se sobressaiu as fortes
interinfluências do meio. Sobretudo há que imperar a harmonia entre o ser e o ter/poder. No tempo em que enxergava, por exemplo, podia usar roupas justas e curtas. Pós Jimmy um vestido em linho justinho não suportaria mais que duas bruscas abaixadas para por/tirar o arreio, pegar cocô, por/retirar vasilhame para água/comida, etc..

Moda, para mim, é questão de conforto, pelo que as adaptações conforme as necessidades hão que constituir fator preponderante. Sem titubeios e determinação abri o armário e tratei de doar tudo quanto fazia parte de um passado recente. Tudo aquilo não mais me pertencia!

Para maior flexibilidade nas abaixadinhas cortei as calças jeans cerca de 5 cms abaixo do joelho. Esse comprimento ficou ótimo para todas as situações, incluindo os dias de chuva. Percebi que poderia sobrepor vestidos até o joelho. Abusei das malhas pois de enorme elasticidade, facilitando os movimentos somando-se a questão de retornarem ao perfeito estado.

Aposentei o ferro de passar. Maravilha! Jimmy solta muito pelo, razão porque, sempre que posso, opto pelas matizes do cáqui. Contudo, como antes, uso cores vivas principalmente para o verão porque se misturam aos raios do sol, dando um legal/lúdico movimento.

A tecnologia tem sido uma benção na vida dos DEFICIENTES. Uso um leitor de cores. Um aparelhinho pequeno com um leitor óptico numa extremidade que, encostado a superfície desejada, informa a sua cor. Assim, o cego tem maior independência na escolha da roupa. Precisamos de ajuda, todavia, não podemos ser tutelados todo o tempo! Investir em novas engenhocas tecnológicas se faz preciso e, sem dúvida, deveria ser o Governo a dar o pontapé inicial.

Mais uma vez registro a importância do VOTO, já que seu reflexo é global em nossas vidas.

Passei para as sapatilhas por conta da melhor estabilidade para acompanhar Jimmy. Preferencialmente uso bolsas que possam ser cruzadas no corpo, de sorte a deixá-las penduradas próximas ao umbigo. Continuei com brincos longos e extravagantes. Mudei o modelito dos cabelos para o DESGRENHADO arrumado. Pentear! Só ao acordar. Depois é só correr os dedos por entre as mechas e tudo certo.

Percebi que a falta dos óculos as pessoas batiam em mim e ainda perguntavam se eu não estava enxergando. -Não! Sou CEGA! Pensavam que eu era a madame com um cachorro lindo. Então, decidi ficar “fashion”. Comprei uma coleção de óculos escuros bem singular, original, excêntrica. Lentes roxas, azuis, armações rosas, vermelhas, tudo bem DIFERENTE, porém, harmoniosas com a vestimenta da hora!

Como sou “DIFERENTE” é que posso andar diferente. Com esse novo “look” não tive mais problemas, ao contrário, agora todos me olham/notam de forma sutilíssima. É isso aí! Andar na “moda” nada mais é do que ADAPTAR-SE a peculiar maneira de ser. Foi o que fiz. Adaptei a minha maneira de estar/apresentar conforme a nova REALIDADE. Sinto-me feliz e confortável com o novo estilo.

Temos a obrigação de ser FELIZ, pelo que REFLORESTAR OS NOSSOS CÉREBROS é imprescindível! Sugiro nque nos demos as mãos em prol de um Planeta com maior bem-estar para todos.

Homenageio aos Leitores com um pensamento de Alexandre Graham Bell: “Nunca ande pelo caminho traçado, pois ele conduz somente até onde os outros foram.”
Carinhosamente.
DEBORAH PRATES (advogada cega e usuária de cão-guia)

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REFLORESTANDO NOSSOS CÉREBROS PARA UM PLANETA VERDE!

11 de abril de 2011 21:22 | Dra. Deborah Prates | Sem comentários

ÓBVIO! Como precisamos olhar no espelho e nos dizer o ululante. Antes de falar para a sociedade se faz imprescindível uma conversa com o nosso cérebro. De nós para nós. Para um PLANETA VERDE precisamos, verdadeiramente, REFLORESTAR OS NOSSOS CÉREBROS. O desmatamento, superaquecimento, derretimento das calotas polares e tudo mais que precisa ser revisto para a existência do homem na Terra há que ter o pontapé inicial na recuperação das mentes humanas que estão necrosadas em sua grande maioria. Incrível como uma “laranja podre contamina as demais”!

No novo amanhecer ainda vemos uma esperança nos corações tão complicados/intricados. Pós HORROR humanitário ocorrido na escola do Rio de Janeiro é que tudo quanto já “estava na cara” passa a ser dito. Ouvimos do nosso Governante a qualificação do criminoso como “ANIMAL”. Então, é que paramos para fazer um paralelo desse conceito com o pensamento de Mahatma Ghandi: “A grandeza de uma nação e o seu progresso moral, podem ser avaliados pela forma como tratam os seus animais.”

bullying de alunos tem a idade da humanidade. Rendemos graças ao Criador pela conscientização do tema agora pelos nossos Tribunais. Repetidas vêm sendo as decisões condenando colégios por todo o Brasil. Fiquei cega faz 5 anos. Nessa hora de profunda mudança de realidade foi que minha filha (12 anos à época) foi mais uma vítima do bullying. A razão? Pasmem! Por conta de BERE – minha bengala – que deixou minha filhota vulnerável a todo tipo de piadas e humilhações. “AMIGAS” que frequentavam a nossa casa desde o maternal foram as vilãs. Fomos isoladas ostensivamente. Sob os olhos da Direção e dos Responsáveis pelas crianças recaiu o singelo manto da INVISIBILIDADE. Todos fingiam nada ver. Tomando como paradigma o conto de Hans Christian Andersen, A ROUPA NOVA DO IMPERADOR, é que tem lugar o dito popular “O PIOR CEGO É O QUE NÃO QUER VER”. Cruel! Por muita fé na vida foi que mantive o equilíbrio e consegui conduzir minha filha para que, por livre decisão, decidisse alçar voo para novo colégio também religioso, onde fomos recebidas pelo Padre reitor com honras de Chefe de Estado. Conseguimos digerir bem toda essa maldade praticada pelos que se diziam “amigos” e a vida vai muito bem obrigada. Mas nem todos têm igual estabilidade mental e emocional. O chamado “ANIMAL” pelo nosso Governante é um TRISTE exemplo desse desequilíbrio gerado pela própria SOCIEDADE. O “ANIMAL” foi mais uma vítima do bullying. Estaríamos morrendo com o próprio veneno?

De acordo com relatos veiculados pela mídia o “ANIMAL” e seu amigo de escola eram chamados de RETARDADOS e isolados. O que será que sentem e dizem os Senhores Dirigentes, Pais/Responsáveis e os próprios Alunos/Colegas do “ANIMAL” que despejaram nele suas maldades? Lamentavelmente constatamos que a MALDADE, inércia e outros males praticados pela sociedade se VOLTAM contra si com FÚRIA REDOBRADA. Em 2005, a sociedade – DEMOCRATICAMENTE – exercitou o seu direito de se pronunciar diretamente a respeito de questão de interesse geral. Disse NÃO no REFERENDO DO DESARMAMENTO. Duas foram as armas encontradas junto ao corpo do “ANIMAL”. Uma (com numeração raspada) indica ser subtraída da Polícia e outra desaparecida há mais de 18 anos, segundo a imprensa.

Dias antes desse HORROR SOCIAL quase o RJ foi vítima de outro. Relembro a ordem partida do MEC/MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO, sendo chamados os Dirigentes das ESCOLAS ESPECIALIZADAS DO “IBC” e “INES”, para que no próximo ano letivo não mais aceitassem matrículas de alunos CEGOS e SURDOS para o ensino básico. Inenarrável DESCALABRO! O argumento? A escola REGULAR. Seriam as escolas SECULARES do “IBC” e do “INES” IRREGULARES? Os que se classificam como NÃO “ANIMAIS” praticariam essas atrocidades sob a roupagem da INCLUSÃO. Tamanha e rápida fora a movimentação contra esses desvarios que o dito ficou pelo NÃO dito.

O filósofo Aristóteles, em remotos tempos, já argumentava que se tratassem igualmente os iguais e desigualmente os desiguais, nas proporções de suas desigualdades. Inacreditável que os doutores em educação não se deram conta que a primeira língua aprendida pelos surdos é a de SINAIS (LIBRAS), e, após o português. Os cegos, por ilustração, hão que aprender a ver o mundo com o tato para formar os elementares conceitos. Perda de tempo é repetir que as ditas escolas regulares não têm condições nem para formar alunos SEm deficiência, quem dirá alunos COM deficiência, valendo dizer com necessidades especiais. Também não precisa ser muito inteligente para captar que os alunos especiais seriam alvo das mais torpes formas de discriminação, melhor referenciando/atualizando o bullying. O já lembrado autor Andersen (1.805), no conto AS CEGONHAS, muito bem mostra o bullying.

“UMA cegonha construíra seu ninho no telhado da última casa de um povoado. A mamãe cegonha estava sentada no ninho com seus filhotes, que assomavam seus biquinhos negros, pois ainda não haviam adquirido sua cor vermelha. Papai-cegonha estava a pouca distância, na beira do telhado, em pé e entorpecido, com um pé recolhido embaixo do corpo, fazendo de sentinela. … Um grupo de garotos brincava na rua; e, ao ver a cegonha, um dos mais atrevidos, seguido pelos outros que lhe faziam coro, entoou uma cantiga a respeito das cegonhas, cantando -a meio de improviso: Vela por teu ninho, pai-cegonha, Onde te esperam três pequeninos. O primeiro morrerá de uma estocada, o segundo queimado E o terceiro enforcado. – Que dizem esses garotos? – perguntaram os filhotes. – Dizem que morreremos queimados ou enforcados? – Não façam caso – respondeu a mamãe-cegonha. – Não os ouçam, pois ninguém lhes fará nenhum mal. Mas os meninos continuavam cantando e apontando para as cegonhas; somente um, chamado Pedro, disse que era vergonhoso divertir-se à custa daquelas pobres aves e não quis imitar os companheiros. Mamãe-cegonha consolou seus pequeninos, dizendo- lhes:- Não se preocupem com isso. Vejam seu pai como está firme em cima de um só pé. – Temos muito medo – replicaram os filhotes, escondendo as cabecinhas dentro do ninho. No dia seguinte, quando os meninos voltaram a brincar, viram novamente as cegonhas e repetiram a canção. – É verdade que morreremos queimados ou enforcados? – perguntaram de novo os filhotes. – De forma alguma! – replicou a mãe. – Vocês aprenderão a voar. Eu os ensinarei”. Longe de ser a vida um programa de computador onde tudo está gerenciado como pensam os não “ANIMAIS”.

Por outro foco temos que repensar as nossas posturas nas urnas. A omissão também é crime. Quantas pavorosas lições tiramos desses últimos acontecimentos. E por ser advogada é que não preciso ter a isenção do jornalista, pelo que posso dizer aos Leitores que termino esse artigo em PRANTOS. Choro sobretudo pelas Famílias que foram dilaceradas com a brutalidade com que perderam seus entes amados. Choro em solidariedade ao futuro das crianças sobreviventes. Choro pelo mal que a sociedade / escola fez ao “ANIMAL” e que se voltou contra si em ira imensurável. Choro para que o Criador tenha compaixão da humanidade que é tão complexa. Rogo aos Leitores que se deixem contaminar pelo exemplo do personagem PEDRO – do trecho do conto de Andersen acima – de modo a se permitirem pensar no próximo como em si mesmos. Desejo que, como Fênix, tenhamos forças para renascer das próprias CINZAS!

(DEBORAH PRATES)

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LENTES DE CONTATO

18 de março de 2011 19:49 | Dra. Deborah Prates | Sem comentários

O SER HUMANO NU E CRU. VOCÊ É ASSIM? Onde estão as minhas lentes?

Sou DEBORAH PRATES – advogada cega e usuária de cão-guia – em nova inteiração com os Leitores. Verdadeiramente somos uma máquina a funcionar de forma frenética dia após dia. OUVIMOS o soar do despertador e, já com raiva, nos damos mais 5 minutos para o recomeço de um novo dia e terminamos por perder a hora. Então, de um PULO, nos colocamos de PÉ e lá vem o corre corre sem fim. Pronto! ENXERGAMOS o ônibus que já vai passando pelo meio da rua, mas com as MÃOS segurando o celular e pacotes terminamos por perdê-lo. Com o CÉREBRO fica a missão de justificar os diversos atrasos. Nossa! Quando nos damos conta o
relógio já bate 24h.. Tão automatizados estamos que não percebemos nenhuma parte do nosso corpo, exceto quando sentimos algum desconforto.
Minha amiga Augusta, pelo telefone, me contava o quanto foi difícil ficar sem suas lentes de contato durante 5 dias. Obedeceu ordens médicas para o preparo de cirurgias de catarata. Com mais de 10 de miopia em cada olho, confessou ter entrado em parafuso porque nada via. Disse ter passado esses dias em sua casa feito uma enceradeira ligada sem comandante a bater de objeto em objeto loucamente. Desabafou! -Deborah, fiquei pensando em você e em todos os cegos. Pós cirurgias. Augusta, já com seus novíssimos “cristalinos”, rendia GRAÇAS AO CRIADOR pelo dom da vida e consequente graça de voltar a enxergar. Vale, pois, refletirmos sobre o quão importante é CADA parte dessa engenhoca divina que é o nosso corpo e, diariamente, nos colocar nos lugares dos nossos semelhantes que estão privados de alguma delas. Por exemplo, brinque com seus filhos de “cabra cega” e dê-se conta de que a SOLIDARIEDADE há que ser um exercício permanente, até porque não temos controle do FUTURO. Onde estão as lentes de Augusta? Para a sua felicidade, na lata do lixo!

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Homenagem ao taxista Ângelo

14 de março de 2011 21:42 | Dra. Deborah Prates | Sem comentários

O SER HUMANO NU E CRU. VOCÊ É ASSIM? HOMENAGEM AO TAXISTA ÂNGELO.

Sou DEBORAH PRATES – advogada cega e usuária de cão-guia e venhointeragir com os Leitores sobre as emoções vividas nesse Carnaval na companhia do meu cão-guia (Jimmy).

No domingo de Carnaval saímos no BLOCO GARGALHADA (Vila Isabel) que, inicialmente, foi criado para os surdos. Nesse ano foi integrado pelo Grupo ANJOS DE VISÃO, que levou as demais deficiências. Quatro voluntários fizeram com cordas coloridas um quadrado onde ficamos Jimmy e eu. Pasmem! Toda a população do bairro da “Vila” respeitou o cão-guia e fizemos a nossa gostosa brincadeira sem NENHUM transtorno.

No desfile das escolas campeãs também desfilamos na EMBAIXADORES DA ALEGRIA – única no mundo com o foco voltado para as PESSOAS COM DEFICIÊNCIA – e nova emoção. Incrível como fomos bem recepcionados pela sociedade em geral!

Sob chuva passaram pessoas com nanismo, cegos, surdos, cadeirantes e com diversas síndromes, com o apoio de muitas pessoas SEM deficiência. Inenarrável a sensação de nos sentirmos IGUAIS, pelo menos no Carnaval de rua. Jimmy se portou muito bem e sorriu todo o tempo mostrando os seus dentes brancos para todos.

Sendo o cão o melhor amigo do homem, como definir o cão-guia que conduz o cego em seu dia-a-dia? Sirvo-me dessas duas boas experiências para sugerir aos que não gostem de cães que, no caso do “guia”, abstraiam-se da figura do cão para enxergar apenas o ser humano a quem ele tanto ajuda. Afirmo que a chegada de Jimmy melhorou, em muito, a minha qualidade de vida, apesar de vários contratempos que venho enfrentando ao longo desse caminho.

HOMENAGEIO o taxista ÂNGELO, da Cooperativa “CONFIANÇA”, que, depois do desfile – todos molhados e sujos – nos levou para casa com o maior carinho e solidariedade. Penso que ÂNGELO enobrece a classe e os seres humanos, pelo que serve de exemplo para os que já acordam BRIGADOS COM A VIDA! Tenho que devemos jogar o jogo do CONTENTE, de sorte a sempre agradecer pelo que restou, ao invés de, indefinidamente, reclamar pelo que perdemos. Carinhosamente e até breve!

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Sobre o carnaval!

21:38 | Geral | Sem comentários

O SER HUMANO NU E CRU. VOCÊ É ASSIM?

Sou DEBORAH PRATES, advogada cega e usuária de cão-guia, interagindo com os amigos Leitores sobre o Carnaval/2011 que está aí.

Noutro dia, “jogando conversa fora” com amigos também deficientes, estávamos a trocar ideias sobre o DIREITO das Pessoas com Deficiência brincarem nas ruas e brindarem com os demais semelhantes a ALEGRIA. Alegria por estar vivo, por – simplesmente – estar alegre em ver os outros gargalhando. Rir é contagiante!

Mas logo concluímos cuidar-se de um sonho. Não tardou para lembrarmos da total falta de acessibilidade nas ruas. As calçadas arrebentadas, com raízes de arvores aflorando, orelhões sem seus contornos marcados em relevo possibilitando que os cegos permaneçam com suas cabeças incólumes, automóveis estacionados pelos caminhos dos cadeirantes, são apenas alguns motivos para que possamos avaliar o DESPREZO das autoridades quanto a questão da tão almejada acessibilidade.

No último 19 de dezembro a Lei 10.098/00 fez mais um aniversário sem que tivéssemos razão para comemorar. Nesses dez anos a dança das cadeiras foi realizada com a troca de governo e a PERMANÊNCIA dos problemas.

Então é que no nosso exercício periódico de cidadania convido os Leitores para que reflitam sobre o pensamento de Mahatma Gandhi: “Sejamos nós a mudança que queremos ver no mundo.” Um Carnaval com muita paz, saúde, RESPONSABILIDADE e solidariedade para todos.

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AS PLACAS DA CRUELDADE

28 de agosto de 2010 0:27 | Dra. Deborah Prates | Sem comentários

Olá amigos do MUNDO CEGAL! Por conta de uma cirurgia é que estiveafastada de meus afazeres gratificantes, como o de interagir com vocês. Mas já estou de volta e com novas histórias da terrível DISCRIMINAÇÃO. Com a intenção de colocarmos os nossos cérebros em forma é que venho dividir com vocês passagem que vivi e com um legal desfecho. Ainda bem que ainda existem SERES HUMANOS solidários! Quando há espaço para elogios temos que ter a humildade para fazê-los. Conheçam a minha última coluna no tabloide de nome FOLHA DO MOTORISTA (RJ) e, se puderem, comentem comigo as suas opiniões pelo nosso BLOG!

Sou DEBORAH PRATES – cega e usuária de cão-guia dividindo com os amigos Leitores o sentimento de felicidade com a SOLIDARIEDADE recebida da COOPERATIVA “GLÓRIA TÁXI”. Que maravilha que ainda restam SEMELHANTES solidários e bons sobre a Terra! Imaginem que apareceu na porta do prédio onde resido duas placas apontando nítida DISCRIMINAÇÃO contra mim e ao meu CÃO-GUIA (JIMMY PRATES). Muitos populares da área vieram me ajudar a colocar a mão nas placas cruéis. Não tive dúvidas!

Imediatamente telefonei à “GLÓRIA TÁXI” para – MAIS UMA – reclamação. Para a minha surpresa a atual administração é novíssima e, como a anterior, extremamente HUMANA. Recebi o apoio de TODOS, a começar pela atendente. Meu e-mail fazendo a séria denúncia de discriminação fora analisada com total presteza e – SOBRETUDO – com justiça e bom senso. Leitores acreditem! Em menos de duas horas as duas placas já haviam sido DESTRUÍDAS com os devidos pedidos de desculpas em nome da bem-vinda “”GLÓRIA TÁXI”. Posso dizer que senti nesses AMIGOS taxistas verdadeiro respaldo FAMILIAR, pelo que RECOMENDO seus serviços. Na tão rápida atitude restauradora da PAZ é que dedico a esses TAXISTAS o conteúdo do texto – que não é de minha autoria – numa ratificação de que a hora é AGORA e o momento é ESSE! Boa leitura e reflexão em nosso exercício de CIDADANIA.

“Num lugar muito bonito, onde havia árvores, flores e um lindo lago. Certo dia surgiu um casulo. E quando ele se rompeu, de dentro saiu voando uma linda libélula. E ela ficou tão encantada com o lugar, que voou por cada pedacinho. Brincou nas flores, nas árvores, no lago, nas nuvens. E quando ela já tinha conhecido tudo no alto de uma colina avistou uma casa. A casa do homem. e a libélula havia de conhecer a casa do homem e foi voando pra lá. E então, a libélula entrou por uma janela, justo a janela da cozinha. E nesse dia, uma grande festa era preparada. Um homem com um chapéu branco grande dava ordens para os criados. Mas a libélula não se preocupou com isso, brincou entre os cristais, se viu na bandeja de prata, explorou cada pedacinho daquele novo mundo. Quando de repente, ela viu sobre a mesauma tigela cheia de nuvens!!! E a libélula não resistiu, ela tinha adorado brincar nas nuvens e mergulhou. Mas quando ela mergulhou! Ahhhhhhhh! Aquilo não eram nuvens, e ela foi ficando toda grudada, e quanto mais ela se mexia tentando escapar, ahhhhhh! Mais ela afundava.. E a libélula então começou a orar. Fazia promessas e dizia que se conseguisse sair dali dedicaria o resto de seus dias a ajudar os insetos voadores. E ela orava e pedia. Até que o chefe da cozinha começou a ouvir um barulhinho e ele não sabia que era a libélula rezando. E quando olhou na tigela de claras! Nevearghhhh! Um inseto! E ele pegou a libélula e a atirou pela janela. A libélula então, se arrastou para um pedacinho de grama, e sob o sol começou a se limpar. E quando ela se viu liberta estava tão cansada que se virou pra Deus e disse: – Eu prometi dedicar o resto de minha vida a ajudar os outros insetos voadores, mas agora eu estou tão cansada, que prometo cumprir minha promessa a partir de amanhã. E a libélula adormeceu. Mas o que ela não sabia, e você também não sabe, é que as libélulas vivem apenas um dia. E naquele pedacinho de grama, a libélula adormeceu e não mais acordou. Moral: Nunca deixe a obra do Senhor para a última hora, pois a noite vem, em que já não se pode trabalhar”.

- Quem sofre a DOR DA DISCRIMINAÇÃO tem pressa e fome de JUSTIÇA! Pratique o seu gesto de amor e solidariedade AGORA!

Carinhosamente. Até a próxima!

Discriminação

13 de julho de 2010 0:02 | Dra. Deborah Prates | 1 comentário

TENSÃO NO CLIMA! Lá íamos nós a achar graça das próprias experiências. Cada qual contava um experimento tido com outro ser humano acerca dos dolorosos temas que nunca nos acostumaremos graças a nossa mania de ter fé na vida. Falávamos do preconceito e da discriminação. O papo ia longe!
Puxei a roda relembrando os episódios que sofri no meu condomínio onde resido quando ouvi: “A Dra. Deborah é advogada competente, mas é cega! Por isso tem que deixar as ações e o cargo de Conselheira Consultiva”. Relembrei a passagem que ainda está começando quando fui discriminada pela maior autoridade do Poder Judiciário do Estado do Rio de Janeiro, ao me impedir de entrar – onde já frequentava há dois anos – no foro central com meu pessocão de nome JIMMY PRATES.
Aninha já contava de certa feita, quando, acompanhada de mais duas amigas, encontraram com suas bengalas um banco da praça onde sentaram para um dedo de prosa. Logo após acomodarem-se ouviram: “Ah! Coitadinhas. Todas cegas! Vão para o INFERNO!”
Augusto, mais tímido, custou a descrever uma de suas passagens. Rodeou e rodeou mas fez nascer. Disse que, esfrega daqui e esfrega dali, veio o tesão e o encontro do motel com sua namorada. Duros como coco contaram o dinheiro e conseguiram a informação de local compatível. Finalmente encontraram. Ficava bem em frente a saída do metrô. Ao pegarem a reta da portaria ouviram: “Que lindos! Lá vão os ceguinhos para o motel! Que gracinha!”
Seguidamente veio Mônica com sua história. Esperava sentada
com sua amiga Vera a abertura de suas contas em um banco quando ouviram: “Com licença. Mas será que vocês poderiam me explicar uma curiosidade? É que sempre tive interesse de saber como um cego consegue transar no escuro! Como encontram o local correto para aquilo?”
Salete continuou no ritmo acrescentando que já ao final de sua gravidez, ao atravessar a rua, ouviu: “Coitadinha. Quem fez isso com você?”
Machado, com seu vozeirão grosso, aduziu logo após com sua parte. Narrou que no trajeto de um caminho a bordo de um ônibus, a pessoa ao seu lado disse-lhe: “Nossa! Você é tão bonito. Como pode ser cego?”
E o novelo de contos foi se desenrolando com lorotas para todo mau gosto. Coisas que até o Criador duvidaria ouvir de suas Criaturas!
De repente um silêncio! O clima ficou pesado/tenso. Os amigos ficaram introspectivos. Certamente todos pensavam sobre a dor sentida com as experiências trocadas.
Na manhã seguinte conversava com Carlos – com quem trabalho – sobre os episódios de preconceito e discriminação acima. Daí ele complementou dizendo que desde que se entendia por “gente” ouvia besteiras por ter nascido negro. Com consternação disse ter perdido as contas de quantas vezes ouviu: “Preto quando não c… na entrada, c… na saída!”
Esse nosso papo custou-nos uma manhã de amadurecimento. Lembramos de muitas histórias de conhecidos uma mais petrificante que a outra. Concluí que todos os DIFERENTES são vítimas de crimes idênticos. Mas como situações tão díspares podem ser idênticas?
Simples! Os “IGUAIS” discriminam tudo quanto foge a indústria da moda. Tudo quanto foge ao estereótipo da atual sociedade. Assim, quem não tem o corpo saradão e veste acima do manequim 40, já passa a ser visto como DIFERENTE.
Quem são os diferentes? Brincadeira de criança a resposta! Os gordos/obesos, os cadeirantes, os que se locomovem de muletas, os cegos, os negros, os que residem em comunidades, os que exercem cargos tidos como menores (varredores de rua, empregados domésticos, contínuos, e por aí afora.
No fundo a dor de quem sofre o gesto discriminatório é a mesma. A intenção do ofensor, melhor explicando, de quem discrimina também é a mesma, qual seja a de tão-só HUMILHAR/ESPEZINHAR seu semelhante.
Todo esse blá-blá-blá nos leva a pensar que de longe somos a minoria como dizem as más línguas. Nada disso! Somos mesmo é a VOZ DA MAIORIA. Sim. Contudo, uma MAIORIA DESUNIDA. Se passearmos sobre o resultado do último senso (IBGE/2000), conferiremos que os negros somados aos deficientes e aos aposentados e aos que moram na periferia, já somariam mais do que o grupo dos que intitulamos de “IGUAIS”.
Como mudar? A resposta está na cara! Basta descruzarmos os braços, secar as lágrimas que nos esforçamos em derramar, falar mais alto (na moral e no amor), lançar mão da nossa legislação e sair para a luta a FAVOR DA PAZ E DA SOLIDARIEDADE. Só isso.
No entretanto, é lamentável verificar a nossa inércia e medo de reivindicar o que está na Carta da República tão às duras penas conquistado.
Fecho esse artigo com o pensamento abaixo na ESPERANÇA de que os seres humanos que o leiam reflitam sobre as monstruosidades agora divididas. Está no legado de Martin Luher King:

“Aprendemos a voar como pássaros, e a nadar como peixes, mas não aprendemos a conviver como irmãos.”

Com todo o meu carinho.
DEBORAH PRATES (cachogente) e JIMMY PRATES (pessocão)

AS CRIANÇAS NA VIDA DO DEFICIENTE

7 de julho de 2010 23:32 | Dra. Deborah Prates, Geral | 1 comentário

Em bate-papo com amigos lançou-se o convite a uma troca de experiências acerca das crianças e familiares na vida dos deficientes. Nas respostas deu bem para constatar que os filhos e sobrinhos criados bem próximos aos deficientes cegos lhes ofertam tratamento carinhoso e proporcional a supressão do sentido. Numa das respostas veio um relato de um filho de menos de dois anos que levou a mão da mãe ao interruptor, a fim de que ela acendesse a luz para ele, bem como – noutra situação – lhe desviava de obstáculos na rua. Então, percebemos que a visão das crianças criadas ao lado da deficiência é de igual para igual na medida das desigualdades.
Já fora dessa intimidade as crianças da escola, por ilustração, discriminam os coleguinhas e seus familiares deficientes com total naturalidade. Claro que essa discriminação, tomando-se em conta a pureza das crianças, deve-se aos comentários que ouvem em seus lares.
Óbvio que são os adultos os culpados pelas atitudes das crianças, vez que as palavras de zombarias e discriminatórias partem desses responsáveis.
Conclui-se, pois, que Governo e sociedade, em sintonia fina, devem investir na educação dos pequenos a partir do maternal, no sentido de que aprendam a olhar para os diferentes com a mesma naturalidade com que olham para os iguais. Isso porque as crianças de hoje serão os adultos do amanhã!
Então, que façamos a nossa parte e comecemos a pulverizar mais sementinhas de amor, paz e solidariedade entre todos porque, certamente, uma haverá de vingar. Nada de esperar sentados pela mudança no mundo. “NAVEGAR É PRECISO”, pelo que façamos a nossa parte!
E para refletimos de forma mais profunda sobre essa troca de experiências é que lhes deixo a frase abaixo para futuro bate-papo.
“Nunca ande pelo caminho traçado, pois ele conduz somente até onde os outros foram.” (Alexandre Graham Bell – 1847/1922)
Pela nossa união hoje e sempre!
Carinhosamente.
DEBORAH PRATES (cachogente) e JIMMY PRATES (pessocão)

QUE SEJAMOS NÓS A MUDANÇA QUE QUEREMOS VER NO MUNDO

4 de julho de 2010 1:55 | Geral | Sem comentários

“Sejamos nós a mudança que queremos ver no mundo.” Eis um dos pensamentos maravilhosos de Mahatma Gandhi. Penso que é sob essa ótica que devemos enxergar o próximo OUTUBRO. Entendo que devemos começar a assumir os nossos erros politicamente falando. Se os políticos que estão hoje no poder nada fazem por nós é porque escolhemos mal os nossos representantes. A responsabilidade do voto é de suma importância para que, de fato, venhamos a ter um BRASIL COM MAIOR IGUALDADE DE OPORTUNIDADES. Se no passado recente vimos uma parlamentar fazendo a dança da pizza é nossa a responsabilidade desse gesto tão inconsequente, já que foi graças ao nosso voto que a deputada chegou ao Congresso Nacional. É preciso que tenhamos essa consciência para que no outubro vindouro possamos modificar o que não está funcionando e conservar o que está correto.
Reflitamos o que, verdadeiramente, vem sendo posto em prática de tudo quanto temos em nossa legislação pelos deficientes. Sim! Leis temos em abundância! Resta-nos exigir que sejam tantos diplomas legais cumpridos. Inconcebível é continuarmos acomodados e reclamando de falta de inclusão se, por inércia, não exercitamos o nosso direito de cidadania. Então, que “SEJAMOS NÓS A MUDANÇA QUE QUEREMOS VER NO MUNDO”, de modo que nas próximas eleições tenhamos a força do nosso VOTO a atuar como varinha de condão para garantir que os nossos direitos saiam do “papel” e passem a ser uma justa realidade. Tudo depende de nós.
Carinhosamente.
DEBORAH PRATES (cachogente) e JIMMY PRATES (pessocão)

INÍCIO DO USO DA BENGALA E DO CÃO GUIA

28 de junho de 2010 17:27 | Dra. Deborah Prates | 1 comentário

Sou DEBORAH PRATES – cega e usuária de cão-guia – evenho dividir com vocês Internautas uma pergunta feita num grupo de deficientes visuais, pela qual o Listante indaga sobre o início do uso da bengala e cão-guia logo no início da cegueira. Assim, trago para a apreciação e complemento de vocês a minha resposta, como se segue:

Olá amigo Listante

Então a nossa situação é semelhante, melhor dizendo as nossas preocupações iniciais. Isso porque fiquei cega faz 4 anos e tive que iniciar na bengala. Assim é que vou descrever-lhe a minha experiência, como vai abaixo.

1 – De plano, ainda no apagar das luzes (tempo em que via pouco) – já fui me adiantando nesse particular porque sabia que nos próximos dias estaria totalmente sem visão por conta da ingestão de corticoides. Isso ocorreu num final de janeiro e as aulas da minha filhotinha querida começava em meados de fevereiro. Logo, tinha muito a fazer em tão pouco tempo, pelo que não tive oportunidade para depressão e outras mazelas mais! Tive logo que por a mão na massa, como se diz na gíria!

2 – Fui logo buscar aulas de mobilidade numa escola para cegos do Rio de Janeiro e, sem surpresa, ouvi que não havia vaga para o curso que estaria começando em breve. Pediram para eu deixar meu nome numa lista de espera. Claro que não fiquei esperando a banda passar! Fui logo indagando quem seria a diretora ou o diretor. Sabido é que só não há jeito para a morte. E assim, consegui que um professor, em suas horas vagas e de folga, viesse a minha casa para ministrar – não mais – do que seis aulas de mobilidade/bengala. Foi uma pessoa maravilhosa e – de minha parte – fui bem objetiva. Sem tempo para lamentações. Pedi: Dá-me logo a bengala e pronto!

3 – Disse-me o instrutor que não era bem assim e que eu teria o momento correto para a bengala e que, antes de tudo, deveríamos bater alguns papos psicológicos e por ai afora! Lamentavelmente não tinha tempo para rodeios. O tempo urgia e os ponteiros do relógio eram implacáveis. Lamento, disse-lhe, mas quero pegar logo na bengala. O psicológico será resolvido entre nós duas e rápido!

4 – Na aula seguinte esse instrutor maravilhoso – mas espantado comigo – trouxe-me Berenice. Fazia pouco que eu havia lido um livro de aventuras onde o personagem, ao final da história, se via sozinho numa tormenta em alto mar e com seu barco pesqueiro todo arrebentado e equilibrando-se como podia gritou para uma onda gigantesca que vinha em sua direção: “VENHA! SUA FDP! NÃO TENHO MEDO DE VOCÊ!… Loucura total. Quando peguei Berê, com a mesma fúria do personagem descrito, ela já foi se montando sozinha nuns plecs-plecs abomináveis E, em pensamento, lhe dizia: “VENHA SUA FDP! NA PRIMEIRA GRACINHA EU LHE PARTO AO MEIO! Na verdade precisava desse desabafo rápido.. Nenhum tempo dispunha para estar num consultório de psicólogo e/ou qualquer similar. Tratei urgente de ir à rua com o instrutor. Precisava que as pessoas da redondeza me vissem usando Berê para que também desabafassem seus “dós”. E, inevitavelmente, lá fomos nós aos sons de: “Ah! Coitada! O que aconteceu Deborah…..

5 – Em mais cinco aulas e já estava a dar as minhas bengaladas sozinha. De plano o que me deixava furiosa foi a perda do espaço aéreo. Começávamos – por exemplo – do lado direito da calçada e quando percebia já estava quase a esbarrar o meio-fio oposto. Andava como peixe, valendo dizer na diagonal da vida. Logo verifiquei que Berê não iria se dar muito bem com a minha personalidade. Era tão, ou mais, cega que euzinha. Foi aí que pensei que um olho quadrúpede iria me ajudar e parti para o encontro do cão-guia.

6 – Pelo buscador minha filhota e eu encontramos na Internet o nome de uma fundação americana, cujas informações eram as melhores. Não falava inglês suficiente para me virar na América, tampouco para o envio de cartas no idioma. Cuidei de telefonar para um curso de inglês (IBEU), expondo para o encarregado a minha necessidade. No dia seguinte já recebia um telefonema daquela que tornou-se meu anjo da guarda. Era Marilena, uma professora de inglês que – entendendo meu caso – tudo fez para acertar as nossas necessidades e já começar com as aulas. Marilena ficou sensível, vez que tinha uma filha deficiente. E tome de aula e preenchimento de formulários, envio de documentos, entrevistas e muito mais. Muita papelada e informações até o dia da entrevista pelo telefone. Para mal dos meus pecados foram duas. Marilena e eu firmes e fortes! Ano e meio mais tarde minha filhota trazia da caixa de correspondência a carta dando-me parabéns pela vitória na conquista da vaga para ir fazer o curso de treinamento de 28 dias em Nova Yorque.

Nossa! Que alegria! E que pavor também de enfrentar o desconhecido e sem dominar a língua! Nunca minha filhota e eu havíamos nos separado por tanto tempo. A cabeça girava a mil por hora. Tudo decidido e resolvido em Família. Na arrumação da mala foram lágrimas para lá e para cá. Filha, parentes, amigos, afilhadas e eu derramávamos lágrimas. Pensei no rio de lágrimas vivido pelo personagem Alice, na história ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS.

7 – Procurava deixar o meu cérebro anestesiado no aeroporto Tom Jobim. Ao perceber a decolagem e ganhar a estabilidade nas alturas tive a certeza de que no voo de volta traria a totalidade da busca. Era a fundamentação da lei da atração dos corpos tão elementar na física quântica. Soube querer, pelo que JIMMY PRATES já me esperava na América. Pronto! Lá ia eu caminhando com apoio em um ombro americano pelo aeroporto J. Kennedy. E os 28 dias foram maravilhosos e muito aprendi sozinha por lá. Uma experiência de vida inenarrável. Sentia-me – verdadeiramente – um cego num tiroteio. O treinamento foi intenso e quase nem tínhamos tempo para escovar os dentes. Fiz muitos amigos com quem falo, pelo tradutor instalado em meu computador, com regularidade. JIMMY PRATES se adaptou muito bem e hoje somos uma Família feliz e com mil histórias para contar. Umas ótimas e outras tristes como, por exemplo, a discriminação que sofri praticada pelo Presidente do Tribunal de Justiça do RJ. Coisas da vida!

8 – Então, só usei a bengala por, mais ou menos, 18 meses. Agora o fato de ter cão-guia não significa, em absoluto, abandonar a amiga bengala. Não. É preciso que se tenha essa consciência. Há lugares que não devemos levar o cão. Isso porque é um ser vivo e não podemos expô-lo – por exemplo – em locais inadequados. Quando vou ao estádio do Maracanã ver meu FLUSÃO jogar não levo JIMMY PRATES. É a vez de Berê entrar em campo com seu traje de gala. Num show onde o volume do som é exagerado também não levo JIMMY PRATES. Então, o que temos que ter como princípio é o bom-senso em tudo na vida.

9 – Estou perfeitamente adaptada com Jimmy Prates. Digo-me cachogente e ele meu pessocão. Isso porque eu sou o seu cérebro e ele o meu olho. Logo, somos um só. A dupla há que estar perfeita e em plena sintonia. Nenhum dos dois pode errar. Digo que é melhor que um casamento. Isso porque no casamento a cada dia estamos mais perto do fim. Já com o cão-guia a cada dia estamos melhor. (rsrsrs) Interessante a metamorfose na cabeça das pessoas/semelhantes. Antes do cão-guia tratavam-me de: “A CEGUINHA”. Pós Jimmy Prates tratam-me: A MULHER DO CACHORRO, ou a advogada do cachorro. É, vejam meus amigos que evoluí!

10 – A bengala não nos dá gastos e nem trabalho com limpeza, veterinário, ração, etc… Em contrapartida, não nos dá a alegria de conviver com um amigo quadrúpede e de conquistar novos amigos no dia-a-dia. No metrô, por ilustração, é uma verdadeira festa. No vagão onde estamos todo mundo fala com todo mundo por conta de Jimmy. Cada um tem uma história para contar e dividir uns com os outros. É sempre um ponto de convergência e de união. Até mesmo quando temos que nos unir contra os não cachorrentos (que são a minoria). É uma grande companhia com quem converso a toda hora. A bengala não me desviava dos orelhões (telefones públicos muito mal colocados pelas calçadas), não me desviava das brechas dos andaimes de construções, não me desviava de obstáculos mais baixos que a minha cabeça, etc…. Já o guia faz tudo isso e andamos em boa velocidade. Até, quando é o caso, arrisco uma boa corridinha!

11 – Veja amigo Listante que tudo na vida há um lado bom e outro não tão agradável. Posso lhe assegurar que ter um cão-guia é fantástico quando se ama cachorro. A nossa qualidade de vida melhorou sensivelmente depois da chegada de JIMMY PRATES. Se precisar de incentivo tens o meu. Pense na opção com muito amor e carinho.